segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Joguete da Direita é o Escambau

Nem sei se deveria me dar o trabalho de contestar a ridícula alegação de que Plínio e o P-Sol fariam o jogo da Direita ao apertar Dilma e criticar o PT. Esse é o discurso daquela turma para qual Lula e PT são infalíveis; como para Mestre Pangloss, preceptor do Cândido: tudo para o melhor, no melhor dos mundos.


Eu aqui cansei de apoiar Lula e defendê-lo dos ataques irados da direita, através de uma mídia comprometida. Mas não acho que não se possam fazer críticas ao presidente e ao governo, o que deveria ser óbvio por si mesmo. São inúmeras críticas que podem ser feitas, e algumas eu elenquei neste comentário lá no Nassif:





Sobre críticas ao governo



Por Marc
Pessoal um pouco de esperança.
Será que depois da eleição; Dilma eleita; poderemos fazer as criticas justas e necessárias ao governo, sem olhar pro lado e ver o Reinaldo Azevedo?
To de saco cheio de ficar defendendo o governo Lula!
Eu quero ter o direito de criticar!
Eu quero ter acesso a criticas e analises consistentes e equilibradas.
Sera que é pedir muito? 


***
Finalmente!
Às vezes me parece que este blog vai escorregando para a "torcida de futebol", como o do PHA, por exemplo.
Recomnedo a crítica balizada de João Pedro Stédile (tirado do Brasil de Fatovia Azenha)
É aquilo que previa Robert Michels: quando a esquerda aceita os caminhos da democracia institucional, acaba sendo tolhida por ela (não por isso a via armada é indicada, a não ser em situações especialíssimas).

Lula resolveu fazer o possível sem "balançar o barco" demais. E acabou apostando as fichas na transferência direta de renda, que é um band-aid que evita fazer a sutura da chaga social (mas mais do que jamais havia sido feito); a eleveção paulatina do mínimo teve um impacto ainda maior. Com isso houve crescimênto econômico, o que é positivo para os mais ricos, com ressonâncias inegáveis para os de baixo (temos o menor desemprego da história). Enfim, há uma transformação em curso, mas é no fim um "gostinho de social-democracia" para um povo acostumado ao amargor da penúria e da indiferença.
Mas nossa sociedade ainda é sumamente desigual (4a do mundo), a terra é concentrada (2a do mundo). Os serviços públicos - educação, saúde, segurança, transporte - são uma vergonha, nada melhoraram. Ainda há analfabetismo absoluto, e o funcional é dos maiores do planeta. Nossos alunos (mesmo os ricos) fazem feio em comparações internacionais. Não há pesquisa e desenvolvimento relevantes; nossa indústria limita-se a montar componentes asiáticos. Não foram feitas as reformas que Lula propôs: agrária, nem pensar, política, empurra-se com a barriga; tribuária, naufragou duas vezes (e nem era uma de verdade, que efetivasse enfim a progressividade, desonerasse consumo e onerasse patrimônio e renda); urbana, que é isso?; a previdenciária - imposta desde washington, ou wall street - essa sim passou (pela preocupação fiscal, e não demográfica).
Não gosto de ver o ufanismo de muita gente aqui, como se o país tivesse alcançado o primeiro mundo, o céu do consumo... Nassif ao menos critica a política econômica, a mesmo do governo anterior, aliás. O que nos faz questionar: será que é o "coiso" quem manda? O capitalismo internacional? É esse mesmo o único jogo que é possível jogar? Não sei.
Sei que é prudente elogiar o governo do PT onde couber, mas sempre com o distanciamento necessário para criticar também. Como a Caros Amigos tem feito. Por fim, lembro a categoria de Faoro, dos "donos do poder". Lula percebeu que "se não se pode vencê-los, junte-se a eles". Para o bem e para o mal.
***
Esqueci ao menos uma: a pauta de exportação brasileira depende cada vez mais de produtos primários: soja, carne, minério. Às vezes me parece estarmos vivendo uma nova versão não do milagre dos milicos (que ao menos foi um salto em infraestrutura), mas uma da prosperidade do café. Também na época as relações sociais tinham um ganho com o fim da escravidão, guardadas as proporções, e o andar de cima fazia a festa. Que mal compare; o que insisto em dizer é que não tivemos um salto qualitativo como nação, como um maciço investimento nos serviços públicos e a reforma agrária poderiam garantir nesse duplo mandato da suposta esquerda no poder. Foi um ganho quantitativo, com as migalhas ficando mais gordas.

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