quarta-feira, 14 de abril de 2010

Esperando o Tiro

Ando meio avesso a tratar de política e desde sempre evito ficar comentando pesquisas eleitorais, uma vez que são sempre devidamente esmiuçadas, de um lado e de outro; e não estou aqui para chuviscar no oceano. Mas, agora é hora de voltar ao tema das Eleições 2010, que entra em nova fase com a confirmação dos candidatos e com a pesquisa que saiu ontem, da Sensus. E como eu também joguei aí ao lado minha intenção de voto, acho que preciso "me explicar" em certo sentido.

Bem, ultimamente tivemos as festas eleitorais de lançamento de pré-candidaturas, a Dilma pisando na bola ao criticar Serra (implícita, mas bem claramente) pelo exílio - respingando em muita gente - e o Serra lendo um discurso bem escrito em um grande evento com uma "massa cheirosa" como disse a Cantanhêde. Pelo lado dos candidatos "coadjuvantes", Ciro ainda não se entendeu muito bem com o PSB,  Marina cozinha sua candidatura ambivalente; e, dentre os "invisíveis", destaque vai para o P-Sol, a dissidência à esquerda do Petê, que protagonizou um espetáculo risível (e falo do alto do status de filiado): disputas figadais para decidir quem será o candidato invisível, com os tradicionais rachas sobre a concepção ideal de socialismo, a historinha do "partido de vanguardas" e tudo mais.

Bem, eis que surge hoje nas manchetes o resultado de mais uma pesquisa Sensus. Até as pesquisas estão polarizadas: Ibope/Datafolha, de propriedade de veículos abertamente serristas, e Sensus/VoxPopuli, também ligados sem muito pudor ao governismo. Então, antes de mais nada, é bom ver um panorama mais amplo para tentar se guiar: a tendência recente é de crescimento de Dilma, apenas a última da Datafolha representou um "outlier", ponto fora da curva, bombando a dianteira de Serra. Assim, por mais que se desconfie da isenção da Sensus, já estava claro a todo mundo que este momento chegaria: o empate entre os dois principais postulantes à cadeira que Lula vem esquentando (ao menos quando está em Brasília) nos últimos sete anos e pouco. Empate mesmo, não é chegando a margem de erro o máximo dos dois lados, estamos falando de três décimos de ponto percentual: 32,7 a 32,4. Segundo turno? O primeiro empate técnico: 41,7 a 39,7.

Que quer dizer isso? Que é como se os dois estivessem em suas marcas, a postos, com os outros ainda calçando as sapatilhas ou presos no trânsito a caminho da prova. E quem correr mais daqui em diante leva. É bastante provável uma decisão por foto - na eleição mais disputada desde 89 -, mas seria infantil transpor as sondagens atuais para o resultado final. Primeiro porque uma candidatura parece estar no auge da forma, batendo todos recordes nas preliminares, enquanto a outra parece se recuperar de uma lesão, e luta para não despencar no ostracismo. Mas também porque o nível de real interesse pela eleição ainda é baixo, e todos sabemos que o Brasilzão vei sem portera só vai se ocupar disso depois da Copa. Aí convém observar a espontânea: Dilma 16, Lula 15,3 e Serra 13,6. Mas se você pensa que essas duas considerações garantem que a candidata do governo tem tudo para crescer mais e mais e levar no primeiro turno, alto lá. Serra terá sempre de 30 a 35, somando 15 a 20 dos coadjuvantes, fica difícil Dilma somar 50%+1 que a elegeriam no primeiro round, por nocaute. Também não dá para ignorar a predileção dos grandes meios de comunicação pelo córner tucano, que pode influenciar bastante, inclusive revertendo as atuais tendências. E que se Dilma vem se tornando mais conhecida e associada a Lula, uma hora isso cessa. Por fim, estamos entrando na fase em que os candidatos (ou pré, não importa) se expõem mais, e o desempenho de cada um fará diferença, quando não mais entre os indecisos, e um deles conhecemos de outros carnavais, é frio e ostenta um português correto, a outra é uma neófita, estreando na primeira divisão sem passar pelas divisões de base.

Trocando em miúdos, tudo se resume ao que já sabíamos há muito: se o fenômeno Lula, com aprovação batendo nos 80%, coisa inédita no Brasil, fará ou não seu sucessor, ou sucessora - no caso, um nome "técnico" sem experiência eleitoral passada. Ou, pondo de outra forma, se o PSDB tem fôlego pra voltar. A diferença é que Dilma registrava 8% no início de 2008 e agora está nariz a nariz com o careca.

Numa próxima postagem, já que esta já se estende muito, pretendo explicitar meu pensamento sobre os principais partidos e candidatos na disputa (além do meu, é claro).

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