terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ah! brejeiro! ah! brejeiro!

Antes de qualquer coisa, preciso manifestar meu respeito ao povo israelense. Cada indivíduo é inocente até que se prove o contrário; ainda que a maior parte da população coadune com as posições racistas e militaristas de Israel, há uma dissidência que se esforça em combatê-las. É como com os EUA, posso detestar o imperialismo ianque, mas não tenho por que odiar os americanos, ou rechaçar as coisas boas de sua cultura.

O Estado de Israel ou, mesmo antes de sua existência, o sionismo, são dos maiores criminosos contra a humanidade - pelas décadas de continuidade e reincidência. E são amparados pelo beneplácito dos grandes meios de comunicação, para os quais cometem suas barbáries nome da defesa contra terroristas malvados. Isso é obtido pela proteção do império americano, para o qual Israel é um posto avançado no Oriente Médio, e da consequente campanha de Relações Públicas junto à mídia tradicional. Tome a nossa Globo, por exemplo: não é preciso ser muito perspicar para receber que ela representa o interesse americano aqui. Apoia o candidato favorito de Washington, cobre as guerras injustificáveis do Tio Sam do ponto de vista deles, nunca questionando a invasão em si, apoiam sem pudor o golpe de Honduras e condenaram o abrigo a Zelaya por parte do Brasil, demonizam a esquerda latino-americana e por aí vai. Sobre o "conflito" de Gaza - presente de fim-de-ano em 2008 aos palestinos - o plim-plim pintava uma guerra de igual pra igual, ou pior: sobre os guerrilheiros do Hamas, perguntava "como combater um inimigo que não se sabe onde está?" (sobre a imagem de um soldado israelense com binóculos). A resposta foi simples: matando ao menos mil civis e destruindo inclusive a Universidade Islâmica - e sem sucesso.

Afinal, a troco de quê escrever este artigo? Afora a falta de assunto - achei que escrever sobre as recentes pesquisas eleitorais seria chover no molhado - escrevo para comentar a "confissão" do governo de Israel que "quebrou o vaso": sim, foi um erro bombardear a ONU; ou sim, usamos fósforo branco - mas foi só para atrapalhar a visibilidade do inimigo. A assim-chamada "comunidade internacional" faz como o pai de Brás Cubas, e repete ao afagar-lhe a cabeça: "brejeiro, ah brejeiro...". E é melhor se acostumar: como disse, eles tem um império a os apoiar, e um com mais sede de sangue que eles. Além disso, Israel moveu-se tanto à Direita ultimamente que - como apontou Chomsky - Netanyahu se tornou moderado; com gente como Avigador Liberman no poder, só resta torcer. Torcer para que não concretizem as ameaças ao Líbano, ou a Gaza, ou - pior ainda - que não mostrem ao Irã por que armas nucleares não são brinquedos para muçulmanos radicais, usando uma. Não vai ser possível impedir que sigam os assentamentos na Cisjordânia, ou que sua água seja roubada, assim como o gás da costa de Gaza; é um sonho distante um Estado palestino. E afora um punhado de dissidentes que mal incomodam, o mundo assiste passivo à maior grilagem de terra do planeta, da mesma forma que passivo assiste (ou já ouviu falar) ao genocídio em Darfur. A ONU devia fechar e passar o ponto.

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