segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Método Estatístico do Ibope



A Globo detesta cotas de políticas afirmativas.

Mas seu método estatístico para "pesquisas de opinião" é o de cotas.

Veja o que dizem dois estatísticos da Unicamp (José Ferreira de Carvalho e Cristiano Ferraz):

Apenas um trecho, que diz tudo, sobre um teste desse método realizado na Inglaterra:

"Em que pese a natureza descritiva deste procedimento, os dados relativos aos homens mostraram que, das doze estimativas geradas pelo método de quotas, sete diferiam significativamente dos dados do censo, enquanto que nenhuma das três estimativas geradas pelo método probabilístico apresentou discrepância notável dos valores censitários. Os dados referentes às mulheres não deixam por menos: das doze estimativas geradas pelo método de quotas, onze produziram números diferindo significativamente do censo, ao passo que em apenas uma das estimativas produzidas pelo método probabilístico observou-se discrepância significativa.

Em relação à variável educação, os autores se sentiram à vontade em indicar que os resultados obtidos via amostragem por quotas tendem a captar indivíduos com melhor nível de educação. Observaram ainda que, dos quatro tipos de amostragem por quotas estudados, três produziam valores discrepantes das observações censitárias por mais de dois desvios-padrões, enquanto os valores produzidos pelo método probabilístico estavam bastante próximos dos observados pelo censo."

Ah, esses "indivíduos com melhor nível de educação"!

Fala Kish:

● o método não é científico, o que torna sua avaliação impossível
● o método é artístico (sic)
● tipicamente, não se faz uma tentativa de calcular a variância adequadamente, e a expressão pq/n é audaciosamente (sic) assumida e apresentada...
● O assunto importante continua: ninguém sabe quão bom é o desempenho de amostragem por quotas. Afinal de contas, os métodos mais pobres podem produzir bons resultados para variáveis que são aleatorizadas sobre a população. As pesquisas do Literary Digest foram sucessos por anos. Em muitos outros casos não há como verificar-se o desempenho. Devemos deixar de lado as tentativas ingênuas de usar os controles de quotas, como idade, sexo e região, como provas de desempenho da amostragem. Verificações em variáveis que não são usadas nas quotas freqüentemente revelam grandes discrepâncias. Além disso, predições eleitorais freqüentemente falham, algumas vezes por larga margem. Muitas dessas são convenientemente esquecidas. Algumas transformam-se em escândalos gritantes; então trata-se de explicar os fracassos com explanações e desculpas, as quais são ignoradas enquanto não são necessárias.

Ah, quer dizer que a amostragem é falha... e que pesquisas eleitorais costumam falhar, inclusive por larga margem? Então dá pra "errar" como se queira manipulando a amostragem? E não ser pego porque o método não é científico?

Como diriam nos filmes de tribunal americanos: I rest my case.

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