terça-feira, 10 de novembro de 2009

Caridade vs. Conservadorismo

Eu entendo que a caridade é uma virtude cristã muito prezada, e que quem a pratica geralmente o faz com ótimas intenções. E que há uma diversidade de circunstâncias em que a caridade é feita.

Mas falemos especificamente da caridade das pessoas ricas; as que têm dinheiro de sobra. Essa gente que dá roupas, calçados e brinquedos usados para "amenizar a penúria dos pobres", ou que doa a uma entidade assistencial, e repete o "não dê esmola" por aí. São pessoas geralmente (ou sempre) conservadoras. Pois bem, conservador é alguém que prefere que as coisas sigam como estão, com meia dúzia de mudanças lampedusianas; ocorre que se incluem nas coisas a conservar: a desigualdade de renda, a fome, o analfabetismo, o trabalho degradante... a pobreza enfim.

Então os ricos caridosos são rematados hipócritas? Não por isso, a definição de hipócrita do evangelho não se aplica aqui: não se recusam a adotar para si critérios com que julgam os outros. São apenas contraditórios. Mas, ainda assim, seria melhor se passassem a reconhecer que apenas precisam se livrar da roupa velha, ou só doam porque podem abater do imposto. Sem esquecer o índice de picaretagem das entidades, nada desprezível.

Ou então, e fica a sugestão muito séria, reúnam-se todas as doações em fundos que invistam em escolas profissionalizantes, infra-estrutura para a população humilde (a partir de sua própria demanda), cooperativas que gerem emprego, e outros benefícios mais duradouros que uma camiseta furada.

Não basta dar o peixe, é certo; e não se trata de ensinar a pescar: eles não passam fome por incompetência. Há que se dar vara e anzol (qualquer um aprende a pescar) e é preciso que não haja alguém pescando com dinamite no rio.

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