terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Hamlet: Ser ou não Ser

Ser ou não ser, eis a questão:
será mais nobre na mente sofrer
as pedras e setas da fortuna enfurecida
ou tomar de amas contra um mar de provações
e em combate pô-las a têrmo?
Morrer, dormir, não mais,
e supor que com um sono
eliminemos a dor no coração
e as mil mazelas naturais
de que a carne é herdeira;
é uma consumação a ser
devotamente desejada.
Morrer, dormir...
Dormir! Porventura sonhar:
sim, eis o problema,
já que os sonhos que possam sobrevir
nesse sono mortal,
quando já livres deste turbilhão da existência,
nos devem fazem hesitar:
eis o respeito que dá vida
tão longa à calamidade.
Pois quem suportaria o açoite
e o escárnio do Tempo,
o agravo do opressor,
a arrogância do orgulhoso,
as chagas do amor desprezado,
a tardeza da Lei,
a insolência da autoridade e o desdém
que têm os indignos
pelo mérito paciente,
quando ele próprio poderia seu repouso
engendrar, com um simples furador?
Quem carregaria tais fardos,
grunhindo e suando sob uma vida fatigante,
não fosse o pavor
de algo após a morte!
- a terra inexplorada de cujas
raias viajante algum retorna -
a confundir a resolução,
e fazer-nos antes suportar
as dores que temos
que voar até outras
as quais ignoramos?
Assim faz a consciência
de todos nós covardes, e assim
o matiz saudável da determinação
é acometido pelo pálido
verniz da cogitação
e empresas de grande vigor e
imporância, com tal consideração,
desviam-se do rumo,
e perdem o nome
de ação.

(Tradução minha)

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