domingo, 29 de novembro de 2009

O Correio Arrudense


José Roberto Gargamel (na imagem), governador do DF pelos Demos, é pego, em investigação da PF que vazou para a imprensa, dividindo dinheiro de propina. Fala-se abertamente em pagamento à base aliada no legislativo. É o maior assunto do Distrito Federal, confere?

O Correio Braziliense é o maior jornal de Brasília, em termos quantitativos pela pujança do grupo herdeiro de Chatô, e em termos qualitativos apenas pela total indigência de seus concorrentes. É uma publicação cheia de erros e impropriedades, tendenciosa como de costume, mas que aspira ao posto de "jornalão".

Bem, a manchete de sábado era bem peculiar. Sem nomear Gargamel, ou o crime, dizia que "GDF e distritais são alvo de investigação." Mas a foto - e a maior parte - da capa eram dedicadas a uma série de demonização do usuário de drogas, metiê favorito do diário. Por que não uma foto de Gargamel com maços de dinheiro na mão? Bem, vem o domingo e temos na capa... drogas de novo. Uns 5cm da página vão para o caso, mais uma vez sem citar Gargamel. A manchete interna era um singelo "Pedido de Explicações". Engraçado é que, dependendo do partido dos envolvidos, o veículo pularia - mesmo sem provas cabais como estas - de cabeça no sensacionalismo o mais irresponsável, para sangrá-lo politicamente a todo custo.

O Jornal Nacional entrou com tudo no caso, espetacular que é, não amaciou pela coloração política do acusado (que é verde mas não tem nada com o PV). E com algum constrangimento elogio a atitude da emissora, que nada mais é do que a obrigação jornalística ante provas tão contundentes, audiovisuais, contra um governador de uma unidade federada. Mas pairam suspeitas sobre a cruzada midiática: seria preciso incinerar o Gargamel antes que ele contagie o Conde Drácula, de quem seria certamente o vice. Estratégia arriscada. Talvez seja o gosto do sensacionalismo. Mas... e o Detran-SP, o Roubanel e o Saresp, que nunca respingam no Vampiro? Enfim, o Correio é pior que a Globo (em todos sentidos). Na gestão de Roriz, teve o mesmo comportamento. É mais realista que o rei, na mão de quem come. Sérgio Motta que o diga...

A Confecom é repleta de boas intenções, mas nossa realidade é que a mídia local é só mais um capataz dos coroneis de sempre. E isso não muda por decreto. Em tempo de declínio do jornal impresso, é de se perguntar se vale a pena lutar nessa seara. Talvez seja o caso de criar portais jornalísticos locais independentes, é bem mais barato que qualquer outro medium.

Um comentário:

Marina disse...

Gostei bastante desse blog. Concordo com sua opinião neste e no post da Folha de São Paulo. Eu também ando perdida dentro desse sensacionalismo barato. Acabo ligando minha tv só pra assistir meus dvds. ;)