sexta-feira, 30 de abril de 2010

The Rest Is Silence

Cheguei ao fim da tardução de Hamlet. Falta revisar tudo, é claro, mas isso não significa que não deva comemorar, né? Estou trabalhando em publicar a versão beta no endereço:
E já subi as legendas (para o filme do Branagh) aqui:
O filme pode ser baixado neste endereço:

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Uma Comédia Séria

Quando os irmãos Coen lançaram a obra prima Onde Os Fracos Não Têm Vez, em que Javier Barden brilhou como "o mal em pessoa", fiquei me perguntando: será que vão adotar daqui pra frente um tom mais sóbrio e reflexivo, abandonando a comédia? Não que isso fosse uma tragédia (trocadilho à parte), pois a julgar pela qualidade do longa citado, eles têm potencial para relizar dramas monumentais.

Após algum tempo eles se saíram com Queime Depois De Ler, em que retomam a formula clássica da comédia de erros, além da queridinha de longa data Frances McDormand (desde o primeiro, Gosto de Sangue, passando por Fargo - que revelou a ela e à dupla - ou O Homem Que Não Estava Lá, Arizona Nunca Mais e por aí vai), na boa companhia dos consagrados Brad Pitt, George Clooney e John Malkovitch em grandes atuações. Um bom filme, engraçado, mas que não resiste a uma segunda (vá lá, terceira) sessão e que deixou a dúvida (inversa): será que vão voltar a fazer dramas?

Na verdade, não há muito mistério, pois em entrevistas eles revelaram planos de perseguir ambos caminhos. Nada melhor, portanto, do que prosseguir com um filme igualmente engraçado e cerebral, que é exatamente este Um Homem Sério, ora em cartaz por aqui. A crítica menosprezou o filme como inferior dentro da filmografia da dupla, o que acho injusto: talvez estejam procurando pelas gargalhadas, deixando de perceber a profundidade da película.

Um Homem Sério gira em torno do judaísmo, tema que sempre aparecia, nem que seja de relance, na maioria dos filmes anteriores; mas agora veio como o cerne da narrativa. O próprio argumento saiu direto do Velho testamento: as desventuras de Larry Gopnik são uma versão da parábola de Jó, em que um homem muito pio tem sua fé testada de diversas formas. Se eu entendesse alguma coisa de Bíblia poderia traçar aqui paralelos, mas imagino que se trate aqui de pinçar apenas a ideia principal, como E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? fez com a Odisseia.

O prtagonista é um professor universitário de Física, um judeu de classe média em seu subúrbio, com filhos adolescentes, nos Estados Unidos dos anos 50. A começar pela mulher que o deixa, Gopnik tem uma série de desventuras e prolemas de toda sorte, inclusive no trabalho e no trânsito, o irmão folgado, a televisão que não pega... Aturdido em meio a tantas "provas", o careta Gopnik acredita ser um cara "sério" que não merece aquelas "provas"; é orientado a buscar a ajuda do rabino. Essa ajuda vai se provar uma peregrinação por toda a hierarquia de rabinos, desde o falastrão rabino "júnior", passando pelo hilário pseudo-aconselhamento do rabino "sênior" - a cena mais central do filme, na minha visão, como explicarei - até o inacessível rabino-mor. Diversos episódios no caminho cumprem a função de introduzir piadas, como a recalcitrante visita à vizinha que lhe oferece um baseado - o único momento em que ele se afasta do estereótipo de "certinho" - ou o insano projeto de seu irmão, o Mentaculus, um "mapa de probabilidades do universo" que acaba funcionando - o que me remeteu ao "realismo fantástico" de Charlie Kauffman, como em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. E, é claro, o tema do judaísmo sempre permeando a narrativa. É mais ou menos isso, vou tentar não "estragar" o filme para quem não viu, mas vou-me permitir uma interpretação, uma vez que o final é meio "aberto".

Como disse, o filme é um híbrido: tem suas gags, é engraçado - ainda esteja longe do Grande Lebowsky no medidor de gargalhadas - mas é ao mesmo tempo sério e profundo. Deixa pontas soltas para serem processadas e interpretadas depois do filme, o que é ótimo no meu modo de ver, mas absurdo para quem procura o "riso barato". Nesse aspecto, aproxima-se de Fargo. Para não "fazer aviãozinho" com minha visão do final (e não "estragar" demais), deixo a vocês ruminar a sequência final de idas e vindas, inversão dos clichés cinematográficos em que tudo parece ir mal, desaguando depois no "happy-ending". Voltemos então à visita ao rabino, que conta a ele uma história fantástica de mensagens em hebraico gravadas atrás dos dentes de um "goi" (não-judeu); a história acaba sem nenhuma explicação, o que deixa Gopnik perplexo e ainda mais desesperado. Ora, esssa é a tônica do filme: não busque explicação para nada, nem recompensa por seus méritos ou lógica nas coisas (ainda que o Tio Arthur pareça ter desvendado o "segredo do universo"). Avida está aí, é essa, e não há muito por que se preocupar. Se tudo parece ir errado, se Hashem parece nos testar... não há muito a fazer e talvez o conselho do rabino júnior caia bem: mudar de perspectiva. Com essa visão algo materialista e pessimista, o filme acaba sendo uma crítica ao judaísmo, ou pelo menos à pretensão de representar uma tradição que explicaria tudo, como defende sua colega na cena do piquenique.

Enfim, repetindo, é triste e engraçado, sem ser tragicômico, é divertido e profundo, sem ser pretensioso. É uma comédia séria, mais um bom filme dos irmãos Joel e Ethan Coen.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Esperando o Tiro

Ando meio avesso a tratar de política e desde sempre evito ficar comentando pesquisas eleitorais, uma vez que são sempre devidamente esmiuçadas, de um lado e de outro; e não estou aqui para chuviscar no oceano. Mas, agora é hora de voltar ao tema das Eleições 2010, que entra em nova fase com a confirmação dos candidatos e com a pesquisa que saiu ontem, da Sensus. E como eu também joguei aí ao lado minha intenção de voto, acho que preciso "me explicar" em certo sentido.

Bem, ultimamente tivemos as festas eleitorais de lançamento de pré-candidaturas, a Dilma pisando na bola ao criticar Serra (implícita, mas bem claramente) pelo exílio - respingando em muita gente - e o Serra lendo um discurso bem escrito em um grande evento com uma "massa cheirosa" como disse a Cantanhêde. Pelo lado dos candidatos "coadjuvantes", Ciro ainda não se entendeu muito bem com o PSB,  Marina cozinha sua candidatura ambivalente; e, dentre os "invisíveis", destaque vai para o P-Sol, a dissidência à esquerda do Petê, que protagonizou um espetáculo risível (e falo do alto do status de filiado): disputas figadais para decidir quem será o candidato invisível, com os tradicionais rachas sobre a concepção ideal de socialismo, a historinha do "partido de vanguardas" e tudo mais.

Bem, eis que surge hoje nas manchetes o resultado de mais uma pesquisa Sensus. Até as pesquisas estão polarizadas: Ibope/Datafolha, de propriedade de veículos abertamente serristas, e Sensus/VoxPopuli, também ligados sem muito pudor ao governismo. Então, antes de mais nada, é bom ver um panorama mais amplo para tentar se guiar: a tendência recente é de crescimento de Dilma, apenas a última da Datafolha representou um "outlier", ponto fora da curva, bombando a dianteira de Serra. Assim, por mais que se desconfie da isenção da Sensus, já estava claro a todo mundo que este momento chegaria: o empate entre os dois principais postulantes à cadeira que Lula vem esquentando (ao menos quando está em Brasília) nos últimos sete anos e pouco. Empate mesmo, não é chegando a margem de erro o máximo dos dois lados, estamos falando de três décimos de ponto percentual: 32,7 a 32,4. Segundo turno? O primeiro empate técnico: 41,7 a 39,7.

Que quer dizer isso? Que é como se os dois estivessem em suas marcas, a postos, com os outros ainda calçando as sapatilhas ou presos no trânsito a caminho da prova. E quem correr mais daqui em diante leva. É bastante provável uma decisão por foto - na eleição mais disputada desde 89 -, mas seria infantil transpor as sondagens atuais para o resultado final. Primeiro porque uma candidatura parece estar no auge da forma, batendo todos recordes nas preliminares, enquanto a outra parece se recuperar de uma lesão, e luta para não despencar no ostracismo. Mas também porque o nível de real interesse pela eleição ainda é baixo, e todos sabemos que o Brasilzão vei sem portera só vai se ocupar disso depois da Copa. Aí convém observar a espontânea: Dilma 16, Lula 15,3 e Serra 13,6. Mas se você pensa que essas duas considerações garantem que a candidata do governo tem tudo para crescer mais e mais e levar no primeiro turno, alto lá. Serra terá sempre de 30 a 35, somando 15 a 20 dos coadjuvantes, fica difícil Dilma somar 50%+1 que a elegeriam no primeiro round, por nocaute. Também não dá para ignorar a predileção dos grandes meios de comunicação pelo córner tucano, que pode influenciar bastante, inclusive revertendo as atuais tendências. E que se Dilma vem se tornando mais conhecida e associada a Lula, uma hora isso cessa. Por fim, estamos entrando na fase em que os candidatos (ou pré, não importa) se expõem mais, e o desempenho de cada um fará diferença, quando não mais entre os indecisos, e um deles conhecemos de outros carnavais, é frio e ostenta um português correto, a outra é uma neófita, estreando na primeira divisão sem passar pelas divisões de base.

Trocando em miúdos, tudo se resume ao que já sabíamos há muito: se o fenômeno Lula, com aprovação batendo nos 80%, coisa inédita no Brasil, fará ou não seu sucessor, ou sucessora - no caso, um nome "técnico" sem experiência eleitoral passada. Ou, pondo de outra forma, se o PSDB tem fôlego pra voltar. A diferença é que Dilma registrava 8% no início de 2008 e agora está nariz a nariz com o careca.

Numa próxima postagem, já que esta já se estende muito, pretendo explicitar meu pensamento sobre os principais partidos e candidatos na disputa (além do meu, é claro).

domingo, 11 de abril de 2010

Robin Cox Ensemble

Na última postagem musical comentei sobre a estação Counterstream, sediada no live365. É uma das estações com a etiqueta de "avant garde" que me auxiliam a suportar um trabalho idiota. Eles tocam uma série de nomes, muito interessantes, que eu nunca ouvi falar, e que não consigo depois achar mais coisa em mp3, o que é o problema com os torrents. Por isso resolvi lançar uma ofensiva mais ousada e encomendar o CD Faster Than That [2009] de um dos nomes mais recorrentes por lá: Robin Cox Ensemble. Trata-se de um arranjo bem equilibrado de violino (o próprio Cox), cello (Maggie parkins), clarineta (Marty Walker) e dois percussionistas, com ênfase em teclados (Erik Leckrone e Eric Mellencamp). Como descrever? É música contemporânea sem muitas arestas para afastar o candidato a ouvinte - não que eu não goste de coisas extremas, hehe. Às vezes pode lembrar Phillip Glass ou Steve Reich (dado o protagonismo da percussão) e em momentos remete a Piazzola. Enfim, se não é aquele avant garde que vai rasgar seus ouvidos, é música inovadora e de bom gosto, que vale a pena conhecer. Por isso incorporo aqui o vídeo de Levitation Games. Como o som dos vídeos não está lá essas coisas, vou também incluir a faixa Drive, só áudio.



quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pisada do Nassif

Millôr Fernandes dizia que "jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados" . Andei pensando na frase ultimamente, à luz da atual polariazação, por assim dizer, do jornalismo brasileiro. Como a Guerra Fria, é uma polarização bem desigual.

O que é chamado de velha mídia - os jornalões, principalmente a Folha, as revistas, em especial a Veja, e as emissoras de TV, Globo à frente - faz não só oposição, mas trava uma verdadeira guerra suja contra o governo (ao passo que foi mais complacente e omissa no governo anterior).

Do outro lado se articulou uma tríade de jornalistas consagrados que através da nova mídia - a internet - aglutinaram a opinião pró-governo: Paulo Henrique Amorim, o mais entusiasta, Luís Carlos Azenha, um tanto mais comedido, e Luís Nassif, que promove um debate mais amplo, em ideologia e temas, não só políticos como culturais. Completa o córner lulista o hebdomanário Carta Capital.

Bem, os dois comportamentos são perigosos: quando a Globo vem com uma denúncia, que crédito dar, se eles gostam de manipular, e como correr o risco de descartá-la só porque veio por aquele veículo? E como engolir acriticamente a defesa dos chapa-branca, mas devemos ignorar o que falam por sabê-los tendenciosos? Ou seja: o consumidor de notícias que tente escapar da "briga de torcida" fica meio perdido, sem uma fonte, se não imparcial, o que é talvez impossível, ao menos não engajada. Além disso, é muito perigoso, por exemplo, para quem usa a internet para informar-se/expressar-se politicamente na rede, achar-se de repente fazendo coro com uma turba enfurecida. É o efeito manada digital: este meio tem características que propiciam o acirramento dos nervos. Verifique os comentários nas páginas que citei, ou no blog oficial da Veja (daquele nome indizível) para ver esse tipo de comportamento acéfalo de, qualquer que seja o assunto, clamar contra o "PIG", ou contra os "petralhas" do "apedeuta" e por aí vai.

Digo isso porque fui por um tempo um pleno entusiasta dos blogues lulistas - basta ver a lista de "elos" ali ao lado. Não que tenha mudado de lado e virado um tucano, mas eu me peguei com medo de sucumbir à influência, aderir automaticamente ao chapabranquismo, e também, sabe quando a gente vai cansando mesmo? O PHA foi o primeiro que eu saquei não ser muito sério, e dado a um espetáculo, o Azenha desde que mudou o leiaute não me atrai muito, e o que eu sempre achei o melhor, o do Nassif, me decepcionou esses dias.

É uma bobagem, na verdade, mas é um alerta. O que aconteceu? Ele soltou este post: O Twitter e o financiamento cruzado de campanha, em que enxergava em "ataques" pelo tuíter uma mirabolante trama de financiamento "cruzado" da campanha Serra. Uma empresa ligada a tucanos teria contratado os serviços de uma empresa "de fachada" para na verdade cuidar da campanha serrista no tuíter. Acontece que o usuário do tuíter que incomodou Nassif é meu amigo. E eu sei que a empresa é à vera. E que o cara é tucano convicto que já fez campanha antes e certamente engrossaria a turba tuítica pró-Serra de graça e com gosto. De modo que as conclusões de Nassif são apressadas, e com isso ele incorre nos mesmos erros que abomina no jornalismo que ele tanto critica: ele toma indícios inconclusivos e "preenche" as frestas com sua interpretação parcial (como no caso Bancoob, por exemplo). Nassif difamou o Maurício, a Accenda e a EMS, uma vez que a prática certamente seria uma irregularidade eleitoral de alguma forma. Sem falar que deveria ter a têmpera de absorver comportamentos infantis (e todos mais exaltados são infantis, de ambos lados, é claro) sem partir para cima, usando seu aparato muito superior.

Claro, eu posso ainda estar errado e o Nassif pode ter acertado na mosca (na verdade, não mantenho contato direto om o Maurício hoje, mas vou morar junto com o irmão dele), mas isso não muda o fato de que Nassif foi leviano - sua investigação se resumiu a meia dúzia de buscas na internet.

Enfim, segue o barco, eu continuo acompanhando as postagens do Nassif, sem o mesmo furor, às vezes vejo o Azenha e quase nunca o PHA. E há todos os outros que gravitam nesse universo, com coisas muito boas. Aliás um deles, muito bom - e lulista roxo -, o Festival de Besteiras na Imprensa, concedeu-nos a honra de incluir-nos em sua barra lateral, um reconhecimento ao Leosfera que mostra que ele foi bem além do que se esperava de início, e ganha visibilidade inesperada. Por isso agradeço a você, que me lê agora. E isso nos traz ao fim desta aventura metalinguística pela blogosfera.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Música Balinesa

Bali, Music From The Morning Of The World
(Nonesuch Explorer Series)

Um de meus interesses musicais "acessórios" é a música étnica. Uma boa fonte nessa seara é a série Nonesuch Explorer Series. O que primeiro me impressionou foi a música tradicional da Indonésia. Isso me lembra - a propósito - os bons tempos do DC++, um cliente P2P em que se podia navegar pelo acervo dos usuários e "arriscar" baixar coisas desconhecidas daqueles de "bom gosto". Parece que o Soulseek permite isso, mas eu nunca me dei bem com esse programa. Aliás, parece que hoje o P2P morreu, o que é uma pena pois para coisas menos conhecidas há menos torrents, sem falar nessa possibilidade de fuçar a biblioteca de outras pessoas. Eu sei que há redes mais restritas de FTP, e o Pedro acha todas suas maluquices nelas, mas parece que não são para mim. No fim, há muito tempo que não baixo música "a sério". É uma pena. Eu até travo contato com coisas novas pela net-radio (recomendo o canal Counterstream da Live365) mas não consigo achar os MP3! Enfim, vamos à música da manhã do mundo.

02 - Sekehe Genggong - Pemuhngkah + Frog Song + Flute