sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Delírio?!

Pergunto eu
Por que perguntar tanto?

Quem somos, donde viemos,
Para onde vamos?

Somos símios que falam?
Sim, por certo.
Vamos durar para sempre?
É claro que não.

E isso prova que há ou não
Um Deus ou vários?

Deus é inescapável!!!
Até para negá-lo,
Usa-se Seu nome

Qual Nome!
Se nome é algo do
Domínio de Nós Mortais?

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Fábula Acadêmica


Era uma Vez...

... sobre as verdejantes colinas de um reino próspero e distante, reino cujo monarca era justo, benevolente e próspero, e cujos súditos eram saudáveis, bonitos e asseados, além de não menos prósperos... enfim, surgiu nesse reino, vindo de terras ainda mais distantes, um autoproclamado sábio, guru e feiticeiro, não necessariamente nessa ordem. Era o grande, enormíssimo, estupendo e fabuloso (não necessariamente etc.) “Vazzen von der Zeffa”

Zeffa tinha uma proposta para o rei. Sim, isso mesmo, afinal de contas não se viajam léguas e léguas a troco de um aperto de mão. Sua idéia era simples mas genial – ele era sempre genial. Ora, o monarca dispunha de todo aquele reinado, mas seu povo era estúpido, não, não se ofenda, era uma nação de néscios. E Zeffa era depositário de todo o saber das bandas de cá do rio. Sua proposta era instituir algo a que ele chamava Academia. O Rei não teve tempo de coçar a cabeça uma segunda vez pois Zeffa se prontificou a explicar: na tal Academia, haveria livros – e o cenho do Rei franziu mais um pouco – e haveria professores – aqui chamaram-se os guardas. Vazzen escapou do calabouço trocando aquela palavra por “pesquisadores”, o que o Rei gostou muito de ouvir, sendo ele próprio um pesquisador, diga-se, da vida dos outros. Sua Majestade empertigou-se em sua farda e sinalizou que progredisse a explanação.

Bastava, fê-lo der Zeffa, interpelar todos mercadores que transitassem por terras vossas, cobrando-se-lhes uma pequena taxa, um ou dois dobrões de ouro. Daí viriam recursos suficientes para erguer alguns poucos prédios – ou diversas taperas, como preferirdes – onde seriam ministradas aulas por alguns de meus discípulos, detentores de todo o saber das bandas de cá do rio. Não bastando, todos poderiam se ocupar de tentar descobrir novos brinquedos, artefatos ou poções, feitiços ou antídotos... Mais, haveria bardos e menestréis, escribas e cartógrafos, pintores e escultores...

Chega! Isso já chega, bradou o Rei, não faço idéia do que significa tudo isso, mas vá, algo me diz que lho devo consentir. Vá, meu caro, tens Carta Branca. Doravante fica estipulado que nada se vende, nada se compra, nada se colhe e nada se come sem que o valoroso Vazzen von der Zeffa receba seu quinhão. E que se faça a Cadimia!!!

Academia, milorde.

Pois tudo transcorreu às mil maravilhas. Bem verdade que os campesinos, aldeões e demais qualidades de gente menor não puderam compreender aquele circo todo, mas quem são eles? As obras e preparativos seguiram, e todos estavam contentes e esperançosos; o monarca mesmo enviou uma expedição ao Condado dos Vinhedos encarregada de supri-los com o melhor dos vinhos. Zeffa, apesar de atarefado, aceitou uma ou outra regalia palaciana, dado que os sábios (gurus e feiticeiros) são de carne afinal. E a carne é fraca, já sabemos.

Quando tudo estava pronto, caiado de branco e acabado, fez-se uma festa que, segundo os ventos que passaram por aqui, durou algo entre três e setecentos dias. Pôs-se de pronto em andamento o projeto mirabolante de Vazzen, e houve uma euforia entre a corte e o clero. Houve quem falasse em milagre, olha, dizem que até em Messias, mas isso é terreno ardiloso. De qualquer forma, o sucesso obtido foi formidável, e a coisa toda prosperou a olhos vistos.

Algum camponês ou outro vendilhão, andarilho ou meretriz ficaram insatisfeitos a resmungar com a carestia, mas ora... O povo todo se enterneceu com o nascimento de uma adorável criatura, filha de nosso bom déspota, sua alteza Princesa Verba.

Verba cresceu forte e saudável e, cá entre nós, assaz bela. Sem falar que o reino em si cresceu, atraindo gente de todas as partes e parte de todas as gentes, enfim, havia muita gente mesmo. E para suprir a fome de todos, instituiu-se um galpão onde se servia sopa, uma sopa saborosa, que ficou conhecida como caldo de cultura. Foram tempos memoráveis aqueles antes do dragão.

Pois sim, um dragão. Ora essa! E dos grandes, garanto. Mas ele veio disfarçado de mulher. Não me perguntes como, Julio Verne não tinha leitores tão curiosos... A verdade é que o bichão tornou-se uma graciosa criatura, recém púbere – fica aqui isto – bem ao gosto de sua Majestade. E veio em visita ao nosso adorável reino. Encantou a muitos, inveja também causou, e constrangimento, por ser tão jovem e tão desejável. Não tardou a ter acesso aos corredores acadêmicos e gostou muito do que viu. Tantas pessoas bonitas e talentosas, tanta efervescência que sentiu azia. Não via a hora de cuspir um foguinho. Mas enfim, logrou com igual êxito adentrar a alta hierarquia palaciana, insinuando-se até conhecer o supremo mandatário.
Aí então se revelou. E dizem que cuspiu fogo que ardeu duas semanas. Mas ao que me consta, só chamuscou alguns arquivos empoeirados. Fora de forma, desculpou-se o monstro. Mas o monarca, em trajes menores, ficou apalermado com aquele susto, olhou para cima e caiu desfalecido. O pânico logo tomou o castelo de assalto, dali a diante o reino inteiro. Nosso vilão dissimulado fez como dele se esperava, já advinhas: raptou a criança Verba, quem aliás tinha constituição bem semelhante à escolhida por ele para disfarce. Uma verdadeira princesa. A população pela primeira vez foi unânime quanto à necessidade de derrotar o enorme animal que punha labaredas pelas ventas. É verdade que discutiram até os bofetões sobre o modus operandi. Ficou decidido que apareceria um cavaleiro destemido, aventureiro vindo de bem além do rio que com sua enorme espada assassinaria a besta. Preferiram escrever dragão a besta, temendo pelo rei. Ah, e salvaria e desposaria a besta, digo, a Verba. Alguém aí? Voluntários, passo à frente.

Pouco mais tarde, chega uma mensagem aos aldeões, que a transmitem incontinenti ao bom Rei. O dragão exigia a academia para liberar, ou melhor, libertar a Verba. O Rei desmaiou de novo. Vazzen, vocês perguntam, que foi feito dele? Se esgueirava sorrateiro escapando da atenção de todos mas acabou pego pela guarda real. E agora? Zeffa objetou que era um absurdo, e ademais uma covardia entregar assim o fruto de tanto esforço. Parecia razoável. Mas não trazia a princesa de volta. Zeffa ficou cativo, afinal, foi ele quem começou tudo aquilo. Onde estava sua mágica agora?
Tão logo souberam da novidade, os alunos e freqüentadores da academia ficaram possessos. Ora, pois um réptil enorme, de hálito incendiário levaria a maior riqueza, digo, a segunda – a primeira já fora levada – sem que ninguém lutasse? Uniram-se, armaram-se paus e pedras e livros – os quais nunca se soube para que serviriam. Enquanto isso, nosso guru, sábio, bla-bla-bla, mexia seus pauzinhos. Preparou um feitiço para escapar do cárcere. Teve que usar até, ouvi dizer, a língua de um dos guardas. Desapareceu. A hora da batalha era chegada.
El Rei, que se arrependera desde muito de dar ouvidos àquele maluco, insistia que se concedesse à besta o que pedia, que se salvasse a Verba. Tarde demais. Catedráticos, pupilos, aldeões e bandidos, seguidos do magnífico Vazzen von der Zeffa, rumavam para a montanha do dragão.

Lá chegando, encontraram algo bem diverso do esperado. Mesa posta, centenas de salgadinhos, canapés, ponche e outras delicatessens brilharam ao povo faminto como o mais rico Potosi. A ira, a cólera, o ímpeto e a agressividade de cada um voltaram-se da besta para o próximo, cada qual querendo comer mais e primeiro. Como resultado, dois terços estavam mortos no chão no momento em que Vazzen chegou e se deparou com o espetáculo.

Estupefacto, boquiaberto e estarrecido (nessa exata ordem), Zeffa conjurou setecentos e cinqüenta demônios rastejantes, quatro ou cinco elementais de água e mais duas enormes gárgulas voadoras. O que seguiu não serei eu, nem sequer o próprio Vazzen, quem poderá descrever. Não é de nossa tradição narrar batalhas épicas; aliás, até então nunca houvera uma.

Mas ao cabo de um quarto de hora, as tropas etéreas e fantasmagóricas triunfaram ao conseguir induzir o monstro a engolir uma nuvem, depois do quê ficou a soltar umas fumacinhas que faziam um barulho que parecia, ainda que por lá não se soubesse o que eram, trens deslanchando.

Mas e quanto a Verba? E a academia, como ficou? Isso cabe a você descobrir; ou melhor, decidir.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Felisberto

Felisberto Jovino era um velho infeliz. Talvez não tão velho, mas de meia idade; talvez não tão infeliz, mas amargurado. Não era mal humorado, e sim bastante espirituoso, ainda que mordaz. De qualquer sorte, gastava seus dias em bibliotecas, livrarias, um cinema às vezes, ou longas caminhadas, sempre só. As noites eram preenchidas com audições em elevados decibéis de compositores vanguardistas – para desespero dos vizinhos – ou bebedeiras, às vezes ambos. Sempre só, claro.

Não que ao longo de sua vida atribulada ele não tenha tido mulheres e amigos, foram até muitos na juventude. Mas o tempo se encarregava sempre de decantar sua personalidade densa, submergindo-o em um mar de melancólica solidão. Não era um pessimista profissional, como um alemão que ele gostava de ler; mas se tornou aos poucos um misantropo, como um grego que ele admirava.

Numa certa madrugada ébria, numa mesa de canto dum bar pouco recomendável da metrópole, relia pela enésima vez, no original, a obra maior de outro alemão (cuja recomendação de lê-la depois dos quarenta ele descumprira). Súbito, seja pela mistura arriscada de Steinhaeger com antidepressivos, seja por um desses eventos inexplicáveis pela ciência, Felisberto sente um cheiro de enxofre e, erguendo os olhos da leitura, depara-se com um senhor sentado à cadeira oposta, de pele muito vermelha, usando um belo terno e um chapéu bem negros. Sobre a mesa, uma valise cor de sangue.

Com seu perdão, o senhor queira se retirar, eu não quero comprar nada.
Mas eu não estou aqui para vender...
(interrompendo) Já sei, quer comprar minha alma em troca de sabedoria. Não, muito obrigado, eu já tenho mais do que possa precisar.
Mantenha a calma, meu caro, ouça ao menos a proposta que eu lhe faço.
Espera um pouco. Garçom, mais um destes!
Permita-me me apresentar. (sacando um cartão do bolso do paletó) Sou Mefistófeles e atuo no ramo de compra, venda e permuta de bens imateriais.
Ah, prazer conhecê-lo pessoalmente. O último Anjo do Inferno que conheci pilotava uma motocicleta. Mas pode esquecer, já vendi minha alma pelo Mercado Livre.
(sonora gargalhada) Ora, Sr. Jovino, não se trata disso. Hoje em dia esse negócio não vale mais a pena. Tal mercadoria tem pouco valor de revenda, e...
Pode me chamar de Felisberto.
Ótimo. Indo direto ao ponto, Felisberto, o Sr. estaria...
(gritando)Você!
Você estaria interessado em me vender sua sabedoria?
Ora, mas isso é que não vale nada mesmo!
Talvez, mas eu preciso dar um presente ao Chefe, vai ser o aniversário da Queda semana que vem. Você sabe como ele gosta dessas coisas.
Hum... Posso te chamar de Mefisto?
É, não chega a me incomodar, fique à vontade.
Então, Memê, o que é...
Eu não gosto de ser chamado de Memê.
Mefinho?
Não.
Totofes?
Muito menos. Começo a me perguntar se você é o cliente ideal.
Mas eu sou ligeiramente diferente de sua clientela habitual. Vá lá, Me-fis-tó-fe-les, qual é a barganha?
Bem, Felisberto, é bem claro para mim que você não é feliz.
Ninguém o é, quem diz que é está se enganando.
Não é verdade. Veja ali aqueles jovens: estão dançando lascivamente, exibindo corpos bem feitos e bem cuidados, cada um com um belo sorriso no rosto bronzeado...
Você propõe me transformar em um deles.
Exatamente. Ao assinar este contrato (abrindo a valise), você perde toda sua erudição e acorda amanhã totalmente estúpido, mas jovem e musculoso, viril e priápico.
Sem ressaca?
Naturalmente!
Nunca mais?
Pode-se providenciar isso também.
Estou começando a me interessar.
A esta altura o contrato já estava em cima da mesa, bem como mais uma dose.
Felisberto lança mão do documento e começa a lê-lo.
“O contratante se compromete a alienar seu patrimônio cultural... perfeitamente néscio ao acordar na manhã seguinte...” E se eu passar a noite em claro?
Você vai dormir eventualmente.
“O contratado se obriga a prover o contratante com um corpo jovem, musculoso e de aparência atraente para jovens do sexo oposto...” Como você garante que nenhum viado vai me perseguir?
Não é isso o que está escrito.
“...sem disfunção erétil em condições normais... “ Devo admitir que às vezes... Sabe, é difícil achar boas profissionais... mas o que seriam as condições anormais?
Estão listadas no anexo III.
E o tamanho da minha ereção? Não que a atual não baste...
Tudo bem, quanto você quer?
(Faz um gesto com as mãos separadas por uns 30cm.)
Eu faço um adendo.
(risos) Boa piada... Mas o que são essas letras miúdas?
Nada de mais, é só um complemento.
Complemento? Espera aí (sacando os óculos do bolso da camisa).
“O contratante fica expressamente proibido de consumir qualquer tipo de arte, literatura, filosofia ou ciência, assim como ler os jornais e publicações listados no anexo VIII, sendo-lhe permitida apenas a leitura de livros de auto-ajuda, revistas semanais de grande circulação e bulas de remédio.” Tá querendo me tapear?
Olha, isso é uma formalidade, você não seria capaz de entender nada acima de revistas para adolescentes.
Tem mais: “fica obrigado a uma carga diária de duas horas de exercícios físicos, além de consumir esteróides anabolizantes”, isso faz parte do anexo III? Sim! “Deverá assistir a três novelas e, nos fins-de-semana, dois programas de auditório, a escolher. Também deverá manter uma média diária sete horas em frente à televisão.” Monsieur, c’est ridicule!
Num lance rápido, Mefistófeles tira o chapéu, revelando um par de chifres e uma calva completa. Coloca-o sobre a cadeira à esquerda de seu embriagado interlocutor e, de repente, o adereço se transfigura, crescendo até atingir a forma de um linda moça negra com um largo sorriso.
Safado, conhece bem os meus gostos, diz Felisberto, voltando o olhar para o Mefisto, que desta vez tinha um belo panamá na cabeça. Ele repete o mesmo truque e voilà: uma estonteante loura de olhos claros. Ambas estavam em trajes mínimos, obviamente.
Ah, cachorrão, que golpe baixo! (ele sente mãos indiscretas em sua virilha)
E então, meu caro, não é isso que lhe falta? Aproveita!
É uma amostra grátis?
Bem...digamos que é um brinde para celebrar sua assinatura.
Não seja cruel, deixe-me pensar melhor enquanto saboreio suas diabinhas aqui.
Nada feito. Vamos, vamos com isso Felisberto, não tenho todo dia.
Hoje em dia sua agenda tem andado cheia mesmo!
Eu tenho um encontro com Deus para discutir os preparativos da festa.
Que festa?
Aniversário da Queda, oras!
Veja só... Mas Ele não está em toda parte? Você pode encontrá-lo aqui mesmo, enquanto eu...
Não, chega de cincunlóquios. Aqui está a caneta, opa, está sem tinta! Você me consegue um pouco de sangue?
Sai fora capetão! Não assino nada.
Como?! Não é possível!
É sim, eu estou fora. .
Dê uma olhada nessas duas beldades!
Tudo bem, são lindas, mas estava planejando pegar o Quijote de novo, e você sabe, sexo sem amor é uma experiência vazia.
Mas é certamente a melhor delas!
No, gracias, yo no firmo.

Felisberto acordou com uma puta ressaca. Largou o Fausto e retomou o Quixote. Jogou fora a caixa de comprimidos com uma tarja preta. Não precisava daquilo, sabia que era muito feliz.

P.S.: Com agradecimentos a: Monty Python, Frank Zappa e Woody Allen. E ao Goethe, que, aliás, eu não li.

Para meu Anjo

O intenso brilho etéreo

de tua alva e suave tez

refletido pela Lua cheia

ilumina a noite do Sol


O delgado e longo feixe

de teus ebâneos cabelos

qual a cauda reluzente

dum misterioso cometa


Anéis Saturno não teria

bastantes para te adornar

A Via-Láctea toda não vale

o mel de teus rubros lábios


Teus olhos, buracos negros,

tragam milhares de planetas

e não me deixam outra escolha

que não ser teu satélite natural


Em rota de colisão

com tua superfície

Incandesço ao entrar

em tua atmosfera


O Universo és Tu.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Banging the Big Bode

Uma Grande Explosão
Originou Tudo, talvez
Quanto a Antes, então
Que sabem todos vocês?

Quiçá um enantiomorfo
Universo, ou um padrão
De ondas estacionárias

Que tal um Poliverso
Amorfo e caótico, um
Fractal Indivisível, além
Do Espectro Visível, de
Luz Intangível, risível
Do Bem e do Mal para quem
Só vê dualidade, herdeiros
Da Negra Idade do Fogo

Reveillez vous!
Moi, j'ai vu e lu
FIAT LUX REDUX
Queime os feixes
Asse os peixes
Coma, Ame
Prennez soin
Rempliez vos âmes
Durma, Morra
Fuja da Masmorra

Mensagem à Lhofa de Pão Saulo

Muito interessante o editorial Dimensão Paralela. Realmente, as contradições do Governo Lula e do Partido dos Trabalhadres são incompreensíveis na "boa e velha" lógica aristotélica. Obviamente, é a primeira vez que esse tipo de anomalia é detectado no sistema.

Acontece que essa "boa e velha" lógica, encampada pela escolástica cristã, já está obsoleta há muito tempo. O ser humano não é um circuito lógico binário, booleano, nem há uma máquina suprema, estática e inamovível, governando tudo e todos. Panta Rhei, tudo flui, dizia Heráclito.

Há gente séria expondo as limitações do cartesianismo, mas o que me parece é que nem nos livramos do "bom e velho" Aristóteles, aquele que disse que todos são cidadãos, exceto mulheres, crianças e estrangeiros; o mesmo que justificava a escravidão, aquele que foi preceptor de Alexandre Magno, grande líder militar do massacre dos "bárbaros" persas...

Que tal revisitarem Hannah Arendt de vez em quando? Não para mais auto-comiseração, mas para ver que há um totalitarismo vigente, que é vazio de significado, mas como sempre dotado de ferramentas de controle de pensamento. Ou quem sabe Milton Santos? Ou Noam Chomsky,
ou Jean Baudrillard. Ah, esqueci que a Lhofa chama o pós-modernismo de "meia-oitismo barato".

É, deixa pra lá.

Especialíssimo

Será que eu sou um caso especialíssimo, seu Lacerda?

Seria uma honra enorme, sabia?

Olhe bem, o fascismo não morreu, assumiu outra máscara. É claro que o Poder nunca fora assim tão sutil. Ele que, acompanhado de sua companheira muda, a Violência, incitava Hefesto a atar o pobre Prometeu. Bem, e quem devora o fígado do rapaz? A Águia, sempre ela... Roma, Reich, YouAss...

O fascismo hoje é exercido através da criminalização do prazer. Toda essa cruzada anti-tabaco, foi o próprio Hitler quem começou, o uso e abuso de álcool é milenar. O cânhamo foi a principal fonte de fibras até anteontem, além de ser a planta de Shiva na Índia, recreação de lavradores mexicanos... Anslinger, o paladino da proibição, tinha relação com a Du Pont, cujas fibras sintéticas vieram a substituir o cânhamo. A Coca é sagrada para os povos andinos, e eles sabem usar a planta em seu benefício, enquanto os neo-yuppies cheiram a droga refinada e "batizada".

E que dizer da perseguição a crenças xamânicas, baseadas em expansão de consciência, enteógenas, etc. É claro que eles insistem na palavra "alucinógena" que eles consguiram demonizar o suficiente. Pelo menos aqui no Hy Brazil conseguimos garantir a liberdade para o Ayahuasca. Bem, seu bando de Torquemadas Redivivos, desistam. Não dá pra reverter a espiral descendente da sua estrutura carcomida. Caiu a Casa de (B)Usher. Esta falocracia estúpida, suas falácias tão requentadas, sua ganância sem limites éticos e morais. No fim é simples: este código de conduta é bom para 'eles', mas 'nós' estamos por sobre e para além do domínio da ética.

'Nós' quem? Boa pergunta. Não falo de um país, nem de um certo povo ou empresa ou agremiação. Trata-se da própria lógica interna de um sistema de produção industrial e lavagem cerebral meticulosamente aprimorado por décadas, até atingir o ponto de se tornar tão óbvio que os hipnotizados vão "desplugando" um a um...

Lá na Unicamp, houve uma vez um evento, desses em que as corporações aliciam nossos melhores "célebros", que falava em Sociedade Pós-Industrial... Faça o favor, minha gente. O mundo hoje é Ultra-Industrial. Educação, Família, Direito, Saúde, Religião et coetera: tudo entrou no domínio da Indústria.

Bem, aí é o ponto em que a coisa (ou o Coiso) fica insustentável. Só para ilustrar: O Banco Central do Brasil se orgulha de ter 161 bilhões de dólares em reservas, mas o sistema de saúde pública está falido. Por que é que a gente não pode fazer isso ou aquilo com medo da reação do Mercado, e Cuba sobrevive a um embargo de várias décadas, mesmo depois que o "ouro de Moscou" parou de jorrar? Não, eu não penso que Cuba seja uma maravilha, nunca estive lá. Mas eu sei que ninguém morre na porta do hospital por falta de atendmento... E ainda tem gente que usa como argumento para provar o atraso da ilha caribenha o fato de eles usarem carros dos anos 50.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Fora Papa Nazi

Rat Singer

Eu ouvi, há muito tempo, que o Vaticano é acionista da SINGER, quefabrica não só máquinas de costura, mas metralhadoras também.Repito: isso é um boato, alguém mais bem informado pode RATificar ou desmentir esse dado. Mas Luís Mir, um historiador muito sério até onde eu pude julgar (não li o livro todo) defende que o PT tem um vínculo direto com o Vaticano (Estadocriado com a bênção de Benito Mussolini). Bem, Rat Singer foi quem perseguiu o Leonardo Boff, disse que o Rock faz mal pra alma, ainda antes do Habemos Papam...

Nosso Partido dos Trabalhadores (Mattarazzo Suplicy, trabalhadores? Luiz Duce, Mantega, Palocci... dá pra ver um padrão) utiliza suas táticas stalinistas - mais uma coincidência: Joseph Stalin, Rat Singer, Blatter... - perseguindo aqueles que mantiveram uma postura reformista, que se viram constrangidos a fundar mais uma sigla, ou a se desiludir de vez. Antes mesmo de assumir o trono, Sir Louis Ignatius (lembra dos jesuítas?) Squid duBois reafirmou seu compromisso com o Deus Mercado em sua "Carta ao Polvo Brazileiro"...A América do Sul é o paraíso na Terra para todas as máfias, sejam elas abertamente criminosas ou apenas travestidas na forma de Corporações... E o sangue inocente que corre nos morros do Rio, na perifa paulistana, nos rincões da Amazônia, ou que ferve no fogo de vários acidentes aéreos, é um preço baixo para garantir o lucro de poucos eleitos. O imposto que o pobre paga num saco de arroz, enquanto os preferidos escapam do Fisco, é desviado e quase nunca volta na forma dos serviços que assim chamada Constituição Cidadã (que expressa abertamente o compromisso com o CAPITALISMO) prevê como mínimos para a dignidade humana. Bem, deve ser minha paranóia persecutória, mania de conspiração... ou será que não?

100 años de soledad; revisitado

E obrigado por salvar tudo automaticamente.

Todo se Sabe
Tudo se Prova
A Porta se abre
Pr'uma Era Nova

Já Era Tempo
De Salvar a Terra
Um puta trampo
Esse lance de guerra

Aqui não cabe
Uma Supernova
Poeta 'wanna-be'
Mosquito Porva

Seguir Lendo
Voltaire, Volterra
Gabo, estupendo
Sussurra, não berra.

domingo, 2 de setembro de 2007

Resenha para Prometeu Acorrentado

A tragédia grega era, mais que uma forma de arte, uma catarse coletiva. Como naquele tempo ainda não havia psicoterapeutas, ela era usada para sublimar o sofrimento da platéia, já que as personagens no palco sofriam tanto que todos voltavam para suas casas mais tranqüilos. O assunto favorito de tais composições eram os mitos de criação, seja do mundo ou das cidades-estado que compunham a fértil civilização que floresceu na península grega e circunvizinhanças.

Ésquilo foi quem assinou “Prometeu Acorrentado”, trama que teria poucas chances de ser adaptada em Hollywood, para a sorte da memória de Ésquilo e do próprio cinema. Mas antes vamos nos situar um pouco.

O mito de Prometeu aborda a Antropogonia (criação do ser humano) segundo a mitologia grega, que é fundamentada em Homero (Ilíada e Odisséia) e na Teogonia (origem dos deuses) de Hesíodo. A cosmogonia (origem do universo) grega não é antropocêntrica e monoteísta como a judaico-cristã – na qual um só Deus, representante do Bem, cria, no sexto dia, um ser à sua “imagem e semelhança”, mas nada diz – mais do que “No princípio era o Verbo” – sobre o dia zero, ou antes disso. Aquela é bastante rica de símbolos e dotada de uma lógica menos simplista que o maniqueísmo característico desta tradição, que viria a ser imposta de forma brutal mundo afora, dezenas de séculos depois da civilização helênica.

Nela, o universo partiu do Caos Original. Impulsionados pelo Eros (amor) Original, surgiram Érebo (sombra) e a Noite. Da Noite nasceram o Éter e o Dia, ao qual Gaia iluminou, prenhe e enamorada de Érebo.

Gaia dá feição à Terra organizando, de acordo com seus pesos específicos, o Ar, a Terra, a Água o Tártaro – prisão subterrânea – e o Éter (conceito associado a Firmamento, que só foi cientificamente descartado há pouco mais de um século).

Gaia então engendrou as Montanhas, as Ninfas, e também Ponto, de asas agitadas; mas, principalmente, Gaia engendrou Urano (Céu) com suas mesmas proporções, para que a contivesse por todas as partes. Veja: a Terra cria o Céu e não o oposto. Não satisfeita, a vadia se amaziou com o próprio Urano e com ele teve, incestuosamente, lindas crianças de nomes exóticos como Arges, Brontes e Steropes, Briareus, Gies e Cottus. Excêntrico esse Urano: de seus genitais se fez Afrodite, que dispensa apresentações; de seu sangue se fizeram gigantes, ninfas e outros bichos. Sem falar que dessa união nasceram os Titãs. (Não a banda de rock, essa turma mitológica sofria mas não teve que suportar os anos oitenta, pelo menos).

Falo de Jápeto, por exemplo, que conheceu uma linda moça chamada Climene, com quem teve um rebento problemático do qual já falaremos. Dessa geração são ainda Oceano e Tétis, ligadas à água dos mares e rios, Cirus, Ceo e Febo, Mnemosine (símbolo para memória), Hipérion e Tia, Têmis, Réa e Cronos. Este se rebelou contra o pai despótico, Urano, e o destronou. Para evitar cair na mesma armadilha, devorava seus filhos. Mas chegada a vez de Zeus, deram-lhe uma pedra em seu lugar e - adivinhem - Zeus suplantou o pai e implantou a dinastia dos deuses olímpicos.

São eles: Héstia, Hades, Demétrio e Poseidon, além de Hera e do próprio Zeus. Esse casal perfeito, bem sucedido e poderoso (ainda que também incestuoso) não saía da coluna social do Olimpo.

Aqui chegamos ao Prometeu. A etimologia de seu nome pode ser compreendida como “o previdente”, ou como diria o Galvão Bueno, “Eu já Sabia!” Ele era aquele filho esquisito de Jápeto e Climene. O rapaz tinha uma cabeça até boa, mas cheia de pensamentos subversivos. O coitado era um revoltado, tadinho. Mas bem que ele apoiou Zeus em seu coup d´état olímpico. O problema é que depois de assumir, Zeus mudou o discurso: queria criar uma raça para substituir os humanos que Prometeu criara. Ah é, em algum lugar no meio do caminho nós fomos criados. Sentindo-se traído, ele entrou de fininho no Olimpo e zupt! Roubou o fogo que era exclusividade dos deuses, foi lá e entregou aos humanos.

Pronto, fodeu. Zeus não gostou nada daquela travessura. Mandou atar Prometeu a um rochedo no Cáucaso. Estamos falando de uma formação montanhosa entre o Mar Cáspio e o Mar Negro, na atual fronteira entre Rússia e Geórgia, de onde veio a “raça” caucasiana, que dominaria a Terra eventualmente. Enfim, lá, atado pela mão de Hefesto, Prometeu teria diariamente seu fígado devorado pela águia enviada por Zeus. Mas como ele era imortal, suas vísceras se regeneravam a cada dia para mais uma sessão de tortura que faria inveja aos soldados americanos no Iraque.

Para piorar as coisas, Zeus se juntou a seus colegas olímpicos para criar uma encantadora criatura chamada Pandora, que foi dada a Epemeteu, irmão de Prometeu. Este já havia advertido aquele a desconfiar de tal mimo; mas sabemos do que uma fêmea é capaz. Pandora trouxe consigo uma caixa que, quando aberta, espalhou pelo mundo desconfiança, doença e todos os males. Só deu tempo de aprisionar a esperança.

Em seu sofrimento, Prometeu dialogava com Oceano, que se compadecia do deus acorrentado. Ele a acalmava dizendo que Zeus cairia; e ele tinha o dom da antevisão, não esqueçamos.

Io era uma jovem concupiscível, filha de Ínaco, que atraíra a atenção de Zeus e o ciúme de Hera. Consultados os oráculos, Ínaco a pôs porta afora, contra sua vontade. A moça foi perseguida por um moscardo, vagando mundo afora até encontrar Prometeu, que lhe traçou uma rota e vaticinou que um descendente dela mesma derrotaria Zeus.

Hermes, filho e mensageiro de Zeus ainda tenta arrancar informações a Prometeu, que se mostra irredutível e ainda o trata como um mero serviçal do deus tirano. A trama acaba com uma violenta tempestade conjurada por Zeus para amedrontá-lo.

Mas vamos nos permitir uma pequena digressão. Que fogo era esse afinal que nosso herói roubou do Olimpo? A pólvora? O petróleo? Não! Trata-se de todas as faculdades superiores da mente humana. Criatividade, talento e destreza por exemplo. Mas parece que valorizamos demasiado a técnica. Tanto que um dos principais livros sobre a Revolução Industrial se chama Prometeu Desacorrentado, de David S. Landes. Ora, parece que esse rapaz abriu foi a caixa de Pandora.

Porque hoje as pessoas não têm grilhões, mas se comprometem a estar no rochedo num determinado horário para ser consumido. Alguns, não sendo imortais, perecem ou ficam debilitados pela ação da águia.

Aqueles aquinhoados com dons (inclinações, se preferir) mais sutis têm de enfrentar uma verdadeira batalha para que se possam expressar e sobreviver ao mesmo tempo.

Quem sabe não possamos vivenciar uma nova revolução, e tomar parte nela sobretudo, que nos leve desta sociedade de consumo hiper-acelerada para uma Sociedade da Consciência?

Discussão na comunidade "Israel é um Estado Terrorista" do Orkut

Renato:
O golpe a caminho

Mercenários israelenses estariam assassinando camponeses na Colômbia e jogando a culpa sobre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. A advertência é do porta-voz das FARC, Raul Reyes. De acordo com Reyes, a intenção desses mercenários seria a de cometer crimes contra o povo com o intuito de culpar as FARC.

Além dos israelenses, haveria também comandos especializados de mercenários estadunidenses e ingleses que estariam vasculhando a selva “cujos alvos seriam alguns comandantes das FARC”.

Creio que a questão é mais ampla. Não se trata somente da Colômbia, porque não se deve dissociar a palavra mercenário de CIA – a agência de espionagem dos Estados Unidos. Esses assassinos já se encontram às portas de nosso país.

E em se tratando da CIA, dita o bom senso que não se deve excluir a inter-relação entre a campanha midiática por um golpe de Estado no Brasil e o repentino surgimento desses mercenários diante de nossas fronteiras. No mundo globalizado, todos os fatos confluem. Ou alguém acha que o delinqüente Bush e sua gang estão interessados somente na Colômbia?...

­­­­­­­­­­­­__________________

Anna Granma:

Eu acho é que o Brasil continua um Estado-Cliente dos EUA. Da "onda rosa" de governos latino-americanos, o nosso é o que mais defende a ortodoxia econômica do Consenso de Washington. Nossa PF, que pelo lado bom tem desmantelado quadrilhas de corrupção e fraudes, é também um títere da DEA.

E pensar que a mídia trabalha por um golpe de estado é delírio. Há sempre um maluco aqui e ali gritando "acorda, milico!", mas a verdade é que a máquina das corporações convive sem problema com esta farsa a que chamamos democracia.

Nosso presidente é que adora se fazer de vítima, apoiado num colossal culto à personalidade. Eu tento ver as coisas boas de seu governo, mas as ruins me enojam cada vez mais. Claro que o PT não inventou a corrupção. Na verdade, foi preciso que um partido de esquerda chegasse ao poder para que todo o espaguete começasse a ser jogado no ventilador.

Sim, a CIA se mete em tudo na América Latina e no mundo todo, mas é preciso cuidado com o jogo de inteligência e contra-inteligência, informação e contra-informação. Gostaria de saber quais as fontes da sua alegação.

E esta vai para o Alberto Gonzales: Andale, andale andale !!!
__________________
Renato:
Para Anna
Anna, a fonte da qual eu retirei essa informação que coloquei acima foi da revista Caros Amigos, ou, mais precisamente, do site dela. Você pode conferir se acessar o site: www.carosamigos.com.br .
__________________
Leonardo:
Me ajudou muito ler o artigo de Jean Baudrillard...{Simulacros e Simulações}

Ou seja, qualquer pessoa que tente explicar este começo de século XXI, e pelo menos as últimas décadas do XX em termos de claro e escuro, esquerda e direita, e por aí vai, ou é estúpido ou mal-intencionado ou os dois... A coisa tá tão maluca que só dá pra ver os signos se recombinando, escondendo não uma verdade, mas que não há verdade.

Mas há fatos, só que é muito difícil termos acesso a eles. Noam Chomsky é uma boa fonte. O Le Monde Diplomatique, que agora tem uma edição brasileira (viva!) também. Tenho algumas reservas quanto à Caros Amigos, mas é boa. E a Piauí também.

Até mesmo a guerra espanhola, no denominado entre-guerras, já apontava conflitos internos na esquerda. Leiam "Homage to Catalunia" de G.Orwell, ou vejam o filme "Terra e Liberdade" de Ken Loach. Talvez isso seja inerente a esse rótulo, uma vez que tudo que ele diz é "não concordo com o status quo". Em "A Vida de Brian" do Monty Python, havia a rivalidade visceral entre o People's Front of Judea e o Judea's People Front...

Mas vejamos, talvez o fracasso das ideologias seja uma coisa boa. Porque elas sempre foram pacotes de idéias a serem aceitos acriticamente. E cada indivíduo é uma verdade. Hoje, com a internete (interrede é muito feio? eu realmente quero aportuguesar) enfim, temos esta ferramenta que nos permite interagir de modo difuso e etéreo. Não dá pra invadir uma reunião e bater em todo mundo. Não dá pra cortar a linha, porque são várias... Bem, isso me traz Hannah Arendt à memória, mas fica pra próxima. Bem, é possível cada um contribuir com sua visão, mas chegamos ao busílis:

Como agir?