sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Ainda o Aquecimento Global


Tudo bem, assumamamos que, se o mundo não acabar em 2012 com a profecia maia, acabará no máximo até a metade do século, como parecem querer nos fazer crer os milenaristas climáticos.

Nenhuma destas medidas anunciadas, mesmo as mais ambiciosas - portanto impossíveis de atingir - deteria o tal aquecimento. A menos que se invente a usina de fusão nuclear, que o petróleo acabe (para que mudemos na marra), ou ainda que tomemos o bom exemplo dos indígenas sulamericanos, passando a viver em pequenas sociedades autóctones, sustentáveis e comunistas, é absolutamente impossível reduzir as emissões de gás carbônico pela metade até 2050, em relação a 1990, o último objetivo declarado. A população cresce, seus setores marginais ganham crescente acesso ao modo de vida "civilizado", e vamos precisar de energia que as fazendas de vento não conseguirão suprir.

Aí é que está: já vi um cientista maluco destes falando em "conter o crescimento populacional na Somália" para lidar com o Aquecimento Global. É o velho malthusianismo reeditado. Eu aposto meus dois testículos como o estilo de vida dos ricos - em especial o norteamericano - não vai mudar nada. Mas vão impedir que os países pobres se "desenvolvam" - como apontou Celso Furtado, esse desenvolvimento é um mito; mas enquanto não se mudam as regras do jogo, é o ideal de todos. O Blogue Festival de Besteiras da Imprensa colocou bem: o que está em questão é a velha Divisão Internacional do Trabalho.

Você dirá: como? eles prometeram centenas de bilhões para os pobres. É aonde queria chegar. Esses países pobres o são por um bom motivo: foram vítimas do colonialismo europeu, e mesmo após a independência, foram mantidos em condição subalterna, como fonte de alimento, matéria prima e mão de obra barata. O mundo rico nunca se preocupou - para além das tradicionais boas intenções - em resolver os problemas mais prementes desses países: desnutrição, mortalidade infantil, analfabetismo são apenas alguns deles. Pois agora prometem despejar bilhões para que se adaptem à mudança climática. Não esclarecem bem: é para ajudar a "aguentar o tranco" quando o céu desabar sobre eles (ou o mar os submergir), é para desenvolver uma "economia de baixo carbono", proibir que desmatem e ampliem a agricultura, instalar as caras fontes limpas para que consumam eletrodomésticos importados? Porque esses países não têm indústria, o consumo energético é baixo e também as emissões. Se é urgente "salvar o planeta", não são os industrializados que precisam se adaptar?

Sim, algo está mesmo podre na conferência da Dinamarca. Em uma próxima postagem, tentarei desenvolver o que eu acho que de fato deveria ser feito. É um desafio e tanto, mas não posso também ficar apenas desconfiando e criticando.

2 comentários:

LEU LEUTRAIX disse...

a europa está abaixo de zero grau populações morrem de frio e voceis ecochatos falando que o paneta esta esquentando,quanta babaquice,

CrápulaMor disse...

Léo,

por mais que seja impossível diminuir as emissões de gases pela metade, até 2050, alguma coisa precisa ser feita, com metas claras e bastante específicas. A verdade é que, por mais que saiam vários estudos e relatórios, ninguém sabe exatamente qual temperatura o planeta suportaria, nem se a temperatura atual é a mais alta que a Terra já sentiu. Pelo sim, pelo não, é melhor prevenir.

Para isso, não há dúvidas de que são os países mais ricos - mais a China - que precisam se adaptar urgentemente! Coisa pra ontem. Por isso, é importante que a Comunidade internacional mobilize-se e cobre permenentemente. Nós não podemos abrir da nossa oportunidade histórica de nos desenvolvermos, mas podemos fazer isso de maneira diferente da que foi praticada pelos, hoje, ricos: com responsabilidade e ações sustentáveis. Combater o desmatamento da Amazônia, por exemplo, é indispensável para a nossa contribuição.

Parabéns pelo texto! Abraços!