terça-feira, 26 de agosto de 2014

Soneto

As estrelas que lhe emprestam o brilho
Não suportam mais sua usura.
Que credora intransigente e dura
Resiste a rogo por pai e filho?

E cobra juros de mora e multa
Dos pobres astros, já melancólicos.
Um apetite nada católico,
Que a todas galáxias oculta.

Será a bancarrota celeste?
Devedora, a Lua também,
Recorre ao Sol por algum vintém;
E ele já se esconde no leste.

Tudo isso por uma riqueza
Que tem infinda por natureza.

3 comentários:

Trujillos disse...

Ótimo!
Uma dúvida astronômica... O Sol não deveria se esconder no Oeste?

Leonardo Afonso disse...

A ideia é que ele não quer sair para não ser abordado com um pedido de empréstimo. Poderia apontar para um eclipse.

Trujillos disse...

Perfeita explicação, Leo! Valorizou o poema!

Vou ter que ler o shakespearianos mais algumas vezes ainda...