segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

Leosfera em Luto

Captain Beefheart15 de Janeiro de 1941 - 17 de dezembro de 2010.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Uma Tradição Que Merece Respeito

SHOW/FESTA NO CAFÉ PIUPIU
 
    70 ANOS DO FZ!
 
A TCSB, fará sua primeira apresentação após o Zappanale na Alemanha.
Estamos morrendo de saudades de vcs, vamos curtir juntos!
 
terça dia 21 de dezembro,
às 21,30, casa abre às 20,30
ingresso 20,00R$ 
 
na Rua 13 de Maio 134.
 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Them There Eyes

Só pra quebrar a inércia (não estou nem um pouco a fim de comentar o ministério da Dilma, que não traz surpresa alguma) e homenagear o mais belo par de olhos que já vi em toda minha vida. É só o que me interessa ultimamente, mesmo!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um Coquetel Antológico

Modéstia é de fato para os fracos. O Coquetel do Mingus foi certamente um dos melhores programas de rádio de todos os tempos! E a Rádio Muda é do que mais tenho saudades em Campinas. Esta noite, 24 de maio de 2005, foi particularmente inspirada (mais aqui e acolá). Estávamos lá Pedro, Ricardinho, o Peter provavelmente, e eu, e contávamos com a visita da adorável Soraya, que fica aqui homenageada. Foi um dos meus últimos programas antes de me mudar pra Brasília.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A Poor Player

To-morrow, and to-morrow, and to-morrow,
Creeps in this petty pace from day to day,
To the last syllable of recorded time;
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death. Out, out, brief candle!
Life's but a walking shadow, a poor player,
That struts and frets his hour upon the stage,
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Centelha de Existência

Dave Douglas é um rapaz que já esteve por aqui uma e outra vez. Eis que volta com um disco que acaba de chegar para melhorar minha vida (no mesmo dia que minha camiseta do Trout Mask Replica!!!). Como já disse, é preciso ser feliz com o que se tem para ser feliz, e vale muito mais a pena direcionar suas expectativas para coisas com que se pode contar - como encomendas à Amazon - do que para aquelas que dependam dos caprichos de outro ser humano.


Spark of Being é um projeto conjunto de Douglas e seu quinteto Keystone com o cineasta experimental Bill Morrison, compreedendo um filme e uma trilogia de discos, dos quais o que eu comprei é a parte dois, Expand (fica o comichão de conhecer as outras duas). O tema que procupa o engajado trumpetista agora é a criação artificial da vida, sobre o que discorre nas notas da contracapa, citando a ficção de Shelley como é inevitável. Na verdade, o próprio filme se vende como uma recriação do mito de Frankenstein.

Dave é acompanhado de Marcus Strickland no Sax Tenor, Adam Benjamin no Fender Rhodes, Brad Jones no Baby Bass (?), Gene Lake na Batera e DJ Olive nas Picapes e Laptop. É bom vê-lo voltando a um jazz mais contemporâneo depois do projeto Brass Ecstasy - que aliás tive o privilégio ver no Jazz em Agosto 2009, em Lisboa - que era muito bom, mas caretão demais.


Aqui, o trailer do filme:


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Nietzsche Explica


Mal Dilma foi eleita, o primeiro assunto que circula - além da tradicional dança das cadeiras - é a recriação da CPMF, uma contribuição que é compulsória e carrega o epíteto de provisória mas parece ter mais vidas um gato vampiro. As letras restantes não são para Mother Fucker, mas movimentação financeira. Sabe, essas chateações da vida contemporânea que significam basicamente receber e usar dinheiro, ou seja, o objetivo de vida de todo bom cidadão submetido ao capitalismo.

Não que eu seja doutrinariamente contra qualquer imposto, essa é geralmente uma bandeira daqueles que não precisam da assistência do Estado, que o querem apenas garantindo o terreno para o capital jogar bola (sem ao menos fazer a encenação básica de defender os desassistidos). Como o Goerge W. Bush, que não fez muito mais do que iniciar guerras e cortar impostos (para os mais ricos).

O que eu penso é que um remendo aqui outro ali não vão resolver nada: a reforma tributária, tão alardeada e nunca concretizada, é que deveria instituir um novo regime arrecadatório que desonerasse o consumo de bens e serviços essenciais e taxasse pesadamente aqueles supérfluos e de luxo, além de incidir sobre patrimônio e heranças. Ou seja, implantar finalmente a progressividade no lugar desta perversa regressividade que faz uma família de baixa renda empenhar uma parcela bem maior de seu orçamento com impostos do que uma de alta renda. Acontece que quem tem influência política é justamente essa camada de alta renda; some-se a isso que nenhuma parte interessada está interessada em perder receita, e segue que o mais provável é que saia qualquer reforma cosmética. Acabando com a gurra fiscal entre estados, talvez.

Voltando à CPMF, eu acredito que ela pudesse existir, com uma alíquota baixa, só pelo efeito fiscal: muito sonegador de IR caía no cruzamento dos dados de CPMF. Obviamente, não é a preocupação dos governadores e da presidente-eleita: querem receita. Parece bem provável que a ideia vá adiante, e voltará aquele inconveniente de receber um dinheiro e não depositar com medo da tunga, ou de não passar o dinheiro por uma conta intermediária, e por aí vai. E pensar que eu trabalhava em banco, já sabia de cor: R$3,80 a cada mil reais. É um imposto nietzschiano: eternamente retorna.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dos Amores Inconvenientes

Sem Comentários - Desfecho Previsível

... he begins to feel depressed now. he knows the end is near. he has realized at last that imaginary guitar notes and imaginary vocals exist only in the imagination of the imaginer...and... ultimately, who gives a fuck anyway...so...so... excuse me...

E, é claro... Broken Hearts Are For Assholes.
Sem Comentários - Edição Especial de Luxo

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Crônica do Sapo Rouco

O Piparote parecia ser o ressurgimento da Patada, e para mim uma plataforma para publicar ficção (e me forçar a escrevê-la!). Qual! De uns tempos pra cá a página está abandonada. Mas quem sabe um dia renasça? Por enquanto, resolvi trazer pra Leosfera um conto que gostei muito de escrever, e que tomou um rumo inesperado devido a circunstâncias da vida real. Com vocês, a Crônica do Sapo Rouco.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Her Eyes Are A Blue Million Miles


Captain Beefheart, Her Eyes Are A Blue Million Miles, do álbum Clear Spot (excelente, aliás). Esta música tem uma (breve) aparição no filme O Grande Lebowski, dos Irmãos Cohen. Apesar de ser "easy listening" se comparado ao Trout Mask Replica, este som sempre foi um dos meus favoritos dele, e agora ganha novo significado.

Parabéns

Dilma Rousseff confirmou o favoritismo nas pesquisas e faturou a presidência do Brasil. É muito positivo o fato de uma mulher ter chegado lá pela primeira vez. Era sempre preferível que fosse uma com luz própria e não uma "favorita". Meus parabéns de qualquer forma. Eu apoiei sua candidatura discretamente e sem entusiasmo no segundo turno, agora me volto à tarefa de ser-lhe oposição pela esquerda. Fico feliz mesmo é de ver a cara de tacho da direita, que vai ficar sem o pirulito por mais pelo menos quatro anos. Eu de minha parte sou da parcela privilegiada dos brasileiros, e se a menos privilegiada está satisfeita e quer continuidade, tudo que eu falar sobre reformas estruturais soa como conversa furada. Segue o barco.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ghost Rider

Não, eu não vou ficar pra votar na Weslian. Concluí que se ficasse em casa no feriado minha cabeça explodiria. Talvez exploda de qualquer forma, já que não dá pra deixá-la no congelador até quarta, e sabemos-o-quê vai me perseguir. Parar de pensar em alguma coisa é como escapar do lamaçal puxando a si mesmo pelos cabelos. Tarefa para o mestre zen, ou para o Barão de Münchausen. Portanto, amanhã é dia de pegar a estrada, não de moto como o Neil Peart, de carro mesmo, nem com duas mortes para assimilar, mas com tolas (talvez nem tanto) esperanças fermentando na cachola. O caminho é velho conhecido: até Sacramento, no Triângulo Mineiro (perto de Uberaba), terra de meu pai (que aliás foi mais misantropo que eu, optando por ficar). A trilha será variada, mas fiquemos por ora com Ghost Rider do excelente álbum Vapor Trails, do Rush.


  

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Um Ídolo Intelectual

Noam Chomsky é um dos poucos seres humanos respeitados em duas áreas diferentes do conhecimento. É um linguista fundamental, criador de toda uma corrente de pensamento (o gerativismo), e é talvez mais conhecido como analista político crítico do capitalismo (e do socialismo) e das práticas imperialistas de seu próprio país.

A consistência do pensamento de Chomsky é irritante, a ponto de sua clareza ser confundida com simplismo. Foi o que disse o New York Times na frase em que o reputava "o intelectual vivo mais importante"... mas cujas visões políticas são "maddening simple-minded" (exasperantemente simplistas).

Chomsky é uma referência da esquerda atual (seja lá o que isso signifique) na contestação da "visão oficial da História", segundo a qual, por exemplo, os EUA lutavam pela democracia na América Central dos anos 80, ou que a Guerra Fria foi uma disputa de igual pra igual (entre o bem e o mal, é claro); ou ainda na questão palestina - uma em que a máquina de propaganda é assaz poderosa.

Chomsky professa o anarquismo (e acabo de encomendar dele On Anarchism e Government in the Future), daí sua liberdade para criticar tanto o capitalismo de Estado à ocidental (intervencionista) quanto o capitalismo de Estado alcunhado "socialismo real" (totalitário). Este vídeo é excelente neste quesito. E quanto àquele, sugiro meu próprio Chomskytube.

Daí por que disse que Chomsky é irritante: para ele não há opção entre capitalismo e socialismo porque nunca existiu nem um nem outro. Assim como na Palestina, entre uma solução de um Estado ou uma de dois Estados, ele é por uma solução de Estado nenhum. Na verdade, como foi bem observado pela Lambisgóia, ele tem um jeito muito peculiar de fazer ironias intelectuais muito finas a ponto de serem imperceptíveis a qualquer observador menos arguto.

Não tenho problemas em afirmar que Chomsky é um ídolo. Sinto uma ponta de orgulho por me corresponder com ele (ele é super acessível - aqui e aqui). Triste pensar que estive perto de entrevistá-lo pessoalmente quando fui a Boston, mas vicissitudes inescapáveis o impediram.

A True Zen Saying

King Crimson: Happy With What You Have To Be Happy With.
Com o Adrian Belew parecendo o palhaço assassino e tudo!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sem Comentários - Segue a Saga

Sem Comentários - Edição Especial de Luxo

From the album "Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Songbook" (1956).

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Então tá, né?

Dilma não me entusiasma nem um pouco. Principalmente essa Dilma da campanha, produto dos marqueteiros. Gostava mais dela mulher-macho e enérgica; quando ela ficou nervosa em alguns momentos da campanha essa Dilma verdadeira reapaeceu. Mas, como ia dizendo, não consigo me empolgar para fazer campanha para Dilma, por mais que deteste a perspectiva de ver o PSDB de volta ao poder, com o PFL no cangote (não duvide que ele voltaria à turgescência de outrora). Dilma é mais realpolitik na veia, é estender a lua-de-mel com as oligarquias, é Eike Batista subindo na lista da Forbes. Até gente muito boa como o Milton Temer se ilude pensando que sendo ela menor que Lula o partido falará mais alto e a puxará para esquerda; nem o terrorismo da direita fala isso a sério... bobagem: "a culpa é da Articulação" quantas vezes eu já ouvi isso de petistas de verdade; e lá estará a Articulação com seu Lula e seu Zé Dirceu (o Godzilla). Já disse que gostaria muito que o PT tivesse lançado o chanceler Celso Amorim. Não sei se foi ele quem não quis ou se nunca se pensou nisso. Vejo nele uma pessoa capaz, articulada, mas o metalúrgico tinha uma afeição especial pela mineira. Vamos nós. Meu candidato não chegou a um por cento dos votos, que posso eu dizer? Chego a ter saudades da Marina que dava um sal à contenda e evitava o que depois se mostrou inevitável: a gincana despolitizada entre chapa-brancas e regressistas. Neste fim de semana a coisa se resolve, e quem melhor definiu a situação foi o Luiz Fernando Veríssimo, que não vê grande diferença entre os dois (como Lula foi muito pouco diferente de FHC), mas ainda assim prefere a Dilma. Mas quando eu a vejo falando e penso que ela será presidente (é presidente, você já viu gerenta, pacienta ou atendenta?) dá um desânimo... Então é isso, acho que meu voto é, mais que um "voto crítico", como inventou meu partido (sendo que críticos mesmo serão os da Marina), um voto desanimado. Se eu votar, porque tem feriadão aí, né?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Henry Cow - Nirvana for Mice

Encomendei o LP Leg End do Henry Cow e aguardo ansiosamente. Enquanto isso, fiquem com a faixa de abertura - a aparição oficial deste fantástico grupo que foi o Henry Cow: Nirvana for Mice.

domingo, 24 de outubro de 2010

SLAVOJ ŽIŽEK no Democracy Now! parte 1

Em breve, o vídeo legendado.


AMY GOODMAN: Nos voltamos para a Europa, ondo muitos estão preocupados com a crescente aceitabilidade de retórica e políticas anti-imigrante. Longe de apenas ser expressa pela extrema-direita, a tendência anti-imigrante adentrou o mainstream. A chanceler alemã Angela Merkel disse a uma reunião de jovens membros do partido conservador União Democrática Cristã neste fim de semana que o multiculturalismo fracassou completamente.
CHANCELLOR ANGELA MERKEL: Em Frankfurt, principalmente, duas de cada três crianças abaixo de cinco anos tem um origem imigrante. Somos um país que, no começo dos anos 60, de fato trouxe trabalhadores convidados à Alemanha. Agora eles vivem conosco, e nós mentimos para nós mesmos por um tempo, dizendo que eles não ficarão e que desaparecerão um dia. Essa não é a realidade. Essa abordagem multicultural, dizer que simplesmente vivemos lado a lado e estamos felizes um com o outro, essa abordagem fracassou, fracassou totalmente.
AMY GOODMAN: A chanceler alemã acrescentou depois que imigrantes são bem vindos na Alemanha e que o Islã é uma parte da cultura da nação nos dias atuais. Seus comentários são vistos como parte de uma guinada à direita e vêm apenas dias após um estudo pela Fundação Friedrich Ebert, de centro-esquerda, descobrir que mais de 30 por cento das pessoas acreditam que a Alemanha é “dominada por estrangeiros.” Um número similar acreditava que os imigrantes tinham vindo para a Alemanha por seus benefícios sociais e “deveriam ser mandados para casa quando o emprego é escasso.” No começo do ano, um livro de um banqueiro influente causou furor, por atribuir o declínio da nacionalidade alemã ao suposto fracasso de muitos imigrantes em se integrarem.  
Enquanto os debates prosseguem na Europa, recebo aqui em Nova Iorque um controverso intellectual público que foi chamado de “Elvis da tória cultural.” Sim, estou falando do filósofo e crítico esloveno Slavoj Žižek. Ele é o autor de mais de trinta livros. Seu mais recente, da Verso, acaba de sair, e se chama “Vivendo no Fim dos Tempos”. Em recente artigo para o jornal londrino The Guardian, ele argumenta que “através da Europa, a política da extrema direita está infectando a todos com a necessidade de uma política anti-imigrante ‘razoável.’”
Bem, Slavoj Žižek, bem vindo ao Democracy Now!
SLAVOJ ŽIŽEK: Feliz de estar aqui. Obrigado.
AMY GOODMAN: Junte tudo para nós, desde a Angela Merkel falando sobre o fim do multiculturalismo – e mesmo o que isso significa, “multiculturalismo” – aos protestos em massa que estão ocorrendo na França e mais além.
SLAVOJ ŽIŽEK: Eu realmente penso que geralmente nós europeus somos um pouco arrogantes, como se fôssemos o modelo de tolerância e por aí vai. Agora algo horrível aconteceu, e o que é realmente preocupante é que não apenas os países, as partes da Europa, que geralmente associamos à intolerância, como o sudeste da Europa, Romênia, Hungria e tal, são inclusive os próprios modelos de tolerância: Holanda, Noruega e tal.
O que realmente me preocupa é... vou dizer algo muito simples, quase lugar-comum, que, você sabe, para mim, eu sou nisso sempre pela censura. Através da democracia, tolerância, num sentido autêntico, significa que você simplesmente não pode dizer certas coisas publicamente. Você é considerado... você sabe, como se você disser publicamente uma piada anti-semita, sexista, é inaceitável. Coisas que eram inaceitáveis dez, quinze anos atrás são agora aceitáveis. E o que realmente me preocupa é como a extrema-direita, o que era vinte anos atrás o domínio da extrema-direita, está ditando... mesmo se são uma minoria, estão ditando a agenda geral.
O truque retórico típico aqui é em dois movimentos. Primeiro, você obviamente condena a extrema-direita: “sem lugar na nossa democracia desenvolvida”. Mas então você acrescenta: “Mas eles estão abordando as reais preocupações das pessoas,” e tal e tal. Então, precisamente – este é o truque sofisticado sujo – de modo a prevenir demonstrações de ódio, temos de controlar a situação. Você sabe que ele era politicamente próximo à social-democracia.
AMY GOODMAN: Que significa?
SLAVOJ ŽIŽEK: Que significa que eles… realmente, a extrema direita impôs seu tema sobre todos. Mas deixe-me dizer agora algo que pode lhe surpreender. Eu, é claro, não aceito essa lógica horrível – temos que fazer mais modestamente para prevenir demonstrações reais – mas eu penso que há uma falha nessa visão padrão, liberal, multicultural, que quer dizer que todo grupo étnico, qualquer coisa, em si mesma, tudo que precisamos é de um arcabouço legal neutro garantindo a coexistência de grupos. Desculpe se eu choco alguém, mas eu penso que de fato precisamos do que os alemães chamam Leitkultur, cultura prevalente. Apenas ela não deveria ser definida nacionalmente. Deveríamos lutar por isso. Sim, eu concordo com os direitistas. Nós precisamos de um conjunto de valores aceitos por todos. Mas quais serão esses valores, meu Deus? Nós negligenciamos isso um pouco. Você sabe que não é apenas esse modelo liberal abstrato: você tem seu mundo, eu tenho meu mundo, nós apenas precisamos de uma rede legal neutra – como vamos educadamente ignorar um ao outro. 
Meu segundo argumento seria que é absolutamente crucial como essa explosão anti-imigrante está ligada ao recuo da política esquerdista, especialmente em matéria de economia e tal. E como se a esquerda, estando obcecada pela ideia de que não devemos parecer reacionários no sentido econômico, o que é dizer “Não, não, não somos os velhos sindicalistas da classe trabalhadora, somos pelo capitalismo digital pós-moderno” e tal. Eles não querem tocar a classe trabalhadora ou as assim-denominadas pessoas comuns de baixo. E aqui os direitistas entram. Você sabe, o horrível paradoxo é que, fora alguns pequenos partidos esquerdistas marginais, a única força política séria na Europa hoje que ainda está apta a apelar às pessoas trabalhadoras comuns são os anti-imigrantes de direita? Então você vê, nós, os esquerdistas não temos direito algum, absolutamente direito algum, de assumir essa postura arrogante de pessoas tolerantes ofendidas que estão horrorizadas... não, deveríamos fazer a pergunta, como permitimos o que está acontecendo.
AMY GOODMAN: Eu quero perguntar a você sobre essa pequisa do Christian Science Monitor que mostrou que 13 por cento dos alemães apreciariam a chegada de um novo Führer. Mais de um terço dos alemães sentem que o país é “dominado por estrangeiros.” Aproximadamente 60 por cento limitariam a prática do Islã, e 17 por cento acreditam que judeus têm influência demais. Treze por cento apreciariam a chegada de um novo Führer.
SLAVOJ ŽIŽEK: Penso... agora de novo, talvez isso a choque, mas, você sabe, não exagere o significado disso. Não, não, eu não penso que... OK, minha primeira tese, que a Alemanha – e isso o faz ainda mais trágico – a partir de minha própria experiência, a Alemanha é, por exemplo, muito mais eficientemente, na vida quotidiana, tolerante do que a França, por exemplo, eu alego isso com toda minha responsabilidade. Não é tão geral quanto possa parecer. Vá à parte mista da ex-Berlim Ocidental e tal, você ainda vê colaboração maravilhosa. Não se preocupe com isso. O que estou precisamente dizendo é que não deveríamos ficar fascinados demais com esses detalhes.
Nós deveríamos fazer perguntas mais fundamentais, como isso é, para mim, apenas parte de uma guinada geral, o que menciono no texto a que você gentilmente se refere, como todo o mapa político da Europa está mudando de uma forma horrível. Para abreviar uma história longa, bem concisamente, até agora, tínhamos a situação padrão que vocês têm até agora aqui: um grande partido de centro-esquerda, um grande partido de centro-direita – eles são os únicos partidos que se dirigem a toda a população – e então pequenos partidos marginais. Agora, mais e mais na Europa, outra polaridade está emergindo: um grande partido capitalista liberal, que pode mesmo ser em temas sociais como aborto, direitos femininos, relativamente progressistas – puro, chamemos, partido capitalista – e a única oposição séria são os nacionalistas imigrantes... anti-imigrantes. É algo horrível que aconteceu. Os anti-imigrantes estão se estabelecendo como a única autêntica - claro, eles não são autênticos politicamente, mas no sentido de realmente percebidos como autêntica – voz de protesto. Se você quer protestar, o único modo de fazê-lo efetivamente na Europa é esse. Então eu penso ser uma questão de vida ou morte uma esquerda ligeiramente mais radical emergir.
Sabe o quê? Walter Benjamin, o grande acadêmico da Escola de Frankfurt, ele disse algo que deveríamos sempre ter em mente hoje. Ele disse: “Atrás de todo fascismo, há uma revolução fracassada.” Serve, mais do que nunca, para nós. Como, tome... tomemos seu próprio país, Kansas, que é agora a matriz do fundamentalismo cristão. Como Thomas Frank demonstrou em seu livro, Deus meu, até vinte, trinta anos atrás, Kansas era o celeiro de todos movimentos de massa radical-socialistas e tal. O mesmo na Europa. Isso deveria nos preocupar, não essa arrogante... que sempre tem uma conotação de classe negativa. Quando as pessoas atacam o racismo das pessoas comuns, é sempre como nós liberais de classe média alta desprezando pessoas comuns. Deveríamos começar a perguntar a nós mesmos o que fizemos de errado.
AMY GOODMAN: E já que vem aqui pros Estados Unidos, sua avaliação do movimento Tea Party?
SLAVOJ ŽIŽEK: É um exemplo perfeito do que eu estava falando. Eu tive quase – eu uso os termos um pouco ironicamente, mas ainda assim – uma espécie de epifania quando, um ano atrás ou algo assim, quando eles organizaram, republicanos das bases, todos eles... as primeiras tea parties contra gastar tanto dinheiro com bancos. Você sabe o que eu estava fazendo? Eu estava sentado em um quarto de hotel, trocando de canal na TV. Na Fox News, era uma transmissão ao vivo de uma tea party no Texas onde um cantor, tipo um falso cantor folk, cantava uma canção anti-Washington, anti-gasto governamental. Na PBS, havia um documentário sobre o grande ícone esquerdista Pete Seeger. Eu fiquei chocado com como as palavras, não obstante os significados político delas, eram quase o mesmo. Ambos cantavam sobre pessoas comuns, pequenas, sendo exploradas; caras maus e grandes, banqueiros em Washington, e tal, Wall Street, e tal. Essa é a tragédia. Essa é a tragédia no mais essencial.
Você deve saber melhor do que eu. Eu não sei se... até onde eu posso julgar a situação, foi depois do Carter, com Reagan, que esse movimento de base e tal foi mais tomado pela direita, tipo, o tempo da esquerda, mobilização de massa radical esquerdista tinha passado. Quando alguém te diz: “Oh, tea party, oh, de um protesto local de base,” seu primeiro “avaliamento” é: estão os direitista fazendo isso de novo, ou o quê? Este é um momento muito triste. Mas sem motivos – espero deixá-lo claro – para o tradicional ataque à América Europeu. E isso é, eu acho, parte de um processo global do que chamo desaparecimento do... o que filósofos como Kant chamaram uso público da razão.
Eu ouvi com surpresa e grande prazer o relato de como aqui nos States as universidades, que são financiadas com dinheiro dos contribuintes, são mais e mais usadas pelas empresas. Na Europa, somos ainda piores. Te direi por quê. Porque eles expuseram claramente o programa na Europa. Não é apenas este problema concreto – grandes empresas controlando, através de doações em dinheiro, as universidades. É algo mais fundamental ocorrendo. É uma bem organizada campanha pan-europeia para converter a nós cientistas, humanos ou naturais, em experts. A idéia é: temos um problema – digamos o vazamento de óleo na Louisiana – oh, precisamos de experts para nos dizer como contê-lo. Temos uma desordem pública, manifestações; precisamos de psicólogos e tal. Isso não é pensamento. Nós deveríamos redefinir e questionar os próprios problemas. É essa a percepção correta do problema? É esse realmente o problema? Nós deveríamos formular questões muito mais fundamentais.
Aqui, pode lhe surpreender, mas eu ainda tenho simpatia pelo Obama. Mas no meu modo de ver, uma se seus maiores fracassos não é no Afeganistão. Lá, a situação é muito complexa. Eu não sei o que eu teria feito. É como ele reagiu ao vazamento. Sabe por quê? Porque ele jogou esse jogo legal, moralista, como se… você sabe, tipo, eu vou chutar a BP – sabemos onde – eles farão... desculpa, mas em uma tragédia dessas proporções, você não pode jogar esse jogo legalista, quem é culpado e tal. Você deve começar a fazer perguntas mais gerais. A BP é má, mas estamos cientes de que também poderia ter acontecido com outra empresa? Então o problema não é a BP. Os problemas são muitos mais gerais – a estrutura de nossa economia, por que estamos vivendo assim, nosso modo de vida e tal e tal. Eu penso ser esse o problema hoje. Estou dizendo isso ironicamente como um esquerdista. Temos talvez até anti-capitalismo demais, mas nessa sobrecarga de anti-capitalismo, mas sempre nesse sentido legal, moralista: ooh, aquela empresa está usando mão-de-obra escrava infantil; ooh, aquela empresa está poluindo; ooh, aquela empresa está... aquela empresa, qualquer coisa, explorando nossas universidades. Não, não, o problema é mais fundamental. É sobre como todo o sistema funciona para fazer as empresas fazerem isso. Não moralize o problema, porque se você o moralizar, você pode dizer nos States o que quiser. Já em filmes como Dossiê Pelicano, você se lembra, sem problema, grande empresa, até o presidente dos EUA pode ser corrupto. Não, este excesso de anti-capitalismo é um falso excesso. Deveríamos começar a formular questões mais fundamentais.
AMY GOODMAN: Slavoj Žižek, seu mais recente livro, por que você o batizou Vivendo no Fim dos Tempos?
 SLAVOJ ŽIŽEK: Obviamente, a ideia é ironicamente se referir ou evocar essa metáfora apocalíptica, não importa, em 2012, nos aproximamos do fim dos tempos. E, é claro, meu argumento não é – não sou esse tipo de crente – oh, temos dois anos para viver, e então qualquer coisa vai acontecer. Mas não obstante, eu penso que todo o... em diferentes níveis, nos aproximamos lentamente – sem pânico por ora – uma espécie de ponto zero. No sentido de... olhemos a ecologia. Está claro que quando me dizem: “Oh, mas você é um utópico,” eu lhes digo: “Não, a única utopia de verdade é que as coisas possam seguir como estão indefinidamente.” E é muito estranho como nos comportamos. De um lado, não acreditamos realmente que haverá uma catástrofe. Estamos divididos. Sabemos disso. Ao mesmo tempo – isso é ideologia da vida quotidiana – para deixar nossa consciência limpa, já notou como somos chantageados nisso no nível quotidiano? “Oh, você jogou fora aquele jornal. Não, você deveria levar…”
AMY GOODMAN: Dez segundos.
 SLAVOJ ŽIŽEK: Sim. Então, o que estou alegando é que estamos nos aproximando de um certo ponto zero. Temos de agir. Se não, não quero viver numa sociedade que estará aqui em vinte anos, digamos.
AMY GOODMAN: Slavoj Žižek, quero agradecê-lo pore star conosco, filósofo esloveno, autor de muitos livros. Seu mais recente está sendo lansado pela Verso Books. Se chama Vivendo no Fim dos Tempos. 

Mais um Pouco de Coquetel do Mingus

24/08/2003-B

sábado, 23 de outubro de 2010

Vísceras

Eu só penso ser conveniente... não que interesse a alguém, obviamente, mas resolvi de qualquer forma, para enganar a modorra de mais uma noite solitária, mais do que qualquer coisa, ouvindo ópera - veja só - quando era melhor ter uma popuzuda dançando funk e roçando em mim, enfim, lançar-me a um pequeno arrazoado, sob a péssima influência de um amor frustrado e mergulhado numa patética fase hamletiana (como se Hamlet não fosse patético em si mesmo), de modo a explicar - se é que não vou confundir cada vez mais, pouco importa - minha opção pela misantropia: antes que alguém se dê ao trabalho de apontar a fábula da raposa e das uvas, apresso-me eu a confirmá-lo; sim, eu detesto a humanidade... não que haja uma humanidade, mais do que uma cachorridade ou uma macaquidade, há bilhões de indivíduos de uma mesma espécie que vão se integrando a partir da violenta imposição de uma Civilização Ocidental - que é o máximo que dá pra odiar - se é que ela mesma existe (Gandhi, perguntado sobre o que pensava da Civilização Ocidental, respondeu que talvez fosse uma boa ideia); mas eu me converti de corpo e alma à misantropia justamente por fracassar totalmente em buscar uma inserção saudável na sociedade, não escondo de ninguém - e pouco importa se essas malditas uvas estão verdes, maduras ou podres; não, eu não tenho namorada, amigos se tive foram ficando pelo caminho e pouco se importam comigo, não tenho um trabalho que me realize, longe disso, não tenho diploma universitário mesmo tendo toda a vida sido importunado com a pecha de "inteligente", fracassei no que sempre foi minha maior paixão, a música, por absoluta falta de disciplina e perseverança - constância, enfim; descobri-me portador de uma doença psiquiátrica e não posso cobrar de ninguém que entenda ou aceite; aliás, com licença que vou ali tomar meus remédios; eu odeio festinha de criança, odeio quando dizem:    "lá tem gente bonita", eu odeio gente bonita, imagina, cheios de roupas e pinturas e cheiros e aquela música horrível, monocórdia que eles insistem em dançar, não! já devia ter aprendido que isso não é pra mim, meu locus é mesmo a solidão, se eu ao menos lesse com mais afinco - tem isso, também - poderia me considerar uma pessoa culta e excêntrica, cheio de latinismos na ponta da língua, pois ora! do jeito que está, eu não passo de esquisito e, pior, egocêntrico e vaidoso, sem o devido estofo para tanto, mendigando por atenção em redes sociais que não passam de vitrine para meu próprio solipsismo - como este endereço, obviamente, que fico torcendo para que visitem e, bem, é prazeroso quando alguém o elogia, mas afinal é para isso que ele existe, ou não? para ser a plataforma de outra existência que oblitere a realidade, como já foi dito.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E... Mais Outra

 O cara é um gênio.

Peter Brötzmann Chicago Tentet @ Amsterdam 2009



Detalhe: eu tinha planejada uma viagem à Europa que incluiria exatamente esta apresentação. Não deu certo... Mas tive o privilégio de vê-los em Lisboa no Jazz em Agosto 2008.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Tiro ao Calvo

Me sinto um pateta só por me misturar à "polêmica", por assim dizer. Imagine que um amigo seu, francês, digamos, venha te visitar e descubra que às vésperas da votação de 2º turno para presidente a discussão política mais profunda é sobre... uma bolinha de papel? Sim, amigos, nosso campeão de votos Tiririca havia se enganado. Pior do que tá fica, sim.

Não só o episódio todo no Rio foi marcado pela agressividade de lado a lado dos militantes, como algum imbecil - que não pode ser senão das hostes petistas - achou bacana tacar uma bolinha de papel no candidato adversário. Um sujeito desses merece ficar uma semana sem recreio. Dizem que um rolo de fita também atingiu o sinistro careca, ou a Globo disse. Não sei. Já é um objeto mais duro, e um pecado "menos venial", digamos. De qualquer forma, por mais condenável que seja, não tomemos a coisa fora de proporção.

Pois foi exatamente isso que Serra fez, e pior: só depois de receber um telefonema o "avisando" de que estava ferido. Levou a mão à calva e foi ao hospital alegando... tonteira? Foi o que o médico disse, o que lhe submeteu a uma... tomografia computadorizada? Sério? Cara, eu ainda me mudo pra Bolívia!

Pois é, gente, quando eu falei em gincana eleitoral, virando batalha campal, era uma figura de retórica, não precisava levar tão a sério. E não é que tacaram uma bexiga d'água na Dilma? Puta que os pariu... A pergunta que fica é se o(a) presidente que sair desse pleito sairá contaminada por toda essa tolice ou se poderemos esquecer tudo isso. Do jeito que está, a eleição presidencial se parece cada vez mais com um esquete do Monty Python. O difícil é só escolher qual é o Silly Party, pois nenhum dos dois é Sensible.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Iannis Xenakis: Diamorphosis (1957)

Mago grego da música eletro-acústica.



4 em órbita?

Deve haver algo errado. Hoje eu abri a Leosfera e havia 4 leonautas em órbita! Eu e mais três, isso é inédito! Agradeço a você que agora lê, parece que a mim só resta a responsabilidade de seguir postando qualquer coisa que valha a pena. Por falar nisso, por que não este vídeo de Derek Bailey e Tony Oxley na Knitting Factory? Me lembra uma discussão que tive com o Piccolo sobre se música precisa ser "agradável" ou não. Até mandei pra ele, não sei qual foi sua impressão.

sábado, 16 de outubro de 2010

A Gincana Eleitoral (virando Batalha Campal)

Pouco importa o resultado final destas eleições (até porque pouco importa mesmo), teremos motivo para nos envergonhar. Do processo eleitoral e das campanhas. O Brasil gosta de alardear ser uma democracia estável, sólida, o que nos poria à frente dos colegas do BRIC, ou de China e Rússia ao menos. Mas dá pra levar a sério mesmo nossa "festa da democracia"?

Vou evitar entrar em discussões ontológicas, nem vou dissecar etimologicamente o termo, uma vez que sou reconhecidamente ignorante em qualquer assunto que seja. Vou tão somente traçar algumas considerações que me vêm à mente. Antes de mais nada, o fato de que as campanhas são financiadas basicamente por empresários, sendo o retorno eleitoral quase diretamente proporcional ao investimento, garante que apenas interesses dessa classe estejam de fato representados. Já fui contra o financiamento público de campanha, pensava que a corrupção prosseguiria com qualquer outro pretexto. É fato. Mas candidatos com posições menos vendáveis, digamos assim, não ficam alijados do processo. Corrupção há que se tentar combater sempre. Bem, mas o financiamento público não corrige outra distorção: a despolitização. Vou citar de novo Thomas Fergusson e a Teoria do Investimento Político (via Chomsky): os investidores se unem para eleger representantes e, como sabem que a opinião do público diverge da sua, convém que os temas sejam deixados de lado em favor da comparação de "qualidades" dos candidatos (no nosso caso, os defeitos do outro); some a isso que no máximo metade do eleitorado sequer sabe o que é esquerda ou direita, e temos eventos mercadológicos, anúncios de sabão em pó, em vez de política.

Tomando o caso em questão, a temporada 2010 do "reality show" mais bizarro da Terra, tivemos as presepadas do Judiciário, que não sabe dizer que lei vale, quando e para quem, e segue que o resultado exarado no último dia 3 ainda pode sofrer várias alterações. Vamos lá: a lei de iniciativa popular alcunhada Ficha Limpa é uma boa inciativa; longe de uma panaceia, mas capaz de estabelecer um filtro mínimo para a eligibilidade (ainda que distorções tenha havido, como o Aldo Santos, vice do Búfalo em SP que foi - ao que me parece - injustamente condenado ao ceder um ônibus a sem-teto). Ocorre que a lei foi aprovada ainda este ano, e com uma alteração marota que devia remetê-la de volta à câmara; a Justiça Eleitoral forçou a barra para interpretar que ela não alterava o processo eleitoral e podia valer já este ano. É claro que são muitos os furos pelos quais ela pode ser questionada. Chamada a decidir, a Corte Suprema chegou a um empate e... lá ficou. Não sabiam que regra valia nem para o desempate. Risível. E segue o barco. Outro caso que foi emblemático do pleito foi o fenômeno Tiririca. Não é a primeira vez que alguém é eleito por sua celebridade, mas o "comediante" em questão sempre foi célebre por sua ignorância; não foi senão a dias do pleito que alguém levantou a "denúncia" de que ele era iletrado. Já li até que ele poderia ser preso, já que afirmou saber ler e escrever para se candidatar. Mas mais não soube.

Por fim, quero aqui registrar minha repulsa ao rumo que vêm tomando as campanhas presidenciais. Não só são vazias e despolitizadas, calcadas na descontrução do adversário, muita vez por ofensas, mas desviaram-se para o obscurantismo passional, privilegiando um tema que quanto mais longe de política melhor: religião. Começou pouco antes do primeiro turno, com boatos de que Dilma seria pela legalização do aborto. Há algo de verdade nisso, e eu vi uma entrevista dela em que ela defendia esse ponto de vista. Mas obviamente o cálculo político vale para o PT mais do que qualquer convicção ou coerência: a campanha a presidente 2010 nunca cogitou mudar a lei. O PSOL sim, mesmo tendo um candidato extremamente católico, propunha abolir a hipócrita proibição que só garante que moças pobres morram ou se mutilem em abortos ilegais enquanto, da classe média pra cima, há sempre uma clínica muito profissional à disposição. Bem, voltando à vaca fria, o que passamos a ver foi uma disputa para saber quem era o candidato mais cristão. Signo de atraso. As militâncias por seu turno se comportam como torcidas de futebol, com suas palavras de ordem e tudo mais. Por isso eu tenho dito que se trata de uma Gincana Eleitoral: um grita Erenice de lá, outro responde Paulo Preto. De ontem pra cá os dilmistas estão apostando em uma "arrancada" no twitter, que inclui encher o saco do Plínio que - coerentemente - prega voto nulo, enquanto o PSOL espertamente prega o Serra Não. Sei que essa arrancada está me torrando a paciência, e seria ainda pior se eu também seguisse serristas.

Que acabe logo essa agonia, e que o Serra não vença. Mas andei pensando: e se desmarcassem a votação e marcassem uma batalha campal?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Uma do Laerte

Nem é preciso dizer o quanto eu me identifiquei!

John Zorn: Radical Jewish Culture


Uma das vertentes do prolífico saxofonista novaiorquino John Zorn gira em torno da Cultura Judaica Radical: música judaica cruzada com jazz avantgarde e... voilà! O projeto inicial Masada deu origem a diversos desdobramentos e teve suas composições interpretadas por virtualmente todo o elenco do selo Tzadik (não por acaso, criado pelo próprio Zorn e nomeado com uma palavra do hebreu que significa "o justo"). Aqui vão portanto alguns dos momentos da empreitada.

Masada


Electric Masada


Masada String Trio


Bar Kokhba Sextet

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Caso eu tenha perdido...

Assisti apenas ao final do primeiro debate para o segundo turno. E os do primeiro já não me despertavam a atenção. Digo isso sem medo de ser visto como um imbecil alienado. Afinal, digam aí para mim, se souberem, quantas vezes no último debate, e nos anteriores, os dois contendores falaram em:

*Pauta exportadora.
*Ciência e Tecnologia
*Produção Acadêmica
*Patentes
*Índice de Gini
*Desigualdade Regional
*Concentração Fundiária
*Analfabetismo e Analfabetismo Funcional
*Multinacionais (e a Balança de Pagamentos)
*Agrotóxicos, Transgênicos
*Oligarquias

E tanta outra coisa... que citassem ao menos, se não tinham os números à disposição. Arrisco dizer que dos 11 itens, os dois juntos devem ter no máximo três menções. Ficam insistindo em aeroportos, operações de hemorroida e por aí vai. Ah, como não esquecer: aborto. Há que se garantir a manutenção da legislação hipócrita. Tô bem sem paciência, viu! Não é com grande entusiasmo que eu apoio a Dilma.

sábado, 9 de outubro de 2010

Rush: Máquina do Tempo


Foi em 2002 que o Rush esteve no Brasil pela primeira vez, e lá estava eu, no Morumbi, para o que foi uma experiência marcante, catártica (com alguma ajuda química, é fato).

Em 2010, já ouço Rush bem mais amiúde, e dispenso "ajudas", mas ainda assim o show da turnê Time Machine foi de fato... uma máquina do tempo. Eu, indo a um show de rock, no meio daquela multidão (logo eu, cada vez mais misantropo), me senti uns cinco anos mais novo, pelo menos. Para completar, encontrei figuras da minha adolescência em Rondônia, que não via havia anos.

Só achei absurdo não incluírem nada do Vapor Trails. Outras como The Trees fizeram falta, mas há que reconhecer que são muitos anos e muitos discos, portanto isso é inevitável. Mas houve surpresas agradáveis, como Presto, e um som que eu gosto muito, The Camera Eye, que entrou no Moving Pictures na íntegra. Confesso que achei muito estranha a parte do solo do Neil Peart com batera eletrônica. E me irritou muito tanta gente erguendo o braço para filmar ou fotografar. Maldita tecnologia! Aqui vai a lista do que eles tocaram:

First Set


  1. The Spirit Of Radio
  2. Time Stand Still 
  3. Presto 
  4. Stick It Out 
  5. Workin' Them Angels 
  6. Leave That Thing Alone 
  7. Faithless 
  8. BU2B 
  9. Freewill 
  10. Marathon 
  11. Subdivisions 
  12. Second Set
  13. Tom Sawyer 
  14. Red Barchetta 
  15. YYZ 
  16. Limelight 
  17. The Camera Eye 
  18. Witch Hunt 
  19. Vital Signs 
  20. Caravan 
  21. Drum Solo 
  22. Closer To The Heart 
  23. 2112 Part I: Overture 
  24. 2112 Part II: The Temples Of Syrinx 
  25. Far Cry 
  26. Encore:
  27. La Villa Strangiato 
  28. Working Man