terça-feira, 10 de novembro de 2009

Os Androides do Status Quo

Todos nós já vimos um. Eles estão em toda parte. Muitos de nós somos um deles, sem saber. E aqueles de nós que veem a realidade sem as lentes coloridas da mídia certamente já se enfureceu com um deles, enquanto eles mantinham uma calma suspeita.

São os androides do status quo. Essa é uma categoria de autômatos, programados para agir e pensar como seus programadores determinam. Um androide está pronto a repetir os mesmos proto-argumentos por toda a superfície do país e do mundo. Está pronto a repetir uma mesma frase sempre que ouvir determinada palavra. Androides são incapazes de diálogo, nunca consideram o interlocutor. Pior, foram programados para desmoralizar o interlocutor, bagunçando o debate - que é terreno hostil. O hardware dos androides trabalha com lógica positiva: eu estou, e sempre estarei, certo. Um sinal zero da variável dispara mecanismos de auto-defesa pró-ativos. Ou seja, mecanismos de ataque. Pessoal.

Os androides do status quo não necessariamente se beneficiam com ele, são muita vez suas vítimas, mas como não se cuidou para que fossem plenamente humanos, aderem à programação neuro-linguística do sistema operacional. Como apontou o sociólogo Sebastião Rodrigues Maia [Maia, 1983, pg.75].

Os androides são fabricados pelo método convencional (por enquanto), e crescem em sociedade, livres, normalmente, como um ser humano. Mas as técnicas do sistema operacional Capitalismo 2k9 fariam inveja ao Aldous Huxley: cada androide tem dois pares de receptores que captam ondas eletromagnéticas e/ou acústicas; essas ondas proveem de uma fantástica aparelhagem que, se não é o último grito da tecnologia, tem sua disseminação proibida por lei específica. Há hoje brechas na Matriz, e as forças leais ao status quo se viram obrigadas a combater no mesmo terreno o sinal pirata.

As últimas notícias dão conta do refluxo dos androides ante a resistência humana, e analistas acreditam que a reação do sistema operacional ainda é tímida. Teme-se a derramada de sangue, e dizem que o software da guerra civil está nos estágios finais de desenvolvimento, prestes a ir ao mercado. Alguns sinais de emissoras e repetidoras já trazem um marketing agressivo para o produto.

É a melhor hora de ser humano.

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