sábado, 10 de julho de 2010

Chomsky: o Potencial do Brasil [Traduzido]

Leosfera:

Caro Professor Chomsky,

Fiquei feliz em ler seus artigos sobre a América do Sul, e de fato creio que se realmente nos ajudarmos e inte grarmos nossas realidades podem ser transformadas, e isso pode ser feito sem confrontar frontalmente o poder dos EUA, já que mesmo eles percebem que um mundo diferente, multipolar, sobreveio. Muito se diz sobre um novo papel do Brasil nas questões internacionais, mas eu às vezes acho difícil separar o exagero dos fatos. O que em sua opinião pode ser esse "novo Brasil"? Uma potência econômica com certeza, e as reservas de petróleo do pré-sal (exploradas responsavelmente) serão um impulso, mas quão longe pode nossa influência política ir? O senhor acha que Cuba poderia nos ver como um parceiro em uma eventual détente, repelindo o imperialismo americano? Poderia o Brasil ser uma referência para países africanos, e do Oriente Médio? Uma espécie de Gigante Gentil?

O senhor talvez goste de saber que, à medida que nos aproximamos do fim do segundo mandato de Lula (com histórica aprovação de 80%), Dilma, a candidata indicada por ele (uma experiente gerente em suas primeiras eleições) finalmente suplantou o candidato conservador José Serra (ministro de [Fernando Henrique] Cardoso) nas pesquisas, à medida em que as pessoas a associam mais e mais ao presidente. Curiosamente, dois institutos estatísticos (com ligações com a mídia de direita) saíram com novas pesquisas - semanas depois de um deles detectar uma liderança de 5pp para Dilma (PT) - mostrando empate técnico. O desespero parece atingir a oposição de direita, à medida em que prefeitos de partidos conservadores declaram apoio a Dilma, e diz-se mesmo que a poderosa empresa de mídia Rede Globo (30% Time-Life) considera abandonar o barco de José Serra (PSDB).

Noam Chomsky:

O Brasil certamente tem um excitante potencial. Por boas razões, um século atrás previa-se que seria o "colosso do sul", uma contraparte (e contraforça) ao colosso do norte. Nos últimos poucos anos tem tomado passos importantes no sentido de se tornar o tipo de "Gigante Gentil" que você projeta. Há um longo caminho a percorrer, é escusado dizer. O Brasil tem problemas internos enormes, e a economia depende demais em produtos primários de exportação. Muitas razões para esperança. E sem dúvida muito dependerá na vindoura eleição.

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