sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Vilão da Vez

O tema agora é o câmbio: a enxurrada de dólares invadindo o país que melhor resistiu à maior crise do capitalismo de 29 está bombando o Real a cotações que prejudicam as exportações. A taxação de 2% de IOF sobre capitais estrangeiros foi uma grande medida, mais num sentido de justiça (a ATTAC deve ter adorado) e de arrecadação do que de efeito cambial. Estamos atrativos demais!
No blog do Nassif, , o artigo (post, se quiser) Os Preparativos para a Guerra do Câmbio começa com a frase: "O último grande desafio do governo Lula será romper com a lógica da política monetária e cambial." Faz algum sentido porque Lula tem pouco mais de um ano. Mas o leitor Marcelo Pessoa argumenta: "Eu não concordo com essa lógica ufanista do “último grande desafio do governo Lula”. Houveram [sic] vários outros que não foram resolvidos e que ainda se configuram como “desafios” até o final deste governo." Ora, Nassif não disse que Lula havia resolvido tudo mais, não pode ser acusado de ufanista; mas esse é um perigo real.
Eis o meu palpite:
O maior desafio é evitar que desperdicemos esta formidável janela histórica porque a incompetência, a corrupção e os interesses estabelecidos venham a impedir a construção de um país mais justo, moderno e soberano. E Lula não quer desagradar a ninguém, por isso não faz uma reforma agrária mais ousada. Outro desafio, portanto, é a representatividade no Congresso das forças transformadoras. Outro desafio é implantar um modelo desenvolvimentista com uma preocupação de sustentabilidade, de minorar o impacto da atividade produtiva; manter a floresta em pé o máximo possível, e dando meios de susbsistência e renda aos locais, abandonados hoje ao arbítrio de coroneis locais... Os desafios são tantos que fazem as significativas conquistas alcançadas encolherem um pouco, lembrando-nos da importância de evitar o oba-oba.
O câmbio é uma questão de política econômica, crucial, mas outras dimensões econômicas, sociais, P&D, educação e tantas outras, constituem frentes, desafios, a serem enfrentados com ações concertadas, e não um conjunto de pacotes e programas com marketing político por cima.
E esta última crítica não vale apenas para o atual governo, obviamente.

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