quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pisada do Nassif

Millôr Fernandes dizia que "jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados" . Andei pensando na frase ultimamente, à luz da atual polariazação, por assim dizer, do jornalismo brasileiro. Como a Guerra Fria, é uma polarização bem desigual.

O que é chamado de velha mídia - os jornalões, principalmente a Folha, as revistas, em especial a Veja, e as emissoras de TV, Globo à frente - faz não só oposição, mas trava uma verdadeira guerra suja contra o governo (ao passo que foi mais complacente e omissa no governo anterior).

Do outro lado se articulou uma tríade de jornalistas consagrados que através da nova mídia - a internet - aglutinaram a opinião pró-governo: Paulo Henrique Amorim, o mais entusiasta, Luís Carlos Azenha, um tanto mais comedido, e Luís Nassif, que promove um debate mais amplo, em ideologia e temas, não só políticos como culturais. Completa o córner lulista o hebdomanário Carta Capital.

Bem, os dois comportamentos são perigosos: quando a Globo vem com uma denúncia, que crédito dar, se eles gostam de manipular, e como correr o risco de descartá-la só porque veio por aquele veículo? E como engolir acriticamente a defesa dos chapa-branca, mas devemos ignorar o que falam por sabê-los tendenciosos? Ou seja: o consumidor de notícias que tente escapar da "briga de torcida" fica meio perdido, sem uma fonte, se não imparcial, o que é talvez impossível, ao menos não engajada. Além disso, é muito perigoso, por exemplo, para quem usa a internet para informar-se/expressar-se politicamente na rede, achar-se de repente fazendo coro com uma turba enfurecida. É o efeito manada digital: este meio tem características que propiciam o acirramento dos nervos. Verifique os comentários nas páginas que citei, ou no blog oficial da Veja (daquele nome indizível) para ver esse tipo de comportamento acéfalo de, qualquer que seja o assunto, clamar contra o "PIG", ou contra os "petralhas" do "apedeuta" e por aí vai.

Digo isso porque fui por um tempo um pleno entusiasta dos blogues lulistas - basta ver a lista de "elos" ali ao lado. Não que tenha mudado de lado e virado um tucano, mas eu me peguei com medo de sucumbir à influência, aderir automaticamente ao chapabranquismo, e também, sabe quando a gente vai cansando mesmo? O PHA foi o primeiro que eu saquei não ser muito sério, e dado a um espetáculo, o Azenha desde que mudou o leiaute não me atrai muito, e o que eu sempre achei o melhor, o do Nassif, me decepcionou esses dias.

É uma bobagem, na verdade, mas é um alerta. O que aconteceu? Ele soltou este post: O Twitter e o financiamento cruzado de campanha, em que enxergava em "ataques" pelo tuíter uma mirabolante trama de financiamento "cruzado" da campanha Serra. Uma empresa ligada a tucanos teria contratado os serviços de uma empresa "de fachada" para na verdade cuidar da campanha serrista no tuíter. Acontece que o usuário do tuíter que incomodou Nassif é meu amigo. E eu sei que a empresa é à vera. E que o cara é tucano convicto que já fez campanha antes e certamente engrossaria a turba tuítica pró-Serra de graça e com gosto. De modo que as conclusões de Nassif são apressadas, e com isso ele incorre nos mesmos erros que abomina no jornalismo que ele tanto critica: ele toma indícios inconclusivos e "preenche" as frestas com sua interpretação parcial (como no caso Bancoob, por exemplo). Nassif difamou o Maurício, a Accenda e a EMS, uma vez que a prática certamente seria uma irregularidade eleitoral de alguma forma. Sem falar que deveria ter a têmpera de absorver comportamentos infantis (e todos mais exaltados são infantis, de ambos lados, é claro) sem partir para cima, usando seu aparato muito superior.

Claro, eu posso ainda estar errado e o Nassif pode ter acertado na mosca (na verdade, não mantenho contato direto om o Maurício hoje, mas vou morar junto com o irmão dele), mas isso não muda o fato de que Nassif foi leviano - sua investigação se resumiu a meia dúzia de buscas na internet.

Enfim, segue o barco, eu continuo acompanhando as postagens do Nassif, sem o mesmo furor, às vezes vejo o Azenha e quase nunca o PHA. E há todos os outros que gravitam nesse universo, com coisas muito boas. Aliás um deles, muito bom - e lulista roxo -, o Festival de Besteiras na Imprensa, concedeu-nos a honra de incluir-nos em sua barra lateral, um reconhecimento ao Leosfera que mostra que ele foi bem além do que se esperava de início, e ganha visibilidade inesperada. Por isso agradeço a você, que me lê agora. E isso nos traz ao fim desta aventura metalinguística pela blogosfera.

Um comentário:

Alexandre Piccolo disse...

quanta lama jogada pra todos lado, hein, cumpadre!?