sexta-feira, 23 de julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O PT, as FARC e os Rumos da Esquerda

O mais recente episódio da briga de foice eleitoral - que só tende a piorar - é a questão em torno da relação entre PT e FARC, levantada pelo inacreditável vice de Serra, Índio da Costa, que vai dar uma força a Serra quando ele se sentir tímido demais para propalar o discurso vejístico, aquele calcado na guerra-fria.
O PT tem de fato pontos de contato com as FARC, sem que isso signifique apoio a seus métodos. A começar pelo Foro de São Paulo, reunião de partidos esquerdistas da América Latina, que inclusive rechaçou os colombianos em encontros mais recentes. Houve também visitas de emissários dos guerilheiros a líderes petistas como Olívio Dutra. Portanto, infunada de todo a "acusação" não é.
Era uma oportunidade excelente para o PT esclarecer à população a situação do país vizinho, em que ambos lados do conflito político se financiam com narcotráfico e atuam através de terrorismo, sendo a diferença que a situação faz isso com respaldo estadunidense, com representação política, e com impacto muito maior sobre a população. Sugiro a esse respeito a matéria do Monde Diplomatique "Tous les colombiens ne s'appelent pas Ingrid". Ressalte-se que não estou defendendo as FARC, mas apenas uma informação mais completa. A guerrilha não é um bando de facínoras desalmados que praticam o mal pelo mal, combatendo as forças do bem, do angelical Uribe.
Ocorre que o PT é representante da esquerda envergonhada, que morre de medo da opinião pública fabricada por uma mídia dedicada à narrativa gringa da história latinoamericana, já que seu enfoque político é mais mercadológico que ideológico, e seu objetivo é obviamente muito mais permanecer no poder do que encampar bandeiras esquerdistas - ainda mais numa questão tão espinhosa.
Dilma diz-se "acima" da polêmica. É uma pena. Para ela, que chama o adversário para cima, e para a opinião pública, que fica privada de um debate mais esclarecedor (que, aliás, nunca foi objetivo de qualquer dos lados).
Isso nos traz à questão dos rumos da esquerda, justamente em seu aparentemente melhor momento no subcontinente. Na Colômbia, ela parte para o crime, e ressalte-se que quando depôs as armas para perseguir a via eleitoral foi atraiçoada e milhares de seus quadros foram chacinados. Na Bolívia parece viver um momento formidável, de transformação pela via democrática - mas parece por demais calcada na figura de Evo, que pode ser tentado a imitar seu ídolo Chávez, um outro líder vermelho popular, mas tirado ao caricato, e que parece pôr seu projeto de permanência no poder acima de tudo mais. Nada sei sobre Equador ou Nicarágua. Tenho simpatia pelo casal Kirchner, apesar de pouco saber sobre os vecinos do Rio da Prata, e torço por Mujica no Uruguai, embora me pareça que o antecessor Vásquez se pareça muito com... Lula, um ícone sem dúvida, mas sem nenhuma consistência esquerdista - o que se reflete na política econômica, na covardia ante a concentração fundiária e por aí vai. Não sei por que deixaram de usar uma expressão muito adequada para a América Latina, segundo a qual a região viveria uma "Onda Rosa". Enquanto isso, partidos que não se venderam (chame-os de dinossauros, se preferir) parecem condenados à irrelevância política.

sábado, 17 de julho de 2010

Viva o Presente!

Este escriba não gosta de falar da própria vida, mas às vezes o faz. Combinemos assim: serei breve. Estou em um bom momento de construção de um novo presente, olhando pro futuro, e usando com sabedoria alguns elementos do passado (rechaçando alguns outros). Tenho inclusive recriado minhas experiências em ficção, publicada no Piparote. E mais não posso dizer por ora; em breve prometo compartilhar mais detalhes, a quem possa interessar.

Mas a postagem na realidade não é sobre mim. É sobre duas fantásticas bandas que soltaram álbuns fantásticos no passado, mas recusam-se a sofrer daquela tão costumeira decadência, e vivem um ótimo momento no presente, como eu. Univers Zero é o grupo belga de rock de câmara que fez parte do Rock in Opposition, e aí está até hoje; já o Miriodor, que vem do Québec, é mais recente, e segue a mesma tradição, apenas com instrumentação mais convencional e um humor mais pra cima. Não vou me estender muito, estão aí os elos pra wikipedia com mais informação.

Univers Zéro lançou em janeiro deste ano o excelente álbum Clivages. Não acrescenta muito ao repertório deles? não importa, é UZ em sua melhor forma!

Já o Miriodor se saiu ano passado com Avanti!, seu sétimo trabalho. Confesso que logo que coloquei o disco pra tocar fiquei decepcionado. A música é bem menos "acrobática" do que no Jongleries Élastiques ou no Mekano. Mas o disco vai te ganhando aos poucos e, se não se destaca ante os citados, garante uma boa continuidade para os canadenses.

Quem tiver a chance de importar uma dessas belezinhas, ou baixar os MP3 ao menos, não irá se arrepender.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Alternativa Socialista

A maior parte de vocês dirá que o socialismo é anacrônico, está morto e enterrado, sob os escombros do Muro de Berlim (se eles não tivessem virado, emblematicamente, souvenirs caríssimos). Boa parte vai concordar em dizer que o socialismo foi brutal, um período que não deveria nunca voltar. O problema é que a História é contada pelos vencedores. E quem tem lhe contado essa história é - em grande medida - uma mídia alinhada com o conservadorismo, e com o imperialismo dos campeões capitalistas da América do Norte.

Sem dúvida que Stálin foi um carniceiro, que pôs um projeto pessoal de poder acima de um ideal que já não ia muito bem das pernas. Na verdade, os socialistas tomaram o poder na Rússia em 17 e ficaram sem saber o que fazer: a teoria marxista previa uma transição de uma sociedade industrial para uma "ditadura do proletariado" (entendida como governo provisório, sentido original de ditadura) que daria lugar ao socialismo e enfim ao comunismo, em que mesmo o Estado sumiria. Ocorre que a Rússia estava longe de ser uma sociedade industrial, e ainda carregava vestígios de feudalismo. O Partido esperava que a Alemanha, terra do mais forte partido comunista, fizesse a revolução e viesse em seu socorro, o que não aconteceu. Daí em diante, partiram para rumos opostos à ideologia que supostamente os motivava: um regime de chumbo sem liberdades individuais e um capitalismo totalmente controlado pelo Estado. A ideologia se converteu em religião, e o jogo passou a ser brincar de superpotência contra os EUA (desperdiçando recursos com armamento).

Mas quantas vezes falam sobre Salvador Allende? Eleito democraticamente no Chile, começou a mudar a sociedade, efetivamente socializando os meios de produção. Que aconteceu? O capitalismo, tão bonzinho, tão íntegro e moralista, mandou bombardear La Moneda, onde Salvador tirou a própria vida, savando a própria honra. Não me aterei aqui em mencionar outros crimes em nome do capitalismo, sugiro Chomsky como fonte.

Como disse Plínio, o sonho socialista vive seu pior momento, mas é imorredouro. Por que ser socialista hoje, se não há a menor chance de implementar alguma transição em pelo menos 20 anos? Para fomentar o debate, quebrar o domínio do discurso único. Fiquei estarrecido ao ouvir de Lula o embuste oficial da ditadura: fazer crescer o bolo para reparti-lo. Assim, os mandarins do capitalismo manejam qualquer um que entre lá (pois se não se curvar, não entra), de modo a garantir a expansão das atividades econômicas, pouco importando as mazelas históricas da sociedade.

Até acho que Lula fez bem, dentro dos liames a que o Estado está submetido. Foi um sucesso de realpolitik, e diminuiu a pobreza de fato, com a ação emergencial da transferência direta de renda. Ocorre que estão tomando isso por solução dos problemas. Posso me descobrir enganado lá na frente, mas eu nunca vi ninguém fazer omelete sem quebrar os ovos, ou seja, transformar a sociedade sem mexer em suas estruturas.

A questão agrária foi um ponto em que o PT capitulou covardemente, e a estrutura fundiária continua absurda a ponto de 1% dos terratenentes possuírem 46% das terras. E falar nisso ainda é tabu. Reforma agrária é vista como tão anacrônica quanto o comunismo, quando por volta da Constituinte estava na boca de todos principais políticos do campo que combatera a ditadura: Ulisses, Fernando Henrique, Serra, Lula... e Plínio, que segue firme sem mudar de posição.

Os serviços públicos como saúde, transporte e educação continuam sendo oferecidos para "cidadãos de segunda classe", enquanto nós que temos alguma grana pagamos por eles e não nos importamos muito. Não é o caso em Cuba, sabiam? Aquela pequena ilha vítima de estrangulação econômica há cinco décadas. Segurança? Aí sim os ricos reclamam: por que a polícia não protege meu patrimônio dessa horda de miseráveis? (obviamente a criminalidade é um assunto complexo, mas a disparidade de renda é certamente determinante) Por que não somem com esses pedintes e guardadores de carro? Por que não passam bala nesses craqueiros que enfeiam minha cidade (pro meu filhão passear tranquilo de carro importado, bêbado)?

Enfim, preciso ainda explicar por que declaro aqui que, havendo segundo turno, voto na candidata indicada pelo governo. Por abominar o outro campo dessa duvidosa polarização. Talvez nem tanto pelos auto-declarados social-democratas, que um dia talvez tenham tido pendores de centro-esquerda, antes de se refestelarem no poder, mas em grande parte pelos aliados, assim-chamados democratas, esses sim asquerosos reacionários empedernidos. Ambos partidos representam apenas uma elite retrógrada do país, uma mais urbana, outra mais rural. Também se pode dizer que o período do PT foi melhor pro país do que o do PSDB, então, como essa é própria ideia de segundo turno (se o seu não vai, escolha entre os dois primeiros), declaro meu voto para Plínio, e - talvez - depois para Dilma. Talvez, porque pode ser que nem precise.

domingo, 11 de julho de 2010

O Forlan sim mereceu!

Melhor jogador de uma Copa fraca. Parabéns ao Forlan, e ao Uruguai.

Mereceu. Mereceu?

Eu sinceramente não entendo muita coisa de futebol. Nem vi todos os jogos da Espanha, campeã de 2010. Mas achei que eles jogaram um futebol pequenininho. Com seus méritos, mas feio, aos trancos e barrancos. Daí serem campeões com quatro placares mínimos consecutivos, e a única campeã a estrear perdendo. Na final, começou arrasando, fazendo por merecer. Depois de quinze minutos o jogo ficou uma porcaria, com raros lampejo de futebol e muita pancadaria por parte da Holanda (até por isso os laranjas não mereciam). A prorrogação foi mais interessante, até que - em lance duvidoso, já que houve impedimento não marcado imediatamente antes - Iniesta cravou o seu. Mas isso são "chorumelas", o importante é que a Fúria é campeã pela primeira vez. Bom, porque a seleção que melhor jogou até amarelar na semi (?), a Alemanha, não conquistou o tetra, e se o fizesse podia nos alcançar em breve. Agora é esperar uma preparação séria por parte da seleção brasileira, e da organização da Copa; e temo pelos dois. Isso já é assunto para outra crônica.

sábado, 10 de julho de 2010

Chomsky: o Potencial do Brasil [Traduzido]

Leosfera:

Caro Professor Chomsky,

Fiquei feliz em ler seus artigos sobre a América do Sul, e de fato creio que se realmente nos ajudarmos e inte grarmos nossas realidades podem ser transformadas, e isso pode ser feito sem confrontar frontalmente o poder dos EUA, já que mesmo eles percebem que um mundo diferente, multipolar, sobreveio. Muito se diz sobre um novo papel do Brasil nas questões internacionais, mas eu às vezes acho difícil separar o exagero dos fatos. O que em sua opinião pode ser esse "novo Brasil"? Uma potência econômica com certeza, e as reservas de petróleo do pré-sal (exploradas responsavelmente) serão um impulso, mas quão longe pode nossa influência política ir? O senhor acha que Cuba poderia nos ver como um parceiro em uma eventual détente, repelindo o imperialismo americano? Poderia o Brasil ser uma referência para países africanos, e do Oriente Médio? Uma espécie de Gigante Gentil?

O senhor talvez goste de saber que, à medida que nos aproximamos do fim do segundo mandato de Lula (com histórica aprovação de 80%), Dilma, a candidata indicada por ele (uma experiente gerente em suas primeiras eleições) finalmente suplantou o candidato conservador José Serra (ministro de [Fernando Henrique] Cardoso) nas pesquisas, à medida em que as pessoas a associam mais e mais ao presidente. Curiosamente, dois institutos estatísticos (com ligações com a mídia de direita) saíram com novas pesquisas - semanas depois de um deles detectar uma liderança de 5pp para Dilma (PT) - mostrando empate técnico. O desespero parece atingir a oposição de direita, à medida em que prefeitos de partidos conservadores declaram apoio a Dilma, e diz-se mesmo que a poderosa empresa de mídia Rede Globo (30% Time-Life) considera abandonar o barco de José Serra (PSDB).

Noam Chomsky:

O Brasil certamente tem um excitante potencial. Por boas razões, um século atrás previa-se que seria o "colosso do sul", uma contraparte (e contraforça) ao colosso do norte. Nos últimos poucos anos tem tomado passos importantes no sentido de se tornar o tipo de "Gigante Gentil" que você projeta. Há um longo caminho a percorrer, é escusado dizer. O Brasil tem problemas internos enormes, e a economia depende demais em produtos primários de exportação. Muitas razões para esperança. E sem dúvida muito dependerá na vindoura eleição.

Chomsky: o Potencial do Brasil

Leosfera:

Dear Professor Chomsky,

I was glad to read your articles on South America, and I do believe if we really help each other and integrate our realities can be transformed, and that can be done without frontally confronting US power, as even they realize a different, multipolar world has come about. Much is said about a new role of Brazil in world affairs, but I sometimes find it difficult to seperate hype from fact. What in your opinion might be this "New Brazil"? An economic power for sure, and deep sea pre-salt oil reserves (responsibly explored) will be a boom, but how far might our political influence go? Do you think Cuba could see us as a partner in an eventual détente, to repeal american imperialism? Could Brazil be a reference for African countries and the Middle East? A kind of Gentle Giant?

You might like to know that, as we approach the end of Lula's second term (with historical 80% approval), Dilma, the candidate appointed by him (a proven manager in her first elections) has finally outdone the conservative candidate José Serra (minister under Cardoso) in the polls, as people associate her more and more with the president. Strangely enough, two statistical institutes (with ties to the right-wing media) came up with new polls - weeks after one of them detected a 5pp lead for Dilma (PT) - showing a technical draw. Desperation seems to hit the right-wing opposition, as mayors of conservative parties declare support for Dilma, and even powerful media outlet Rede Globo (30% Time-Life) is said to consider abandoning the José Serra (PSDB) boat.

Noam Chomsky:

Brazil certainly has exciting potential. For good reasons a century ago it was predicted to be the "colossus of the south," a counterpart (and counterforce) to the colossus of the north.  In the past few years it has been taking important steps towards becoming the kind of "Gentle Giant" that you envision.  There's a long way to go, needless to say.  Brazil has enormous internal problems, and its economy still relies too much on primary product exports.  Lots of reasons for hope.  And no doubt a lot will depend on the coming election.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Por que será que a Alemanha não entrou em campo?

Roger Daltrey mostrou que Tommy não foi sua única grande atuação.

Longe de mim afirmar qualquer coisa (essa frase é perigosa!), mas penso que a semifinal em que a Espanha eliminou o bicho papão teutão - com o merecido respeito ao limitado escrete ibérico - dá combustível aos teóricos da conspiração. Obviamente, os resultados de Copa do Mundo nunca foram manipulados, mas se você assistiu à partida, nobre leitor, pode ter se perguntado: Por que será que a Alemanha não entrou em campo? Cadê aquela bola toda que eles mostraram golenado as tradicionalíssimas Inglaterra e Argentina nas etapas anteriores? Por que eles esperaram a Espanha fazer o que quisesse, e, mesmo tendo sofrido um gol, pouco apresentaram que se pudesse chamar de reação? Mais ainda: por que esse comportamento foi mais nítido no segundo tempo? Assim como o Brasil que - palavras do técnico holandês - humilhou o adversário na primeira parte daquele jogo de triste lembrança e voltou do intervalo para um esquete dos três patetas?

A troco de quê, você pergunta? Bem, acho que a FIFA quer a bagaça mais disputada, então interessa que os "virgens" levem o caneco, e de forma alguma que os tris e pentas somem mais uma estrela. Plausível, não?

Enfim, é bobagem pensar nesses termos. Pelo menos pela navalha de Occam, que diz que a explicação mais simples é provavelmente a correta, e o mais simples é que os comedores de chucrute amarelaram mesmo. Mas... aquelas pedras de gelo? Pois é. Parabéns à Fúria, ainda que eu insista: estão mais para um ligeira contrariedade. Domingo, eu acho que a Holanda merece mais. Venceram todas, e bem, enquanto a Espanha suou para passar de Portugal e Paraguai, adversários limitados. E até porque poderemos dizer que fomos eliminados sim, mas pelos campeões do mundo de 2010.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Rápido e rasteiro

Serra e suas hostes protagonizaram patético episódio em torno da indicação do vice, que não vale nem a pena, sendo notícia velha, recontar aqui. Só o que quero registrar é minha humilde análise da opção por um ilustre desconhecido indicado por César Maia.

Os demos já dão a derrota como certa, e não quiseram sacrificar nenhum figurão - no que apenas seguem a conclusão de Aécio. O tal Índio da Costa vai lá fazer figuração e valorizar o passe um pouco.


Obviamente ainda não se pode dizer que está tudo decidido - basta lembrar 89 quando golpes baixos garantiram Collor como primeiro presidente eleito após a ditadura. Mas o roteiro das eleições parece estar escrito.

Plínio vai vencer com 60%, é claro.

sábado, 3 de julho de 2010

Hiddink na Seleção


O grande problema da seleção brasileira sempre foi - embora isso quase nunca seja apontado por nossa ridícula crônica esportiva - a excessiva confiança no talento individual dos jogadores. Não há esquema tático, não há uma única jogada ensaiada, há apenas posições em que os iluminados futebolistas atuam. Se o craque da vez não vai bem, fodeu tudo. 
Agora que a Nova Era Dunga já Era, fica a pergunta: quem entra? Felipão de novo? É o maior favorito do público, ao que parece, mas ele já se indispôs com a máfia capitaneada por Ricardo Teixeira, esquece. Aí vem a falação em torno de Murici - bem provável -; Mano - sem chance -; um tal Dorival Jr (perdão, deixei de acompanhar futebol... mas se é o comandante do Santos, pode ser uma boa) e até Luxemburgo - outra carta fora do baralho. Eu acrescentaria aí um azarão: Silas, que levou o modesto Avaí às cabeças do Brasileirão passado (embora isso se deva muito ao nivelamento por baixo de um campeonato esvaziado). Ricardo Rocha seria insistir na seleção de 94, não faz sentido.

Sei que é polêmico o que direi, e em parte o intuito é esse mesmo, mas eu optaria por chamar o holandês Guus van Hiddink (logo holandês!), atualmente na Turquia. Por quê, se temos vários? Justamente para impor o senso de disciplina tática que a nós tanto falta. Vários da seleção sabem inglês, e ele poderia ir aprendendo a língua de Pessoa, não seria um problema. Ele levou a Coreia do Sul, com ajuda da arbitragem que seja, às semis em 2002, coisa que o país do futebol não obteve em duas edições seguidas (pela segunda vez na história). Que nos ajude a ser quarto ao menos!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Imagem da Copa

Eu acreditava que a imagem da Copa seria o juizinho francês dizendo ao Luís Fabiano "eu sei que foi com a mão", mas - ao menos para nosotros - vai ser a trapalhada das trapalhadas, do "melhor goleiro do mundo" e do Felipe Quem Mesmo? Essa merece!

E ele não trouxe o Caneco.

Depois de botar o coração, o fígado e os rins na mesa nas duas últimas intervenções por aqui, é hora de lamentar o fracasso da seleção, que caiu ante a Holanda nas quartas, mas melhor seria dizer que derrotou a si mesma, jogando um tempo como time de copa do mundo e o outro como série B do candangão.

Meu apoio a Dunga foi apenas quanto a escantear a Grobo, não gostei de sua própria indicação, embora ele tenha trazido título depois de título. Na real ele sempre foi um estafeta do Ricardo Teixeira, uma vez alguém com personalidade como Felipão não tinha vez, e do Parreira já se tirou todo suco. Sua convocação pra Copa privilegiou até um Kaká bichado, muito pelos contratos de publicidade, e deixou de fora o talento do Gaúcho, que teve uma grande exibição recentemente, e as promessas Neymar e Ganso, a melhor coisa que aconteceu ao futebol brasuca em muito tempo. Imaginei que isso não seria tão decisivo, afinal o esquete não ficou tão mal assim, mas o que era inadmissível era juntar quinze dias antes da Copa, depois de temporadas cansativas. Pombas, a Copa é o maior evento do futebol ou não?

Enfim, cheguei ao torneio com meu entusiasmo fingido, portanto é mais fácil assimilar o "golpe" da eliminação. Afinal, é apenas uma porra de um torneio esportivo; nós é que somos idiotas de dar tanto valor. Pior: o dinheiro que deixamos de investir em Saúde e Educação servirá para construir estádios fadados quase sempre à categoria de elefantes brancos, a Copa arrisca ser um fiasco e sabe-se lá que time entrará em campo (sei que os dois moleques do Santos têm de estar lá).

Uma coisa é positiva: foi por conta da bebedeira do jogo com Portugal que viajei pra Sampa sem remédio, o que me levou à situação do jogo contra o Chile, donde saiu a Resolução de encaretar. Daqui pra frente? Torço por Uruguai e Argentina na final.