domingo, 27 de junho de 2010

Por uma vida mais Bukowski

Tenho pensado seriamente em deliberadamente me tornar um velho degenerado - ainda que precocemente - bêbado, drogado e misantropo incorrigível. Algo meio Bukowski. A gente é obrigado a fazer uma força tremenda para cumprir um papel social minimamente respeitável, conseguir um emprego que pague bem, mesmo que seja uma tortura, casar, mesmo que seja extremamente caótica a relação entre os dois gêneros, que as pessoas falem cada vez menos umas com as outras (especialmente em Brazolha), e que uma vez unidos, a relação passe quase sempre a ser um jogo de suportar o outro para não jogar fora aquela frágil conquista, que cada um reclame o direito de ser o que é, sem aceitar o que o ouro é, ter filhos, e dividir o ""legado de nossa miséria" com mais uma criatura, ter um trabalho enorme com essa coisa frágil que vai atingir a adolescência e nos culpar por todos seus males, comprar carro, casa, viajar nas férias, dar pipoca aos macacos, como diria o Raul no tempo em que isso era permitido, e é intriga no trabalho, mulher ciumenta, você já bebeu muito hoje! e o caralho. Eu quero é afundar na minha própria podridão: engoradar, ficar bêbado todo dia antes de meio dia, fumar um quilo de maconha por mês, sozinho, consumir infindáveis horas vendo pornografia na internet, quem sabe cometer umas historietas ainda que não aspire à grandeza do mestre Buk, não parar em emprego nenhum, comer uma puta às vezes, daquelas mais detonadas, é claro, e chegar aos quarenta com aspecto de sessenta. Quem sabe eu não venha a imitar outro ícone da contracultura gringa, Hunter Thompson, e meta um balaço no coco quando encher o saco de tudo? Como Kurt Cobain, por exemplo, que escolheu ser junkie e se matou antes de trinta (melhor se apressar!), destino natural de um maníaco-depressivo?

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