segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Apenas dirija...

Brás entra no táxi e responde como nos filmes:
Para lugar nenhum, apenas dirija.

Pois é, e agora? Daqui pra onde? Onde guardar sua esperança? Por onde extravasar seu idealismo? Como administrar seu inconformismo? Nah... melhor sucumbir à preguiça, render-se à passividade, tomar uma cachaça, quem sabe cantar um tango argentino, NÃO! Montar um grupo de pagode!

O Sapo Barbudo tanto pulou que alcançou o trono. Claro que coaxando mais baixo, em estranha simbiose com seus antigos predadores. Prometeu Fome Zero e entregou Caixa Dois. Anunciou o Espetáculo do Crescimento e apresentou um Show de Horrores político. Sob a heráldica do ‘País de Todos’, instalou uma ‘Nomenklatura dos Seus’. A esperança venceu o medo, que por sua vez foi derrotada pela mediocridade, que seria massacrada pela desonestidade.

Mas por que não experimentar um metalúrgico sem-dedo, se um intelectual sem-braço não funcionou? Um dândi que se apaixonou pelo próprio reflexo, a ponto de dar vida a seu duplo virtual. Foi o homem que matou a cobra, e só não mostrou o pau porque não haviam inventado o Viagra. Se pelo menos seu primeiro nome fosse Tarcísio ou Thiago...

Ou que tal um mineiro cuja sexualidade, ou falta dela, até hoje é discutida (isso é que é comer quieto). Uma espécie de dublê de Dr. Hyde (com sua inevitável contraparte) e necromante, que trouxe do reino dos mortos um Besouro motorizado.

Ou você pode recorrer a um playboy cheirador empenhado em caçar marajás (não marijuana, como se chegou a publicar) e levar o Brasil ao Primeiro Mundo (especificamente à sua conta na Suíça). Seu fim foi não dividir o butim, além de avançar na mulher do irmão, PC, que o cagüetou. O outro PC sumiu, apareceu e sumiram com ele (ah, essas paixões).

Que me diz então dum (auto-declarado) poeta com um rabo de andorinha pendurado no nariz? Figura opaca e meditabunda (se preferir, um panaca de meia bunda), caiu-lhe no colo um mandato tampão em que também recorreu à paranormalidade, provocando sucessivas glaciações que não bastaram para extinguir o fogo do dragão.

Sorte de quem morreu eleito, como uma grande promessa, sem ter tido tempo de provar sua pequenez diante do gigantesco monturo de corpos, fezes e zeros vermelhos que herdaria.

TARJA PRETA

Django Larr, um aristocrata que coxeava da perna esquerda, acabou substituindo o arqueiro titular. Foi vítima de um golpe de vista e engoliu um frango, ou melhor, vários abutres de alta patente. Antes mesmo que seu time fosse ao ataque. Teve que atuar no futebol estrangeiro.

Houve um populista demagogo, prolixo e beberrão, que entrou dando vassouradas a estro e a sestro, quis até esquentar a Guerra Fria por aqui, mas pediu o penico logo, acossado por ‘forças terríveis’ (pa bo enten me pal ba).

Tivemos um JK morto num carro em circunstâncias mal esclarecidas, talvez para imitar o Tio Sam. Assim como o deles, não foi mais que um semi-deus inventado. Num passe de mágica levou o Olimpo embora e entregou o Fogo aos mortais para que queimassem o Cerrado e a Amazônia, além de ensiná-los a brincar de carrinho.

Antes dessa tragédia grega, na Era Mitológica, o grande Pai dos Pobres era um déspota astuto e até algo esclarecido. Goza do distanciamento histórico que filtrou todas impurezas de uma longa ditadura. Tirou umas férias, voltou pelo voto para depois meter um balaço no peito. Espera aí, os mártires costumam ser mortos, não cometer suicídio!

Bem, e agora seu Brás? Na garrafa tem mais? Mais uma ‘guinada’ de 360º; uma ‘revolução’ em torno do mesmo eixo? A caravana passa, quem ladrava agora é ladrão. Cinco séculos de pilhagem e pilhéria. Desde que uns brancos sujos e fedidos aqui aportaram e se impressionaram com as vergonhas desnudas das silvícolas e com a exuberância da paisagem onde se plantando tudo dá, sem vergonha alguma levaram o pau-brasil, desceram o pau nos negros, meteram o pau nas negras e índias, plantando a Cana-da-Índia e a semente de um povo que seguindo Darwin ou segundo Darcy Ribeiro seria superior, mas... Dizem que um anjo perguntou a Deus por que colocar tanta riqueza, beleza, fartura e nenhum vulcão, terremoto ou furacão no Brasil. Com um sorriso, Ele respondeu: “Espera pra ver o povinho que eu vou colocar lá!”.

Talvez a solução fosse evacuar o país de civilização e entregá-lo de volta ao Neolítico. Ou abrir mão de qualquer escrúpulo e virar um Narco-Estado. Ou ainda estender uma gigantesca lona, cobrar entrada e vender pipoca e amendoim. Talvez a idéia do Raul Seixas não seja tão absurda. Quem sabe se entregássemos nossos melhores jogadores de bola ao FMI, ou se mandássemos as crianças de rua estudar na Suíça?

Apenas dirija...

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