terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Deus os Tenha pt.5

Eu tenho ótimos vinhos em casa, sabia? Ah, é, espertinho? Tá achando que eu caio nessa? E música, você gosta de quê? Ah, de MPB, basicamente. Roberto Carlos? Sou apaixonada por Roberto Carlos. Eu tenho a coleção completa, até o Louco Por Você, o que ele proibiu; custou uma fortuna esse LP. Ele estava digitando a senha do cartão. Tá um pouco tarde, meu turno amanhã é pela manhã... Vai ser só uma garrafa, eu prometo. Beijaram-se. Pediu licença para usar o banheiro. Lá fora ele explicou: só acontece que eu moro um pouco longe, você não quer deixar o carro em casa? Ele ficou admirando as torres que “ele” construiu, fez questão de descobrir o apartamento dela. Dirigiram quase meia hora para chegar ao condomínio dele.

Você já ouviu este disco? Não, mas já ouvi falar, é bom? Não é o melhor dele, mas eu gosto. Beijavam-se no sofá enquanto as taças esperavam na mesa de centro. Depois de um tempo ele se permitiu percorrer o corpo dela com a mão livre, ela cravava as unhas no pescoço dele, ele pressionava o crânio dela com as duas mãos e beijava com mais volúpia, passou ao pescoço, à área atrás da orelha, dava mordidelas no lóbulo; ela arrancou-lhe de vez a gravata e abriu alguns botões da camisa da sorte para acariciar os pelos em seu peito, ele sussurrou que fossem para o quarto. Ele providenciou uma luz indireta, trocou o Rei por um smooth jazz e ligou o ar condicionado, ainda que não estivesse quente. Beijaram-se e tocaram-se mais um pouco, sentados na beirada da cama, primeiro, e depois deitados; ele tentou abrir a saia dela, não conseguiu, ela o fez facilmente, revelando uma charmosa lingerie verde, o que já era mesmo o melhor palpite dele a partir da transparência da camisa, que ele desabotoou sem problemas. Enquanto a beijava na orelha, ficou claro que ela gostava, ele passeava as pontas dos dedos pela parte interna das coxas dela, ela tinha fremidos de desejo, até que se virou por cima dele, ainda de calça, cavalgando-o; seus longos cabelos negros caíam sobre o rosto dele, faziam cócegas, ele a segurava pelas ancas e erguia a cabeça para tentar alcançar seus lábios, ela fez uma brincadeira de dominadora, dando e tirando, até que escorregou para trás, desatou-lhe o cinto e abriu-lhe a braguilha. Dentro da cueca, o membro de Lúcio, nem grande nem pequeno, latejava – sua ida ao banheiro antes de sair do restaurante o resguardava de qualquer imprevisto; ela o tirou para fora, brincou com ele com a mão e depois com a boca; ai, Roberta, faz assim, faz, ele gemia. Ela se ergueu, tirou o sutiã, tinha seios pequenos muito bonitos, auréolas escuras; rodou para o lado e tirou a calcinha também, foi a vez de ele saborear seus seios e então suas coxas e por fim os lábios que não falam. Não falavam havia muito tempo, mas naquele momento diziam venha e me penetre agora mesmo. Ele entendeu e subiu por cima dela, iniciando movimentos vigorosos que lhe arrancavam ais e uis; ora apoiava-se nos braços esticados, ora desabava todo seu peso sobre ela, o que a agradava muito; depois de um tempo, ela ficou apoiada sobre as mãos e joelhos sobre a cama enquanto ele, em pé, encaixava os dedos na bacia dela, trazendo seu traseiro contra seu falo, ela olhava para trás com um sorriso lascivo que lhe realimentava o ímpeto: puxou-a pelos cabelos. Ela estava muito excitada, seus fluidos ajudavam os dois a nem perceberem o preservativo. Quando se sentiu cansado, ele se deitou e ela enfim o cavalgou de fato, os cabelos voltavam a cair sobre o rosto, ele voltava a se erguer, buscando agora seus seios. Ela começou a intensificar os gemidos, que já pareciam mais gritos, até que um sorriso beatífico lhe invadiu o rosto; ele pediu que ela se deitasse e a cobriu, penetrando-a de modo rápido, animalesco, até que ele explodisse em prazer, com urros graves, guturais.

Deitaram-se lado a lado, exaustos demais até para dar qualquer atenção um ao outro. Foi ela quem falou primeiro: eu cheguei a pensar que nunca mais ia sentir isso. Bom, eu há muito tempo não sentia com essa intensidade. Verdade? Claro, e para você, também foi bom? Nossa, preciso dizer? Não deu para perceber? Ele se virou de lado, apoiado em um cotovelo; vaidade e excesso de confiança fizeram-no cometer uma grosseria, agravada por um equívoco imperdoável. Então, eu transo melhor que o Leandro? Ela ergueu o tronco. Leandro? Leandro?! Eu não acredito que você foi falar isso, e ainda troca o nome, você também! Pulou da cama e começou a procurar as peças de roupa, que ia vestindo enquanto ele tentava consertar a burrada. Roberta, me desculpa, foi uma brincadeira sem graça, eu sei, vamos conversar. Ela estava irredutível, terminou de se vestir e determinou que ele chamasse um táxi, passou na sala e bebeu meia taça de vinho em um gole só. Reiterou a ordem. Ele pensou que o tempo de um táxi chegar era o suficiente para ela se acalmar, e chamou. Ela foi até o som e pegou o disco do Roberto Carlos, apoiou-o na estante e o quebrou com o sapato. Ele não quis insistir, esperou em outro cômodo até que o tocasse a campainha, deu uma nota ao motorista e não conseguiu arrancar nem um boa-noite. Assim terminou o primeiro encontro de Roberta e Lúcio. Nada que rosas brancas não resolvessem no dia seguinte, entretanto.

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