terça-feira, 8 de junho de 2010

Daqui a Oito Anos

Não sei quem vencerá as eleições deste ano, mas tenho meus palpites. Mesmo não sendo vitorioso - excluída a intervenção divina - o candidato do meu partido, acho que posso ser otimista e acreditar que a inflexão introduzida pelo governo do Partido dos Trabalhadores, fazendo o país ser ao menos um pouco mais "de todos", não será revertida, mesmo vencendo o campo conservador. Portanto, imaginando que o(a) eleito(a) obtenha um segundo mandato e que o Brasil siga evoluindo em ritmo próximo do atual - ou mais rápido, talvez, já que a grana do pré-sal vem aí - resolvi lançar-me a um exercício de futurologia até o momento que como este, que marca o fim dos oito do Lula, marcará a obra completa do próximo(a) presidente(a). Há uma possibilidade diferente, em que 14 o Lula volte, mas deixemos isso de lado.

Eu quero, antes de mais nada, que em oito anos a riqueza seja muito melhor distribuída, com cada vez menos gente precisando de assistência estatal, e com nosso índice Gini rivalizando com os exibidos pelo "Ocidente" hoje. É questão de honra para a nação que até lá se erradique o analfabetismo, e que a educação pública melhore a ponto de reduzir drasticamente o analfabetismo funcional. Seria o paraíso se em 2018 a média de leitura de nós outros brasucas fosse de uns 5 livros por ano. Isso seria um corolário ao maior letramento, e depende de mudança cultural profunda. Este veículo aqui, a rede, será obviamente um fórum de leitura e escrita: cabe a cidadãos cada vez mais "cultos" (não gosto muito do termo, mas vá lá) utilizá-la com mais discernimento. Realmente espero que em nosso país se chegue a um consenso, uma solução negociada para a questão fundiária, sacodindo a poeira de séculos de latifúndio em favor de um modelo que contemple a produção de alimento saudável para consumo interno assim como a produção de bens primários para exportação, fonte de divisas (ainda que se deva priorizar o comércio de bens com maior valor agregado), tudo com um sistema integrado de escoamento, infra-estrutura adequada para tal (principalmente as esquecidas ferrovias). Espero ver a criminalidade recuar junto com a disparidade, e com o já tardio reconhecimento de que a guerra ao narcotráfico é mais nociva que todas substâncias ilícitas juntas. Espero ver as metrópoles mais planejadas, com a mobilidade garantida por sistemas de transporte público abrangentes, eficientes e baratos, e com a preocupação com a acessibilidade se disseminando. Espero ver as desigualdades regionais diminuindo, mas com respeito a especificidades de regiões como a amazônica, à qual não se pode aplicar nosso conceito de progresso material a qualquer preço, garantindo à população uma vida confortável, com acesso a serviços como bons hospitas, sem a necessidade de criar fortunas à custa da floresta e dos índios. Quero ver investimento em ciência e tecnologia, tirando nosso país da posição periférica, no máximo intermediária, que temos hoje. Deverá haver incentivo maciço às artes e às culturas, tanto as "de raiz" quanto as de matriz europeia; além de fomento ao esporte, em comunidades pobres e em competições de alto nível. Tomara que o Brasil esteja disputando o octa (e o Timão vença uma Libertadores). Oxalá...

Bem, algumas dessas coisas parecem um tanto distantes... (talvez para o fim do quarto mandato do Lula, em 22?). E falta ainda combinar com os russos, é verdade. Mas é bom saber aonde se quer chegar, não?

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