sábado, 12 de junho de 2010

Pirando pra Dentro


Dave Douglas veio ao Brasil em 2001, e eu dei a sorte de ver na TV um trechinho com ele, em que me chamou a atenção o baterista: ele espancava a batera mais do que um metaleiro. Considerando meu passado roqueiro, é claro que isso conta. Fui até a loja e comprei o Soul on Soul, e o batera de fato detonava: Joey Baron (não sei se era o mesmo). Sei que fui buscar mais na rede sobre o trumpetista e descobri que aquele era um disco "careta", e que Douglas tinha trabalhos mais experimentais, como o magnífico Freak In (2003): tablas indianas e batidas eletrônicas convivem com a maior naturalidade neste discaço. É um jazz elétrico, frenético boa parte do tempo, continuando a tradição jazz-rock de Miles Davis, com um toque mais hodierno. Marc Ribot (do Bar Khokba Sextet, de John Zorn) é o guitarrista, enquanto Jamie Saft e Ikue Mori (que vi em Lisboa com a Sylvie Courvoisier) acrescentam teclados e efeitos MIDI que dão ao disco um tom modernoso, clubber até, mas nunca esquecendo o requinte de um instrumento bem tocado. Mais de uma faixa faz referência ao Fórum Social Mundial de Porto Alegre, como obviamente... Porto Alegre, e Traveller There Is No Road (Viajante no hay camiño... el camiño se hace al camiñar). Então nosso trumpetista é um comunistinha safado. No fim, que posso eu dizer sobre este disco que chegue perto do prazer de escutá-lo? Digamos então que seus pontos fortes são a inventividade, a grande riqueza rítmica e tímbrica, os solos de Douglas... Eu sugeriria inclusive o Freak In para aqueles que pensam que jazz é chato. Aqui vai só uma palhinha para vocês

Freak In



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