terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Ainda à Caça do Kiffa: 2014

Há uns quatro anos, propus algumas siglas que poderiam figurar no cenário eleitoral em 2010 após um "realinhamento" das nossas forças políticas. Infelizmente nenhuma delas vingou: não disputarão a presidência o Partido Careta ou a Esquerda Hidrófoba, tampouco o Partido do Subsolo - que pena - e sim as mesmas caras mais ou menos previsíveis, à exceção do barbudo que esteve em todas desde 89 e agora se faz notar pela ausência. Ainda que seu espectro possa vir a ser o fator decisivo.

Nesse intervalo, não saiu reforma política alguma, eu me juntei à Esquerda Hidrófoba (carteirinha nº001) e a luta política passou a se dar na esfera dos meios de comunicação: os mesmos de sempre, mas também - e cada vez mais - espaços como este, apenas muito mais acessados. Cada um adere a um lado, com raras e imparciais exceções (visite o primeiro elo na coluna à direita), no clima generalizado de briga de torcida: muito insulto e pouca substância. O mercadejar político deve estar perplexo: vão-se limitar a tentar colar qualquer imagem no candidato, produzir os programas de tevê, e mandar imprimir aqueles excomungados que são os santinhos, que tanto emporcalham as vias. Mas a informação vai circular de fato, e toda ela, inclusive o que se queria esconder, na blogosfera. Geralmente repercutindo as sandices da moribunda grande mídia. E o pau vai comer.

Mesmo assim, na tola esperança de uma reforma política e partidária que garanta uma representatividade mais coerente e franca das forças constitutivas de Hy Brazyl, eis uma nova proposta a ser considerada, já que o TSE nem me respondeu quanto à última.

UPN - União dos Partidos Nanicos. Chegando à óbvia conclusão de que nunca iriam a lugar algum, nossos partidos nanicos - que nunca tiveram aliás ideologia alguma - resolveram se unir em um consórcio, na esperança de obter mais tempo na TV e reajustar o aluguel da legenda. Ideal para funcionários públicos que apenas querem a licença remunerada a que fazem jus sendo candidatos.

PE - Partido das Empreiteiras. Sem mais homens-do-meio ao custo de uns porcentos! Se sabemos que eles têm mais poder do que qualquer governante, pois atuam em todos os entes federados, e com quaisquer partidos, os empreiteiros devem logo garantir assentos confortáveis no parlamento e demais assembleias. Prefeririam ficar na penumbra representativa a alçar voos mais altos no executivo, uma vez que seus passados são algo comprometedores. Mas com os cala-bocas adequados, pode-se pensar.

PFCR - Partido Feudalista da Contra Reforma. Até quando a bancada ruralista vai se satisfazer em ser apenas um grupo republicano e progressista com moderada influência no Congresso? Não trarão nunca a transformação social sem precedentes no país (quiça no mundo!) que propõem. Precisam constituir um partido independente, forte, para construir alianças, e mesmo reconstruir, já que a Igreja resolveu ficar do lado dos comunistas (que horror!). Seu projeto de implantar o feudalismo através de uma reforma agrária às avessas, além da plataforma moralizante para acabar com a pouca-vergonha que grassa na Cabrália, geram um bocado de votos!

RTSDB - Repartido dos Trabalhadores Social-Democratas e Bundões. Este não é novo. Não é invenção minha, ao menos; mas é um peculiar produto da realpolitik tupiniquim. Com 700 facções internas, e no fim apenas uma, um determinado partido trabalhista de determinado país da América Latina - que prefiro não nomear - chegou ao poder fazendo umas coisas estranhas. As facções hidrófobas desertaram, ou antes foram expelidas em corte marcial sumária. Com o tempo, o governo apresentou um aceitável Estado do Bem-Estar, e ficou claro que roubava a sigla da Social Democracia (do Belize, acredito). Uns ficaram encabulados, outros parece que nasceram para aquilo; de qualquer sorte, não são muito mais que bundões.

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