terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Grunhindo Alto


O termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) foi propalado por Paulo Henrique Amorim - contra quem tenho algumas reservas - e fez sucesso na esquerdofera. Foi "dicionarizado" na wikipedia e parece que querem tirar; justo, é parcial ao extremo. Enfim, virou um código universal em algumas dezenas de blogues (pelo menos). É um sucesso.

Uns artigos atrás disse que não gostava da expressão "Imprensa Golpista": manipulação e tendenciosidade são tão velhos quanto a imprensa brasileira, com ilhas de seriedade; eles só intensificaram a tendência, por ser o partido no poder (nominalmente) de esquerda, e inverteram o sinal (atacar em vez de acobertar). Mais importante, nunca houve a menor ameaça de um golpe. Quanto a "Partido", é uma bela metáfora, pois andam em bloco, representam interesses; porém, os media não agem concertadamente, apenas sabem o que fazer. Partido pressupõe reuniões, assembleias. Mas acho que estou cobrando demais de uma boa blague. Se aceitarmos que desgastar o govermo é um golpe a prestação, o termo é bom.

Não é, contudo, por essa pífia argumentação que resolvi aderir. E sim pelo comportamento cada vez mais absurdo dos meios de comunicação criando (ou ajudando a criar) a bomba H dos factoides: a reação ao Plano Nacional de Direitos Humanos III. Não vou me dar o trabalho de comentar pela centésima vez esta ou aquela matéria de telejornal (embora a da Band se destaque) ou o editorial deste ou daquele jornal (que aliás, não li). É um escarcéu tétrico (sobre uma peça informativa) no qual não tenho estômago de mexer. Vou-me ater às insinuações (para usar um eufemismo) de que Lula e seu plano ameaçassem a democracia e - o que ficou desde implícito até escancarado - estivessem instituindo o comunismo ateu e comedor de criancinha por decreto.

Tentam reeditar a Guerra Fria vinte anos depois. Querem talvez jogar a centelha e esperar a repercussão da tese, uma eventual aderência dos "cansados" de sempre e, quem sabe, recriar a Marcha com Deus pela Puta que Pariu, o preâmbulo da Revolução Gloriosa de 64, a Redentora que instituiu a ditabranda. O exército poderia eventualmente, nunca se sabe, ser docemente constrangido a endossar o pleito daqueles preocupados com a segurança da civilização ocidental cristã e... sabeis muito bem o quê.

São contextos diferentes? Muito. E ao mesmo tempo, nem tanto. Os conservadores têm medo, mais postiço que fundamentado, do que uma esquerda reticente poderia fazer - mas não há a "ameaça soviética" que lá havia, ao menos como retórica; os EUA não intervêm abertamente, mas hipócrita e dissimuladamente (vide Honduras), e se Lula "é o cara", e o capitalismo aqui nunca foi tão forte, algumas opções como a parceria com a França, a interferência em Honduras e o, tímido que seja, apoio ao bloco vermelho latino incomodam Washington. Ainda sigo crendo que uma quartelada é muito improvável hoje. De qualquer sorte, a imprensa, ou os media de modo geral (já que os impressos já não apitam nada), fizeram sua parte jogando o verde, ou o fósforo; vão colher ao menos o maduro de sangrar o governo, e poderiam hipoteticamente atingir um tanque de gasolina.

P.S.: Meu pai levantou a possibilidade de que a oposição tenha criado aí uma bandeira para a eleição, duvido: se caírem nessa armadilha vão sair ridicularizados, pois, repetindo: acabou a Guerra Fria, o eleitor que vai decidir a eleição (não politizado, principalmente de baixa renda) não liga para este assunto (é a economia, estúpido!), e alguns que já se inclinavam à direita poderiam desertar. Serra ficou calado sobre o episódio, e como quer botar banca de esquerdista (foi exilado e tudo!), não poderia enveredar por esse caminho. Mas a cacicada que puxa seus cordames pode pensar diferente. Se ganharem com esse discurso ultrarreacionário, juro que me mudo pra Bolívia, para iniciar uma plantação de Pepsi.

P.S.2: Nêumane Pinto, no SBT, corrobora meus temores: "Os militares, cadê os militares?"

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