terça-feira, 4 de setembro de 2007

Especialíssimo

Será que eu sou um caso especialíssimo, seu Lacerda?

Seria uma honra enorme, sabia?

Olhe bem, o fascismo não morreu, assumiu outra máscara. É claro que o Poder nunca fora assim tão sutil. Ele que, acompanhado de sua companheira muda, a Violência, incitava Hefesto a atar o pobre Prometeu. Bem, e quem devora o fígado do rapaz? A Águia, sempre ela... Roma, Reich, YouAss...

O fascismo hoje é exercido através da criminalização do prazer. Toda essa cruzada anti-tabaco, foi o próprio Hitler quem começou, o uso e abuso de álcool é milenar. O cânhamo foi a principal fonte de fibras até anteontem, além de ser a planta de Shiva na Índia, recreação de lavradores mexicanos... Anslinger, o paladino da proibição, tinha relação com a Du Pont, cujas fibras sintéticas vieram a substituir o cânhamo. A Coca é sagrada para os povos andinos, e eles sabem usar a planta em seu benefício, enquanto os neo-yuppies cheiram a droga refinada e "batizada".

E que dizer da perseguição a crenças xamânicas, baseadas em expansão de consciência, enteógenas, etc. É claro que eles insistem na palavra "alucinógena" que eles consguiram demonizar o suficiente. Pelo menos aqui no Hy Brazil conseguimos garantir a liberdade para o Ayahuasca. Bem, seu bando de Torquemadas Redivivos, desistam. Não dá pra reverter a espiral descendente da sua estrutura carcomida. Caiu a Casa de (B)Usher. Esta falocracia estúpida, suas falácias tão requentadas, sua ganância sem limites éticos e morais. No fim é simples: este código de conduta é bom para 'eles', mas 'nós' estamos por sobre e para além do domínio da ética.

'Nós' quem? Boa pergunta. Não falo de um país, nem de um certo povo ou empresa ou agremiação. Trata-se da própria lógica interna de um sistema de produção industrial e lavagem cerebral meticulosamente aprimorado por décadas, até atingir o ponto de se tornar tão óbvio que os hipnotizados vão "desplugando" um a um...

Lá na Unicamp, houve uma vez um evento, desses em que as corporações aliciam nossos melhores "célebros", que falava em Sociedade Pós-Industrial... Faça o favor, minha gente. O mundo hoje é Ultra-Industrial. Educação, Família, Direito, Saúde, Religião et coetera: tudo entrou no domínio da Indústria.

Bem, aí é o ponto em que a coisa (ou o Coiso) fica insustentável. Só para ilustrar: O Banco Central do Brasil se orgulha de ter 161 bilhões de dólares em reservas, mas o sistema de saúde pública está falido. Por que é que a gente não pode fazer isso ou aquilo com medo da reação do Mercado, e Cuba sobrevive a um embargo de várias décadas, mesmo depois que o "ouro de Moscou" parou de jorrar? Não, eu não penso que Cuba seja uma maravilha, nunca estive lá. Mas eu sei que ninguém morre na porta do hospital por falta de atendmento... E ainda tem gente que usa como argumento para provar o atraso da ilha caribenha o fato de eles usarem carros dos anos 50.

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