domingo, 8 de novembro de 2009

A Madeira da Amazônia


A Folha hoje traz na manchete algo que até os mascates do Ver-O-Peso sabem: a madeira da Amazônia é extraída de forma ilegal. Se o objetivo do veículo é ferir a governadora petista do Pará, ou não, é outra discussão. Meu tio que morou no oeste do Maranhão dizia que "só o que se vê é caminhão de tora", e o que se diz é que, nos postos de controle, "o documento aparece". Então as manchetes deveriam ser "Corrupção está minando a Amazônia". Mas ora, se o tráfico de substâncias ilícitas corrompe porque é uma atividade muito lucrativa (tendo a vantagem de um volume muito menor a ser contrabandeado, e mais rotas), por que o mesmo não ocorreria com a madeira? Madeira nobre, que vale uma fortuna, e que o Brasil nem se tentasse consumiria no ritmo em que é extraída. Quem compra então, senão extrangeiros? Será tão difícil fazer um levantamento das madeireiras lá atuando? Ou não se quer descobrir que são as mesmas basicamente que devastaram a Indonésia? O consumidor norteamericano e europeu, exige madeira certificada? Botar a culpa nos ladrões de madeira que são meros peões de um sistema maior é muito fácil. Em Rondônia, todos sabem que o famigerado Ivo Cassol (governador cassado e descassado) lucra com a extração ilegal de madeira e diamantes (da maior jazida do mundo!). Não merece uma reportagem investigativa? O caso dos diamantes saiu na página 4 ou 5 da Folha, há tempos, e morreu de inanição.

Combate à corrupção, sistema eletrônico de autorizações, militarização da questão (ainda que um tanto perigosa), e a criação de uma estatal de manejo florestal e desenvolvimento sustentável, extrativista e includente (em vez de conceder áreas a grandes grupos privados ou permitir que latifundiários lucrem com a floresta), são o caminho, ou minhas sugestões. E um estudo sério de como, por quem, e para onde, a madeira está sendo escoada. Esta tarefa a imprensa poderia tomar para si. Se não fosse covarde.

Nenhum comentário: