quarta-feira, 30 de abril de 2008

Capital Instrumental

Este domingo último eu fui assistir ao Capital Instrumental, lá no Teatro Caixa, aqui em Brasília. Três apresentações compunham a última noite desse evento dedicado a valorizar e divulgar a prolífica cena da música instrumental da capital federal: começando com AQuattro, capitaneado pelo já consagrado bandolinista Dudu Maia, seguido do guitarrista Juninho di Souza e banda e fechando com Arthur Maia, contrabaixista carioca de renome mundial, cujo currículo inclui atuações ao lado de nomes como Gilberto Gil, Milton Nascimento e Pat Metheny.

Há muito tempo eu queria ver o Dudu Maia ao vivo, mas sempre dava alguma coisa errado. Tudo bem que eu queria vê-lo com o Rafael Black, com quem eu fazia aula, na batera. Acho muito legal essa reinterpretação do choro com a cozinha (baixo e bateria), típica da música americana de modo geral; ou seja, o choro-fusion. Quando bem construído, porque pode virar um "choro do afrodescendente mentalmente afetado", o que sinceramente acho que é o caso do Choro Elétrico 4x0, lá de Campinas. Bem, mas não foi essa fusão que o quarteto apresentou; o AQuattro é dedicado a homenagear grandes bandolinistas (o pernambucano Luperce Miranda foi o primeiro), e tem uma formação bem típica de um "regional enxuto": o tradicional bandolim, com o detalhe das dez cordas, marca registrada de Dudu, o cavaquinho, que ficou a cargo de pedro Vasconcellos, enquanto Fernando César pilotava o violão de sete cordas e Valerinho sacodia seu pandeiro. Um detalhe digno de nota é que enquanto o mais comum no choro é ver os músicos sentados, o AQuattro se apresenta de pé, o que dá mais vitalidade à performance. Apesar de Dudu ser o destaque com seus fraseados virtuosísticos, não faltaram momentos em que brilharam os outros músicos, deixando o conjunto equilibrado.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Remexendo meus Alfarrábios

Neste imenso palco
que orbita incansável
guiam-me as mãos de Baco
chamam-me irresponsável

Deixe-os, dizem
Mas há alguém?
Alguém que me acolha?
Alguém que eu escolha?

Talvez as esferas
e sua música inaudível
sejam deveras
o refúgio inatingível

O tempo tapa-me os olhos
Leva-me, leve, à lápide

Ah, não há mais nada,
nada lá fora
uma escolha errada
culpa da hora

Mas e se há luz
que nos conduz
tudo se reduz
a um jogo?

E se aqui, em
meio ao lodo
vivo assim sem
medo do Todo

Virá a condenação?
Ou, antes, a redenção?

Se tudo já foi dito,
lido e escrito,
meu intelecto restrito
é então mero detrito?