terça-feira, 29 de março de 2011

May Flower


In May she blossomed
May that day be praised
For Flower more handsome
Was ne'er upon gazed

If her graciousness
I May humbly extoll
Her good taste no less
Leaves me enthralled

Fairness unsurpassed
Nymph in th' prime of youth
Refinement unmatched
She is both beauty and truth

May May then
Bestow her upon me
'f May I make so bold

I do hope I can
Our future foresee
And a love tale unfold

domingo, 27 de março de 2011

Irônico Universo

O Universo do físicos
Obedece a leis e equações
Complexo que nos pareça
Sabemos-lhe as razões

Já o cosmo das humanas
Cousas, domínio do acaso:
Colisões aleatórias
E nada determinísticas

A mim isso me exaspera
Me arrasta à misantropia
Mas há aqueles cometas
Com rastro de esperança

E é-nos possível crer
Que existirá alguém
Do outro lado da galáxia
Fitando a mesma estrela

quarta-feira, 23 de março de 2011

And When At Last The Work Is Done

Terminei de passar minha tradução de Hamlet do formato legenda para texto. Está tudo no endereço


atragediadehamlet.blogspot.com

Que dizer, é um texto fundamental do Ocidente.
Espero não tê-lo estragado demais.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Richard pelos Python



Adorável Vilão

Faz meses que este blog está parado, e nada me vinha à mente para escrever. Política certamente não me entusiasma, e Dilma tem confirmado minhas expectativas, sendo tão centrista que já está ultrapassando a direita. Minha vida pessoal então tem sido sem eventos dignos de nota, o que é bom em certo aspecto, se considerarmos o demônio com cara de anjo que motivou algumas postagens por aqui e bagunçou minha vida.

Mas eis que em uma viagem à Chapada dos Veadeiros surge uma nova paixão. Uma verdadeira obsessão na verdade. Não é uma mocinha idiota desta vez, mas uma peça rica e profunda, complexa e multifacetada. É a peça mais encenada do Bardo, eu viria a descobrir. Ricardo III, o tirano deformado, o canalha irresistível de William Shakespeare, e as dezenas de personagens que em seu entorno gravitam, tudo na deliciosa edição crítica da Norton, que traz Fontes e Contextos com Thomas More contando a história ao seu modo acadêmico; Análogos, como trechos da peça anônima True Tragedie of Richard the Third; a Adaptação de Colley Cibber, que usa trechos das peças anteriores 1, 2, 3 Henry VI e interpola linhas próprias - e ficou sendo por dois séculos o texto oficial de Ricardo III até que o texto shakepeareano fosse resgatado; análises de adaptações para o palco e para as telas, incluindo o palpite ilustre de Bernard Shaw; e ensaios críticos. Infelizmente, a chuva me pegou desprevenido e prejudicou bastante o aspecto físico do livro, embora a leitura não tenha sido afetada.

Para quem não é familiar com o enredo, a peça se dá logo após a Guerra das Rosas, em que os York suplantam os Lancaster e ficam com o trono - ou logo após a trilogia Henrique VI. Edward IV é o rei e Richard, Duque de Gloucester, corcunda, manco e com um braço deformado é um de seus irmãos, George, Duque de Clarence é o outro. Richard abre a peça com um monólogo em que se declara um vilão, que trama pela morte de Clarence. De fato, Richard ainda precisa sumir com a ordem do Rei que revertia sua sentença de morte. O diálogo entre os assassinos (e entre ambos e Clarence) é um dos pontos altos do vetor moral da peça. Pouco depois de saber da execução do irmão e dela se arrepender, o próprio Rei - que já andava doente - falece. O vilão tem agora pela frente o Príncipe Edward, filho do Rei Morto, mas que não chega a ser Rei Posto (na peça, na vida real chegou a ser Edward V), pois o ardiloso Gloucester vai revelando seu caráter maquiavélico, prendendo e matando os parentes da Rainha, decapitando o camareiro-mor Lorde Hastings, aprisionando os dois príncipes e manobrando, com a ajuda do Lorde Buckingham para ser enfim coroado Rei Ricardo III. Depois desse ápice, começa sua decadência, pois é detestado por todos (em grande medida por matar os príncipes) e sua crueldade foge do controle, rechaçando mesmo o fiel Buckingham. É quando chegam notícias de que o Conde de Richmond, da casa derrotada de Lancaster, que estava na França, junta um exército para reclamar o trono. Os dois vão medir forças na Batalha de Bosworth. Na noite anterior, fantasmas das vítimas de Richard aparecem para amaldiçoá-lo e abençoar Richmond, e Richard faz a primeira demonstração de fraqueza e culpa - talvez até loucura. Durante a batalha, Richard tem o cavalo morto e se acha em meio aos inimigos, é quando profere uma das mais famosas linhas da História do teatro:

"Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!"

Logo depois é morto por Richmond em pessoa, que se torna Rei (Henrique VII, embora isso não seja mencionado). Bem, é claro que esta é uma ultra-simplificação da trama, e não foram mencionados nem um terço dos personnagens, mas espero que já sirva para instigar um leonauta ou outro à leitura da peça. Ou leituras, idealmente, pois uma é pouco - e mal posso esperar a leitura dos artigos críticos para reler a peça.

O que ajudou bastante a dar concretude à trama foi assistir às adaptações cinematográficas. Achei que dava pra pular as mudas, partindo para a dirigida e estrelada pelo famoso ator shakepeareano Laurence Olivier, de 1955. O filme deve muito ao teatro, e o próprio Olivier teria dito ao diretor de fotografia "não tente ganhar um Oscar". Outra questão com Ricardo III é a extensão (só fica atrás de Hamlet), sendo cortes quase unanimemente necessários. O filme de Olivier corta a peça pela metade, mas as linhas do protagonista são as mais poupadas, levando a um domínio absoluto de sua figura, que quando não está manipulando e matando está se jactando disso junto ao público. Infelizmente, Olivier é pouco convincente como vilão, e o filme todo tem a aura artificial que as produções da época costumam ter. Não deixa de ser um bom filme, é claro. Em seguida, parti para a adaptação de Richard Loncraine, com Ian McKellen no papel principal, de 1995. Na verdade, revi o filme, pois tinha assistido na época de seu lançamento, no saudoso Cine Metrópolis, na UFES, em Vitória; e mesmo sem entender completamente, tinha gostado bastante. O filme coloca a ação em uma Inglaterra entregerras, com Richard erguido à condição de tirano fascista; e se sai bem, obrigado. Ian é um grande ator e alcança perfeitamente o resultado de "adorável vilão" inerente ao personagem (William Richardson, em seu ensaio incluído na edição Norton, defende que odiamos Ricardo por sua vilania ao mesmo tempo que o admiramos por suas qualidades intelectuais). Por fim, de 1996 é a brilhante adaptação metalinguística de Al Pacino, em que entrevista pessoas na rua, mostra o processo dos atores discutindo o texto, consulta atores e acadêmicos, tudo entremeado com a ação da peça em si, ou apenas o essencial. O filme é divertido, bem-humorado e ainda assim denso, não deixa de transmitir a tensão da peça, e explora a mente do monarca mais detestado da história inglesa melhor que os outros dois. Minha dica? Vejam todos. Ou então os dois da década de 90, ou pelo menos o do Pacino. E, não me canso de repetir, vá à peça. No original, se possível. Leia, releia. Apesar de vista como uma obra precoce do genial Bardo de Avon, e apesar de a briga medieval pela coroa inlgesa nos parecer distante, a peça é fantástica, e envolvente.