sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Novo Serra

Em postagem recente, tracei um perfil dos principais candidatos a presidente e fiz elogios a José Serra, por ver nele - para além de minhas divergências políticas - um sujeito cordato, urbano, sensato e ponderado, educado e falante de um português prestigiado. Tudo bem, quando cutucado ele costuma partir pra grosseria, mas mesmo assim podíamos ver nele a fleuma de um lorde.

Esqueçam tudo. O desespero parece rondar as fileiras serristas e o careca parece estar sendo orientado a assumir o figurino neocon, ou seja, um reacionário emperdenido e espumante. Só isso explica as recentes declarações sobre o Irã, que nem o Obama demoniza tanto, e sobre a Bolívia, cujo presidente progressista, o primeiro índio a governar o país, seria conivente com o narcotráfico. É um caminho incerto, mas até certo ponto lógico: como os meios de comunicação - a serviço dessa interpretação do mundo - influenciam tanto o cidadão, tentemos minar o prestigio do Lula atacando seus parceiros estratégicos. Hugo Chávez será uma questão nas eleições, acreditem.

Agora é esperar: vai ser deprimente, se eles insistirem nesse caminho, mas pode até ser engraçado. Dilma também vai dar suas escorregadas, sendo ainda neófita. Ela tentou se aproveitar das asneiras de Serra e sapecou que a Bolívia é "um país pequeno". É maior que qualquer das potências europeias, garanto. Enfim, a campanha deve oferecer um espetáculo interessante, mas uma atração à parte será o comportamento do "esquerdista" Serra vestido de neoconservador.

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