<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819</id><updated>2012-02-01T15:17:24.352-08:00</updated><category term='ossétia'/><category term='geórgia'/><category term='rússia'/><title type='text'>Leosfera</title><subtitle type='html'>Só o cinismo salva.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>267</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5959698899698706351</id><published>2012-02-01T06:27:00.000-08:00</published><updated>2012-02-01T06:27:13.842-08:00</updated><title type='text'>Fim de Tarde</title><content type='html'>Com este vento é simplesmente impossível ler o jornal. Eu tenho de dobrá-lo em quatro, e antes de chegar ao fim do caderno as dobras já estão se rasgando. Não que nesta época do ano aconteça muita coisa, eu até me divirto em ver como os jornalistas ficam se desdobrando para inventar notícias. Esta praça é a extensão da minha casa, venho todas as tardes, depois que o sol abaixa um pouco. Muitos outros aposentados vêm aqui, mas ficam jogando dominó e rindo de piadas bobas; eu me refugio neste banco, sempre o mesmo, debaixo deste ficus, onde me divido entre ler o jornal e observar a vida ao redor.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vida. Como é seu nome, rapaz? Prazer, seu Antenor me chamam. Eu já levei a vida a sério, Renato, já tive convicções políticas, já batalhei para ser reconhecido e respeitado, já fui síndico do meu bloco, já escrevi cartas a parlamentares, já organizei abaixo-assinados, já emiti pareceres sobre as novas gerações, já fui um defensor da moral e dos bons costumes, já pertenci à maçonaria, já fui à igreja todos os domingos, já vi a academia como o lugar da criação intelectual, já busquei nos filósofos a sabedoria que permite viver bem, já decorei o que é de bom gosto e as características de cada movimento estético, já persegui o amor ideal,&amp;nbsp;já construí um lar&amp;nbsp;respeitável, dois até, já tentei educar meus filhos segundo meus valores,&amp;nbsp;já exaltei a fortaleza e a perseverança, já repeti que colhemos o que plantamos,&amp;nbsp;e acima de tudo já acreditei que uma ordem superior preside a tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu saio fora de casa como quem vai a um circo.&amp;nbsp;As relações humanas me interessam na proporção de seu absurdo. Vi que o que mantém a sociedade coesa é a própria estupidez de seus membros. Talvez se tivesse percebido antes que se trata de apenas de um jogo de aparências e uma enorme fogueira de vaidades, não tivesse perdido tanto tempo com escrúpulos de integridade e honradez. Hoje, pelo menos, aprendi a não levar nada a sério.&amp;nbsp;Sou indiferente até mesmo a estas notícias, que não passam de uma forma de matar o tempo.&amp;nbsp;Preste você mesmo atenção e me diga se não tenho razão.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ele disse que ia comprar água e voltaria, eu achei que fosse mais um saindo à francesa. Situação patética esta de ficar mendigando atenção dos outros para suas histórias; perdem eles, é claro. Eu retomei a leitura de um artigo sobre a infraestrutura portuária, não poderia me importar menos, me cansei e pus o caderno junto aos outros, sob a bolsa. Nenhum homem usa mais bolsas deste estilo, em forma de cunha, eu as acho muito práticas. Lá vinha ele, para minha surpresa. Era um rapaz de uns trinta anos, sentou-se ao meu lado para descansar da corrida, pediu para ver a primeira página e eu despejei minha amargura sobre ele. Por algum motivo, ele voltou, e me ofereceu uma garrafinha d'água, agradeci. Continuei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estive no Diretas Já, acompanhei de perto a elaboração da Constituição, tinha certeza de que dr. Ulisses ia ser presidente; quando eu vi meu próprio partido o abandonar para apoiar o Collor, eu me desgostei de política. Nunca mais. A política de hoje eu acompanho como se fosse a um mau programa de tevê. Eu já fui professor universitário, e dos exigentes; quando eu vi que a maioria dos trabalhos eram péssimos e que eu era sempre voto vencido nas bancas, consegui um trabalho no verdurão do bairro. Eu gostava de ler, livros, grandes pensadores, tinha até alguma vaidade disso. Quando vi uma figura como Pedro Bial sendo tratado como intelectual, e um culto crescente à boçalidade se instaurar, tive a certeza de que era um esforço vão, fome de vento. Sempre ouvi música clássica, por um tempo fui assinante da Sinfônica, conhecia os principais compositores e reconhecia as principais peças, até que vi a orquestra acompanhar um réper, é assim que fala?, e uma música obtusa e pornográfica cair no gosto geral, vendi minha aparelhagem e meus discos, que acabaram sendo meu fundo de previdência, eles são caros hoje, quem diria. E o que eles têm nos museus hoje? Puro lixo sem sentido, deixei de frequentar há muito tempo. Sempre prezei por meu caráter, e sempre devotei às mulheres da minha vida, poucas, uma idolatria que superava a que eu encontrava na poesia que lia. Pois vi meu filho trazer uma moça em casa, boa moça, me pareceu, dizer que enfim tinha encontrado a pessoa certa, depois aparecer cada semana com uma diferente, e seguia dizendo que estava namorando, a moça queria se casar de qualquer forma, aí ela se descobriu grávida, ele fugiu, hoje vive de trazer contrabando do Paraguai, não dá um tostão para a educação do meu neto, que eu nem conheci. Eu fiz meu melhor, mas falhei na educação dos meus filhos. Minha menina era uma princesinha, estudiosa, linda, começou a trabalhar como modelo, abandonou a escola, se envolveu com drogas e um dia veio me apresentar a namorada. Eu não falo mais com ela. Eu me arrependi, mas não tenho coragem de procurá-la. Minha mulher, na verdade, numa briga por qualquer motivo idiota, disse que ela não seria minha filha. Talvez fosse só um blefe, mas o casamento acabou ali. Eu tive uma segunda esposa, mulher religiosa, honrada. Nosso filho entrou até para o seminário, fiquei feliz. Eu comecei a notar um nervosismo nele numa visita que nos fez, chamei-o para uma conversa. Eu nem conto o que o padre andava fazendo. Nunca mais fui à igreja, minha mulher me deixou por isso. E a maçonaria então? Parecia ser um grupo de gente honesta, defensora dos valores tradicionais. &amp;nbsp;Um dia, três diretores da minha loja foram denunciados num esquema de fraudes em contratos com a prefeitura. Sempre fui um motorista prudente, nunca tomei uma multa, um dia voltando do trabalho fui atingido por uma motocicleta que subiu a calçada, esta perna nunca ficou boa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Como, já tem que ir? Que pena. Olha, não se esqueça. hein? A vida é absurda. Claro que vale a pena ser vivida, só não espere pela justiça divina, ou qualquer justiça. Apareça mesmo, estou sempre aqui. Até logo! A luz do dia começava a escassear, ainda era possível ler uma matéria. Tinha chegado à página de Ciência. Um título me chamou atenção: uma equipe multidisciplinar de Harvard conduzia um estudo analisando as relações humanas à luz das leis da física, e já tinham reconhecido padrões da segunda lei da termodinâmica e teoria do Caos. Interessante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5959698899698706351?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5959698899698706351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5959698899698706351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5959698899698706351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5959698899698706351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/02/fim-de-tarde.html' title='Fim de Tarde'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-6926646797381380192</id><published>2012-01-31T09:26:00.000-08:00</published><updated>2012-01-31T09:42:59.143-08:00</updated><title type='text'>Deus os Tenha pt.5</title><content type='html'>Eu tenho ótimos vinhos em casa, sabia? Ah, é, espertinho? Tá achando que eu caio nessa? E música, você gosta de quê? Ah, de MPB, basicamente. Roberto Carlos? Sou apaixonada por Roberto Carlos. Eu tenho a coleção completa, até o Louco Por Você, o que ele proibiu; custou uma fortuna esse LP. Ele estava digitando a senha do cartão. Tá um pouco tarde, meu turno amanhã é pela manhã... Vai ser só uma garrafa, eu prometo. Beijaram-se. Pediu licença para usar o banheiro. Lá fora ele explicou: só acontece que eu moro um pouco longe, você não quer deixar o carro em casa? Ele ficou admirando as torres que “ele” construiu, fez questão de descobrir o apartamento dela. Dirigiram quase meia hora para chegar ao condomínio dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já ouviu este disco? Não, mas já ouvi falar, é bom? Não é o melhor dele, mas eu gosto. Beijavam-se no sofá enquanto as taças esperavam na mesa de centro. Depois de um tempo ele se permitiu percorrer o corpo dela com a mão livre, ela cravava as unhas no pescoço dele, ele pressionava o crânio dela com as duas mãos e beijava com mais volúpia, passou ao pescoço, à área atrás da orelha, dava mordidelas no lóbulo; ela arrancou-lhe de vez a gravata e abriu alguns botões da camisa da sorte para acariciar os pelos em seu peito, ele sussurrou que fossem para o quarto. Ele providenciou uma luz indireta, trocou o Rei por um smooth jazz e ligou o ar condicionado, ainda que não estivesse quente. Beijaram-se e tocaram-se mais um pouco, sentados na beirada da cama, primeiro, e depois deitados; ele tentou abrir a saia dela, não conseguiu, ela o fez facilmente, revelando uma charmosa lingerie verde, o que já era mesmo o melhor palpite dele a partir da transparência da camisa, que ele desabotoou sem problemas. Enquanto a beijava na orelha, ficou claro que ela gostava, ele passeava as pontas dos dedos pela parte interna das coxas dela, ela tinha fremidos de desejo, até que se virou por cima dele, ainda de calça, cavalgando-o; seus longos cabelos negros caíam sobre o rosto dele, faziam cócegas, ele a segurava pelas ancas e erguia a cabeça para tentar alcançar seus lábios, ela fez uma brincadeira de dominadora, dando e tirando, até que escorregou para trás, desatou-lhe o cinto e abriu-lhe a braguilha. Dentro da cueca, o membro de Lúcio, nem grande nem pequeno, latejava – sua ida ao banheiro antes de sair do restaurante o resguardava de qualquer imprevisto; ela o tirou para fora, brincou com ele com a mão e depois com a boca; ai, Roberta, faz assim, faz, ele gemia. Ela se ergueu, tirou o sutiã, tinha seios pequenos muito bonitos, auréolas escuras; rodou para o lado e tirou a calcinha também, foi a vez de ele saborear seus seios e então suas coxas e por fim os lábios que não falam. Não falavam havia muito tempo, mas naquele momento diziam venha e me penetre agora mesmo. Ele entendeu e subiu por cima dela, iniciando movimentos vigorosos que lhe arrancavam ais e uis; ora apoiava-se nos braços esticados, ora desabava todo seu peso sobre ela, o que a agradava muito; depois de um tempo, ela ficou apoiada sobre as mãos e joelhos sobre a cama enquanto ele, em pé, encaixava os dedos na bacia dela, trazendo seu traseiro contra seu falo, ela olhava para trás com um sorriso lascivo que lhe realimentava o ímpeto: puxou-a pelos cabelos. Ela estava muito excitada, seus fluidos ajudavam os dois a nem perceberem o preservativo. Quando se sentiu cansado, ele se deitou e ela enfim o cavalgou de fato, os cabelos voltavam a cair sobre o rosto, ele voltava a se erguer, buscando agora seus seios. Ela começou a intensificar os gemidos, que já pareciam mais gritos, até que um sorriso beatífico lhe invadiu o rosto; ele pediu que ela se deitasse e a cobriu, penetrando-a de modo rápido, animalesco, até que ele explodisse em prazer, com urros graves, guturais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitaram-se lado a lado, exaustos demais até para dar qualquer atenção um ao outro. Foi ela quem falou primeiro: eu cheguei a pensar que nunca mais ia sentir isso. Bom, eu há muito tempo não sentia com essa intensidade. Verdade? Claro, e para você, também foi bom? Nossa, preciso dizer? Não deu para perceber? Ele se virou de lado, apoiado em um cotovelo; vaidade e excesso de confiança fizeram-no cometer uma grosseria, agravada por um equívoco imperdoável. Então, eu transo melhor que o Leandro? Ela ergueu o tronco. Leandro? Leandro?! Eu não acredito que você foi falar isso, e ainda troca o nome, você também! Pulou da cama e começou a procurar as peças de roupa, que ia vestindo enquanto ele tentava consertar a burrada. Roberta, me desculpa, foi uma brincadeira sem graça, eu sei, vamos conversar. Ela estava irredutível, terminou de se vestir e determinou que ele chamasse um táxi, passou na sala e bebeu meia taça de vinho em um gole só. Reiterou a ordem. Ele pensou que o tempo de um táxi chegar era o suficiente para ela se acalmar, e chamou. Ela foi até o som e pegou o disco do Roberto Carlos, apoiou-o na estante e o quebrou com o sapato. Ele não quis insistir, esperou em outro cômodo até que o tocasse a campainha, deu uma nota ao motorista e não conseguiu arrancar nem um boa-noite. Assim terminou o primeiro encontro de Roberta e Lúcio. Nada que rosas brancas não resolvessem no dia seguinte, entretanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-6926646797381380192?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/6926646797381380192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=6926646797381380192' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6926646797381380192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6926646797381380192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/deus-os-tenha-pt5.html' title='Deus os Tenha pt.5'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-3613419773350150753</id><published>2012-01-30T15:46:00.000-08:00</published><updated>2012-01-31T09:45:46.252-08:00</updated><title type='text'>Deus os Tenha pt.4</title><content type='html'>Roberta? Oi Lúcio! Espera que vou transferir pra minha sala. Fez um sinal à secretária e entrou. Roberta, eu tentei te ligar, caía numa mensagem. Que número você discou? Ele disse. É vinte e sete, não dezessete. Putz, eu ainda tentei trocar o três por seis, e... poxa, me perdoa. Não tem problema, ela mentiu, mas pense duas vezes antes de dizer por aí que tem ótima memória. Poxa, eu não sei o que dizer, nunca aconteceu... Relaxa, Lúcio, não é o fim do mundo; você está ocupado, não? Na verdade não, eles já se foram. Tá tudo bem contigo?, já faz um tempo... Tá sim, mentiu de novo, sabe como é, o de sempre... Onde estávamos mesmo?, brincou ele. Ah, já esqueci, acho que você ia perguntar alguma coisa. Roberta, você quer jantar comigo? É claro que quero, eu te liguei, não? Que tal sexta-feira? Que tal hoje? Ele sorriu da pressa dela, depois da resistência inicial. É melhor ainda! Massa? Adoro massa. Que horas? Nove? Nove. Quer que eu te busque ou nos vemos lá? Não precisa, eu vou de carro, onde fica? É no Araucária, entra no site que tem um mapa. Qual o endereço? Da trattoria ou do site? Dos dois. Faz uma busca por Nonna Dora, dois enes, a rua é Prospero Tranquili, o número é... espera um pouco... quatrocentos e oitenta. Que cara sortudo esse que se chamou Prospero Tranquili, será que ficou tranquilo depois da prosperidade? Você tem um senso de humor peculiar. E isso é bom? Não tem nada em você que não seja bom. Você precisa me conhecer melhor, então. É o que mais quero. Às nove então? Sim, estarei lá. Um beijo. Beijo, tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou com dez minutos de antecedência e pediu uma água com gás. Ela chegou com apenas dez minutos de atraso, isso porque iniciou as preparações uma hora e meia antes. Estava em uma saia verde, justa, pouco acima do joelho, e uma camisa de um azul esverdeado, ligeiramente transparente. Era mais ousado do que qualquer coisa que jamais usara, havia comprado naquela tarde: ligou para a colega que lhe devia um favor. O sapato era azul, aberto, exibindo belos dedos, com esmalte incolor, a exemplo das mãos. O batom era de um vermelho discreto, assim como a sombra verde; completavam o arsenal muitos lápis, pós e cremes. Ele a recebeu com um sorriso e dois beijinhos, disse que estava linda. Vestia um terno risca de giz, preto, camisa branca e uma gravata verde-amarelado, sapatos pretos que brilhavam e um relógio prateado enorme. Puxa, que confusão, não? Nem me fala, eu comecei a desconfiar que você tinha esquecido meu número, aí eu achei o número da construtora na planta do apartamento. Ele riu. Meu telefone está na lista. Ah, eu jogo fora, me acostumei a usar internet. Que bom que deu certo, estou muito feliz que você tenha aceitado. Arriscou um carinho em seu rosto. Calaram-se quando o garçom trouxe os cardápios, ela voltou a pedir o refrigerante favorito, ele pediu bruschettas de entrada. Me diz, você é daqui mesmo? Não, toda minha família é do Mato Grosso, eu vim com &amp;nbsp;dez anos; depois todos voltaram, menos eu. Uma irmã estava conversando comigo de vir para cá, o Leonardo deixou alguma coisinha, e pensei em montar uma clínica minha, ela ajudaria; mas não consegue se desenrolar. É homem? É, isso e várias outras coisas. Tem mais irmãos? Um meio irmão, a gente não tem muito contato com ele, está no acre. E você? Bom, eu já contei um pouco, da minha mãe biológica eu fui o único, tenho dois irmãos de criação, nós não nos falamos: são uns fracassados que fumam maconha até hoje, provavelmente, não surpreende que ela tenha me escolhido; eles me odeiam, é claro. E seu padrasto, é vivo? Sim, eu dou uma mesada a ele, faço uma visita ocasional, ele já está surdo, não me reconhece também. Que triste. Mas, Roberta, você deve levar adiante essa ideia da clínica, mesmo sem sua irmã. Às vezes me parece que você ainda está num estado de choque e não quer começar uma vida nova. Não é bem verdade, eu não estou aqui com você? Ele repetiu a mesma carícia terna no rosto, mas desta vez escorregou a mão para sua nuca, e deu o primeiro impulso, que ela respondeu com vontade, aproximando os lábios. Foi um longo beijo; ela já sentia falta daquela sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o gnocchi à bolonhesa é uma especialidade, o penne à carbonara também, do que você gosta? Ah, gosto muito de lasanha. Eles têm uma aos quatro queijos que é divina. Você vem sempre aqui então? Sim, eu gosto bastante. E quantas mulheres você já trouxe aqui? Só duas, ele deveria dizer dezenas, minha ex-esposa e você. Mentiroso. Haviam juntado as cadeiras e ele a abraçava pela cintura, ela mergulhou a cabeça em seu ombro. Então lasanha para você e penne para mim. Vinho branco? Sinalizou ao garçom e fez os pedidos. E como é a vida na construtora? Ah, trabalha-se bastante, temos cinco unidades em construção agora, são centenas de empregados... Você abriu com o dinheiro da herança? Sim, na verdade eu tenho cinquenta por cento mais um, e três outros engenheiros entraram com o restante; um estudou comigo, na verdade. Você estudou aqui mesmo? Sim, na federal, e você? Também, mas certamente bem mais tarde. Está me chamando de velho? Não, Lúcio! Estou dizendo que já tinha quase trinta quando comecei a estudar. O que você fazia antes? Trabalhava no shopping, vendedora; era um inferno, não tinha fim de semana. As bruschettas chegaram, ela as elogiou muito; pediram água para limpar o paladar e seguiram se beijando. Faz muitos anos que você se separou, nunca quis... Casar de novo? Não. Por convicção ou por que não conheceu ninguém? Ele se desvencilhou o abraço e respirou fundo. Olha, teve uma pessoa com quem eu me envolvi de verdade, mas foi logo depois do divórcio, eu não queria ouvir falar em casamento, até experimentamos morar juntos, mas foi o bastante para que fosse pelo ralo. De lá para cá, não sei, às vezes me parece que foram apenas preenchimento, não significavam nada, nem duravam muito. Eu fico pensando que elas só querem meu dinheiro, e é o mais provável. Você acha que eu só quero seu dinheiro? Não, você não, você... transmite segurança. Mais um longo e vigoroso beijo. E você, desde que ele se foi... não aconteceu nada? Mas é claro que não! Que pergunta, se você nem queria sair comigo! Eu nunca nem aceitaria aquele café se você não tivesse me impactado tanto desde a primeira vez. Eu te impactei? Nossa, eu me lembro até hoje como você estava linda de luto. Pára, Lúcio, isso já é demais. Tudo bem, me desculpa. Olha, eu até estou usando minha camisa da sorte. Você tem uma camisa da sorte? Bem, é a camisa do dia em que eu te vi pela primeira vez, e pela segunda também. Mentira. É sério. Os pratos foram servidos, e a conversa íntima deu lugar a comentários sobre a aparência dos pratos da Nonna Dora, logo a elogios ao sabor, aí então Roberta ergueu a taça e fez uma confissão. Sabe, eu tenho tomado muito vinho ultimamente. Ah,vinho faz bem. Não, eu tomo meia garrafa todas as noites, isso me preocupa; eu mal bebia antes. E por que então você acha...? Ansiedade, é claro. Eu estava esperando alguém me ligar... Roberta, eu quero te agradecer por ter tomado a iniciativa de me procurar, hoje eu vou salvar seu telefone. Assim que terminaram de comer, a primeira coisa que fizeram foi registrar o número um do outro na memória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-3613419773350150753?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/3613419773350150753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=3613419773350150753' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/3613419773350150753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/3613419773350150753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/deus-os-tenha-pt4.html' title='Deus os Tenha pt.4'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5195525712544603402</id><published>2012-01-29T20:50:00.000-08:00</published><updated>2012-01-29T20:51:13.303-08:00</updated><title type='text'>Deus os Tenha pt.3</title><content type='html'>Comeram, ela reconheceu que era uma delícia, nunca tinha ouvido falar naquele lugar. O Leo não gostava muito de sair, só íamos a restaurantes em algumas ocasiões especiais, e cafés deste tipo eu nunca tive costume de frequentar. Ah, que pena, é uma das coisas boas da vida; especialmente com uma companhia tão agradável como você. Ela sorriu, mas ficou pensativa. Lúcio, não me entenda mal, você é um homem muito... simpático e educado, foi ótimo conversar um pouco, mas eu acho que é prematuro... Faz um ano, Roberta, ele tomou as mãos dela. Não faz ainda. Onze meses, onze meses e um dia, que diferença? Ele significava tudo para mim, Lúcio, não sei, eu estou confusa; preciso pensar a respeito. Nós nos conhecemos no velório dele, seria uma falta de respeito! Eu nunca estive no velório, nós nos vimos na floricultura e sequer conversamos; nós nos conhecemos hoje. Ela livrou as mãos e passou uma pelos cabelos lisos, bebeu o que restava do refrigerante e voltou a mirá-lo. Eu prefiro que a gente... Me dá seu telefone, ele a interrompeu. Você não vai salvar no seu? Não, eu tenho ótima memória. Ela deu o número. Consultou o relógio e disse que tinha de se apressar. Ele pediu a conta e resolveu arriscar. Você disse que não costumava ir a restaurantes; eu conheço um ótimo de frutos do mar, você gosta? Não tenho muito o hábito... E trattoria? Massa? Ela apoiava o cotovelo na mesa e o rosto na mão espalmada, voltou-se a ele segurando o queixo com dois dedos. Me liga na sexta-feira, pode ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pagou a conta e despediram-se bem mais formalmente do que ele esperava quando chegaram. Esteve com a namorada naquela noite, mas ela lhe parecia insuportável em sua juventude: deu-se conta que tinha ao seu lado alguém que ele gostava de exibir, e que talvez gostasse mais de seu dinheiro do que dele mesmo. Roberta não lhe saía da cabeça, assim como o número de telefone que ele repetia para não esquecer. Ela estava distraída no trabalho, e chegou a cometer um erro, que por sorte pôde corrigir a tempo: ia receitar um remédio de cachorro para um gato. Leonardo podia ter seus vários defeitos, mas era extremamente carinhoso e dedicado, e o episódio da doença os havia unido ainda mais. Ela não superara sua morte, e sentia sua falta; mas tinha uma vida para viver, outra vida a construir, na verdade, e Lúcio parecia perfeito para ser seu companheiro, até onde ela sabia, pelo menos. Ficou feliz que não o tivesse beijado no mesmo dia, nunca foi de sua natureza, mas decidiu aceitar seu convite para um jantar, quando ligasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a sexta. Ele ligou pouco após o almoço; uma gravação dizia que o número não existia. Ficou nervoso, repetiu várias vezes a operação, com o mesmo resutado. Sua memória teria falhado? Experimentou variações, nada. Em seu desespero, pesquisou por veterinárias com o mesmo nome, achou três, mas nenhuma era aquela, que também nunca disse o sobrenome. Ela achou estranho ele não ligar, e, sozinha em seu apartamento, amaldiçoava-se por ter construído tantos sonhos com aquele homem, também por não tê-lo beijado no café: ele deve ter se aborrecido e desistido de tudo. Ele estava tratando tão mal a namorada que foi ela quem terminou o relacionamento, mas teve raiva da indiferença dele. Vivia esperando o próximo dia dez, que era o único meio que via de rever Roberta. Ela se convenceu de que fora esquecida e foi criando o hábito de beber vinho todas as noites; estava quase bêbada uma noite, quando teve uma ideia: olhou a planta do apartamento, que estava esquecida em algum armário, e achou o telefone da construtora. Na manhã seguinte, não conseguia se decidir a ligar: não é papel da mulher. Uma taça da garrafa que sobrara da noite anterior a ajudou a discar o número. Concivil, bom dia. Eu gostaria de falar com Lúcio Medina, por favor. Desculpe, senhora, aqui é atendimento a clientes. E você pode tranferir? Não é possível, mas vou te dar o telefone da secretária dele. Ela anotou na própria planta e agradeceu, deu a última golada no vinho e discou o novo número. Concivil, presidência, bom dia. Eu&amp;nbsp;gostaria de falar com o sr. Lúcio Medina, por favor. O sr. Medina está em reunião, gostaria de deixar recado? Sim, peça para ligar para Roberta, no número tal e tal. De onde? Como assim? De qual empresa? De empresa nenhuma. Você é parente, amiga? Diga que é a Roberta do cemitério. Roberta do cemitério?! Ele estava se despedindo de alguns engenheiros na porta do escritório, e quando ouviu aquilo correu para tomar o telefone da secretária.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5195525712544603402?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5195525712544603402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5195525712544603402' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5195525712544603402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5195525712544603402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/deus-os-tenha-pt3.html' title='Deus os Tenha pt.3'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4846181781902445235</id><published>2012-01-28T22:05:00.000-08:00</published><updated>2012-01-31T09:29:21.805-08:00</updated><title type='text'>Deus os Tenha pt.2</title><content type='html'>Ela sentia uma excitação mesclada de arrependimento, como podia ter sido tão impulsiva! É claro que sabia a resposta: por mais que a memória do marido estivesse muito viva, ela já começava a se sentir só. Ele sorria com mais um triunfo iminente: na verdade, tinha uma namorada, muito jovem, o que não o impedia de flertar por aí. Em um semáforo, ele, distraído, passou no amarelo, e ela ficou retida. Quando checou o retrovisor e não a viu, proferiu um palavrão e encostou. Por sorte ela o alcançou e seguiram até uma pequena galeria, onde estacionaram. Conseguiram uma mesa numa varanda com muitas plantas, o garçom trouxe os cardápios, mas ele sem os abrir pediu um &lt;i&gt;doppio&lt;/i&gt; e um &lt;i&gt;latte&lt;/i&gt;. Ela gostou que ele escolhesse por ela, os homens deveriam estar pelo menos aparentemente no comando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma água com gás, dois copos, completou quando o garçom já virara as costas. Bem, eu queria dizer, voltando-se para ela, que lamento muito você ter ficado viúva tão jovem. Trinta e oito não é tão jovem. Como não, é o auge da mulher, ele galanteou. Arrependeu-se, estava se apressando; mas ela reagiu bem. É, fora a pele, eu não me trocaria por mim aos vinte e cinco. Ele não se conteve: mas sua pele é linda, eu não te daria mais que trinta. Ela elaborou um olhar de acanhamento e passou a examinar o cardápio. Posso perguntar como ele morreu? Sim, não há problema. Foi câncer. Ele fez uma careta. Longa batalha, sofrida, suspirou. Ele fumava muito. Mas era novo como você? Ele morreu pouco antes de completar quarenta e cinco. Que tragédia, Roberta. E ficou sem saber o que dizer. Optou pelo protocolo. Com que você trabalha? Eu sou veterinária, mas eu também ajudo minha irmã em sua empresa de festas, uma espécie de consultoria, só que mal remunerada. Ele deu uma risada curta. Os cafés chegaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca tomei esse café, é bom? Sim, eu espero ter acertado seu gosto; você gosta mais forte? Ah, eu quase não tomo café. Você vai gostar. E você, o que faz? Eu tenho uma construtora. Ela arregalou os olhos, está nadando em dinheiro, então. Nem tanto, mas estamos crescendo; em que bairro você mora? Colinas, perto do viaduto. Naquelas três torres novas? Isso mesmo, como sabe? Foi um palpite; fui eu quem construiu. Eu? É, nós. Nós ou eles? Ela tomou um gole do café saboreando sua provocação. Eles não corstruiriam sem mim, nem eu sem eles. Foi só uma brincadeira. Eu me mudei para lá alguns meses depois da morte do Leo. Fiquei sozinha num três quartos antes que... nós desistimos da adoção quando ele recebeu... e ficou de repente chorosa; tirou uma caixa de lenços da bolsa. Você, tem filhos? Uma filha, vive com a mãe. Eu tenho uma também, na verdade; vive com o pai no Canadá, passa um mês por ano comigo. E você vai sempre ver sua mãe? Foi uma coincidência nos reencontrarmos, não? Eu vou todo dia onze, religiosamente, e olha que não sou religioso. Nossa, eu vou todo dia dez, mas ontem tive que dobrar para cobrir uma colega, fui hoje. Agradeça a sua colega em meu nome. Os dois sorriam um pro outro afetuosamente; ele quase tentou beijá-la, mas não ousou. Que bonito isso, Lúcio, essa consideração. Ah, eu sinto que é minha obrigação, e sinalizou a xícara ao garçom, pedindo outro café duplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não era minha mãe biológica, que morreu num acidente, era a melhor amiga dela. Meu pai desapareceu antes de eu nascer. Era uma mulher de temperamento forte, e que me criou com estrita disciplina, o que era verdade também para os filhos biológicos dela. O pior era que ela queria controlar tudo no meu destino: quando jovem eu quis estudar artes plásticas, ela praticamente me obrigou a fazer engenharia, pelo que hoje sou grato. Ela não gostava de nenhuma namorada minha, pegava no pé. Eu não podia chegar tarde nem com mais de dezoito anos. Assim que eu consegui um emprego com um salário melhor eu saí de casa e falei um monte de bobagem para ela. Um tempo depois, ela brigou com o marido, e os filhos, também ressentidos com seu despotismo, tomaram partido do pai. Ela viveu o resto da vida sozinha. O que ninguém soube até que ela morresse foi que ela recebera em algum momento uma gorda herança de um tio solteirão; e ela legou tudo a mim. Só aí eu me dei conta do idiota que fora: aquela mulher aceitou me criar, dedicou, senão seu afeto, seu empenho por vinte anos, a ela eu devia tudo o que era, e agora o que tinha no banco. Bem, eu prometi a mim mesmo visitar sua sepultura mensalmente, e faço isso sem falhar há quase doze anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estou falando demais, conte você alguma coisa. Como o que? Ah, você disse que tem uma filha no Canadá, foi um primeiro casamento? Ah, nem chegou a ser um casamento, foi um caso e um acidente. Eu tinha ido lá trabalhar de babá e estudar inglês, logo após terminar a faculdade, não estava achando emprego afinal. Eles tinham um vizinho, bonito, bem sucedido, solteiro. Depois que ele me viu a primeira vez, passou a frequentar a casa o tempo todo. Quando teve a primeira chance de conversar a sós comigo, ele me convidou, todo atrapalhado, para jantar. Eu sentia um impedimento ético, tive uma educação muito conservadora, e disse a ele que teria que fazer o convite na frente dos meus anfitriões, que deveriam consentir. Eles eram pessoas super modernas, e ficaram entusiasmados com a ideia. Nós estávamos juntos havia três meses quando eu descobri que estava grávida, meus pais quiseram que eu voltasse imediatamente, ele queria se casar. Nós brigávamos cada vez mais até a Corin nascer, eu fugi para o Brasil, houve uma disputa judicial e nós perdemos. Saiu até na tevê. Que idade ela tem? Quinze anos, está uma moça linda. Você mal tocou o café, quer outra coisa? Ah, pede uma coca para mim. Claro. E a sua? Como? Sua filha? Ela tem dezenove, Paula é o nome dela, é tão bonita que trabalha de modelo em eventos, mas leva a faculdade de Direito muito a sério. Faz tempo que você se separou? Faz, treze anos. Nossa, e depois que ela soube da herança ela se arrependeu? Ele riu. Isso você tem que perguntar a ela... O rapaz chegou com o refrigerante e Lúcio perguntou a Roberta se ela queria comer alguma coisa, recomendou uma torta de chocolate com amêndoas. Ela aceitou a sugestão, ele pediu um quiche de queijo do reino e tomate seco. Depois da torta eu acho que eu vou, tá? A ele lhe pareceu que era só charme: calma, tá cedo ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4846181781902445235?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4846181781902445235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4846181781902445235' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4846181781902445235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4846181781902445235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/deus-os-tenha-pt2.html' title='Deus os Tenha pt.2'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5712910110012496435</id><published>2012-01-27T21:37:00.000-08:00</published><updated>2012-01-31T09:31:55.653-08:00</updated><title type='text'>Deus os Tenha pt.1</title><content type='html'>Era uma floricultura dentro de um cemitério. Pequena, simples, as opções eram acanhadas, as coroas, feias. Um senhor de terno preto e camisa branca, sem gravata, passou a mão pelos cabelos já quase todos brancos, e disse qualquer interjeição, só para quebrar o silêncio. Ele era magro e usava barba, um belo cinquentão na verdade, um rosto conhecido dos funcionários dali, cujos nomes ele conhecia. Ela se impacientou e bateu palmas, tirou os óculos escuros e enxugou os olhos. Trajada da cabeça aos pés de negro, cor que também tinham a bolsa e os cabelos atados num coque, não tinha muita experiência em enterros: apenas uma avó havia morrido. Não parecia ter chegado aos quarenta, e mesmo numa circunstância como aquelas era uma mulher que chamava atenção. O funcionário apareceu, pediu desculpas, enxugando as mãos no jaleco. O homem grisalho havia chegado antes, mas fez sinal para que ela pedisse. Ela agradeceu, disse ao rapaz que haviam errado o nome de seu marido na coroa, que ele em vida detestava ser chamado de Leandro, era um desrespeito. Ele se desdobrou em perdões, garantiu que ia providenciar outra faixa e pediu que ela escrevesse o nome em um papel. Ainda teve que ir lá nos fundos buscar uma caneta. Ela não agradeceu, acenou com a cabeça para o senhor e voltou ao velório. Ele pediu um vaso de crisântemos amarelos, escolheu um menos murcho, pagou e se dirigiu ao túmulo velho conhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois daquele dia, ele seguiu sua tradição de mais de dez anos de visitar mensalmente o túmulo de sua mãe, todo dia onze; ela iniciou a mesma rotina, mas no dia dez. Dez meses se passaram, no décimo primeiro, ela por &amp;nbsp;qualquer contratempo não pôde visitar o túmulo do marido no dia de sua morte, mas foi no seguinte. Quando desceu do carro, ele estava entrando no seu, estacionado logo ao lado. Quando os olhares se cruzaram, houve um estremecimento em ambos: ela não sabia se o cumprimentava, mas se lembrava muito bem dele; ele ficara muito impressionado com a beleza dela, mas julgou que qualquer abordagem seria de mau gosto. Ele experimentou um discreto aceno, ela não conteve um sorriso e imitou o gesto. Ela já se distanciava quando ele criou coragem para falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acertaram o nome dele? Ela se virou, tirou os óculos que lhe cobriam metade do rosto e ele pôde enfim vê-la em todo seu encanto. Usava uma saia vermelha, longa, e uma blusa branca que expunha os ombros, tinha o rosto triangular, queixo um pouco proeminente, nariz fino, olhos castanhos com sobrancelhas bem desenhadas. Ele tinha o mesmo paletó aberto e os mesmos plácidos olhos azuis. Pois é, sorria um pouco nervosa, é uma falta de profissionalismo inacreditável. Ele fechou a porta do carro e acionou o alarme. Já faz um tempo, não? Um ano? Onze meses, ela guardou os óculos na mesma bolsa preta. Você também é viúvo? Separado. Sinalizou o cemitério com a cabeça: minha mãe. Instaurou-se uma espécie de desconforto: iam seguir conversando ali no estacionamento? Começaram a falar ao mesmo tempo: então tá, ela; o que você, ele; pode falar; não, desculpa, eu te interrompi; fala; não, era bobagem; tudo bem, cara ou coroa? Ela riu, ele aproveitou a deixa: vamos tomar um café?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sequer sei seu nome, ela disse, mas sem rispidez. Lúcio Medina, você? Roberta, prazer. Bem, prosseguiu, se você esperar enquanto eu visito o Leonardo, seria um prazer, sim. Você fala como se ele estivesse vivo. Ele está, de certa forma, o meu amor... foi interrompida por lágrimas. Perdão, eu não devia ter... Não, tudo bem, eu vou lá. Eu te espero... na floricultura? Ela sorriu, pode ser. Ele cumprimentou o rapazola pelo nome, ela tinha trazido suas próprias flores, podemos entender. O funcionário se disse admirado por sua constância, em suas palavras, claro. Ele disse que tinha uma dívida enorme, e a pagava em prestações. Ela chorou um bocado no túmulo do Leonardo, desculpou-se por ter perdido um dia, mas ao mesmo tempo em que jurava que seu amor duraria para sempre, estava confusa, e culpada, por aceitar o convite de um estranho. Ela voltara a pôr os óculos quando o encontrou na floricultura, por isso o rapaz talvez nem tenha percebido seu olhar de desprezo, a Lúcio esboçou um meio sorriso. Quando já estavam no pátio, ele disse que conhecia um lugar não muito longe dali, ela disse tudo bem, e entraram cada um no seu carro, o dele um sedã de luxo, preto, o dela um compacto azul. Ela o seguiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5712910110012496435?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5712910110012496435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5712910110012496435' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5712910110012496435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5712910110012496435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/deus-os-tenha-pt1.html' title='Deus os Tenha pt.1'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4884154135531424086</id><published>2012-01-26T02:24:00.000-08:00</published><updated>2012-01-27T21:39:10.916-08:00</updated><title type='text'>Direções</title><content type='html'>Eu passava naquele cruzamento todos os dias, voltando da faculdade. Era a interseção de duas vias arteriais, com canteiro no meio, e eu tinha que seguir para chegar em casa. Naquele dia, eu nem estava prestando atenção, o sinal estava aberto e eu passei rápido. Mas tive uma impressão maluca, não podia ser: a placa que costumava dizer Araucária em frente e Cidade Nova à direita dizia respectivamente Sucesso e Felicidade. Seria até interessante ter bairros com esses nomes, mas que diabo!, virei à esquerda e voltei a passar no mesmo cruzamento. Araucária e Cidade Nova. Eu estava ficando louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha sido numa sexta-feira, e mal pensei naquilo no fim de semana, fiz um churrasco inclusive, com uns poucos amigos. Na segunda-feira voltaria a passar por lá; obviamente não esperava ver nada diferente, tudo não passara de um truque que minha mente pregou em mim. Mas não deixei de prestar atenção: não é que a placa dizia Sucesso e Felicidade? Olhei fixamente, quase bato o carro quando o semáforo fechou. Fiz sinal para o motorista à minha esquerda e perguntei: o que está escrito naquela placa? Ele pareceu intrigado e respondeu Araucária em frente, Cidade Nova à direita, ora. Olhei de novo: eu estava louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sinal abriu e eu levei um tempo para me dar conta, começaram a buzinar. Não sabia o que pensar. Consultar um psiquiatra? Um oculista? Que ideia idiota. Bem, eu supostamente estava indo rumo ao Sucesso. Aos poucos, percebi que o caminho estava diferente do costumeiro: eu devia estar tão distraído que deixei de virar quando devia. Mas aquilo não se parecia com nenhuma área da cidade que eu conhecia, havia prédios novos e modernos, lojas de produtos caros. Olhei a plaquinha: Avenida da Abastança.&amp;nbsp;Eu tinha que experimentar o outro caminho, e dei a volta no quarteirão, que era por acaso um campus universitário: Rua do Reconhecimento.&amp;nbsp;Louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refiz o trajeto e virei na placa que dizia Felicidade, agora à minha esquerda; em frente, a placa seguia indicando Centro. Mais uma vez, era uma parte totalmente nova da cidade: havia bares com pessoas conversando, casas simples mas muito simpáticas, até que cheguei a um parque com crianças brincando e famílias fazendo pique-nique. A plaquinha dizia Avenida Realização Pessoal. Virei à esquerda, contornando o parque, e à minha direita havia várias lojas de noivas e sex-shops. Rua do Afeto. Louco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, então eu poderia escolher entre Sucesso e Felicidade, mas não conseguia voltar para casa. Parei em um dos bares, pedi uma cerveja e tentei ligar para meu pai, não havia sinal. Pedi a conta e descobri que não aceitavam meu dinheiro. Era um sonho, só podia ser. Mas nos sonhos quando se percebe que é sonho a gente acorda. Uma moça de uma mesa ao lado compadeceu-se de minha aflição e assumiu a dívida. Tentei explicar minha situação, ela achou estranho; eu era tão alienígena para ela quanto tudo aquilo para mim. Disse que morava em tal rua, ela não conhecia, virando ali na avenida tal, tentei, nada.&amp;nbsp;Louco, louco, louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela disse que estava indo para a faculdade, só podia ser aquela pela qual passara mais cedo. Segui seu carro e estacionamos no campus. Ela disse que poderia me apresentar a algum professor que talvez pudesse ajudar. De psiquiatria? De psicologia? De física quântica? Acabou sendo uma de literatura. Ela estava com pressa a caminho de uma aula, mas achou a história interessante, disse que daria um ótimo conto: uma opção entre sucesso e felicidade, mas que na verdade é uma prisão, e coçava o queixo. Mas e como termina? Rapaz, ela pôs a mão no meu ombro, você vai ter que escrever seu próprio final. A moça que me ajudava sorriu, agradeceu à professora e me puxou pelo braço: usa esse micro aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a narrar tudo como tinha acontecido, a meu modo, nunca tive pretensão de ser escritor. Depois que a professora me aconselhava a escrever meu final e eu sentava ao computador, travei. Eu queria voltar para casa, certamente, já deviam estar preocupados, mas será que para isso eu tinha que abrir mão do sucesso e da felicidade? Consultei um mapa, havia uma região fronteiriça entre os dois bairros. Escrevi que minha família se mudara para lá, que eu tinha um emprego que pagava em moeda do mundo paralelo, e bem, que estudava ali mesmo onde estava escrevendo e namorava uma moça fantástica. Imprimi o conto, para uma eventual necessidade. Minha amiga disse que estava atrasada e me desejou boa sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigi até o endereço que escolhera, era uma casa de classe média, com um jardim bem cuidado e um enfeite dizendo aqui mora uma família feliz. Esquina da Prosperidade com a Paz. Toquei a campainha e esperei. Atendeu alguém que eu não conhecia. Pensei em mostrar o conto como se fosse uma espécie de ordem judicial, mas sabia que não fazia sentido. Desculpei-me e sacudi a cabeça, aturdido. Voltei ao fatídico cruzamento, encostei e liguei o pisca-alerta, desci do carro. Achei uma caneta e, apoiado no capô, escrevi o fracasso do truque para ficar no mundo paralelo, e que voltando ao cruzamento a placa havia voltado ao normal e eu achava o caminho de casa. Dessa vez funcionou, as palavras Sucesso e Felicidade se metamorfosearam em Araucária e Cidade Nova, eu entrei no carro e segui meu caminho. Cheguei em casa no horário usual e ninguém disse nada, tampouco eu. Não sei dizer se sou bem sucedido ou feliz, mas também não acho que sou louco. Sei lá, segue o barco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4884154135531424086?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4884154135531424086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4884154135531424086' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4884154135531424086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4884154135531424086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/placa.html' title='Direções'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-7676386307710952400</id><published>2012-01-25T23:26:00.000-08:00</published><updated>2012-01-27T06:18:45.156-08:00</updated><title type='text'>Cyber-Intifada pt.2</title><content type='html'>Cheguei ao outro café amaldiçoando a mim mesmo, e me instalei perto do telefone: era moderno, sem o charme do outro. Pedi um café duplo e uma senha para me conectar. Eu não precisava na verdade esperar o contato de Helsinque, batava consultar a base e ver se o programa estava lá: estava. Mesmo assim aguardei. Acendi outra cigarrilha, o telefone tocou: era a ordem de ir adiante, com sotaque nórdico. Eu precisava achar o backbone outra vez, não estava conseguindo, fiquei preocupado: será que minha invasão tinha sido detectada? Alguns sistemas de defesa são capazes de modificar a estrutura de rede quando atacados. Experimentei outro programa, que funcionou, para meu alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vinha minha tarefa mais difícil: mais do que extrair dados, eu precisava obter privilégio de administrador para rodar um programa. Era mais uma tarefa para o Intruder 3.0, mas antes eu tinha que percorrer a lista em busca do comando adequado, e mais uma vez tive dificuldade: o tempo corria contra mim. Aqui está, só pode ser este, rodei o programa, que levou um tempo até quebrar a senha. Faltavam poucos segundos para cair minha conexão quando introduzi o Cavalo de Troia no ultra-seguro sistema da Bolsa de Valores. Eu me achava o máximo, e um grito que me escapou chamou a atenção dos usuários do café, absortos em qualquer bobagem em seus próprios micros. Mandei executar: outra senha. Caramba. Eu teria que repetir a invasão e quebrar mais aquela barreira. O telefone tocou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expliquei a Boston a situação, estava muito próximo, mas estava ficando cada vez mais arriscado. Sentei-me de volta, pedi água. Pacientemente repeti os passos necessários, executei o Intruder e esperei: sucesso! Cortei a conexão, agora podia monitorar desde fora. Liguei para Boston: Feito e feito. Agora você espera a confirmação da queda e foge no primeiro voo para qualquer capital europeia. Copiado. Voltei ao computador e abri um site israelense de notícias financeiras; monitorava as estatísticas do sistema da Bolsa: os acessos cresciam em velocidade exponencial, um sorriso triunfante não deixava meu rosto. Estava exausto e saí um pouco para ver o sol, fazia calor e as pessoas prosseguiam com sua vida. Pedi mais um capuccino e acendi outra cigarrilha. Antes de terminar de fumar, o site anunciou o colapso do sistema da Bolsa. Ergui os braços mas contive desta vez o grito. Paguei a conta e dirigi-me ao carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao aeroporto, comi alguma coisa e fui até o balcão da empresa aérea. Estava nervoso, mas era impossível que fossem rápidos o bastante para me pegar, mesmo eu tendo... enfim, chegou minha vez. Vocês têm voo para Madri ainda hoje? Na verdade, esse voo é operado pela El Al e eles têm algum problema hoje... Minha espinha gelou: não tinha pensado nisso! Londres? Paris? Todos? Tentei disfarçar meu aborrecimento, e agradeci educadamente à atendente. Eu precisava ir para algum lugar, voltei pro carro e rumei para a rodoviária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei no retrovisor e tive a impressão de que um certo carro já estivera atrás de mim no caminho para o aeroporto. Fiz uma conversão à direita, só para experimentar, ele me seguiu. Merda. Merda. Merda! Eram eles: a Mossad não brinca em serviço. Estou perdido. Meu pânico não me permitia pensar direito, encostei em um posto de gasolina e saí andando por um terreno baldio. Minha ideia, ainda que meio difusa, era fingir um ataque e pedir socorro em alguma casa, havia um conjunto habitacional dali a alguns metros. Olhei para trás, eles me seguiam de perto. Não pensei duas vezes, alcancei algumas pedras no chão e comecei a arremessar na direção deles. O destino dá umas voltas irônicas por demais às vezes. &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-7676386307710952400?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/7676386307710952400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=7676386307710952400' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7676386307710952400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7676386307710952400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/cyber-intifada-pt2.html' title='Cyber-Intifada pt.2'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8460173912820962857</id><published>2012-01-25T22:17:00.000-08:00</published><updated>2012-01-27T06:14:32.289-08:00</updated><title type='text'>Cyber-Intifada pt.1</title><content type='html'>Nossa luta por décadas se serviu das armas mais arcaicas: pedras, bombas. Era a hora de nos atualizarmos, de lutar o combate no terreno do século XXI, o terreno da virtualidade, da informática. Obviamente precisávamos contar com ajuda externa, mas havia uma rede de ativismo cibernético que tinha a nossa como uma das principais causas por justiça global. Afinal, nosso território fora usurpado, e mesmo o pouco que nos restou está sob ocupação há quarenta e cinco anos. Ainda assim, era uma luta de Davi contra Golias, se me permitem usar a mitologia deles. Éramos oito hackers: eu em Beirute, um em Tel-Aviv, três nos Estados Unidos, dois na Alemanha e um na Finlândia, contra os sistemas do maior banco israelense, de uma companhia aérea e da bolsa de valores de Tel-Aviv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era preciso evitar rastros, então íamos nos comunicar por telefones públicos e atuar de forma mais ou menos independente. Eu escolhi um café, desses com sinal sem fio, onde alguém com um computador não despertaria suspeita alguma. Meu número tinha sido informado ao líder da operação, que estava em Boston. Eu já havia estudado o sistema da bolsa de valores o máximo que era possível sem ser detectado, mas havia muito por descobrir no caminho. Pedi um capuccino e olhei no relógio: em dez minutos Boston ligaria com instruções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri para atender quando o telefone, que havia sobrevivido às imposições da modernidade, soou sua campainha mecânica. Beirute, você precisa quebrar o backbone dedicado, acessar o inventário de operadores e gerar uma lista com os IPs fixos, que vai ser armazenada no servidor da Finlândia. Depois que ele elaborar o script, você vai ser acionado mais uma vez para rodar o Trojan e monitorar a operação. Ligue se alguma coisa sair do programado. Copiado, Boston. Falávamos em inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era exatamente o que eu imaginava: a ideia era invadir o sistema, ter acesso a todos os operadores, milhares deles, bancos, corretoras, particulares, e invadi-los com um Cavalo de Tróia que acessaria de forma autônoma o sistema da Bolsa, causando uma sobrecarga que o faria colapsar. Parece simples. Fechei a janela de rede social, pensando bem nem foi uma boa ideia abrir, abri o Prompt do DOS: nada de interface visual para essas peraltices. Foi preciso localizar o backbone dedicado, que mudava de endereço por medidas de segurança; como eu conseguira copiar a estrutura de rede previamente, bastou rodar um mecanismo de busca, o que demorou um pouco. Pedi um espresso e acendi uma cigarrilha, acessei a página da Bolsa na wikipedia, por mera distração, já havia extraído as principais informações. Havia uma história de um dia, nos tempos de inflação, em que a procura por ouro foi tão grande que eles tiveram que fechar as portas. Bacana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa encontrou o backbone, eu tinha poucos minutos para quebrar a senha antes que o endereço fosse alterado. Pelo que tinha levantado, a melhor tática seria atacar com o Intruder 3.0 com busca hexadecimal de ponto flutuante, o que havia de mais recente em invasão "macia" como chamamos: não saía quebrando tudo, sutil e elegante. A ciência da criptografia é um jogo de gato e rato às avessas:&amp;nbsp;nós somos o rato que persegue o gato gordo com perspicácia e astúcia. Meu tempo estava se esgotando, eu estava nervoso. De repente, funcionou: apareceu para mim uma lista que representava todos os subsistemas da Bolsa de Tel-Aviv. Arrisquei o que seria o comando mais óbvio para obter o inventário de operadores, não deu certo. Tive que percorrer a lista no olho, por sorte estava quase no topo, disparei: ótimo. Poucos segundos foram suficientes, e em frações eu já havia subido os dados no servidor de Helsinque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri até o telefone, estava ocupado, e só havia um. Quem ainda usa telefone fixo! Além de nós, claro. Não podia perder tempo, então mandei uma mensagem direta para Helsinque. Agora eu só tinha que esperar: o programa que invadiria os operadores precisava ser adaptado aos dados obtidos, e Helsinque era o especialista nessa área. Pedi outro café, mas antes de terminar o telefone tocou, fui atender. Beirute, a ordem era sem mensagens, você põe a todos em risco! Sim, Boston, eu... o telefone... Escuta: consiga outra conexão, está entendendo? Outra conexão. Outra coisa, você visitou sua rede social daí, o que você tem na cabeça? Boston, foi apenas... tudo bem, eu não deveria, não se repetirá. Estou partindo agora, preciso de quinze minutos. Desliguei sem me despedir, paguei a conta no balcão, e ia saindo quando me toquei que Helsinque, ou mesmo Boston, não teria meu novo número. Pesquisei o telefone de outro café, liguei e obtive o número do telefone público, liguei para Boston e passei a informação. O trânsito já estava melhor àquela hora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8460173912820962857?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8460173912820962857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8460173912820962857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8460173912820962857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8460173912820962857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/cyber-intifada.html' title='Cyber-Intifada pt.1'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-6861350712317566664</id><published>2012-01-25T15:55:00.000-08:00</published><updated>2012-01-25T18:38:02.982-08:00</updated><title type='text'>Oferta do Dia</title><content type='html'>Terminei de escolher as frutas e consultei a lista: não faltava nada, rumei ao caixa. Então me lembrei dos tomates secos, por sorte, pois não os deixo faltar, embora por algum motivo tenham ficado fora da lista. Fui de corredor em corredor tentando achar o produto, às vezes é difícil entender a lógica de quem organiza essas prateleiras. Aí passei por uma moça bonita: alta, loira, esguia, num vestido colorido. Ela nem reparou em mim. Mas algo me chamou atenção além da beleza: parecia ser alguém que eu conhecia, embora por nada no mundo conseguisse decifrar o enigma, e segui em frente. Já estava no corredor seguinte, disposto a esquecer aquilo, quando caiu a ficha: ela tinha estudado inglês comigo muitos anos antes, em outra cidade. Voltei ao corredor onde ela estivera escolhendo azeite e não a achei lá, mas no próximo a encontrei, comprando café. Eu já abandonara o carrinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa, você não é a Larissa? Ela me olhou surpresa e disse com firmeza: meu nome agora é Abaré. Era minha vez de estar surpreso, e confuso. Alguns segundos de um silêncio constrangedor se passaram, e eu atalhei: então antes era Larissa? Você não se lembra de mim, eu, quer dizer, nós... Aí no rosto dela brilhou um sorriso. Sim, eu me lembro! Lá de Manaus... É, nós estudávamos... Com o Jorge, nossa faz muito tempo! Pois é, como você está? E ensejei os dois beijinhos, que saíram meio desajeitados, o brinco de penas dela roçou meu nariz e me deu vontade de espirrar, mas prossegui. Você está morando aqui então? É, já faz um tempo e você? Eu, voltei faz seis anos já. Como assim, você é do Rio? Sim, mas saí novo. Por isso nunca teve sotaque. É verdade; você, veio parar aqui como? Ah, eu passei um tempo em Brasília, meu pai era de lá... Ele morreu? Pois é, mas faz tempo. Que pena, e sua irmã? Ah, ela continua em Manaus, casou com um cara rico e curte uma de socialite. Nós dois rimos, e estávamos cada vez mais à vontade. Bem, então eu nessa época trabalhava no TCU, e um dia eu conheci o Santo Daime. Não brinca! Nossa, aquilo mudou minha vida: cheguei à conclusão de que não podia estragar minha vida com um trabalho chato, por melhor que pagasse. Aí vim pro Rio estudar Cinema. Que barato! E você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, e agora? Eu devia inventar uma vida mais interessante para mim mesmo: que eu era budista e que fazia trabalho voluntário, que havia traduzido Hamlet e escalado o Pão de Açúcar. Mas eu sempre fui um péssimo mentiroso, e ia acabar me atrapalhando. Aquela mulher continuava me intimidando: eu era um frangote quando estudei com ela, alguns anos mais velha, mulher enfim, e linda, embora talvez fosse ainda mais hoje; e ela me lançava uns olhares que me deixavam da altura de uma caixa de fósforos. Não é preciso dizer que eu era patologicamente tímido então; um pouco ainda, mas na época eu era um bocoió. Ela figurava no arquivo das grandes oportunidades desperdiçadas, e, numa conversa recente com uma amiga em comum, soube que ela me considerava muito inteligente. Se isso significa alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, eu morei em vários lugares, no Recife primeiro, depois fui pra Juiz de Fora, mas escolhi o curso errado e passei anos basicamente vagabundeando. Depois que minha mãe morreu... Puxa, lamento! Obrigado, pois então, meu pai ficou sozinho em Recife e resolveu reunir a família e voltar para cá, ainda tínhamos o apartamento em Copacabana. Mas eu já não moro mais com ele, aluguei uma casinha em Santa Teresa. Uau, que charme! Ah, é ótimo lá, e a ladeira ajuda a manter a forma; claro que a genética não ajuda. Ela desviou a atenção da prateleira de produtos de soja - eu a seguia enquanto ela prosseguia com as compras - e sorriu. Eu trabalho no Botafogo, o clube, e estou terminando Contábeis este ano. Aí como terminou o cara "muito inteligente" que ela conhecia! E você está trabalhando com Cinema? Sim, sou a assistente do assistente do assistente, mas estou, e gosto muito. No Odeon está passando um filme em que eu trabalhei. Puxa! Vou lá ver. Vai lá, chama Cama de Concreto. E por que esse nome... como é mesmo? Abaré. Então, eu visitei uma tribo uma vez com meu marido (merda!) e eles escolheram esse nome para mim, houve um ritual e tudo, eu resolvi adotar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um caso didático de como, ao dizer de Sancho Panza, a oportunidade quando aparece deve-se agarrá-la pelo rabo e metê-la para dentro da sala. Larissa, ou Abaré, foi um ônibus que só passou uma vez, uma ave que comeu da isca e eu não soube puxar a corda que derrubaria a arapuca. Lá estava eu, solteirão e com uma vida patética, diante de uma mulher fascinante, realizada, casada, com nome indígena e tudo. Eu precisava pôr fim a mais um silêncio constrangedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então está casada? Sim. Mas ele faz você vir ao supermercado sozinha? Ela deu um risinho. Ele está fora, passa muito tempo fora, na verdade, ele é antropólogo. Ah, faz sentido. Você confia muito nele, então? Claro, por que não confiaria? Sei lá, sabe como é homem. Mas ele fica na tribo o tempo todo, e a ética dele... por que está perguntando? E parou de analisar os preços dos biscoitos para me olhar séria. Eu estava tremendo, para que fui inventar? Ei, calma, só estou conversando, não vá achar que... E você, não se casou?, ela ajudou. Não, eu... terminei um namoro há pouco, menti, geralmente é só encrenca mesmo, sabe como é. Às vezes me parece que ninguém mais se entende hoje em dia. Eu me entendo com o Rodolfo. Nossa, então você tem sorte, e ele mais ainda. Olha, você tá começando... Olhei o carrinho dela e dei de cara com um pote de tomates secos, interrompi-a a tempo. Puxa, eu procurei por toda parte por tomate seco, onde você encontrou? Ela pareceu aliviada, explicou onde achá-los. A despedida foi mais seca que os &amp;nbsp;malditos tomates.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-6861350712317566664?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/6861350712317566664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=6861350712317566664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6861350712317566664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6861350712317566664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/oferta-do-dia.html' title='Oferta do Dia'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-2969747538643992352</id><published>2012-01-23T19:41:00.000-08:00</published><updated>2012-01-25T15:58:20.838-08:00</updated><title type='text'>Pechincha</title><content type='html'>Tá novo, novo, novo. Veja, lataria perfeita, bancos, a revisão foi feita, mas não rodou nem sete mil, tá até cheirando! Sim, na concessionária, o manual tá aqui no porta luvas. Aqui, nota fiscal no meu nome. É um ponto seis, mas é bem econômico. Doze, treze, na cidade, quatorze na estrada. Mas eu rodo pouco, moro perto do trabalho. Tem direção, ar, vidros... trava, alarme, tudo no controle. Completinho. Por quê? Ah, é uma longa história, não vale a pena... Mesmo? Tá com tempo? Bom, vem aqui atrás. Tá vendo isso aqui? Pois bem, pode parecer uma bobagem, mas é este o motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu fui promovido ano passado, e meu carro já estava precisando ser trocado... Eu tinha, ainda tenho, algumas dívidas, mas fiz as contas e achei que dava. Tá tudo em dia, quanto a isso pode ficar tranquilo. Minha mulher queria muito este modelo, e é um bom carro mesmo. Foi o primeiro zero que eu tirei. Foi no fim de janeiro. Mas, enfim, ao que interessa. Você sabe dessa moda agora de colar adesivos na traseira com os membros da família, como esses aí. Foi minha filha quem insistiu, eu não queria adesivo nenhum, mas sabe como é: o homem é a cabeça da família, mas a mulher é o pescoço, e ela gostou da ideia. Foi na mesma loja em que instalei o alarme, eles tinham várias opções, eu gostei mais desta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este aqui com um sorriso bonachão sou eu, embora me digam que tenho um humor terrível, o que não é verdade, claro. À minha esquerda está minha mãe, de coque no cabelo e crochê nas mãos, o cabelo dela é curto e a única habilidade dela é espezinhar todo mundo. À minha direita, minha esposa, magra e jovial, quando na verdade é gordinha e cheia de rugas. Aí vem meu filho, que tem cara de inteligente aqui mas é um brutamontes apatetado. Depois, minha filha, a caçula, que é um doce aqui e na vida real, no entanto... vai escutando. Por fim, esse cãozinho adorável e felpudo representa na verdade uma cadela, vira-lata das mais corriqueiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu falei da cadelinha, o nome dela é Espoleta. Era, na verdade. Ela costumava fugir, e numa dessas foi atropelada. Olhei para o adesivo, não quis arrancar: ia ficar uma marca de cola misturada com poeira. Foi em março, começo de março. No fim do mês, minha mãe, dona Risoleta, teve um aneurisma, morreu na hora. Olhava para o carro: seria uma maldição? Bobagem, nunca fui supersticioso. Aí minha filha conseguiu um trabalho temporário, na montagem do Cirque du Soleil. Apareceu um dia dizendo que conheceu um clown, estava apaixonada; não gostei nada daquilo, e não deu outra: minha Lucinha abandonou a faculdade e a nós todos, e literalmente fugiu com o circo. Foi em maio, já. Em agosto foi o Miguel: eu já estava achando estranho ele ter um segundo celular, e sempre que tocava era um mistério danado, e ele descia por alguns minutos. Foi preso com meio quilo de maconha saindo de uma favela. Eu nem tentei ajudar. Tudo estava desmoronando, mas ainda dava para piorar: no feriado de doze de outubro eu ia viajar com a Tânia, tentar espairecer, minha vida no trabalho também andava estressante. Ela disse, na véspera, que não ia mais; tentei conversar, aí ela disse que ia me deixar, que estava apaixonada e nada ia fazê-la desistir de viver com a Ingrid. Formidável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, de todas essas figuras aí eu... Produto? Que produto? Não, eu... o senhor pode usar, não vai querer a família de outra pessoa, e que nem existe mais... Barato? É, eu quero vender logo. Vou perder um pouco sim. Não, não tem truque nenhum, é isso aí que eu contei. Dá pra entender, não? Dirigir, mas é claro! Pode entrar aí, só essa ré aqui que é meio chata, você puxa... ah, já conhece? Pois é, o câmbio é ótimo também, macio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-2969747538643992352?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/2969747538643992352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=2969747538643992352' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2969747538643992352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2969747538643992352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/o-anuncio.html' title='Pechincha'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8811694882370070606</id><published>2012-01-22T19:15:00.000-08:00</published><updated>2012-01-25T19:42:36.808-08:00</updated><title type='text'>Digno de Nota pt.3</title><content type='html'>O bandido nos recolheu com a mesma mão ensanguentada que segurava o canivete. Correu até um beco, guardou o canivete num bolso e a nós em outro, e pulou um muro. Ouvi barulho de água, estava lavando as mãos. Depois percorreu uma distância e escalou um portão de ferro; alguém abriu a porta e gritou, uma mulher, ele a ameaçou e saltou para o chão. Correu até um daqueles lugares com música, talvez fosse até o mesmo. Deu para escutar ele pedir a tal branquinha umas quatro vezes, até que as vozes cessaram de súbito, passos pesados se encaminharam a ele, eram dois. Começaram a questioná-lo rispidamente, sua voz era trêmula, e arrastaram-no para fora. Meteram a mão no bolso onde eu estava e tiraram a Sílvia, a Joyce, a Tânia e a mim, entendi quando reclamou que era "só isso", repartiram-nos entre os dois e lá fomos pra outro bolso, todas amassadas. Pudemos ouvir o rapaz sendo espancado por vários minutos, e então entramos no carro que fazia um barulho gozado, que ouvi várias vezes aquele dia. Quando saí do bolso, estava em um supermercado, e o homem que me tinha tomado por último pediu um pacote de cigarros: foi quando fui parar em outra daquelas gavetas divididas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso eu circulei um bocado. Comprei livro, cachorro quente, gasolina, servia de troco quando alguém aparecia com uma garoupa (e o funcionário sempre reclamava); conheci carteiras, bolsas e outros bolsos malcheirosos, descansei em caixas-registradoras, voltei ao banco, quer dizer, não o mesmo, outros, até o dia em que fui parar na carteira de um sujeito aparentemente rico. Tinha a companhia sempre de outras onças e garoupas, e como ele nos deixava em um balcão na sala, dava para perceber que a música era diferente, as pessoas falavam baixo e cada uma de uma vez. Foi o período em que eu aprendi palavras mais complicadas. Um dia alguém me tirou da carteira, e não era ele: devia ser seu filho, que usava uma jaqueta de tecido sintético colorida, em cujo bolso eu fui parar, sozinha. Ele desceu o elevador e entrou no carro, arrancava fazendo barulho com os pneus e escutava uma música repetitiva muito alto. Desceu do carro, andou alguns passos e cumprimentou alguém numa linguagem que me era estranha; foi muito rápido: ele me pôs na mesa e recebeu alguns pacotinhos plásticos. Estive na carteira do sujeito de fala engraçada algum tempo, um dia eu o ouvi conversar com um daqueles sujeitos com botas, que tinha uma risada cínica, e eu mudei de mão mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei um tempo com ele, e descobri que aquele tipo de gente se chama policial, descobri porque a mulher dele ficava muito preocupada com sua profissão - a mim, parecia um jeito fácil de fazer dinheiro. Bem, lá na casa deles também havia uma moça que cuidava da casa, e não é que eu reconheci a voz da mesma que havia me tirado da caixa de biscoitos da velhinha? Eu estive com a esposa dele até o dia em que fui dada em pagamento à empregada. Não esperava que ela me reconhecesse, já disse que somos todas quase iguais. Na gaveta dela, não encontrei nenhuma de minhas antigas colegas, nem o marido estava por perto: teria morrido aquele dia? Um dia ela me usou para pagar a padaria, e alguém que parecia ser o dono me pôs na carteira no fim do dia. Em casa, ele jantou com mulher e filhos, e disse que ia sair para uma reunião da maçonaria; escutei ele conversar com uma mulher, discutiam o preço, ela entrou no carro e ensinou como chegar no "ambiente". Ouvi todos aqueles barulhos que eu já sabia o que significavam, e no fim eu fiquei com ela. Da bolsa dela, ainda a ouvi trabalhando três vezes, até que bem de madrugada ela se encontrou com um tipo grosso, que exigia sua parte do trato. Com ele eu fiquei pouco, por sorte, ele me usou em outro supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lá, eu voltei a um outro banco, estive no cofre muito tempo, fiz amizades, até aprendi um pouco do idioma daquelas notas verdes. Um dia levaram a mim e a muitas outras para o caixa, mas eu não fui para a gaveta. Um homem que não aparentava ter todo aquele dinheiro nos pôs em uma maleta e nos levou; quando a maleta se abriu, vi um homem muito elegante, que sorria. Ele naquela mesma tarde se encontrou com outro homem, e pude entender que se tratava de uma licença de qualquer espécie, que aparentemente custava todo aquele dinheiro. Despediram-se de forma muito cortês: como é bom estar com gente de bom nível! Outra pessoa apareceu e me levou até o banco. Veja só, era o meu primeiro banco! Fiquei até emocionada. Muito tempo passei lá, acostumei-me à rotina - a vida na rua já perdera a novidade. Até que ouvimos um barulho enorme, gritos, um tiro foi disparado. O rapaz que abriu o cofre estava pálido, e atrás dele um homem de capuz o pressionava a encher um saco preto. Aquilo disparou em mim uma nostalgia... Aí se ouviu o barulho que fazem os carros de polícia, era bem no exato instante em que o funcionário me tirava do cofre. O homem de capuz se assustou e atirou. A cabeça do pobre rapaz foi estilhaçada, e o maço do qual eu era a primeira cédula ficou encharcado em sangue. Por isso estou aqui, esperando para ser incinerada, por um crime que não cometi. Mas não me importa, posso dizer que vivi muito nesse tempo. E que os seres humanos são fascinantes!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8811694882370070606?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8811694882370070606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8811694882370070606' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8811694882370070606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8811694882370070606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/uma-trajetoria-pt3.html' title='Digno de Nota pt.3'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-6414890183444748288</id><published>2012-01-20T17:51:00.000-08:00</published><updated>2012-01-25T19:15:31.303-08:00</updated><title type='text'>Digno de Nota pt.2</title><content type='html'>Passou um bom tempo, eu ainda não tinha uma noção exata de dias, em que aquela porta se abria a intervalos, deixando entrar alguma luz; às vezes retiravam algumas de nós aos maços, às vezes traziam mais. Fiquei muito amiga de uma cédula azul, que trazia um peixe estampado; ela também era bem jovem e nenhuma de nós sabia que ela tinha o dobro do meu valor, talvez por isso ainda não fosse esnobe e arrogante como outras que encontraria depois. Uma vez, logo que a porta se abriu, entrou alguém na sala e a moça deu um grito; a outra pessoa era um homem. Ali eu aprendi um som que os humanos fazem para pedir silêncio; dali em diante só ouvimos gemidos abafados, que não sabia dizer se eram de prazer ou desespero, e um grunhido ritmado, que foi&amp;nbsp;se intensificando até dar lugar a uma respiração ofegante. Eu estava extasiada. Que mundo interessante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia me levaram, através de um pequeno corredor; por instantes pude ver quatro cabines com um computador e um vidro separando aquela saleta de um salão grande, repleto de gente. Fui depositada em uma gaveta, com outras colegas iguais a mim, e pela primeira vez conheci outras cédulas: vermelhas, que traziam uma arara, roxas, com uma garça, outras azuis, mas com o desenho de uma tartaruga; havia também uns pedaços redondos de metal, de vários tamanhos. Foi com a experiência de minhas novas vizinhas que fui aprendendo cada vez melhor o que eram os números, e pude entender enfim que eu era uma cinquenta. Ou o que significava 8499A, que era o fim do meu número de série, e como me chamavam até então; aquelas veteranas me puseram o apelido de Tata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha ficado no fundo da pilha, e várias vezes a gaveta se abriu até que eu fosse retirada; tchau Tata, boa sorte no mundo, desejaram as colegas. Fui entregue a uma velhinha, eu já conhecia cada vez melhor os humanos, e sabia que ela era mais velha; já começava a ser capaz de interpretar a entonação da voz deles, e vi que ela era muito educada, assim como a caixa que eu mal pude conhecer. Fui guardada em uma bolsinha que fazia um estalo seco ao fechar; quando ela se abriu, fui parar em uma lata de biscoito, e fiquei lá muito tempo. Eu ouvia o rádio ligado quase o dia todo; às vezes ouvia uma jovem que conversava com ela; ficava cantando e lavando louça. Uma vez eu ouvi a porta abrir e se fechar, a velha saiu. A jovem deixou a limpeza da casa e fez uma enorme bagunça no quarto, abria todas gavetas e revirava todas as caixas, até que abriu minha lata. Fui para em um bolso de calça. Dali a pouco a velha voltou, eu entendi da conversa que a moça precisava sair mais cedo, algumas palavras eu já reconhecia. Ela pegou um ônibus, depois outro, e chegou em casa onde duas ou três crianças faziam algazarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversou um pouco com um senhor aparentemente idoso, e ouvi barulho de cozinha; mais tarde chegou um homem, as crianças fizeram mais algazarra. Aí ela me tirou do bolso, eu e mais várias iguais a mim, e eles começaram a discutir até os gritos; nós ficamos largadas sobre a mesa, então deu para ver tudo, até quando ele começou a bater nela. Ela chorava estendida no chão quando ele meteu a mim e a mais três colegas no bolso da camisa e pôs as restantes numa gaveta no quarto. Saiu gritando mais um pouco, caminhou em uma rua em que havia barulho de ônibus e entrou em um lugar onde havia música e as pessoas falavam alto. Um pouco como o galpão por onde eu tinha passado. Passou lá muito tempo, e dava para ver quando ele levava um pequeno copo à boca, estava com muita sede. Aprendi mais algumas palavras, que eles repetiam o tempo todo, só depois fui descobrir que eram palavras sujas. Ele praticava uma brincadeira com bolas sobre uma mesa e um taco de madeira; eu via tudo quando ele curvava o corpo para frente. Quando já era tarde (eu já aprendia a medir o tempo), ele nos tirou do bolso, os amigos dele se juntaram em torno, parece que era muito dinheiro; mas eu acabei voltando para o mesmo lugar, e se juntaram a nós umas notas menores amassadas e fedorentas. Despedi-me da Cláudia, que me acompanhava desde o grande cofre da minha infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou em casa, pronunciou uma frase que, pela movimentação que se seguiu, entendi que significava uma ordem &amp;nbsp;para esquentar a comida. Aprendi muito de língua de gente ali, todos falavam alto e onde eu fiquei, na mesma gaveta com as outras, era muito perto da sala; devia ser uma casa pequena. Ouvi outras brigas violentas e choro, algazarra dos meninos, e o idoso, que falava sozinho quando o casal saía. Todo dia o homem recorria à gaveta, e fomos ficando poucas rapidamente. Um dia eu voltei a ser escolhida, e passeamos no bolso de sua camisa aberta. No caminho para o bar (palavra que logo aprendi), ouvimos alguém abordá-lo, pelas costas, e pedir o dinheiro (palavra que aprendera muito antes). Ele se virou e entrou em luta com o ladão: foi ferido; eu via lá do chão onde havíamos caído.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-6414890183444748288?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/6414890183444748288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=6414890183444748288' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6414890183444748288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6414890183444748288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/uma-trajetoria-pt2.html' title='Digno de Nota pt.2'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8594010348094221523</id><published>2012-01-17T22:09:00.000-08:00</published><updated>2012-01-25T19:07:40.701-08:00</updated><title type='text'>Digno de Nota pt.1</title><content type='html'>Minha memória mais remota é da tranquilidade de uma grande sala sem janelas, a temperatura era sempre mantida um pouco fria; eu ficava acomodada com minhas colegas, lembro que eram muitas delas, bem juntinhas umas das outras, o que nos mantinha aquecidas. Eu não conseguia ver muito ali empilhada como estava, mas podia ouvir passos sempre que uma porta muito pesada se abria, o silêncio retornando depois que ela se fechava com uma pancada assustadora. Me contaram depois de onde nós tínhamos vindo, da capital, onde éramos impressas em série, quase iguais, só nosso número diferia. Não sei se era boato, mas fazia sentido: todas nós carregávamos a figura de uma onça, coisas que chamam de marca d'água, a mesma fitinha e o mesmo número cinquenta, em algarismos e por extenso; também duas assinaturas, bem pequenas, e uma frase falando num tal de Deus. Bem, como eu disse, minha memória só alcança até aquela sala confortável, mas registra muita coisa desde então; se não for lhes ocupar o tempo à toa, eu poderia contar algumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ouvimos um barulho diferente, um estrondo que assustou a nós todas. Aquelas com uma visão privilegiada narravam o acontecido e todas espalhávamos suas palavras. E o pânico era geral: uns homens encapuzados haviam aberto um enorme buraco numa das paredes e estavam sequestrando minhas amigas aos milhares, jogando-as dentro de sacos pretos que eram levados para dentro do buraco. Eu não fiquei tão assustada: aquela vida monótona estava me deixando neurótica, e mal podia esperar para ver o que ia acontecer. Não demorou a que eu fosse parar em um dos sacos, e aí fomos chacoalhando por um bom pedaço até sermos arremessadas em outro lugar, onde esperamos um pouco. Ouvíamos barulhos de gente, mas na época não éramos capazes de entender nada, e eles pareciam não nos escutar: foi aí que eu descobri que a voz da cédula vibra numa frequência inaudível para os humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos transportadas uma e outra vez, aí ouvimos sons do que eu descobriria depois ser algo chamado música, sons de vidro se quebrando, muita gente falando e umas coisas diferentes que eles fazem com a voz, depois eu aprendi que eram gritos e risos. Tudo era aprendizado para mim, todos aqueles sons novos, só a escuridão total que não me agradava. Um dia me tiraram do saco e me puseram em uma caixa um pouco rasa, que fazia um barulho de metal quando fechava. Pude ver muito pouco do ambiente, parecia ser um galpão; eu obviamente não conhecia essa palavra, ou palavra alguma, mas depois eu explico como aprendi língua de gente: vou contar sem ficar me interrompendo com isso, ou vamos longe demais. A caixa, que era uma mala, foi carregada por um homem que assobiava até um carro grande, que ficava tremendo e fazendo barulho. Quando paramos, ele desceu com a mala, conversou muito tempo com outro homem de voz fina, depois os dois conversaram com uma mulher e nos levaram a um lugar onde abriram a mala e passaram a desfazer os maços em que estávamos atadas e a contar uma a uma: foi meu primeiro contato com os números, a primeira coisa que aprendi em língua de gente. Lembro quando a mulher me pegou e olhou contra a luz, vi que estávamos em uma sala delimitada por divisórias que não iam até o teto. Era a maior sensação de liberdade que eu já tinha experimentado, estava feliz. Vi que só contaram e analisaram dois maços, e aí passaram a retirar da mala e a contar os maços inteiros. Houve mais alguma conversa e então o homem que me trouxe pegou mais quatro maços e deu dois a cada um dos outros. Eu estava em uma pilha em cima da mesa, o homem que me trouxe foi embora e nunca mais o vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois a mulher me colocou numa caixa verde, com um painel de botões na frente, e voltou a escuridão. Pensando bem, não foi meu primeiro cofre, porque a sala de onde fui levada era nada menos que um imenso cofre. Ficamos lá conversando, metade de nós ainda muito assustada, a outra metade terrivelmente excitada com um mundo inteiramente novo. No dia seguinte, abriram o cofre e nos jogaram em um saco de pano, dois na verdade, e entramos em outro carro que fazia barulho, dava para ouvir a mulher da véspera e um outro homem. Rodamos até chegar a um lugar onde fomos recebidos primeiro por uma moça de voz irritante e depois por uma senhora rouca, que falava enquanto caminhava até uma sala onde fomos postas em uma mesa e expostas à claridade fluorescente de outra sala de divisórias. Aí eu passei pela experiência mais inusitada. Nós éramos colocadas em um aparelho e escorregávamos uma em cima da outra em uma velocidade estonteante. Aconteceu outras vezes depois, mas, como eu já disse, tudo era descoberta. Ainda ouvi a voz das duas mulheres enquanto minhas colegas eram acomodadas em mais um cofre, este maior que o anterior. A porta se fechou atrás de nós, mas se abria às vezes ao longo do dia. Estávamos em companhia de cédulas que não conhecíamos, até umas verdes, diferentes, com rostos de sujeitos esquisitos. Eu não sabia então que lugares como&amp;nbsp;aquele&amp;nbsp;seriam como uma casa, a que voltaria várias vezes ao longo de minha vida útil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8594010348094221523?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8594010348094221523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8594010348094221523' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8594010348094221523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8594010348094221523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/uma-trajetoria-pt1.html' title='Digno de Nota pt.1'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5178480361978110145</id><published>2012-01-16T19:13:00.000-08:00</published><updated>2012-01-17T20:09:10.157-08:00</updated><title type='text'>Onde Estão Seus Modos?</title><content type='html'>Minha mãe é artista plástica. No começo ela só queria ter uma atividade para não ser apenas e tão somente esposa do meu pai, que é empresário. Depois de um tempo as pessoas elogiavam seus quadros por um pouco mais que educação; uma amiga dela é esposa de um dono de galeria, eles vieram jantar aqui, um desses jantares idiotas, e ele gostou bastante do trabalho. Levou um, depois três, e em algum tempo ela já era um nome comentado. Ela passou a ser requisitada nas &lt;i&gt;soirées &lt;/i&gt;mais exclusivas da cidade. Às vezes ela nos leva a todos, me apresenta como "minha atleta", pior é meu irmão, que é "futuro cientista". O que me deixa possessa é que em casa ela encrenca com meus treinos diários, insistindo em que eu deveria estudar para concursos. Eu curso Comunicação, participo do circuito de corridas de rua, e não tenho nenhuma pretensão de me tornar burocrata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me fez sair aquele dia para comprar um vestido novo, só para ir ao jantar na casa dos qualquer coisa. Eu já tinha aprendido a não confrontá-la e adotar o gosto cafona dela, só para aquelas ocasiões. Eu iria de jeans e camiseta, se pudesse. Foi difícil achar estacionamento embaixo do bloco, meu pai parou em um lugar um pouco inapropriado. Subimos: era uma sala enorme, decorada com a ostentação mais cafona possível, várias pessoas aqui ou ali bebendo vinho ou cerveja, tocava alguma espécie nauseabunda de &lt;i&gt;easy-listening.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;A anfitriã nos recebeu com todos salamaleques possíveis, "minha atleta" e vamos nós. Um dos quadros de minha mãe estava na parede, foi o mote para alguma conversa miúda. Eu aceitei um vinho tinto, e fui pra sacada observar a fauna do local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pasolini tem uma sensibilidade que faz Buñuel parecer um troglodita, dizia um. Mas é a crueza das emoções humanas que faz seus filmes tão sublimes, sem falar que o seu italiano nunca ouviu falar em roteiro, contestava o outro. Um estava com gola &lt;i&gt;roulé&lt;/i&gt; e usava cavanhaque, o outro usava blazer com camiseta, e um sapatênis que não combinava com nada. Eu odeio gente culta demais. Mais adiante, ouvi alguém dizer que esperto é o PMDB, que não está nunca no trono mas controla sempre o poder. Era um careca barrigudo com um enorme bigode. Pedir dinheiro na rua tem que dar cadeia!, espumava uma perua num vestido vermelho decotado, da cor do chapéu extravagante. É o que eu digo, quem não aceitar ir pro abrigo vai em cana! Voltei para perto de meu pai, que explicava que transporte urbano era um ramo que ia sempre bem, a um interlocutor que fingia interesse, muito mal. Minha mãe seguia com os donos da casa, expunha seus projetos de uma inovadora série de naturezas mortas. Alguém precisava produzir arte para pessoas dois séculos atrasadas, afinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a hora de servirem o jantar. Eu fiquei sentada ao lado da senhora qualquer coisa; à minha frente, um prato em cima do outro, três jogos de talheres, duas taças e um vistoso guardanapo de linho enfiado em um anel de madeira. Um problema com esses eventos era obviamente essa etiqueta idiota. O outro era o cardápio: eu não como nada de origem animal. Eu tentava explicar isso a minha mãe quando ela ensinava qual era a faca de peixe, qual era a faca de carne, inútil. Apareceram vários criados uniformizados, um tomou meu prato de cima, fundo, e perguntou: creme de espinafre? Tem leite? Tem manteiga? A senhora qualquer coisa me olhou feio. Eu mostrei a língua. Minha mãe cobriu o rosto com a mão. Aceito sim, moço, ele serviu. Minha mãe me fulminava com o olhar. A dado momento um dos criados veio dizer que interfonaram para dizer que um carro modelo tal tinha tido o retrovisor arrancado. Meu pai desceu às pressas, sem razão, pois não havia o que fazer. Todos o esperaram, comentaram que era um absurdo, quando a culpa no fim era dele. Minha mãe fazia sinais, eu não entendia nada; a senhora qualquer coisa ajudou: você trocou a posição da taça de vinho com a de água. Suspirei mas obedeci. Levaram os pratos usados e voltaram oferecendo picanha recheada ou tucunaré assado. Não, moço, eu não como carne; serve só arroz e salada, por favor. Minha vizinha tomou um gole de vinho com um ar afetado, eu a olhei desafiadoramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, para a sopa bastava uma colher, e só havia uma. Para comer o prato principal, mesmo sem o principal, escolhi um garfo intermediário e uma faca com corte, porque eu costumava triturar a salada antes de comer. É um modo inusitado de comer a salada, queridinha, ainda mais com uma faca de carne, e deu uma falsa gargalhada, secundada por duas ou três da &lt;i&gt;socialites&lt;/i&gt;. Olhei para a faca: era o único dos talheres com um cabo de madeira avermelhada, a lâmina era larga, o fio fazia uma curva acentuada, repleto de dentes afiados. Olhei para a senhora qualquer coisa, que ainda sorria com soberba. Foi rápido e certeiro: eu nunca matara ninguém, mas um talento natural me fez acertar a jugular da megera. O sangue espirrou, todos se levantaram. Agora eu queria o do cavanhaque, o que gostava do Pasolini, ou do Buñuel, não importa. Ele andava pra trás e tropeçou na mesa de centro, eu o feri na barriga, três, quatro vezes. Que tente sobreviver. O do blazer, que gostava da crueza de sei lá o quê, ganhou apenas um ferimento ou dois no braço, mas fiz questão de jogar seus sapatênis pela sacada. Paralisada de medo estava a perua de vermelho, a única que não saiu do lugar. Fiquei atrás dela, pus a faca em seu pescoço, ela suava e tremia: a bolsa, madama. Ela obedeceu; vou dar para o primeiro pedinte que aparecer, e cortei um pedaço de sua orelha. O careca tinha se escondido. Olhei para o senhor qualquer coisa, desesperado ao lado do corpo da esposa. Não vale a pena. Faltava só uma coisa. Do canto superior direito até o inferior esquerdo, minha faca de carne percorreu o quadro idiota da minha mãe. Mais vinho, senhorita? Como? Olhei para o garçom apalermado, que mostrava o rótulo de um Château Fesses Sales. Alguns saboreavam a sobremesa, outros fumavam e tomavam café. A solução mesmo é o voto distrital! Mais vinho, claro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5178480361978110145?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5178480361978110145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5178480361978110145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5178480361978110145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5178480361978110145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/onde-estao-seus-modos.html' title='Onde Estão Seus Modos?'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-6064578632918098323</id><published>2012-01-16T16:39:00.000-08:00</published><updated>2012-01-16T16:39:46.738-08:00</updated><title type='text'>Chão pt.5</title><content type='html'>Tomamos um corredor lateral e entramos em sua casa, que de fato era minúscula e sem janela. Era um cômodo só, com uma pia e um vaso, uma cama e uma estante com algumas peças de roupa, várias latas de sardinha e um garrafão, de pinga certamente. Flagrei também um exemplar de Quincas Borba, e perguntei o que fizera do resto de seus livros. Eu doei a uma biblioteca comunitária, esse aí é só pra hora das necessidades, um velho hábito. E o do jogo você teve que abandonar? Às vezes eu jogo dominó a dinheiro na praça tal, mas não é a mesma coisa. Bateram na porta. Ele abriu, era a dona Carmen, conforme ele me apresentou. Era mesmo uma coroa bem aceitável. Não, não estamos precisando de nada, obrigado. Ele me ofereceu da pinga, eu aceitei, mas era de péssima qualidade. Eu hesitei, mas tinha que entrar no assunto alguma hora: e a bebida, Luís, não será o que te impede de sair dessa condição? Ele me olhou furioso. Mas falou com franqueza. Eu me acostumei a esta vida, rapaz, não vejo muita saída. Eu não sirvo mais para escrever, era a única coisa... Por que não?! Interrompi o trabalho de acomodar as compras na prateleira. Tudo isso que você tem vivido é material perfeito para literatura! Eu não quero aparecer em público como alguém de quem as pessoas têm que sentir pena, ou mesmo um exemplo de superação, e ademais eu já estive lá, eu sei como esse meio é uma fogueira de vaidades... Mas todos são, Luís, você joga o jogo sem se deixar contaminar o quanto possa. Você acha que eu adoro meu escritório de advocacia? Bah, você faz parecer que viver na rua tem sido tão divertido que merece ser contado num livro. É uma vida dura, rapaz, um aprendizado. Eu não disse nada disso Luís... Ele me interrompeu, agora queria contar mesmo sem ser questionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhando nos semáforos você não tem banheiro, não tem água fresca, você não ganha um tostão quando chove o dia todo. Eu cansei de dormir faminto, e sujo, minha higiene por muito tempo foi com um caneco de água e um sabão em barra que eu tinha que fazer durar o máximo, só nas áreas mais vitais. Fora o frio: quando eu fiquei embaixo do viaduto, por sorte era verão, mas ainda assim algumas noites eram geladas. Eu já tinha vendido minhas roupas melhores, e me virava só com um conjunto de moletom distribuído por uma organização de caridade, este aqui aliás, e mostrou a calça rasgada. O papelão não estava resolvendo muito, aí eu encontrei nos fundos de um supermercado o motor da câmara frigorífica, e aninhado ali eu conseguia dormir. No terceiro dia me acharam e me acordaram com um balde de água gelada. Era frequente também que me roubassem a mercadoria, por mais que eu tentasse escondê-la; experimentei usar os panos como colchão, mas eles ficavam contaminados da minha sujeira, imprestáveis. Isso tudo sem contar o desprezo com que você é tratado o tempo todo; hoje eu já não ligo, mas... Não, Vinícius, eu não quero aparecer e contar que passei por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum orgulho ainda lhe restava então, e isso era bom. E isso não enriquece ainda mais o relato? Aliás, você pode simplesmente dizer que fez tudo como pesquisa para o livro, vão admirar sua coragem. Ele pensou um pouco. Eu não quero mais escrever sobre mim mesmo, Coito Interrompido me esgotou, eu já disse. Faz o seguinte: escreve você, Vinícius, disse, dando uma palmadinha em minha perna. Eu assino, te dou uma porcentagem. Eu fiz um gesto de exasperação: eu não sei escrever como você, Luís, não tenho seu estilo, não tenho seu talento! Eu confio em você, você escreve, eu dou algumas sugestões. Não aceitei uma segunda dose. Era já de noite, e ouvimos o barulho do portão lá fora. Seu Fabrício, ele explicou. Conversamos um pouco sobre como é comum o recurso ao famoso escritor fantasma; fomos interrompidos por alguma altercação dentro da casa, mas não demos muita importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia começava a me agradar, era um desafio: a mim mesmo, já desiludido do ofício da escrita, e à obstinação dele em aceitar sua condição aviltante. Luís, olha, pode funcionar sim. Mas eu não quero uma porcentagem, em quero outra coisa... Bateram à porta. Era o seu Fabrício, Luís nos apresentou brevemente. Eu percebi que ele mantinha uma mão para trás, e que no bolso de sua calça havia um volume. Seu Luís, eu queria te perguntar: isso aqui - e revelou, na mão que escondia, uma cueca - já foi meu, eu me lembro quando levei pra você; como foi parar no meu quarto? Ora, seu Fabiano, deve ter sido algum equívoco da Carmen e... Equívoco? Equívoco foi tentar ajudar você seu vagabundo! Ela já confessou tudo - e sacava um revólver enquanto proferia outros insultos. Eu pulei da cama onde estava sentado e me interpus entre os dois, tive que segurar o braço direito do padeiro, que lutava para se livrar. Luís deu um safanão em nós dois que nos levou ao chão, e aproveitou para escapar pelo corredor. Eu desarmei meu adversário e segui meu antigo ídolo e recente amigo, jogando o revólver por cima do muro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando apareci em casa com um ambulante maltrapilho, ele mesmo não objetou a que eu finalmente contasse tudo a minha esposa. Ela achou a história fantástica, assim como a ideia do livro. Foi ela mesma quem convenceu o pai a pagar pela clínica de reabilitação, que era a parte no trato que Luís teria que cumprir, a única retribuição que eu exigia pelo meu trabalho, que no fim foi um prazer. Nos trinta dias em que esteve internado, eu o visitava duas vezes por semana, com um gravador. Ele mesmo, para passar o tempo lá dentro, começou a redigir contos, no papel mesmo; eu li e achei ótimos: outro estilo, a mesma elegância. Também fiz as vezes de seu advogado, recuperei os direitos de todos seus livros e arranquei uma pensão da esposa. Quando tudo isso saiu, ele deixou o sofá da nossa sala, para uma quitinete que ele já podia pagar por si mesmo - um adiantamento da editora foi também providencial. Nossos encontros continuavam, ele não pedia para alterar muito, acabavam sendo conversas animadas, regadas apenas a chá. O livro ficou pronto, foi publicado e fez sucesso imediato. Ele deu entrevistas, aceitou minha ideia de alegar que a mendicância foi só um laboratório. Depois de algum tempo, os mesmos produtores de Coito Interrompido propuseram filmar Chão Por Leito, mas queriam mudar o título. Luís Carrasco voltou a ter uma vida materialmente confortável, voltou a comer muitas mulheres, só não bebia nem jogava. O material que ele produzia enquanto eu me passava por ele também foi publicado mais adiante, na mesma época em que meu próprio volume de contos foi parar nas prateleiras com um prefácio dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-6064578632918098323?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/6064578632918098323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=6064578632918098323' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6064578632918098323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6064578632918098323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/chao-pt5.html' title='Chão pt.5'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4976151040050569529</id><published>2012-01-15T21:16:00.000-08:00</published><updated>2012-01-17T16:07:59.627-08:00</updated><title type='text'>Chão pt.4</title><content type='html'>Ele me fez deixá-lo na estação de metrô, não quis revelar onde morava e não tinha telefone. Passei duas horas discutindo com minha esposa. De nada valia meu retrospecto de bom moço, e eu queria manter minha promessa. Ela também conhecia Coito Interrompido, pelo menos o filme, e era um terreno fértil para a semente do boato germinar. Ela insistia em que eu fora encontrar outra mulher, mas pareceu mesmo intrigada com o fato de eu chegar com um fardo de panos de chão, que ele esquecera no meu carro. Dormi exausto. Trabalhei dois dias sem que aquilo me saísse da cabeça. Imagine a quantidade de experiências inusitadas que Luís vivia em sua nova vida de ambulante depauperado. Se ele se dispusesse a narrá-las, com aquele estilo irônico, garanto que ia fazer sucesso, ia tirá-lo da pindaíba. Tinha certeza de que aquela conversa de opção filosófica era empulhação. O problema dele era o alcoolismo, e ele não parecia nem um pouco disposto a abandoná-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei ao cruzamento em que ele trabalhava, não o achei lá da primeira vez. No dia seguinte tive mais sorte. Disse que entrasse, que iríamos a um supermercado. Paga uma dose, doutor? Que escolha eu tinha? Depois de um boteco sujo dali das imediações, fomos às compras. Eu queria ajudá-lo, mas queria também saber onde morava, tinha certa desconfiança de que a história da edícula podia ser um edulcoramento de uma realidade ainda pior. Lembrei-lhe do nosso trato; por uma formalidade, a verdade é que já havia conquistando sua confiança. Perguntei, enquanto punha no carrinho um saco de arroz, há quanto tempo ele vendia panos. Ele disse que não cozinhava em casa. Na verdade, só tinha em mente a prateleira de bebidas. Eu escolhia algumas comidas enlatadas enquanto ele se abria aos poucos. Eu terminei de conquistá-lo com duas garrafas de conhaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, com o divórcio eu fui ao chão. Eu já bebia bem, devo ter triplicado a quantidade e diminuído muito a qualidade. Todos os falsos amigos que eu granjeara no meu auge tiveram alguma desculpa pra não me receber provisoriamente, fui parar numa pensão perto da rodoviária. Aí eu dei em cima de uma moça que morava lá, feia, a coitada, mas eu estava bêbado o tempo todo. Enfim, eu fui expulso, e passei algum tempo debaixo de um viaduto. Os inquilinos originais não me acolheram, mas também não me expulsaram. Pedia restos em restaurantes e era escorraçado. Fumava bitucas que encontrava. Aquilo já era um pouco demais, e eu procurei minha ex-mulher, exigindo que ao menos minha máquina de escrever me entregasse. Estava quebrada, não valia quase nada, mas serviu para comprar algumas caixas de balas, que vendia, lá mesmo onde você me encontrou. Eu já comia um pão com manteiga todo dia, estava ótimo. Mas de repente apareceram umas crianças, com o pai delas ameaçando me furar com um canivete se eu não abandonasse aquele ponto. Ah, eu sempre fui bom de briga, doutor Vinícius: ele me fez isso aqui - e mostrou uma cicatriz no antebraço esquerdo - mas quebrei ele de porrada, e virei o rei do pedaço. Na verdade, em pouco tempo eu tinha meia dúzia de moleques trabalhando pra mim, e deu pra pegar outro quarto de pensão. Dessa vez fui eu que não aguentei, estava acostumado afinal com a vida na rua. Foi quando eu comecei com os panos, porque aquilo de vender bala era degradante, sabe? Eu tinha de impor respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que tipo de coisa inusitada você já viveu nessa vida... na rua?, provoquei. Estávamos pagando a conta. Muita coisa, meu rapaz, é uma vida cheia de interesse a seu modo. Uma vez, no cruzamento onde eu estava trabalhando, houve um engavetamento de três carros. Desceram, irritados, mas logo conseguiram conversar civilizadamente e acabaram descobrindo que um era meio-irmão de outro e o terceiro era primo distante dos dois. Vai calcular a probabilidade.Ou como o dia em que ouvi um carro buzinar, era um carrão, dentro estava um coroa com os olhos fechados, a película não era muito escura; achei estranho mas me aproximei, ele se assustou. Quando eu presto atenção, aparece uma jovem só de sutiã e o tiozão tá recolhendo a artilharia. Guardamos as compras no carro. Teve também a história de como eu fui parar lá onde estou morando, com o seu Fabrício. O padeiro. Ele comprou pano comigo um dia. Puxou assunto, conversamos brevemente, ele sorria bastante. Disse que ia passar ali no dia seguinte com alguns pães dormidos. Passou realmente, e com um sortimento de salgados e doces. Fez isso várias vezes. Ele gostava de conversar comigo, e um dia me questionou o fato de eu parecer ter uma formação intelectual incongruente com a posição social. Eu nem falava de nada intelectualizado, acho que ele se referia a meu português de escritor, que não consegui perder. Bem, eu me afeiçoara ao sujeito, a atenção de alguém nesses momentos, enfim... Eu revelei meu passado de escritor, pedindo segredo total, claro; ele até tinha ouvido falar no filme, prometeu que leria o livro. Aí passou a me trazer roupa velha, também. Eu sabia que ele estava só se livrando de coisas em que tinha que dar um fim, mas era um grande gesto, mesmo assim. Interrompeu a narrativa para dar algumas indicações do caminho, era um bairro afastado. Um dia, prosseguiu, ele me disse que tinha lido e tinha gostado muito do livro. Tinha uma pergunta a fazer: se eu não queria dar aulas de português a sua filha. A perspectiva de algum dinheiro de verdade me fez aceitar, embora não tivesse o menor jeito para ensinar gramática. Começaram as visitas semanais. Era uma mocinha de doze anos, estúpida como um jumento, percebi que não foi só um meio encontrado pelo seu Fabrício de me ajudar. Mas o que me interessou mesmo foi a mãe dela. Ela servia sempre um cafezinho, uns quitutes, uma quarentona com tudo em cima, seu doutor, e me olhava de um jeito! E eu, bem, fazia tempo que o máximo que eu comia era uma dessas craqueiras do centro, quando sobravam vinte mangos. Acontece que a mãe matriculou a filha na natação, no horário logo após as minhas aulas, e passamos a ficar com a casa para nós por algumas horas... o senhor imagina. Continua escutando: eles moram em uma casa com uma edícula minúscula, que estava alugada na época para um metalúrgico. A madama acusou o sumiço de uma joia, pôs a culpa no rapaz e o expulsou. Não sei se por si só, ou se instigado pela mulher,&amp;nbsp;Fabrício&amp;nbsp;me convidou para morar lá, por um aluguel bem camarada. E você está comendo a mulher do cara que te ajudou, interrompi. Mocinho, disse ele abaixando o volume do som, eu disse que se era pra me julgar que me deixasse quieto. Eu gosto de pensar que é uma forma de retribuir a ajuda, se bobear até ele pensa assim. Como? Eu acho que ele sabe. Suspirei, atônito. É aquela casa ali, vermelha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4976151040050569529?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4976151040050569529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4976151040050569529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4976151040050569529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4976151040050569529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/chao-pt4.html' title='Chão pt.4'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4290855653112741766</id><published>2012-01-14T22:07:00.000-08:00</published><updated>2012-01-17T16:02:31.321-08:00</updated><title type='text'>Chão pt.3</title><content type='html'>Onde você está, seu mau caráter? Calma Soninha, eu esqueci de avisar, eu... um colega me convidou pra jantar, e... Que história é essa Vini, você detesta todos seus colegas. É, mas ia ter uma confraternização, ficava chato... ficava chato recusar, desculpa não ter ligado, volto daqui a pouco, tá, beijo. Ele me fizera prometer que não revelaria para absolutamente ninguém tê-lo encontrado. Ela vai me encher o saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele saboreou a única refeição decente em sabe-se lá quanto tempo, em silêncio. Respirou fundo, dr. Vinícius, o senhor tem um cigarro? Eu não fumo, mas pedi ao garçom um maço. Ele sacou uma caixa de fósforos e acendeu um cigarro. O garçom veio furioso lembrá-lo da proibição. Mas eu sempre venho a este restaurante e fumo! Meu senhor, então faz muito tempo que o senhor não vem aqui, e empinou ainda mais o nariz. Ele saiu restaurante afora com o cigarro aceso, suscitando protestos. Eu o segui. Ele fumava na entrada do restaurante, e isso também nada agradava ao maître, que abriu um portão lateral para que ele fumasse nos fundos. Entretanto nós paramos no corredor lateral, e janelas basculantes altas davam obviamente para o salão do restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um filé desses só não é melhor que uma trepada. O álcool fez efeito em sua língua. Eu já comi muita mulher, sabe dr. Vinícius, eu pedi que dispensasse o título, que eu já sabia desde sempre ser sarcástico, já fodi muito. Já fodi jovem e velha, magra e gorda, já fodi loira e morena, ruiva e japonesa, já fodi namorada, puta, esposa, amiga. Uma vez, no Pará, jovem, eu conheci uma criatura fantástica: ela me fez gozar três vezes, sem intervalo. O amor de uma profissional tem às vezes essa intensidade, mas é só um divertimento perto de uma boa trepada com alguém que importa... Eu tive muitos amores, meu amigo, eu sou bom de cama, sabe, tenho um talento natural de convencer as mulheres... Ele ia se entusiasmando, e disse, quase gritando, uma frase que não reproduziria aqui. No instante seguinte o maître lá estava para nos expulsar. Eu nunca mais poderia frequentar aquele lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me dá um cigarro. O senhor não fuma. Só o fuzilei com o olhar e ele me deu. Fazia quase três anos, seu Carrasco. Não me olhe assim, eu te economizei uma grana. Sabe o que a gente vai fazer com essa grana, doutor? Estávamos entrando no carro. Vamos comer umas putas! Ah, de jeito nenhum, eu não posso gastar dinheiro com isso. Mas você já gastaria com o restaurante, de qualquer forma; vamos lá, você já está fodido com sua esposa mesmo. Fazia algum sentido. Com uma condição: você vai responder qualquer pergunta que eu fizer. Eu topo, chapa. Faz o seguinte, pega a perimetral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um lugar horrível, a decoração tão brega quanto sempre, de terceira categoria. As moças eram feias pela maior parte, a caipirinha era caríssima e muito mal feita. Sentamos numa mesa perto do palco. Uma moreninha subiu para fazer strip. Então você diz que também escreve. Ah, muito mal, foi coisa de juventude. Você, parou de escrever? Ele não respondeu, fez sinal a uma falsa loura que lhe veio sentar no colo. Eu estava disposto a lembrá-lo do trato quando ele enunciou um não escrevo mais solene. Onde você mora? Moro em uma edícula sem janela atrás da casa de um padeiro. Você não recebe mais nada pelo Coito Interrompido? Meus credores ganharam meus direitos na justiça. Luís, você já ouviu falar na existência de advogados? Não importa, seu doutor (ele entendeu o pedido ao contrário), eu podendo comer como dá e comprar minha cachaça tá muito bom. Mas você não se esforça pra sair dessa situação? Você poderia ser professor, tradutor, um monte de coisas! É uma opção filosófica, filho. Antístenes. Só o cinismo salva. Porque qualquer convenção social é idiota demais pra ser levada a sério. Incluindo o sexo, e fez sinal a uma mulatinha, que veio render a falsa loura. Com ela ele trocou algumas palavras e em pouco tempo entravam para um quarto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4290855653112741766?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4290855653112741766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4290855653112741766' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4290855653112741766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4290855653112741766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/chao-pt3.html' title='Chão pt.3'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-7397678973288398464</id><published>2012-01-14T11:27:00.000-08:00</published><updated>2012-01-14T13:04:06.554-08:00</updated><title type='text'>Chão pt.2</title><content type='html'>Seu Carrasco!, eu gritava, enquanto ele se afastava, mas sem pressa. Desci do carro, ele me encarou. Você é da tevê? Não! Eu era... eu sou um admirador seu, olha aqui. E afastei a capa para mostrar a dedicatória. Vamos conversar? Ele me fitou desconfiado por uns instantes. O semáforo ficou verde, o motorista atrás de mim, depois outros, começaram a buzinar; gente estressada. Me paga um parmegiana. Claro, entra aí. Seu Carrasco, eu mal pude... Luís. Luís, eu mal pude, eu não acredito até agora... Rapazinho, se você me chamou pra me julgar, pode encostar aí que eu desço e janto sardinha de novo. De forma alguma, calma, eu só quero entender, ajudar no que possa. E se é pra me tratar com condescendência, vale o mesmo. Não, putz... faz assim: eu não vou perguntar nada, você diz o que quiser. E calado ele ficou, com o próprio livro entre as mãos. Até que percebi uma lágrima furtiva que ele enxugou com as costas da mão direita. E olha pra frente! Eu conto, depois que você pagar um uísque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei o carro num estacionamento privado, era uma região um tanto metida a besta, e tive que acenar desafiadoramente ante pelo menos um olhar de reprovação pela companhia "desqualificada". Meu orçamento não me permitia comer ali com frequência, mas eu sabia do que Luís sentia falta, e aquele era o melhor parmegiana da cidade. Ele disse exatamente isso, sorrindo pela primeira vez. O maître foi outro a olhar com desdém. Eu pedi uma mesa reservada, ele atendeu contrariado. Dois uísques e duas águas com gás. Duplo, caubói. Dois duplos sem gelo, e duas águas. Sim, com gás. Ele folheava a esmo enquanto esperávamos. Parmegiana para dois. Esse livro, ele começou após a primeira golada, me esgotou. Me consumiu. Foram três anos por conta dele, quer dizer, reduzi minha atividade acadêmica a um mínimo, e nem isso levava muito a sério. Os alunos gostavam, sabiam que iam passar sem dificuldade. Bando de medíocres. Eu tirei férias para fazer pesquisa no Norte, acabou sendo um mês de putaria, o que é exatamente o que eu buscava. Mas aquele envolvimento, aquele entusiasmo, eu nunca mais terei. Então essa situação atual não é apenas pesquisa para a próxima obra?, arrisquei, apesar da promessa. Ele fez vibrar os lábios, sarcástico. Eu posso ser profissional, mas não tão profissional. Não, eu não sou mais escritor... eu não sei seu nome. Vinícius. Pois bem, Vinícius, o que você quer é saber como estou nesta merda. Vamos lá. Você não é jornalista, é? Saquei a carteira e mostrei a identidade de advogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele respirou fundo. Coito Interrompido foi um tremendo sucesso, como nem eu esperava. Eu me tornei praticamente uma celebridade. Depois do filme então, aí sim começou a entrar uma grana séria. Começaram as desavenças com minha mulher, que insistia para que aplicássemos, investíssemos em tal ou tal coisa. Mas o dinheiro vinha do meu trabalho, e eu sabia muito bem como empregá-lo. Rapidamente me acostumei a usar os serviços de acompanhantes mais caros, ao menos duas por semana. Descobri o jogo clandestino, que foi minha ruína eventualmente. Quanto mais experimentava estratégias para a roleta, quanto mais ganhava duas ou três rodadas seguidas, mais eu aumentava as apostas. Mas estou me apressando. Sinalizou o copo vazio e eu chamei o garçom, que atendeu com uma cara azeda. Não resisti. Saiba que este é um dos melhores escritores brasileiros da atualidade! Mas, meu senhor, eu não disse nada, com licença. Luís me olhou furioso. Não faça isso novamente, você está tentando me humilhar? Desculpa, não suporto esse tipo de... enfim, prossiga. Pois eu era uma celebridade literária, grande porcaria. Isso se refletia na universidade, minhas aulas eram concorridas, eu comecei a ficar arrogante, o velho clichê; mas aquelas jovens de repente se derretendo por mim, como eu ia resistir? Até que deu merda. Porra, ela parecia ter pelo menos vinte e três, não sei se pelo tamanho; era uma delícia de loira, e até que fazia comentários bem pertinentes, também não me tratava com uma veneração basbaque, tinha aquele sorriso sereno. Com essa eu comecei a me envolver, já fazia uns dois meses que a gente se via, quando a polícia me procurou em minha sala. Os pais dela eram evangélicos, ela supostamente também, e quando souberam que sua ovelha de dezessete anos, recém completos, tinha sido seduzida por um velho tarado (e eu reconheço ser um velho tarado), não tiveram dúvidas, e essa foi minha primeira confrontação com a lei. No fim eu só paguei umas cestas básicas, mas obviamente minha mulher ficou furiosa, e a custo me perdoou, e o departamento também não gostou nada. Deixei o processo administrativo correr à revelia, na verdade deixei tudo correr à revelia e não apareci mais lá. Nessa época eu já estava bebendo cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre entrava uma graninha, o livro teve algum sucesso em quatro traduções, mas meu estilo de vida rapidamente consumia isso e eventualmente consumiu tudo, ou quase tudo, que havia acumulado. Eu escrevia cada vez menos, e a qualidade era obviamente inferior, eu mesmo percebia. Eu apenas me repetia, até que cansei de vez. A entrega que eu dedicara à literatura agora eu dedicava à devassidão. Eu me endividei, e passei a acreditar que publicando outro volume, ou acertando o 17 em cheio, tudo se resolveria. A editora achou que meu nome era ouro por si só e publicou um monte de bobagem, novas e antigas - refugo que com razão eu descartara. Eu li, atalhei, é mesmo lixo. Obrigado. Bem, eu comecei a receber ameaças, e resolvi andar armado. Um dia fui pego dirigindo bêbado e o trabuco no porta-luvas me rendeu uma confusão dessa vez bem mais séria com a polícia. Minha mulher teve que pedir ao pai dela a quantia da fiança, mas em mim mesmo ela perdeu de vez as esperanças. Ela tinha como pagar um bom advogado, eu mal podia pagar um parmegiana como este (que estava sendo servido) e o dinheiro que eu mantinha na conta conjunta para manter as aparências ficou todo para ela, assim como o apartamento. Eu disse que nessa situação ele mesmo podia requerer pensão. Ficou olhando pensativo. Chacoalhou a cabeça: não quero nada daquela megera. Vamos saborear este filé em paz, por enquanto. Obedeci.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-7397678973288398464?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/7397678973288398464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=7397678973288398464' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7397678973288398464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7397678973288398464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/chao-pt2.html' title='Chão pt.2'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8082675727404839810</id><published>2012-01-12T22:36:00.000-08:00</published><updated>2012-01-12T22:36:12.934-08:00</updated><title type='text'>Chão pt.1</title><content type='html'>Eu estava atrasado para uma consulta médica. O semáforo ficou amarelo, eu estava um pouco longe; ainda acelerei, mas vi que era arriscado demais: havia fiscalização eletrônica. Maldisse a sorte, mas pensei que esses médicos sempre nos fazem esperar mesmo. Olhei instintivamente para o carro à direita, eu estava na faixa de fora; era um coroa gordo. Olhei pra fora da minha janela e tinha um sujeito vendendo pano de chão. Barba por fazer, cabelos grisalhos desgrenhados, uma camisa azul, que conhecera dias melhores, calça de moletom cinza, rasgada no joelho direito, e tênis de corrida que deviam ter dado a volta à terra. Passou por mim apregoando tantos por tanto, e recusei maquinalmente. Mas voltei a enquadrar seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível! Mas não podia haver dúvida. Ele já estava abordando o terceiro carro da fila, buzinei duas vezes, ele percebeu e veio correndo. Era ele. Eu sou bom fisionomista. Cinco anos antes, talvez seis ou no máximo sete, eu tive que esperar numa fila para trocar poucas palavras com ele, elogiar seu livro, e ter meu exemplar autografado. Sei de cor a dedicatória: "a um jovem escritor, perseverança no caminho das belas letras", em letras de forma, com uma assinatura simples, um traço que subia, descia e voltava para o centro, como duas pás de uma hélice, representando remotamente uma letra L. Seu romance foi um sucesso, muito mais depois que foi adaptado para o cinema, mas eu já o conhecia anteriormente por seus volumes de contos. Tinha um estilo que eu, um humilde aspirante, como a ele confessei, tentava em vão imitar. Sabia usar a informalidade e mesmo a vulgaridade com muito bom gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro e o filme lhe deviam ter rendido um bom dinheiro. Talvez por isso tenha demorado para voltar a publicar, mas confesso que nem cheguei a terminar seu último livro: era muito abaixo de seus padrões. De qualquer forma, quem iria esperar que sua decadência fosse tão completa que um admirador seu fosse eventualmente comprar dele panos de chão, em um semáforo qualquer do centro da cidade? Pois foi o que fiz. Não tive coragem de perguntar aquilo que já sabia. Mas perguntei a primeira coisa que veio à mente: você está sempre aqui? Quando ele começou a responder, o sinal já estava verde e o motorista atrás de mim já buzinava. Na hora do almoço e no fim da tarde, foi o que disse. Eram onze e quinze já, o médico ia encher meu saco, foda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ir trabalhar, passei em casa para buscar meu almoço. Fui até a estante e achei o volume. Tinha pouco mais de trezentas páginas, a edição era bonita, com uma capa escura e acetinada. O nome estava lá, em letras vermelhas, e no frontispício a mensagem de encorajamento. Eu obviamente desisti logo de ter literatura como um ganha pão, aliás nem por diletantismo eu a praticava ultimamente: tornara-me um advogado medíocre que suava para pagar aluguel e prestação do carro; não fosse por minha esposa estava frito. No escritório, nas pausas que fazia lia alguma passagem ou outra. Que verve. A crítica na época o louvava como o Bukowski brasileiro, alguns viam tons machadianos, mas ele nunca foi um imitador, tinha um estilo único. Alterei meu trajeto na volta, aliás, não estava exatamente voltando, não a minha casa ao menos. Tive que encostar o carro, pouco antes do semáforo, para garantir que ficasse retido, liguei o pisca-alerta. Um idiota passou buzinando, vai à merda. No amarelo, arranquei, estava na faixa central e fiquei sendo o segundo da fila. Lá estava ele. Buzinei duas vezes, ele tinha uma expressão de curiosidade ao me reconhecer. Talvez tenha pensado que eu era homossexual e queria propor alguma coisa. Pronunciou um diga patrão seco, algo que soava forçado em sua boca. Eu peguei o livro no banco do passageiro e mostrei a ele. &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8082675727404839810?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8082675727404839810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8082675727404839810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8082675727404839810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8082675727404839810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/chao-pt1.html' title='Chão pt.1'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-1271068037219924100</id><published>2012-01-10T22:09:00.000-08:00</published><updated>2012-01-12T18:48:59.173-08:00</updated><title type='text'>Rupturas</title><content type='html'>Vivia já há dezesseis anos naquele apartamento. Havia um escritório, com quatro estantes, daquelas de aço esmaltado: uma para os livros do meu marido, pouco mais de metade ocupada, uma para meus livros, repleta, os restantes estando na terceira, da qual duas prateleiras eram ocupadas por uma desordem imensa de papéis acumulados. Minha tarefa para a tarde era percorrer cada item, separando o que era meu, dele ou do lixo. Havia muito material acadêmico, que não podia jogar fora, mesmo que provavelmente nunca mais fosse consultado. Havia três anos inteiros de um periódico estrangeiro, para o qual vale o mesmo. Muita coisa do trabalho dele, da escola do Guilherme, fiquei em dúvida... eram tantas recordações boas! Uma certa angústia me tomou. Carlos me deixara, sem razão aparente; disse que estava esperando o Gui crescer, e esperou até bastante: ele tinha 22. Mas em nenhum momento seu carinho parecera diminuir, pelo contrário, estava até mais caloroso recentemente. Como entender os homens. Quando voltei à lida, esbarrei em um pacote com convites de casamento; cruel ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns eram de parentes, meus e deles, mas quatro me chamaram a atenção: eram de amigos próximos, gente que frequentava a casa. Nenhum casal seguia unido, e nós mesmos nos juntávamos ao clube, no ano das bodas de prata. A Selma tinha estudado comigo, Ciências Sociais. Ela acabou virando funcionária pública, e foi no Ministério que conheceu o Arnaldo, um cara muito bacana também. Eles batalharam, compraram um lote num condomínio irregular, construíram aos poucos, tiveram o Jorginho e em seguida a Vilma, eu lembro quando fomos juntos pra Pirenópolis. O Carlos passou o fim de semana emburrado porque teve que abrir mão do show do Paulinho da Viola, mas a verdade é que ele nunca foi muito com a cara do Arnaldo, que - entre eles - ficava contando vantagens de mulheres, quiçá imaginárias, que tinha tido. Carlos sempre foi um cara tímido e teve poucas namoradas, talvez por isso tenha se apressado tanto em se casar comigo. Os dois fizeram um churrasco quando a casa ficou pronta, ou quase pronta. Uma amiga minha que morava em São Paulo estava me visitando, e ela foi conosco. Paula era muito bonita, é até hoje, e a Selma começou a prestar atenção no modo como Arnaldo conversava com ela; com razão. E ficou tão desconfiada depois daquele dia que começou a perceber sinais, que devia mesmo ter sido muito tonta para ignorar. O mulherengo não tinha nem o cuidado de evitar usar seu telefone para suas escapadas, e por aí foi pego. Tiveram que vender a casa para repartir o dinheiro, Selma ficou com os filhos e ele hoje recebe metade do salário. Os dois nem sempre conseguem evitar de se esbarrar no Ministério, não se falam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes reuníamos gente em casa. Para conversar, ouvir uma musiquinha, tomar um vinho e comer um queijo. Um dia, a Selma estava, sem o Arnaldo, eu tinha chamado outra professora do departamento, a Joana, nós nem éramos assim tão próximas, mas ela acabara de chegar a Brasília e não conhecia ninguém. O Carlos chamou um colega também, o Próspero, os dois disputavam uma promoção, na época, o Carlos acabou conseguindo. Os dois, solteiros, não demoraram muito em iniciar uma conversação, e foram ajudados pela origem comum: eram do Rio Grande do Sul. Depois que se despediram, nós olhamos pela sacada e vimos os dois se beijando encostados ao carro dele. Em pouco mais de um ano estavam noivos, e casados dali a seis meses. Pareciam muito felizes, e voltavam aqui amiúde, sempre nos agradeciam por os ter apresentado. Não tiveram filhos, ela ainda queria fazer um doutorado antes. Ele também se sentia estagnado, e decidiu fazer um MBA no exterior. Mas ele queria Estados Unidos e ela foi aceita na França. Surgiu o impasse. Decidiram levar adiante, à distância, revezando: cada mês um cruzava o atlântico. Durou um ano: ela não resistiu aos encantos de um Jean-Pierre qualquer e sua baguete debaixo do braço. Ele ficou inconsolável, mas terminou o curso e hoje está bem profissionalmente, em São Paulo, ela ainda está em Lyon, pós-doc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí um dia a Paula me disse que ia se mudar pra Brasília, passara num concurso. Ela eu conhecia desde criança, lá em Pernambuco. Ela é pouca coisa mais nova que eu, mas parece ser bem mais jovem; já disse que é uma mulher muito bonita. E sempre teve prazer em seduzir os homens, um talento natural. Ocorre que ao chegar certa idade, ela mesma se cansou de jogos inconsequentes, sentiu falta de alguma segurança. Sempre se abria comigo, sua confidente. Mesmo assim, eu não esperava dela que viesse de repente me apresentar o Ricardo, quase trinta anos mais velho e obviamente muito rico, juiz aposentado. Casaram-se oito meses depois de se conhecerem, e oito meses depois ele, obeso, sedentário e tabagista, teve um enfarte fulminante. Ela conseguiu a segurança que almejava, e pertencendo agora às rodas da alta sociedade, foi inclusive amante de um político famoso. Mas um dia, em uma festa, encontrou o Arnaldo, que conhecera naquele malfadado churrasco. Ela mal se lembrava dele, mas ele nunca esquecera aquela morena, e tratou de exercitar seus dotes de galanteador. Saíram de lá para o apartamento dela, e na semana seguinte ele já morava lá. Dois meses depois ela anunciou que estava grávida: fizera de propósito, não podia esperar se queria mesmo uma criança. Como dois adolescentes, casaram-se às pressas. Rosa nasceu prematura, por pouco não sobreviveu, e tinha sempre uma saúde frágil. Por isso mesmo Arnaldo não se conformava em &amp;nbsp;ver Paula sair pelo menos uma vez por semana para jogar cartas, deixando a criança aos cuidados da babá. Como ele mesmo, ela foi descuidada, e não demorou a ficar claro que ela seguia vendo o tal político. Arnaldo cogitou aceitar a situação, pensava principalmente em seu contracheque, mas era orgulhoso demais, e o casamento se desfez. Hoje ele dá aulas para complementar o orçamento, ela é uma diva dos altos círculos da capital - correm boatos escabrosos quanto a sua reputação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu prosseguia o trabalho entregue a essas reminiscências, meu filho chegou em casa, vindo da casa da namorada. Pensei em aconselhá-lo um pouco: que não fizesse nenhuma besteira, não se apressasse. Mas para quê? Todos temos que cometer os erros que nos cabem, e se ficar um saldo de bons momentos, que importa que não dure para sempre. Para sempre? Que pretensão. Afinal, será bom mesmo ter o mesmo companheiro a vida toda? No mais da vezes não é só uma conveniência, uma fachada? E me senti feliz de ter vivido um quarto de século com o Carlos. E pensei involuntariamente naquele professor da Filosofia, que &amp;nbsp;me convidava para almoçar e declarava uma admiração intelectual que bem sabemos o que significava. Gui entrou no escritório. Tá tudo bem? Tá, tudo tranquilo. A Ritinha tá bem? Sim, ela viajar com os pais pra Europa. Ah, que legal. Olha, filho... Mãe, eu preciso dizer uma coisa. Minha espinha gelou. Que fosse, a vida é dele. Pode falar, filho. O papai... me pediu pra conversar com você. Ufa! Você talvez... Diga. Ele vai se casar de novo. Como! Faz um mês que nos separamos! Pois é, e... é alguém que você conhece. A ideia caiu como um raio. Não podia ser. Ele soube interpretar meu olhar de espanto. É ela mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-1271068037219924100?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/1271068037219924100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=1271068037219924100' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1271068037219924100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1271068037219924100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/rupturas.html' title='Rupturas'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-916720846107943985</id><published>2012-01-10T03:01:00.001-08:00</published><updated>2012-01-10T03:01:33.652-08:00</updated><title type='text'>Volapük - Dunaj</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/Fso_R5DkMbw" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: #ebebeb; color: #333333; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;"&gt;Album: Slang! [1997]&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: #ebebeb; color: #333333; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: #ebebeb; color: #333333; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;"&gt;Guigou Chenevier - Drums, Marimba, Voices, Clavier, Sanza&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: #ebebeb; color: #333333; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: #ebebeb; color: #333333; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;"&gt;Takumi Fukushima - Violin&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: #ebebeb; color: #333333; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: #ebebeb; color: #333333; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;"&gt;Guillaume Saurel - Flute, Engineer, Violoncello, Mixing&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: #ebebeb; color: #333333; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;" /&gt;&lt;span style="background-color: #ebebeb; color: #333333; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;"&gt;Michel Mandel - Clarinet, Clarinet (Bass), Taragat&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-916720846107943985?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/916720846107943985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=916720846107943985' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/916720846107943985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/916720846107943985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/volapuk-dunaj.html' title='Volapük - Dunaj'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/Fso_R5DkMbw/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5722260205033107156</id><published>2012-01-07T13:22:00.000-08:00</published><updated>2012-01-08T06:38:37.638-08:00</updated><title type='text'>Negócios, Como Sempre pt. 3</title><content type='html'>A tênue luz de uma lâmpada incandescente foi ofuscada por uma claridade de dia. Aquele que parecia ser o líder dos brutamontes pôs metade do corpo para dentro e acenou com a cabeça. Havia duas fatias de pão com manteiga e uma caneca de café sobre a mesa; sentou-se. Charles veio de outro quarto, tomou outra cadeira e desejou bom dia, sem resposta. O senhor recebeu um bônus pela sua descoberta, Floods? Isso representa o que, dez por cento do lucro que eles terão em um único mês? Jeff olhava com ódio para o homem grisalho. Eu não entendo tanta lealdade, sinceramente. Basta que o senhor me explique a síntese da serenina, e sairá ileso. O senhor e... e tirou de dentro do sobretudo uma pequena bolsa de couro vermelha, com detalhes em metal dourado. Era apenas uma confirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixem Kathlyn fora disto, seus monstros. Com prazer, Floods, basta me ensinar seu truque. É complexo demais para explicar, ao menos sem todo o relatório. Consiga então o relatório. Eu já disse, ele é protegido por três senhas... Isso é balela, Floods, quer me convencer de que não tem acesso a sua própria pesquisa? Nós conhecemos o funcionamento da Alora. Nós temos gente nossa lá. O senhor pode acessar seus arquivos remotamente, Jeffrey, não é verdade? Ele redobrou o olhar de desprezo, pela intimidade do primeiro nome e por ter sido posto a nu. Apenas em conexões autenticadas. Isso não é um problema; o processamento de dados funciona em fins de semana, o senhor vai ligar e dizer que precisa acessar a base de dados de sua casa de veraneio. Empurrou um telefone através da superfície da mesa.&amp;nbsp;Eu quero falar com Kathlyn! Charles olhou para o líder dos capangas, que sacudiu a cabeça negativamente. Ela está bem, prosseguiu, mas pode não estar em breve. Olhou para o mascarado que acompanhava cada movimento de Jeff, o qual sacou de um coldre uma arma de choque, que aplicou incontinenti ao pobre cientista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faça a ligação, Jeffrey! O senhor não tem alternativa. Ele havia caído da cadeira, e levou alguns segundos para se recuperar. Foi auxiliado a se sentar novamente. Tomou o telefone, tremendo. Eu não sei número de memória! Já está aí, basta pressionar o botão verde. Respirou fundo e pensou: que reputação eu posso ter a defender se o que eu quero é mesmo escapar para bem longe? Que futuro eu posso almejar numa corporação que provavelmente daqui a alguns anos vai me demitir para contratar outro jovem promissor por bem menos? Recobrou o sangue frio, depositou o telefone novamente na mesa. Charles, meu caro. O senhor tem toda razão. A Alora não me remunera de acordo com a importância da minha descoberta. E tem mais: daqui a alguns meses quando a nova técnica for adotada em escala industrial, vai ser algum executivo quem vai aparecer em revistas contando sua história de sucesso. Uma coisa se pode admirar na sua organização: a lealdade é recompensada. Sem circunlóquios, Jeff, vá direto ao ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu quero dizer é que, sim, eu posso acessar a base de dados da Alora. Entretanto, por uma medida de segurança, há várias versões do relatório. Charles e o líder dos capangas trocaram um olhar. Eu poderia simplesmente descarregar um dos documentos falsos, inventar uma explicação plausível e salvar minha pele e a da minha esposa. Vocês só descobririam ao tentar produzir. Isso é mais um blefe, Sr. Floods, Charles retomou a formalidade. Se fosse? Vocês só têm um jeito de descobrir, não? E por que então nos diria isso em vez de simplesmente levar adiante a manobra diversionista? Porque não quero mais trabalhar para a Alora. O mascarado-mor, que até então não lhe tocara, pegou-o pelo colarinho; os olhos castanhos já não expressavam calma. Que espécie de truque é essa, Floods? Permita-me explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kathlyn tomava sol dentro de um maiô verde, sobre uma espreguiçadeira de vime, propriedade de um resort dos mais exclusivos, onde os abonados de um país emergente descansavam da rotina estafante de gastar muito dinheiro. Jeff agora pertencia a esse time, e saboreava um martini enquanto vigiava o filho brincar na piscina. Era proprietário de uma indústria farmacêutica de porte intermediário. Contudo, sua renda maior provinha de outra atividade: protegido pela identidade de respeitável empresário, comandava a produção e a distribuição internacional de um cobiçado fármaco que, graças a ele, podia ser produzido sem grande sofisticação, clandestinamente. Jeff sentiu sincero pesar ao saber que a Alora Inc. declarara concordata. Ele apagara seus arquivos da base da empresa e os vendera a uma rival.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5722260205033107156?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5722260205033107156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5722260205033107156' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5722260205033107156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5722260205033107156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/negocios-como-sempre-pt-3.html' title='Negócios, Como Sempre pt. 3'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-6407383294715742970</id><published>2012-01-06T22:11:00.000-08:00</published><updated>2012-01-08T06:36:37.952-08:00</updated><title type='text'>Negócios, Como Sempre pt. 2</title><content type='html'>Acordou sobressaltado com alguém batendo palma bem em frente a seu rosto. Seu corpo doía, pela posição inadequada e pelo rapto violento horas antes. Consultou instintivamente o relógio: passava pouco das três. Haviam posicionado uma poltrona à sua frente, na qual se sentava, encarando-o com um ar de escárnio, um senhor de meia idade, pouco mais velho que ele mesmo; não cobria o rosto. É um prazer enorme conhecer um colega tão brilhante, Sr. Floods. As informações que temos são deveras promissoras. Mas não há por que nos apressarmos, o senhor aceita um chá? Jeff assentiu com a cabeça.&amp;nbsp;E o estranho sinalizou a um dos capangas; traga um copo d'água também. Com muito vagar, cortou e acendeu um charuto enorme.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu sei que o senhor não fuma.&amp;nbsp;Aceita talvez um... destes? E sacou do bolso do sobretudo um comprimido azul-esverdeado. Vai ajudá-lo. Jeff esfregou os olhos, espreguiçou-se, e estendeu a mão direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram um copo d'água e duas canecas com a etiqueta do saquinho dependurada para fora. Jeff reconsiderou e disse que não tomaria o comprimido, ao menos por agora. Sabia que o remédio era de uso controlado por bons motivos: teria, ou poderia ter, após cessado o efeito tranquilizador, taquicardia e sudorese, e que se rebatesse a dose teria problemas de sono e eventualmente até paranoia (podia pensar que alguém queria sequestrá-lo, esboçou um sorriso auto-irônico). Como preferir, meu caro. Bem, eu não me apresentei. Nem posso, espero que entenda. Mas pode me chamar de Charles por enquanto. Como disse, eu também sou químico, e tomei a liberdade de dar uma olhada... e fez sinal novamente, ao que trouxeram um computador "de colo", como dizem. Jeff reconheceu o aparelho e arregalou os olhos; significava que haviam entrado em sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jeffrey Portmouth Floods havia abandonado o ramo dos cosméticos para dedicar-se a um doutorado em psicofarmacologia, em uma prestigiosa universidade, e foi prontamente contratado pela Alora Inc. Um de seus primeiros projetos foi exatamente o que lhe traria tamanho infortúnio. Um medicamento que representava uma fonte importante de receitas para a corporação: tinha alto de valor de mercado, seja pela demanda oficial ou pela paralela, mas também alto custo de produção. A ideia era aperfeiçoar e baratear o processo de síntese, e Jeff logrou um avanço decisivo. O projeto era altamente sigiloso, mas pensando bem agora, tivera uma conversa no restaurante da sede - que lhe parecia seguro - em que celebrava seus resultados. Era a única explicação para que a informação, tão recente, tivesse vazado. Os tentáculos da máfia farmacêutica eram implacáveis, e eles também buscavam uma forma barata de produzir a serenina, uma vez que, as coisas como estavam, saía mais barato pagar os costumeiros subornos para obter a droga do que fabricá-la nos laboratórios clandestinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do bolso da camisa, tirou o comprimido e alcançou o copo d'água. O temor pela segurança da esposa o desestabilizava ainda mais. Providenciaram uma cadeira para o computador, e Charles mostrou a Jeff uma tela que ele conhecia bem. Aquela era uma parte acessória da pesquisa, quanto a isso estava tranquilo.&amp;nbsp;Por isso, não exitou em explicar ao, por assim dizer, colega o processo químico que na verdade apenas evitava a degeneração de uma substância intermediária. Mas a pergunta inevitavelmente veio: como transformar um benzodiazepínico corriqueiro na droga revolucionária, e sem o concurso de uma enzima que apenas podia ser obtida de pacientes em morte cerebral. Jeff insistia no silêncio; Charles se levantou e foi até a mesa onde deixou a caneca e o charuto, em um cinzeiro. Apenas deu de ombros, e Jeff foi brutalmente espancado por dois dos soldados rasos. Jogaram-no em um quarto sem janelas, com nada mais que um colchão e um jarro de água. A um só tempo, estava emocionalmente desesperado e quimicamente apaziguado. Pensava na esposa e como abandonaria tudo para mudarem-se para a América do Sul, uma vez findo o pesadelo. Não pôde dormir o resto da noite, até que abriram a porta na manhã seguinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-6407383294715742970?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/6407383294715742970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=6407383294715742970' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6407383294715742970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6407383294715742970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/negocios-como-sempre-pt-2.html' title='Negócios, Como Sempre pt. 2'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5303652611782241160</id><published>2012-01-06T02:04:00.000-08:00</published><updated>2012-01-12T13:52:52.205-08:00</updated><title type='text'>Negócios, Como Sempre pt.1</title><content type='html'>Lembrou-se dos amigos que o esperariam em vão para um jogo de cartas, logo após tomar a segunda bofetada, com as costas de uma mão enluvada. Obviamente pensava no desespero que viveria sua jovem esposa desde o momento em que foi abordado por três mascarados e jogado dentro de uma van de carga. Foi saindo da sede da empresa, já de noite, numa rua pouco movimentada que precisava tomar para chegar à estação de metrô. O líder dos sequestradores, que em momento algum pôs as mãos nele, voltou a perguntar pelos arquivos. À medida que o veículo fazia curvas, ele, de mãos atadas, era jogado de um lado para o outro. Em seu estado de pânico, era difícil pensar em respostas que lhe ganhassem tempo sem comprometer o segredo industrial de sua recente descoberta. Respondia que não estavam em seu computador portátil, o que era verdade - nenhuma empresa o permitiria - e foi finalmente constatado pelo terceiro bandido, que jogou o aparelho pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naqueles tempos, havia uma indústria farmacêutica bilionária, e uma contraparte que não ficava atrás, apenas funcionando no subterrâneo, no nexo do crime organizado. Não só esta fazia troça de patentes de medicamentos comuns, mas lucrava principalmente com drogas ilícitas, que surgiam e eram proscritas a uma taxa assustadora, bem como suprindo uma demanda reprimida por medicamentos controlados. Como sempre, essas drogas nasciam no âmbito científico, com a melhor das intenções geralmente, e escapavam de todo controle: as organizações criminosas tinham bons profissionais, métodos eficientes, e nenhum escrúpulo, como já pudemos constatar.&amp;nbsp;É o caso da serenina, substância sintetizada pelo laboratório onde Jeff Floods trabalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A van finalmente parou; a porta foi aberta e ele foi arremessado para fora, caindo de cara num chão de cascalho fino. Um pouco de sangue escorria de sua boca. Recebera pancadas cada vez mais fortes ao replicar às ameaças dizendo que o relatório de sua pesquisa estava no computador central da corporação farmacêutica, sob três senhas das quais ele só tinha uma, o que era invenção sua - mas eles não poderiam verificar no momento. O líder aproximou seu rosto mascarado do dele - Jeff só viu distintamente os olhos castanhos, calmos como os de um sacerdote. De um jeito ou de outro nós conseguimos o que queremos, Sr. Floods. É melhor cooperar. A um sinal, os dois capangas o arrastaram para dentro de uma casa, muito afastada de qualquer outra, de arquitetura antiga; foi depositado em um sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediu água. Trouxeram e desataram-lhe as mãos. Como queria agora ter um comprimido de serenina.&amp;nbsp;Verdadeira droga milagrosa, tinha o efeito de desativar os circuitos da ansiedade, e era usada de modo bastante restrito em hospitais psiquiátricos, mas rapidamente os usuários de drogas sintéticas, psicodélicas especialmente, descobriram que o uso associado de serenina garantia uma viagem confortável. Num segundo momento, pessoas que rechaçariam com horror a pecha de "drogado" passaram a municiar-se de um comprimido para qualquer situação estressante. Ligaram uma televisão: beisebol; ele não conseguia prestar atenção. Por momentos intermináveis, ficaram todos lá, em silêncio, ele mal abafando os soluços. Súbito, um quarto homem chega, trazia pizzas. Ele está vindo, anuncia. Revezavam na sua guarda, para comer, e ofereceram o que sobrou. Jeff não tinha apetite, e exausto, acabou adormecendo dali a instantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5303652611782241160?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5303652611782241160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5303652611782241160' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5303652611782241160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5303652611782241160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/negocios-como-sempre-pt1.html' title='Negócios, Como Sempre pt.1'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-6481539541985183682</id><published>2012-01-04T20:27:00.000-08:00</published><updated>2012-01-05T19:21:32.431-08:00</updated><title type='text'>Saco de Maldades</title><content type='html'>Piloto de um&amp;nbsp;programa que deve ir ao ar na &lt;a href="http://muda.radiolivre.org/"&gt;Rádio Muda&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="94" width="422"&gt;&lt;param 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href='http://leosfera.blogspot.com/2012/01/matt-groening-sobre-o-trout-mask.html' title='Matt Groening sobre o Trout Mask Replica'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/2JxBppgIB0w/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-1017235569531990783</id><published>2011-12-25T05:33:00.000-08:00</published><updated>2011-12-25T19:14:57.744-08:00</updated><title type='text'>O Espírito</title><content type='html'>Era um condomínio de luxo, um pouco afastado de determinada metrópole. Um dispositivo no automóvel, um utilitário-esporte,&amp;nbsp;emitia um sinal que fez abrir automaticamente a cancela. Aristide já havia afrouxado o nó da gravata e aberto o primeiro botão da camisa. Sua posição e a peculiaridade do ramo o forçavam a trabalhar na véspera de Natal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cozinha, Angélica comandava uma equipe de três assistentes que deviam preparar cada detalhe para uma noite magnífica: era quem mais dava importância ao Natal. Um pernil estava sendo levado ao forno, mais tarde um tradicional peru também seria assado e ambos seriam ricamente adornados e guarnecidos de arroz com passas, batatas gratinadas, farofa, salpicão, uma exuberante salada, além de castanhas das mais diversas, importadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala, uma árvore enorme, ou uma armação metálica coberta de plástico verde e apinhada de bolas vermelhas e douradas, estava cercada de embrulhos de diversos tamanhos. Um&amp;nbsp;Papai Noel de pelúcia comandava um trenó puxado por renas do mesmo material. Felícia, a do meio, assistia à televisão tomando sorvete, sentada no sofá de couro branco. Era uma linda jovem&amp;nbsp;com duas décadas&amp;nbsp;de uma vida confortável. Estendida sobre o tapete persa, de bruços, Amália, a mais nova, conversava em seu notebook com uma amiga. Iniciava a adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um dos quartos, um rapaz de cabelos escuros, compridos, usando camiseta preta com estampa de banda de heavy metal e&amp;nbsp;jeans,&amp;nbsp;sentava diante do computador. Na tela, magos e guerreiros enfrentavam bestas e malfeitores. Hugo fez uma pausa e verificou se havia alguma mensagem. A angústia e a expectativa&amp;nbsp;iam se fazendo raiva&amp;nbsp;e despeito. Ele já detestava desde sempre o Natal, e&amp;nbsp;naquele em específico&amp;nbsp;estava frustrado pelo relacionamento que imaginava&amp;nbsp;estar tendo, e se desenvolvia bem na internet, mas que terminou antes de se concretizar na vida real. A última tentativa de salvá-lo sequer teve resposta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o mais velho, estava&amp;nbsp;terminando a faculdade de publicidade, era magro e razoavelmente alto, tocava guitarra numa banda, o nariz só um pouco grande demais; dava um bocado de trabalho aos pais, que tinham medo do meio musical e suas drogas. E detestava Natal. Não por isso deixou de pegar algumas castanhas quando foi beber água, sob protestos da mãe, que queria que se esperasse a noite para saborear o grande momento mais intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando Aristide entrou em casa. Amália se ergueu para receber um beijo na testa, Felícia desligou a tevê e o abraçou: era afetuosa. Foi até a&amp;nbsp;piscina, onde Angélica tirava uma pausa dos preparativos para fumar. Cruzou com Hugo, que esboçou um "oi, pai" burocrático, antes de voltar a se enfurnar no quarto mais uma vez. O casal se beijou e passou a compartilhar seja os detalhes da festa ou as atribulações do trabalho. Ele tomou banho e vestiu algo mais confortável, abriu uma cerveja. Felícia ligou para uma amiga, que morava ali no mesmo condomínio, e anunciou à mãe: "vou na casa da&amp;nbsp;Manuela depois da meia noite".&amp;nbsp;Amália seguia&amp;nbsp;na internet, Hugo jogava e Aristide lia. Às&amp;nbsp;sete horas, Angélica&amp;nbsp;saiu para levar cada empregada a sua casa, no sedã, cujo porta-malas estava repleto de cestas de Natal e brinquedos. Todos se prepararam, vestiram-se para a noite festiva, Hugo meio a contragosto: queriam que ele&amp;nbsp;ficasse como um playboy.&amp;nbsp;Quando a matriarca chegou e iniciou sua elaborada toalete, já começou a tocar o repertório de músicas natalinas (que davam nos nervos do primogênito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começaram então os telefonemas a parentes que moravam longe, os mesmos votos previsíveis. A aparelhagem de som deu lugar à tevê, com a ainda mais previsível programação natalina. Angélica teve que admoestar Hugo, que usava fones de ouvido. Amália e Felícia tiveram que levar o tabuleiro de xadrez da mesa de jantar para a mesa de centro,&amp;nbsp;e interromper a partida para ajudar a mãe a trazer as iguarias, algumas das quais estavam sendo esquentadas no forno. A Hugo coube pôr os pratos e talheres, mas seu desleixo lhe valeu outra bronca. Aristide bebia um uísque devagar, saboreava o momento em família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angélica fez um discurso, repleto de uma religiosidade difusa, em que agradecia a Deus pela prosperidade material, mas principalmente pela saúde de todos. Quando falou em espírito do natal, Hugo fez uma careta. Ele não só era ateu e achava a história de&amp;nbsp;Cristo mera invencionice, como detestava o consumismo vazio que caracterizava a festa - muito embora estivesse se preparando para vender coisas e ideias. Comeram. Comentários elogiosos e refrigerantes circularam,&amp;nbsp;bem como futricas sobre a vida dos parentes que acabavam de descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O roqueiro, mesmo que a mãe fumasse tambem, sempre se escondia para dar suas tragadas, e&amp;nbsp;foi até a garagem&amp;nbsp;para isso, levando uma xícara de café. O casal sentava lado a lado, de mãos dadas, à beira da piscina, e a música natalina retornara. Felícia atendeu o telefone e deu um sorriso maroto. Amália voltou ao computador portátil. Faltava pouco para meia-noite: o grande momento para a mãe e um ritual insuportável para o filho, que foi o único a não jurntar-se ao coro que fez a contagem regressiva. Aristide abriu a garrafa de champanhe fazendo barulho e sujeira; serviu cinco taças, brindaram. Presentes foram abertos, e ele naquele desânimo: deviam saber que eu detesto camisa polo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando Felícia chamou seu irmão de lado, e disse que sua amiga&amp;nbsp;Manuela tinha pedido para chamá-lo para também ir a sua casa, que ficava a pouco mais de um quilômetro dali. Ele fez um muchocho e disse que achava aquilo um saco: iriam ficar fofocando e conversando sobre cosméticos. A irmã insistiu, disse que ele ia gostar; como ele não mudasse de ideia, teve que abrir o jogo: tinha alguém que queria conhecê-lo. Ele disse que ia pelo menos trocar de roupa, ela achou que fazia sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegaram o carro da mãe emprestado. Não havia a menor necessidade, porque era perto e muito seguro, mas estavam desde sempre mal acostumados. Manuela tinha já por tradição chamar várias amigas para uma noite natalina&amp;nbsp;de jogos de tabuleiro, mas naquela em especial só vieram mesmo Felícia, com o recalcitrante irmão, e seu namorado, que inclusive morava na mesma rua de Hugo. Havia ainda uma moça, que parecia ser a mais velha da assistência, que Hugo nunca vira. Tinha cabelos castanhos ondulados e olhos bem pretos, vestia um vestido um tanto mais despojado que o resto das meninas, e abriu um sorriso quando o viu.&amp;nbsp;Tinha às&amp;nbsp;mãos um livro do Calvin e Haroldo, do qual ele também gostava, de modo que foi instintivo comentar. Ela tinha ganhado do irmão.&amp;nbsp;Daí a conversa começou a&amp;nbsp;se desenvolver naturalmente. A irmã percebeu e veio ajudar: "essa é a Orquídea, ela é irmã do Flávio e mora na Espanha". Flávio era o namorado de Manuela, de modo que Hugo observou: "então é minha vizinha!". "De certa forma, sim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite transcorreu plena de alegria, e Hugo já perdera a rabugice natalina costumeira. Conversou bastante com Orquídea, elogiou-lhe o nome inusitado, "Rosa não é comum, ora?" Ela disse que o ouvira tocar guitarra uma vez, que tocava bem, e que o viu passando de carro. Ele entendeu tudo definitivamente. "Não é Bob Dylan que está tocando?", e ela: "sim, é aquele disco de canções natalinas".&amp;nbsp;Jogando, ela - à sua frente - fez-lhe um sinal com os olhos na direção de Manuela, ao lado dos dois, e passaram então a atacá-la de modo concertado, tirando-a do jogo; trocavam risinhos cúmplices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida em que ficava tarde, a mãe de Flávio veio buscá-lo, e Angélica ligou no celular de Felícia.&amp;nbsp;Hugo e Orquídea haviam acabado de abrir um vinho, e anunciaram que iriam depois. Risinhos circularam obviamente, e os dois não ligaram, já que tão logo a irmã saísse Hugo beijou a vizinha. Mais uma vez, as carícias se desenvolveram muito espontaneamente. Os pais da Manuela já tinham ido dormir e ela mesma usava o computador, feliz até com o papel de alcoviteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltavam andando, de mãos dadas, trocavam sorrisos francos e discutiam música e cinema. A dada altura havia um jardim, e uma sebe que circunscrevia um espaço invisível desde fora. Não que fizesse diferença, pois àquela hora o máximo que circulava era o carro da empresa de segurança privada. Orquídea estancou: "eu não te dei um presente". Puxou-o para de trás da sebe e aí então foi que as carícias foram num crescendo, até que, desabando fnalmente, exausto,&amp;nbsp;com as costas sobre a relva úmida, ele mirava o&amp;nbsp;corpo esguio dela, que, deitada de lado, passeava com a mão sobre todo seu corpo. "Feliz Natal", ela disse, beijando-lhe a face. "E um próspero ano novo", ele completou.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-1017235569531990783?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/1017235569531990783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=1017235569531990783' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1017235569531990783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1017235569531990783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/12/o-espirito.html' title='O Espírito'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4207393542948873888</id><published>2011-12-20T03:46:00.000-08:00</published><updated>2011-12-20T03:46:47.461-08:00</updated><title type='text'>Frisell/Costello: Poor Napoleon</title><content type='html'>Sublime.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nNXzT2HEPSc"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/nNXzT2HEPSc" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4207393542948873888?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4207393542948873888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4207393542948873888' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4207393542948873888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4207393542948873888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/12/frisellcostello-poor-napoleon.html' title='Frisell/Costello: Poor Napoleon'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/nNXzT2HEPSc/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-7295694220951621049</id><published>2011-12-08T03:30:00.000-08:00</published><updated>2012-01-06T22:29:39.763-08:00</updated><title type='text'>Dia de um Podólatra: Epílogo Desnecessário</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0uI3QxM7l0c/TuCfk3Z-GdI/AAAAAAAAAYM/IaDHU9-GDfo/s1600/gladiator-sandals.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" mda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-0uI3QxM7l0c/TuCfk3Z-GdI/AAAAAAAAAYM/IaDHU9-GDfo/s320/gladiator-sandals.jpg" width="228" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Abriu o Coisa Fina. Era bem feito, caprichado. Os ensaios mostravam o rosto das modelos, e elas eram cada uma mais linda que a outra. Lá vai meu décimo terceiro. Algumas fotos permitiam ver os pés, mas a que mais chamou atenção, uma morena de olhos verdes (falsos, provavelmente), com dedinhos gorduchos numa diagonal perfeita e esmalte vermelho escuro, não estava on-line: um ícone&amp;nbsp;em forma de câmera apagado o indicava.&amp;nbsp;Viu uma loira de cabelos ondulados, muito bonita, corpo incrível; mas não via seus pés. A câmera estava acesa, clicou. Era menos bonita do que nas fotos, é claro. Aquela conversa falsa de sempre, será que isso excita alguém? e fez-lhe o pedido. Ah, safadinho... levou a webcam até os pés. Nada feito. Disse que ia pensar e mandava uma mensagem (tinham até um sistema de bate papo). Olhou mais algumas e se interessou por uma outra loira, cabelos escorridos, bem compridos, franja, seios pequenos mas um traseiro digno de nota. Dava pra ver um pouco dos pés em uma foto, e pareciam promissores.&amp;nbsp;Estava disponível. Dessa vez ela parecia ainda mais bonita no vídeo, um ar risonho; olha, posso pedir uma coisa? Mostrou: eram perfeitos; lembrou-se do duelo de mais cedo dos chinelos com brilhantes. Que dia! Eram um trinta e&amp;nbsp;quatro (ele perguntou),&amp;nbsp;as curvas pareciam ter sido projetadas num túnel de vento, dedinhos&amp;nbsp;curtos numa parábola de livro-texto, unhas só com brilho. Elogiou-os efusivamente, ela tinha um sorriso lindo, dentes perfeitos. Mas tudo isso?! Bem... onde é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava com uma lingerie preta de muito bom gosto, o ambiente era agradável. Fez-lhe uns protótipos de carícias que, se não eram&amp;nbsp;afeição real, ao menos ajudavam a criar um clima. Não que ele já não estivesse excitadíssimo. Ajoelhou-se: que obra de arte! Tomou-lhe o esquerdo e o analisou minuciosamente; com os olhos primeiro e depois com a língua. Ela dava risadinhas deliciosas. Ergueu-se e beijou-lhe o pescoço com&amp;nbsp;ânsia, e&amp;nbsp;atrás da orelha. Nunca fazia nada parecido com... modelos. Sussurrou-lhe alguma coisa no ouvido. Ela&amp;nbsp;recuou, olhou-o entre surpresa e confusa, mas com toques de marotice. Disse uma cifra, que era um acréscimo de vinte por cento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto se banhava - e lavava os pés com atenção redobrada - ela pensava: é simpático esse maluco, que olhos (ela até havia comentado). Tem cliente que é mais fácil atender.&amp;nbsp;Ele a admirava no ritual de se enxugar; pára de me olhar! você é muito linda, obrigada. Abraçou-a de novo, sentiu seu cheiro. Então, na verdade eu tenho outra proposta; ela franziu o cenho. Senta aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana seguinte, ele tinha outra aula pela manhã, mas não se importou em chegar atrasado. Passeou tranquilamente pelos longos corredores daquele prédio abominável, com a mão esquerda segurando uma mãozinha pequena e frágil. Já haviam na verdade se visto no fim de semana: ele lhe comprou um vestidinho e umas sandálias de couro trabalhado, que ficaram ótimas naqueles pezinhos fantásticos. Caminhava afetando indiferença, mas sorveu cada gota de uma boa meia dúzia de olhares invejosos. O zênite foi mesmo quando percebeu claramente que um marmanjo admirava despudoradamente os pés de sua mais nova amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-7295694220951621049?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/7295694220951621049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=7295694220951621049' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7295694220951621049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7295694220951621049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/12/dia-de-um-podolatra-epilogo.html' title='Dia de um Podólatra: Epílogo Desnecessário'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-0uI3QxM7l0c/TuCfk3Z-GdI/AAAAAAAAAYM/IaDHU9-GDfo/s72-c/gladiator-sandals.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8970273894353596929</id><published>2011-12-07T20:20:00.001-08:00</published><updated>2011-12-11T12:54:03.239-08:00</updated><title type='text'>Dia de um Podólatra: Noite</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-retkRMZqjws/TuBxH7dAWhI/AAAAAAAAAYE/5NpBRkpRHHw/s1600/monty-pythons-flying-circus-logo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" mda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-retkRMZqjws/TuBxH7dAWhI/AAAAAAAAAYE/5NpBRkpRHHw/s320/monty-pythons-flying-circus-logo.jpg" width="305" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Por algum motivo naquele dia ele estava particularmente obcecado por pés. Em uma mais que feliz coincidência, as garotas do campus se esforçaram em prodigalizar belos exemplares dessa parte tão vital da anatomia feminina naquela noite. Já de saída viu um par irretocável, pertencente a uma loirinha que de brinde exibia um piercing no umbigo. Esse era um caso à parte: eram pequenos, com dedos em parábola, ápice no segundo, longos mas não demasiado, roliços; o tornozelo era muito suave, toda a pele bem lisa e clara. Ela devia cuidar dos pés, sabia de seu impacto, e para salientá-lo usava uma tornozeleira de prata e uns chinelos com falsos brilhantes nas tiras (que só perdiam&amp;nbsp;em brilho para as unhas miúdas): o fetiche do fetiche. Aquele ficava com o cinturão, pelo menos do dia. Logo adiante viu uma negra com pés grandes e bem feitos, não teve certeza se era diagonal naquela posição, com proeminência de um dedão enorme: lembrou de Portinari. Mais uma e outra e outra no corredor, antes de entrar na sala: já não erguia a vista. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Olhou no relógio: estava cedo. Ela costumava chegar uns dez minutos atrasada. Foi buscar um café, mesmo sabendo que ia atrapalhar o sono. Pôs-se a cantar a música do Genesis, uma que narrava uma história e exigia malabarismos vocais: chamou alguma atenção aqui e ali. Viu outro belo par, diagonal perfeita, sandália de couro; ela não chegou a olhar pra ele, apenas percebeu que ele olhava, pode marcar zero. Voltou e entrou: ela não estava; sentou-se bem atrás de onde ela costumava ficar. Mas quase se esqueceu dela ao passar no caminho por uma morena de estatura mediana, cabelos bem lisos, no ombro, e olhos bem escuros, pele no tom perfeito, num vestidinho preto e... chinelos com brilhantes nas tiras. A desafiante ganhou por nocaute: nunca tinha percebido como seus pés eram lindos! O segundo era basicamente do tamanho do dedão (anotação mental: ampliar as categorias) e daí em diante uma curva muito suave; era um pé estreito, a curvatura interna pouco acentuada, tornozelo um pouco proeminente, mas tudo isso com uma singularíssima harmonia. Talvez aquele esmalte rosado fosse desnecessário, mas não estragava tudo. Cruzaram o olhar (não era a primeira vez); ela se comportou como quem se interessa mas não quer dar esperança: namorado. Aí ela entrou. Aquela-ela-ela. Uma saia longa azul escuro, uma blusinha de alças preta com pintas brancas (que saboneteiras!), e novos óculos, menores, com uma armação marrom que lhe caía&amp;nbsp;bem com o tom dos cabelos. Que mulher. Nos pés, aquelas sandálias de couro azul claro, que combinavam com as unhas, já as tinha visto: cobriam a parte de trás e de cima dos pés. Remetiam à Grécia Antiga, na cabeça dele.&amp;nbsp;Como queria que ela pisasse nele, mas não metaforicamente como costumavam fazer.&amp;nbsp;Ela olhou pra ele, séria, e se sentou. Daquele ângulo&amp;nbsp;tinha boa visão;&amp;nbsp;deve ter olhado um minuto até ter uma epifania: sabia de onde conhecia aquele pé. Era o pé da abertura do Monty Python's Flying Circus: o pé que esmaga tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirou do bolso um papel: coragem; roçou com ele no ombro dela. Ela se assustou: o que é isso? Ele sinalizou com os olhos para que ela o lesse. Dizia: vi que você faz notas das aulas, será que eu podia fazer uma cópia? Era a aula antes da prova. Ela deu um sorrisinho que pra ele&amp;nbsp;parecia uma confirmação. Rabiscou alguma coisa e devolveu o papel com uma&amp;nbsp;escrita infantil: sim, mas estão muito bagunçadas.&amp;nbsp;Ele&amp;nbsp;estava além&amp;nbsp;do nirvana. Enquanto isso, o professor prosseguia com seu circo de vaidade intelectual. Acabada a aula, abordou-a; ela parecia sem jeito. Sacando tudo de Kant? Um pouco de&amp;nbsp;conversa miúda e foram juntos até a copiadora; ela era do diurno e estava fazendo só aquela à noite: daí nunca a ter visto antes. Ele achava tudo lindo então, mas mais tarde em retrospecto decretaria que ela era meio apatetada. Muito obrigado e tal, você não quer me dar seu telefone? Depende. Ele pressionou. Ela tinha namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou não se irritar: você fez o que tinha que fazer. Mas era uma bela decepção. Ela me encorajou! Ainda saboreou mais alguns voltando pro carro, e passou por uma gatinha num momento particularmente fritação do duo batera/sax (ele adorava essa combinação); ela nem reagiu, que pena. As cenas e os diálogos da noite ficaram girando em sua cabeça, precisava extravasar.&amp;nbsp;Desfez-se do disfarce, tocou um pouco de bateria. Rodou um Stravinsky que estava na pilha de ouvir. No computador, mensagem de uma mina com quem fizera sexo mecânico, um comentário a sua piadinha, pouca coisa. Abriu um vídeo que o ajudaria a relaxar; era uma culminação, ao contrário do Kevin Spacey em Beleza Americana, que começava assim o dia e daí era ladeira abaixo. Sempre que a coisa começava a esquentar, pensava em visitar um daqueles sites; naquele dia, tinha a sugestão do colega para conferir. E uma ruiva pra esquecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8970273894353596929?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8970273894353596929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8970273894353596929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8970273894353596929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8970273894353596929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/12/dia-de-um-podolatra-noite.html' title='Dia de um Podólatra: Noite'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-retkRMZqjws/TuBxH7dAWhI/AAAAAAAAAYE/5NpBRkpRHHw/s72-c/monty-pythons-flying-circus-logo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5501831541561753174</id><published>2011-12-06T19:32:00.000-08:00</published><updated>2011-12-11T12:52:35.176-08:00</updated><title type='text'>Dia de um Podólatra: Tarde</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span id="goog_174750611"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_174750612"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Gp4K56jhUFo/Tt7eOTfTHcI/AAAAAAAAAX0/1If3WFhyxIg/s1600/pretty-feet.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-Gp4K56jhUFo/Tt7eOTfTHcI/AAAAAAAAAX0/1If3WFhyxIg/s320/pretty-feet.jpg" width="217" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando ao trabalho, percebeu que estava sem o crachá. Para ganhar tempo, parou o carro no térreo e foi até a portaria expedir um provisório. Foi quando uma morena linda e muito elegante, no que parecia ser um tailleur, mas sem o paletó, ficou olhando fixamente pra ele, embora com ar muito sério. Sapatos de salto: ali raramente via pés. Ótimo, mas não resolve nada, ainda assim eu não como ninguém; não estava entretanto disposto a sentir pena de si mesmo. Desceu pra garagem, estacionou e foi até o setor, lá embaixo mesmo: era o homem do subsolo. Cumprimentou um ou outro colega e foi se trocar; bastou arrancar a camiseta do Trout Mask Replica e fechar a camisa, pôr a calça do terno e a gravata marrom e voilà (o chapéu ficou). Lia, tomava café e fumava; por aquela época era até difícil arranjar um parceiro para jogar ping-pong. Só precisava esperar ser chamado pra trabalhar. Demorou quarenta minutos: Dr. Fulano no bloco A. Escolheu uns discos para ouvir: Miles Davis, fase cool, nada muito estranho com esses figurões. Encostou o carro e esperou dez minutos: mais um pouco e acabaria o Bukowski. Boas tardes e tal, restaurante tal endereço tal. Esse era dos que não falavam; é bom, mas às vezes tinha uma conversa interessante ou outra, um mesmo gostava de debater literatura. Na volta, baixou as janelas e aumentou o volume: olhem para um homem com chapéu e bom gosto, num carro chapa de bronze. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Chegou de volta, pendurou o paletó e subiu para o restaurante. Era lugar de ver mulher bonita. Enquanto fumava na entrada, passou uma por ele com um sapato meio aberto, tinha uns dedinhos lindos, esmalte rosa claro. De rosto era só mais ou menos, entretanto. Quando entrou na fila, uma numa mesa perto trocou um olhar fulminante com ele; era loira, mesclada com pretos de alguma forma, também estava muito elegante. O problema com essas funcionárias é que geralmente eram muito metidas; imagina então se soubessem que ele era um reles motorista. Todo galinheiro tem uma hierarquia de bicadas, ele só podia bicar as galinhas terceirizadas, mais subalternas que ele; às vezes o fazia, mas a conversa nunca fluía. Depois que pesou o prato, ao se sentar, uma outra ao seu lado – um pouco mais velha, mas muito conservada – também deu uma encarada. Será o chapéu? Um colega logo veio se juntar a ele; sabia que o outro era religioso, e puxou esse assunto polêmico: era desculpa para expor a sua doutrina do cinismo engajado, uma postura coringa que servia para religião, moral, política, literatura e relacionamentos, dentre outros. Exibicionismo puro, é claro, e conferia se a coroa não estava prestando atenção; não estava. Na fila viu uma de sandália; era razoavelmente bonita, mas tinha uma falta grave: os dedos tinham as extremidades maiores que a base, parecendo aqueles microfones com proteção de espuma. Na rampa, voltando, lá vinha uma cocota – estagiária ou visitante – com um vestidinho maleável que bailava com seu andar desenvolto. Cabelos pretos e curtos, uma boca miúda. Chinelos pretos; a pele era bem branca, os contornos eram suaves, os dedos pequenos e bem feitos, da famílias das diagonais, unhas de um marrom escuro, bem próximo do tom do vestido. Cara, isso tira o sossego de um cristão. Ou de um cínico.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Desceu as escadas tentando sistematizar a apreciação de pés femininos: podia entrar pra história como o pai da podolatria científica, que seria matéria universitária dali a dez anos. Havia duas distinções básicas: uma era entre dedão maior e segundo maior, cada qual tinha representantes dignas; outra era entre diagonais e parabólicas, e ele também não chegava a ter uma preferência. Havia obviamente as anomalias, duas das quais já discutimos, além de estreito demais, largo demais, longo ou curto (incompatível com a estatura), dedos curtos ou longos demais, tendões demais, veias demais, calos demais, unhas mal desenhadas... teria que pedir uma bolsa para estudar a fundo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Escovou os dentes (só então se deu conta que o efeito da anestesia se dissipara), serviu um café e foi fumar. Na área onde o cigarro era tolerado, costumavam ficar os mais antigos, quase sempre um bando de toscos que passavam o dia chamando um ao outro de viado ou corno e gargalhando estrepitosamente. Mas concentrou-se no livro e chegou ao fim; o desfecho foi meio decepcionante. Em dado momento, ao passar por um grupo, escutou a conversa; uma frase, uma palavra mesmo, chamou sua atenção. Não... o Sedução é porcaria! Chegou perto. Discutiam os sites de “acompanhantes”; ele esperou a deixa e comentou que já tinha usado aquele, mas uma vez teve uma péssima experiência: elas não mostram o rosto, e aí você chega lá e broxa de tão feia. Esse colega mais entusiasmado, de meia idade, já careca, explicou que estava justamente contando de um novo, em que as putinhas ficavam na webcam e você podia conhecê-las antes de decidir. Mas é caro; a partir de tantos reais. Assoviou impressionado. Mas vale a pena! Coisa fina. Como chama? Coisa fina! Ponto com ponto bê erre. Legal, vou conferir. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Dirigia-se ao ping-pong; deixava de ser gradualmente o saco de pancadas do setor, mas ainda perdia mais do que ganhava. Por algum motivo perdera o hábito de jogar xadrez; muito tempo atrás ganhara até um torneio. A próxima saída veio logo: curta, ouviu duas músicas do Herbie Hancock. Começou um Balzac, ou o Balzac mais célebre. No micro, comentou uma coisa ou outra e conversou com uma amiga que morava longe; seus poucos amigos moravam longe. Fez outra saída, essa longa, e conseguiu ouvir o Quadrophenia inteiro. Voltando, subiu para a lanchonete; vale o mesmo que para o restaurante, mas naquele dia não estava com sorte: só uma feiosa prestou atenção nele, viu quando ela leu o título do livro (tudo bem, ler em francês também tinha uma ponta de exibicionismo). Usava tênis. Mais uma saída curta (e mais Hancock)&amp;nbsp;e dali a pouco ele retomava o visual despojado e passava o crachá. No carro, colocou Phillip Glass.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5501831541561753174?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5501831541561753174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5501831541561753174' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5501831541561753174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5501831541561753174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/12/dia-de-um-podolatra-tarde.html' title='Dia de um Podólatra: Tarde'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Gp4K56jhUFo/Tt7eOTfTHcI/AAAAAAAAAX0/1If3WFhyxIg/s72-c/pretty-feet.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-7321341650116451127</id><published>2011-12-05T19:19:00.002-08:00</published><updated>2012-01-29T12:32:11.824-08:00</updated><title type='text'>Projeto Pacífico</title><content type='html'>&lt;div style="background: white; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Sér­gio era enge­nheiro mecâ­nico, e conhe­cera André — eco­no­mista — no time de rúgbi da facul­dade. Aca­ba­ram se mudando para a capi­tal, aquele admi­tido em uma trans­na­ci­o­nal, este veio a se tor­nar ope­ra­dor finan­ceiro. Eram dois belos e bem suce­di­dos trin­tões, e legí­ti­mos bon-vivants, cada um a seu modo: Sér­gio gos­tava de car­rões e de fes­tas com música ele­trô­nica, enquanto André era mais um homem de fre­quen­tar o tea­tro e metido a enó­logo. O pri­meiro era um mulhe­rengo inve­te­rado, enquanto o segundo era pra­ti­ca­mente casado com Car­men, uma argen­tina um pouco mais velha, atriz, que além de uma pes­soa fas­ci­nante era her­deira de um rico indus­trial por­te­nho (não que isso fosse determinante).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Car­men orga­ni­zara um con­ves­cote com alguns cole­gas da com­pa­nhia e André cha­mou a Sér­gio, que apa­re­ceu com uma morena espe­ta­cu­lar. Esta­vam todos no espa­çoso apar­ta­mento da atriz, em um aflu­ente bairro da metró­pole; enquanto ela pilo­tava o toca-discos, tro­cando Miles Davis por Igor Stra­vinsky (vinil é “insu­pe­ra­ble”, expli­cava ela), ele dava uma aula sobre Bor­de­aux; o amigo amas­sava a morena no sofá. Foi quando a domés­tica uni­for­mi­zada avi­sou que o fon­due seria ser­vido na varanda. Em uma mesa, o fon­due de queijo reu­nia os dois casais e o dire­tor da trupe — um excên­trico ses­sen­tão homos­se­xual; já o fon­due de cho­co­late aca­bou sendo uma espé­cie de “segunda divi­são”, não por isso menos animada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;A con­versa pas­sou por diver­sos assun­tos, até que o dra­ma­turgo reve­lou seus pro­je­tos malu­cos de uma peça sobre diver­sas coi­sas, den­tre elas o impé­rio Inca. Os dois ami­gos se entre­o­lha­ram com um sor­riso. Sér­gio expli­cou aos demais:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Na época da facul­dade a gente fez uma via­gem até Cusco. Muito legal&amp;nbsp;lá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;A morena — Kátia, se eu esqueci de apre­sen­tar — olhou-o com ar de reve­rên­cia e, pas­sando a mão em seu rosto, pediu que con­tasse mais. Ele abo­ca­nhou mais uma tor­ra­di­nha com queijo der­re­tido, deu um gole de vinho e começou:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ A gente foi até o Acre. Na época nós está­va­mos envol­vi­dos com o Santo Daime, e fomos até lá conhe­cer a ori­gem de&amp;nbsp;tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Vocês sem­pre fue­ran par­cei­ros mismo, hein? — Car­men interveio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Ah, sim. E tinha a rádio tam­bém, a gente fazia um pro­grama. Foram bons tem­pos — acres­cen­tou André, girando sua taça de vinho para observá-lo escorrendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Bons tem­pos são agora! — ata­lhou Sér­gio cor­tando a nos­tal­gia e pro­pondo um brinde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Essa é ati­tude! — apoiou o dire­tor, esta­lando as mãos espal­ma­das com o engenheiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Daime não é aquela coisa que deixa doi­dão? — Kátia arriscou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;André fez uma cara feia, mas foi polido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Não é nada disso, meu doce, qual­quer dia eu te explico. Enfim, eu já tinha ido lá antes, e conhe­cia o pes­soal de uma igre­ji­nha pequena, e a gente ficou lá com eles; gente muito boa, sim­ples. Faz muito bem a gente da selva de pedra, como&amp;nbsp;nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Bem — pros­se­guiu Sér­gio –, a gente tirou dez dias para ir até o Peru. O André tam­bém já conhe­cia lá, ele sem­pre se ligou nes­sas coi­sas meio ripon­gas, eu tava des­co­brindo um mundo novo. A gente pre­pa­rou as mochi­las, a ideia era fazer a tri­lha inca, e pegou o busão em Rio Branco que ia até a fron­teira, Assis Bra­sil. Um luga­rejo minúsculo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Naquela época não tinha nem ponte, a gente teve que atra­ves­sar em uma canoa! — obser­vou&amp;nbsp;André.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Na ver­dade, a ponte ainda está em cons­tru­ção, deve ser inau­gu­rada até o fim do ano. O mais sur­real foi a Toyota que a gente pegou do outro lado,&amp;nbsp;em…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Iña­pari.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Isso. Os caras vão enfi­ando gente numa perua até no tan­que de gaso­lina, e toca pra Mal­do­nado, estrada de terra. Ali a pai­sa­gem ainda é a amazô­nica, mas a popu­la­ção já é basi­ca­mente mes­tiça. Inclu­sive foi junto com a gente uma bem boni­ti­nha… (Kátia lhe deu um leve tapa na&amp;nbsp;mão).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Lem­bra das pol­le­rias? — os dois&amp;nbsp;riram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ É o McDonald’s deles: frango assado com batata frita, a gente comia isso quase sempre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;André pediu licença para ir à cozi­nha avi­sar que o queijo aca­bava. Kátia optou por se jun­tar ao fon­due de cho­co­late (um pouco pelo fora que dera), o dire­tor per­ce­beu que não seria a alma da festa ali e se jun­tou aos cole­gas — suas risa­das afe­ta­das se fize­ram escu­tar -, e Car­men apro­vei­tou para virar o disco. Já Juli­ana, que era empre­sá­ria do grupo, pediu para se jun­tar ao fon­due de queijo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Sér­gio, che­gando o amigo, per­gun­tou se podia continuar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Depois que eu bus­car mais vinho, que eu ia esquecendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Pô, eu acho que eu tava afim de um scotch, você&amp;nbsp;tem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Eu sem­pre tenho, mas… a Kátia dirige depois?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Sem problema!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;André abriu o vinho, com todos seus ritu­ais, e ser­viu a todos, “na ver­dade, ele devia res­pi­rar” — fez ques­tão de obser­var; a cri­ada trouxe a gar­rafa de uís­que e um pequeno balde com gelo, e castanhas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Qué pasó des­pués? — cobrou Car­men, que esque­cia de tentar falar por­tu­guês quando bebia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Em Puerto Mal­do­nado a gente pegou um avião pra Cusco — André reto­mou (os dois parece que dis­pu­ta­vam para nar­rar). É fas­ci­nante ver a flo­resta sim­ples­mente dando lugar à cor­di­lheira, a tran­si­ção é abrupta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Tem mais: a gente ficou em dúvida ainda se ia de ônibus, mas eram qua­renta minu­tos de voo e dois dias de busão! Mas ima­gina, subindo a cordilheira!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 0pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Foi aí que a gente come­çou a for­mu­lar o Pro­jeto Pací­fico: com­prar um&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="outline-width: 0px;"&gt;&lt;span class="caps"&gt;&lt;span style="border-bottom-color: windowtext; border-bottom-style: initial; border-bottom-width: 1pt; border-left-color: windowtext; border-left-style: initial; border-left-width: 1pt; border-right-color: windowtext; border-right-style: initial; border-right-width: 1pt; border-top-color: windowtext; border-top-style: initial; border-top-width: 1pt; color: #333333; padding-bottom: 0cm; padding-left: 0cm; padding-right: 0cm; padding-top: 0cm;"&gt;4X4&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;e ir até Cusco, e então até Lima, dirigindo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 12pt; margin: 0cm; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Es locura! — excla­mou Car­men. Sua amiga e colega, que esti­vera calada até então, fez a pri­meira intervenção:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Eu acho uma grande ideia. A vida é feita des­sas lou­cu­ras. Tipo o Amir Klink: o cara atra­ves­sou o oce­ano remando, dá pra ser mais louco que isso? Depois escre­veu livros, ganha uma grana dando palestras…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ É, mas isso aca­bou virando lenda, a gente não levou muito a&amp;nbsp;sério…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Eu nunca esqueci o pro­jeto — pro­tes­tou Sér­gio — acho que um dia ainda dá pra fazer, mas o ideal era fazer um lance pro­fis­si­o­nal, com patro­cí­nio e&amp;nbsp;tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Pois então — animou-se Juli­ana — eu tra­ba­lho exa­ta­mente com isso. Se você for­mu­lar um bom pro­jeto, você con­se­gue sim um patro­ci­na­dor. Tipo Petro­brás, por exem­plo… Alguma coisa rela­ci­o­nada a bio­di­e­sel, sei lá. Essa é uma via­gem que teria reper­cus­são inter­na­ci­o­nal se bem explo­rada. É inte­res­sante pra&amp;nbsp;eles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Os ami­gos se entre­o­lha­ram, num silên­cio cheio de cum­pli­ci­dade. Aquilo fazia sen­tido. Car­men par­ti­lhava do entu­siasmo da&amp;nbsp;amiga.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Vocês pue­den facer una pelí­cula, un road movie, docu­men­tá­rio, sei lá. Es cierto que con­si­guen apoio! Hay la tele­vi­sión do gobi­erno ahora, que puede inte­res­sarse; has dicho que la puente vai ser inau­gu­rada, trata-se de un hecho his­tó­rico, el camiño del Pacífico…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;A ideia ganhava momento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;II&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Porra, André, eu tô come­çando a gos­tar dessa história!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Nem me fala, cara, eu bem que pode­ria ficar um mês longe da bolsa, estou há três anos sem férias, vai me acres­cen­tar uns anos de&amp;nbsp;vida!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Eu acho que vou é chu­tar meu trampo pro alto. Uma aven­tura des­sas vai melho­rar meu cur­rí­culo. Acho que a… como é mesmo seu nome? Acho que a Juli­ana tem razão, eu pode­ria dar pales­tras moti­va­ci­o­nais, é uma grana fácil! Mas… será que um mês dá? Pra ir e voltar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Ir e vol­tar por quê? Só che­gar lá é mais que sufi­ci­ente. A gente passa o carro nos cobres e volta voando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Kátia, que tam­bém não con­se­guira se entur­mar no meio dos artis­tas, e já matara a von­tade de comer cho­co­late, vol­tou a sen­tar junto a seu homem. Ficou curi­osa com o entu­si­asmo de&amp;nbsp;todos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ De que vocês estão falando?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ De diri­gir até o Oce­ano Pací­fico, baby! — Sér­gio res­pon­deu, com a boca cheia de castanhas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Isso é con­versa de bêbado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Todos exer­ci­ta­ram mais uma vez a paci­ên­cia com aquela moça bobi­nha que caíra nas gar­ras de Sér­gio, que, levando a mão à testa e bai­xando a cabeça, foi menos suave do que o amigo, tendo inti­mi­dade para&amp;nbsp;tanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Qual é a sua, sua anta, quer jogar água no nosso chope? Esta­mos falando sério!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Ela fechou a cara, cru­zou os bra­ços e pediu timi­da­mente desculpas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Não fica assim boba — Sér­gio ten­tou pacificá-la -, na ver­dade é um sonho antigo, que parece que pode se con­cre­ti­zar agora, dá pra res­pei­tar? — Ela se des­cul­pou mais uma vez e em ins­tan­tes já estava sor­rindo, pen­du­rada no pes­coço de seu garanhão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 0pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Putz, lem­bra quando você tinha aquela&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="outline-width: 0px;"&gt;&lt;span class="caps"&gt;&lt;span style="border-bottom-color: windowtext; border-bottom-style: initial; border-bottom-width: 1pt; border-left-color: windowtext; border-left-style: initial; border-left-width: 1pt; border-right-color: windowtext; border-right-style: initial; border-right-width: 1pt; border-top-color: windowtext; border-top-style: initial; border-top-width: 1pt; color: #333333; padding-bottom: 0cm; padding-left: 0cm; padding-right: 0cm; padding-top: 0cm;"&gt;CR-V&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;? Era per­feita! — André reto­mou a conversa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 12pt; margin: 0cm; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ É, nem me lem­bra, eu gos­tava daquele carro. Sabe que eu com­prei pen­sando nessa via­gem,&amp;nbsp;né?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Aí você por­rou ela num poste, seu bebum irres­pon­sá­vel! — repre­en­deu o amigo meio a sério e meio de brin­ca­deira — Mas não há de ser nada, hoje a gente tem como com­prar qual­quer uti­li­tá­rio esporte, e&amp;nbsp;novo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Vocês podem mesmo ten­tar isso pelo patro­cí­nio — a empre­sá­ria res­sal­tou -; olha, eu posso aju­dar vocês: meu tra­ba­lho na peça está feito, eu tenho tempo&amp;nbsp;livre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Um ator jovem chegou-se ao ouvido de Car­men e sus­sur­rou alguma coisa, e saiu com um sor­riso no rosto e esfre­gando as&amp;nbsp;mãos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Sér­gio, enti­en­des alguna cosa de autos, no?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Sin­ce­ra­mente, Car­men, só de diri­gir. Bem lem­brado, seria impor­tante levar um mecâ­nico. Na ver­dade, eu tenho um colega que saca muito, ele já me aju­dou mais de uma vez; é até irri­tante, ele só fala de&amp;nbsp;carro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ O Platinado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Ele mesmo. O ape­lido já diz tudo, né? O cara é do tempo do pla­ti­nado. Mas sabe tudo de parte ele­trô­nica tam­bém. Eu vou con­ver­sar com&amp;nbsp;ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ André, vas a me dejar aqui por un&amp;nbsp;mês?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Bem, você está presa aqui com a peça, não? Está pen­sando em ir com a&amp;nbsp;gente?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Me gus­ta­ría, si. Y la tem­po­rada es de seis meces, no pue­den esperar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Eu pre­ci­sa­ria de uns três ou qua­tro pra parte buro­crá­tica — Juli­ana observou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Entonces! Puedo&amp;nbsp;ir?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Por suposto! — André, esfu­zi­ante, caçoou do por­tu­nhol da amá­sia — Brinde ao Pro­jeto Pacífico!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Eu tenho uma ideia melhor: ir de um oce­ano ao outro. Uma trip transcontinental!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Boa, Sér­gio! A gente podia sair do Rio, sabe como é, uma cidade conhe­cida no mundo todo. Rio-Lima!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;O ator que con­fa­bu­lara com Car­men vol­tou com um base­ado aper­tado. Como o fon­due já aca­bara, e a domés­tica estava reco­lhendo tudo, jun­ta­ram as duas mesas em uma; como já era um tanto tarde, alguns se des­pe­di­ram e se foram, ficando a festa mais inti­mista. Car­men foi até a vitrola e sape­cou um Frank Zappa. Sér­gio e André se lem­bra­ram das noi­tes de rádio, em que Zappa era uma cons­tante. Car­men, pas­sando a bola para o par­ceiro, lembrou-se:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Ter­mina de con­tar el&amp;nbsp;viaje!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;III&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Cusco é toda mar­rom vista de cima, ao menos naquela época — Sér­gio pas­sou na frente do amigo, a quem Car­men se diri­gira. Quando a gente pegou o táxi, eu fiquei curi­oso de ver a ban­deira do movi­mento gay por todo lado. A do arco-íris. Depois eu fui des­co­brir que era a ban­deira do Impé­rio&amp;nbsp;Inca!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;O dire­tor sol­tou mais uma de suas gar­ga­lha­das e fez ques­tão de manifestar-se:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Eu não sabia disso! Cer­ta­mente vou usar essa na peça,&amp;nbsp;posso?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Claro, fique à von­tade. Depois… — pros­se­guia Sér­gio, até André tam­bém atropelá-lo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ A gente dei­xou as coi­sas no hotel, foi até a Plaza de Armas, que ficava perto. É lindo aquele lugar. Levei o Sér­gio pra conhe­cer a Cate­dral e, depois de comer, fomos até Sac­sayhu­a­mán, ruí­nas ali bem perto da cidade. À noite, uma bala­di­nha no Mama África, um dos mui­tos infer­ni­nhos da cidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ De vez em quando um pega fogo — brin­cou Car­men. De fato, alguns anos antes hou­vera uma notí­cia nesse sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ No outro dia — Sér­gio reto­mou –, eu peguei uma excur­são para Macchu Pic­chu; o André, que já conhe­cia, não quis ir, e pas­seou um pouco pela cidade. É muito bonito, inte­res­sante, mas tem turista demais. E no fim eu gos­tei mais de&amp;nbsp;Pisaq.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Inclu­sive a gente des­co­briu que a tri­lha inca estava sim­ples­mente impos­sí­vel de ser feita, muito gringo. O que a gente fez? Com­prou um mapa de tri­lhas para fazer uma cami­nhada por conta pró­pria. E no dia seguinte par­ti­mos sem rumo definido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Como cha­mava aquele pri­meiro lugar que a gente foi? Eu nunca lembro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Chin­chero — André com­ple­tou satis­feito. Fomos de ônibus, para come­çar por lá. Era inte­res­sante que tinha pré­dios espa­nhóis ergui­dos sobre ruí­nas incas. Conhe­ce­mos uma moça isra­e­lense&amp;nbsp;lá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Eles têm uma his­tó­ria de fazer ser­viço mili­tar e depois sair via­jando, acho inte­res­sante. Sei que de Chin­chero a gente andou con­tor­nando uns mor­ros… É muito dife­rente a pai­sa­gem de relevo recente, e aquele céu trans­lú­cido… eu acho que ainda tenho aque­las fotos em algum lugar. Lem­bro que tirei várias no começo da via­gem, depois aca­bou o filme — eu ainda usava filme! — e fui desen­ca­nando; afi­nal, você pode regis­trar uma ima­gem, mas não a expe­ri­ên­cia, ou mesmo a noção de pro­fun­di­dade. E eu nunca fui um fotó­grafo profissional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ A Car­men sabe tudo de foto­gra­fia. Inclu­sive pode ser nossa cine­gra­fista, não?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Ela ape­nas sor­riu com a suges­tão do namo­rado. O entu­si­asmo cres­cia. André prosseguiu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ A gente estava quase che­gando em Uru­bamba, o pró­ximo luga­rejo, quando pas­sou um ônibus esco­lar. O Sér­gio, que estava quase morto, fez sinal, e eles para­ram. A gente aca­bou indo até Ollan­tay­tambo, uma cida­de­zi­nha maior, de onde sai o trem pra Águas Cali­en­tes, onde fica Macchu Pic­chu. A gente con­se­guiu uma hos­pe­daje por lá pra pas­sar a&amp;nbsp;noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Esse dia foi mais um aque­ci­mento, eu estava fora de forma, e fumava, na época. No dia seguinte é que a gente pegou uma tri­lha mais pesada, subindo. Pas­sava em uns três luga­re­jos… Pal­lata, eu acho, foi onde a gente parou pra lan­char. Mais na frente, vinha subindo um cami­nhão e a gente pegou carona. O André que­ria ten­tar ir até uns lagos que esta­vam no mapa, mas a gente pas­sou direto e quando o cami­nhão parou a gente resol­veu seguir uma famí­lia, só o pai falava algum espa­nhol. Dali em diante foi como uma via­gem no tempo: tanto pela pai­sa­gem exó­tica quanto pelas pes­soas, que só fala­vam quechua.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;André se levan­tou para bus­car vinho; já estava bem cha­pado, tanto do vinho quanto da maco­nha, que só fumava de vez em quando. Ama­nhã é sábado, pen­sou, que se foda. Apro­vei­tou para dis­pen­sar a domés­tica, entregar-lhe o extra com­bi­nado (que mal valia o sacri­fí­cio de vol­tar àquela hora de ônibus para casa). Ten­tou ser rápido, para não per­der a nar­ra­tiva que tão boas recor­da­ções evo­cava, de luga­res que tal­vez vol­tasse a visi­tar, se aquela con­versa toda não se reve­lasse no fim — como sen­ten­ciou Kátia — mera con­versa de bêbado. Che­gando de volta, Sér­gio lhe perguntou:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Como era o nome do tiozinho?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Jacinto, nues­tro hom­bre en Huacahuasi!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;IV&lt;/div&gt;&lt;div style="background: white; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Riram-se às lar­gas ambos cama­ra­das, e André anun­ciou que aquele era um cali­for­ni­ano, mas que era exce­lente; na ver­dade, tinha sem­pre um vinho mais barato para quando já esta­vam bêba­dos. O dire­tor, já de fogo, insis­tia em cha­mar atenção:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Ai, você me lem­bra um rapaz de São Fran­cisco que eu conheci. Deus meu, o que era aquilo! — e fez um gesto com as duas mãos sepa­ra­das pelo tama­nho de um falo avantajado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Car­men sentiu-se cons­tran­gida e levantou-se para puxar-lhe cari­nho­sa­mente a ore­lha. Sér­gio per­ce­beu a deixa e reto­mou a narrativa:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Pois lá fomos nós com o Jacinto, esposa, filho e um per­rito. Ele disse que ia para Hua­cahu­asi. A gente olhou no mapa e sim­ples­mente não tinha tri­lha até lá! Bem, con­fi­a­mos nele quando ele disse que era perto: “dos hori­tas, poco, no más”, ele repe­tia. Dis­se­mos que está­va­mos can­sa­dos, e lá vai ele: “des­pa­cito, dos hori­tas, poco, no más”. Sem­pre que a gente per­gun­tava se estava perto ele dizia a mesma&amp;nbsp;coisa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ A gente não con­se­guia acom­pa­nhar o ritmo deles, acos­tu­ma­dos à alti­tude e ao tra­jeto, e ele ofe­re­ceu suas hojas de coca. Eu ia par­ti­ci­par de uma sele­ção e achei melhor recu­sar, o Sér­gio mas­cou com&amp;nbsp;gosto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Hoja de coca no es droga! — e cha­co­al­lhava o ter­ceiro uísque.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Uma hora a gente che­gou a um rio, com um pequeno plano. Eu per­cebi que era a deixa para ficar ali e erguer acam­pa­mento. O Sér­gio que­ria ir adiante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Só que quando eu fui falar eu vi que já não con­se­guia mais arti­cu­lar as pala­vras! Aí sem chance. Fica­mos ali, fez um frio des­gra­çado quando a noite caiu; pre­pa­ra­mos um macar­rão com carne de soja e che­ga­mos a con­ver­sar sobre a pos­si­bi­li­dade de tomar Daime — a gente tinha levado uma gar­ra­fi­nha. Mas seria lou­cura… ou excepcional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ A gente dei­xou pra manhã seguinte a deci­são: vol­tá­va­mos pelo cami­nho conhe­cido ou arris­cá­va­mos che­gar até Hua­cahu­asi? De lá tinha cami­nho até outra cidade e aí pas­sava uma estrada. Sei que apa­re­ceu um tio catando esterco de llama, figura impro­vá­vel, catarro escor­rendo, a cara quei­mada… Ele não falava quase nada de espa­nhol, eu entendi que ele estava indo pra Hua­cahu­asi, e pen­sei que a gente pudesse acompanhá-lo. Ele dizia “dulce”, deve ter sido uma das únicas pala­vras em espa­nhol que ele disse, e eu dei uma bola­cha reche­ada. No fim, a gente sacou que não ia obter nada dele. Aquela cena me lem­bra um conto do H.G.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Wells…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Enfim, — Sér­gio reto­mou — esse maluco aqui deci­diu pei­tar o desa­fio, e segui­mos por onde pare­cia haver uma tri­lha, que às vezes sumia, a gente ficava em dúvida, mas fomos adi­ante. Era longe pra burro, a gente nunca que ia che­gar no dia ante­rior. Foi nesse dia que a gente foi mais alto, eu vi neve pela pri­meira vez. Sei que a gente che­gou na casa do Jacinto (nues­tro hom­bre en Hua­cahu­asi), que ficava antes de che­gar na cidade mesmo — se é que dá pra cha­mar aquilo de cidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Você está esque­cendo que a gente encon­trou outro cara, um jovem, no final do tra­jeto, lem­bra o nome&amp;nbsp;dele?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Sem chance. Sei que ele me deu umas lições de que­chua, mas eu não guar­dei nada. Bem, quando afi­nal a cidade apa­re­ceu, todo esforço se pagou: a pai­sa­gem era linda! O luga­rejo ficava no fundo de um vale escar­pado — deu um bom tra­ba­lho des­cer! — e seguindo o vale tinha uma cas­cata enorme, espetacular.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Sér­gio olhou para André como que para “pas­sar o bas­tão”, e assim iam acer­tando os pon­teiro na nar­ra­ção compartilhada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ E a gente acam­pou lá, era no fim da tarde. Eram algu­mas casas de adobe ao longo de um ria­cho — o mesmo da cacho­eira. Aliás, eu tinha esque­cido, no começo da cami­nhada, quer dizer, par­tindo de Ollan­tay­tambo, a gente pas­sou por uma cacho­eira e não teve dúvida: entrou debaixo; num frio medo­nho! Enfim, quando a gente acor­dou no outro dia, tinha um monte de mole­que olhando pra gente como se a gente fosse ali­e­ní­gena! Muito engraçado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;O dire­tor entrou de novo em&amp;nbsp;cena:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Olha, eu tô me sen­tindo até mal com minha vidi­nha con­for­tá­vel de “elite branca” (era uma alu­são a uma decla­ra­ção de um polí­tico). Eu nunca me meti numa aven­tura remo­o­o­ta­mente parecida!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Car­men não ligou dessa vez, mas apro­vei­tou a inter­rup­ção para obser­var que fazia muito frio ali fora, e con­vi­dou a todos para entrar. Sér­gio pre­ci­sou acor­dar Kátia, que dor­mia encos­tada em seu ombro. Mais dois dos ato­res se des­pe­di­ram. Sér­gio per­ce­beu que a hora era avan­çada e só então, sendo o papo tão bom, lhe ocor­reu con­fe­rir o reló­gio (carís­simo), des­co­brindo que era uma e meia. Resol­veu apres­sar a nar­ra­tiva, que já estava mesmo perto do fim, e sina­li­zou a André, que prosseguiu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ A gente pegou a tri­lha para Lares. Moleza. Des­cendo, bem batida, e curta. Em Lares tinha águas ter­mais, foi o repouso mere­cido. A gente ficou o dia inteiro pra­ti­ca­mente de bobeira. À tarde a gente ficou espe­rando o trans­porte pra Cusco, e não viu nada. Só à noite a gente foi des­co­brir que era uma cami­nho­nete comum, que a gente viu mesmo sair. Paciência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Nós che­ga­mos a dar entrada em uma hos­pe­daje para ficar ali, quando apa­re­ceu uma van, a gente con­ver­sou com o cara, que disse que ia pra Cusco, e a gente subiu. Cara, eu só que­ria ter feito aquela trip de dia, para cur­tir a vista; a gente ia cor­co­ve­ando, des­cendo a mon­ta­nha; mas pelo menos tinha uma lua cheia. Chato foi a fiti­nha do George Michael! — os dois&amp;nbsp;riram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Então, aí quando che­gou em Calca a gente resol­veu des­cer. Ou foi em Pisaq que a gente dormiu?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Não foi Calca mesmo, no dia seguinte a gente foi pra Pisaq, conhe­ceu as ruí­nas lá. Já disse que eu gos­tei mais que Macchu Pic­chu, né? No mesmo dia a gente vol­tou pra Cusco e quando reto­ma­mos o quarto no hotel e entra­mos debaixo da ducha quente (sepa­ra­dos, é claro), — o dire­tor dis­pa­rou outra gar­ga­lhada — foi uma sen­sa­ção tão boa de dever cumprido!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Pois é. E ainda teve direito a mais um Mama África antes de vol­tar. Era cada enxa­dada, uma minhoca, lembra?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;_ Ô!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-clip: initial; background-color: white; background-origin: initial; line-height: 12pt; margin: 0cm 0cm 12pt; outline-width: 0px; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: Georgia, serif;"&gt;Dali em diante os ébrios con­vi­vas foram se dis­per­sando, se des­pe­dindo. Sér­gio teve difi­cul­dade para levar a sono­lenta morena embora (e no dia seguinte já esta­ria com outra). Car­men per­ce­beu que esque­cera a vitrola rodando sozi­nha, e des­li­gou tudo. Juli­ana, que ficou muito cha­pada com o beque, e ficou escu­tando tudo em silên­cio — ou ao menos a parte em que ainda estava acor­dada –, levan­tou gro­gue e rea­fir­mou a seri­e­dade da pro­posta, antes de ir embora com o dire­tor, que não pare­cia nem um pouco can­sado e ainda pas­sou uma não tão sutil can­tada em Sér­gio. Todos pro­me­te­ram vol­tar a se falar sobre o Projeto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-7321341650116451127?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/7321341650116451127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=7321341650116451127' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7321341650116451127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7321341650116451127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/12/projeto-pacifico_05.html' title='Projeto Pacífico'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-3844554762157300043</id><published>2011-12-04T19:00:00.001-08:00</published><updated>2011-12-04T22:17:11.331-08:00</updated><title type='text'>Dia de um Podólatra: Manhã</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Y16pvDctLAs/Ttxh37If_1I/AAAAAAAAAXs/nBPzW2M622M/s1600/prettyfeet2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-Y16pvDctLAs/Ttxh37If_1I/AAAAAAAAAXs/nBPzW2M622M/s320/prettyfeet2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Acordou devagar, e pareceram vários minutos aqueles instantes em que, desperto, fragmentos de sonho insistem que são reais e pedem que resolva alguma coisa urgente – era algo relacionado a um código ou algo assim. Olhou pela janela, claridade incipiente iluminava o muro onde se lia “só o cinismo salva”. Deve ser cedo: acordou antes de tocar o despertador, um minuto, como verificou; isso era razoavelmente comum e lhe parecia algo sobrenatural. Tinha que acordar cedo para ir ao dentista: dentista-aula-trampo-aula-prometo-que-vou-correr, passou-se-lhe em um átimo a agenda pela cabeça. Levantou-se como que impulsionado por molas – era um período em que estava bem disposto; livrara-se de uma renitente melancolia eivada de autocomiseração sem nenhum livro de auto-ajuda, apenas mandando tudo à merda mesmo: daí o slogan no muro. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sua boca seca tinha um gosto insuportável, e escovar os dentes e passar um café era talvez menos um remédio para isso do que uma justificativa para retomar o hábito que o provocava (não que um cínico precise de justificativas, aliás). Apertou distraído o tubo e saiu uma quantidade pletórica de pasta, bastante para escovar os dentes desta engrenagem absurda que chamam de mundo (cedo demais para suas metáforas idiotas, pensou). Vou inventar a máquina de pôr a pasta de volta no tubo e ficar rico; e de quebra vou desmoralizar essa tal termodinâmica. Enxaguou a boca e enxugou-se. Meteu os pés num chinelo e conferiu o tamanho das unhas: ainda não; uma de suas idiossincrasias era esperar que ficassem bem grandes antes de cortar (o prazer era maior e o risco de se machucar menor). Chaleira no fogo, lembrou-se de que não colocara um disco pra rodar; voltou ao quarto e meteu a mão a esmo na seção de jazz: Freddie Hubbard, pôs a bolacha no pino (o ato sexual mais frequente que realizava) e delicadamente depositou a agulha na borda, ligou o mixer e o ampli e... voilà. Uma coisa que ele curtia no bebop era que a bateria quase sempre já entra solando em cima das convenções dos metais. A garrafa, o coador, o pó, despeja... mais um pouco; buscou o maço, cadê a porra do isqueiro? Fechou a garrafa, acendeu o primeiro cigarro do dia no fogão mesmo. Ela vai perceber que voltei a fumar e vai dar um esporro: deixa os dentes amarelados (como se eu já não soubesse). Ligou o micro – o que já devia ter feito, para ganhar tempo; uma falha no seu algoritmo matinal. Tinha uma necessidade patética de aceitação, que se manifestava – dentre outras coisas – em piadinhas que compartilhava esperando a reação dos “amigos” virtuais. Nada. Zero. Desligou a parafernália: melhor assim, só ia perder tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Olhou o relógio: quarenta minutos, são no máximo quinze até lá. Sua serviçal tinha deixado fruta picada, comeu um pouco; tinha cereal e granola, mas nunca comprava leite. Ou pão, ainda que tivesse queijo. Dá tempo de ouvir esse lado. De volta ao banheiro, outro cigarro no cinzeiro, espumou o rosto arredondado; tinha o hábito de pôr a tampa na pia e assim usar a mesma água para limpar o barbeador (eu faço a minha parte, sorriu): barbeou-se uma vez, deu uma tragada e escanhoou-se apenas nas bochechas. Que pele linda que você ainda tem (sempre foi vaidoso). Olhou pra baixo. Recentemente tinha se apercebido de que seus próprios pés eram bonitos. Desde o tornozelo o contorno era harmonioso, sem tendões salientes, uma penugem discreta, o dedão bem desenhado, talvez só um pouco separado demais dos outros quatro dedos, que formavam uma diagonal perfeita. Que conflito: agora eu quero me comer. Mas eu já me fodo o tempo todo, mesmo! A caneca de café estava ao alcance da mão na pia de granito enquanto, sentado no vaso, lia um pouco do Bukowski. Delongou-se mais do que exigiu a fisiologia propriamente dita. Banhou-se cantarolando Beatles. Vestiu-se de jeans claros, uma camiseta vermelha do Trout Mask Replica (um sujeito com máscara de peixe e chapéu de turco), uma camisa também vermelha por cima. Nos pés, um lustroso sapato negro de bico quadrado, por sobre meias roxas. Pôs no pescoço um colar com duas voltas de sementes verdes e na cabeça seu chapéu de feltro marrom. Seu figurino favorito (ele veria aquela...). Escovou-se de novo, mesmo não tendo praticamente comido nada (mais de uma vez sentira o constrangimento de ir ao dentista de boca suja). Acertou a mão na pasta desta vez, pelo menos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O carro estava mais uma vez imundo com excrementos do pássaros que faziam ninho no telhado. Malditos. Ligou o som; o banco do passageiro estava repleto de estojos de disco, e o traseiro ainda mais. Começou a tocar Eric Dolphy; esse cara devia estar na primeira divisão do jazz, é o maior injustiçado do gênero. Mas já tinha escutado o bastante disso: voltou ao Avant Garde Project: Luciano Berio (adorava escutar essas maluquices no último volume e escrutar a reação das pessoas – carências...). Em dez minutos estava estacionando do lado de fora de um Qualquer-Coisa Center onde ficava a clínica odontológica. No hall, lá vinha uma mocinha bonita, morena de cabelos curtos, acompanhada aparentemente pelo pai, que lançou um olhar na sua direção e sorriu encabulada; infelizmente usava tênis brancos. Agora, demorara para achar um dentista confiável, ou uma, mas era simplesmente impossível escapar da Veja e da Antena 1. A revista bastava não ler (o velho Buk o acompanhava), mas contra a rádio seriam precisos fones de ouvido, precisava lembrar da próxima vez. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vamos entrando? Um pouco de conversa miúda, o tempo como sempre, esticou-se na cadeira e abriu a boca. Ela não falou do cigarro ainda. Voltou a pensar naquela. Tinha pés enormes, mas lindos. Obviamente os pequenos tendem a ser mais delicados, mas os dela eram muito bem feitos: os dedos roliços – o segundo maior que o dedão – tinham belas unhas pintadas de um inusitado azul claro havia uma semana. Além do mais, ela precisaria deles grandes para transportar quase um metro e oitenta de uma ruiva corpulenta mas ao mesmo tempo esguia como uma cascavel. Seus lábios carnudos estavam sempre pintados com um rubro que valorizava os cabelos, provavelmente tingidos, mas num tom muito natural, escuro. Faziam dois arcos até a altura dos ombros, dos quais ele viu um uma vez, quando ela puxou a camiseta folgada de lado: que ossos! Pode cuspir. O que mais a distinguia, entretanto, eram os óculos de armações enormes e transparentes, onde olhos castanhos claros pareciam perdidos. Esses mesmos olhos um dia, entrando na sala, cravaram-se nos dele, por longos segundos, e desde então repetidas vezes (repassou cada uma, lá com a boca escancarada). Uma beleza fora do óbvio, repetia. Ele tinha um plano para mais tarde. Saiu de lá com a boca torta, até fumar era estranho, e teve que desistir de cantar a música do Genesis que era a única que sempre lhe vinha à mente. Também não havia ninguém por ali para impressionar. Percorreu uma distância enorme, o que por um lado permitia ouvir mais música, e chegou ao campus da universidade. Subiu ainda mais o volume e prestou atenção num grupo de três jovens que passavam enquanto estacionava; a soprano disputava com as dissonâncias do piano e a percussão ensandecida no quesito esquisitice. Uma olhou chocada: estamos bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não se dirigiu diretamente à sala, tinha que buscar um café. No corredor, detectou um, dois três pezinhos bonitos. O bom da podolatria é que as pessoas simplesmente acham que você está olhando para o chão; você pode, por exemplo, devorar com os olhos o pé de uma garota acompanhada, sem nenhum constrangimento. Mas ele sempre torcia para que elas percebessem e demonstrassem alguma emoção, que fosse perplexidade ou até repulsa; às vezes ganhava mesmo um sorriso cândido, e essa era a glória suprema. Por isso acabou desenvolvendo um modus operandi: se o rosto e o estilo em geral agradavam, conferia os pés; sendo bonitos, encarava como um maníaco (sem esforço algum) e só daí buscava os olhos da moça. Às vezes nem isso: bastavam os pés; além do mais, olhar uma mulher nos olhos é mendigar sua atenção, não raro só obtinha uma expressão arrogante de desprezo. Dependendo de seu humor, não via nem o rosto, que podia estragar tudo (e o fazia muita vez). Na fila da cantina, se alguém podia chamar aquela espelunca de cantina, umas sandalinhas de couro o encheram de esperança, mas decepcionou-se logo: o terceiro dedo era maior que o segundo, e isso estragava tudo. Café duplo pra viagem; expresso, é claro. Foi fumar do lado de fora, e elas passavam: tênis, bota, chinelos... putz! Ela se aproximou mais, era morena de cabelos cacheados e longos, um rosto interessante, blusinha branca e saia florida. Os chinelos eram cor-de-rosa, trinta e cinco no máximo, ela era miúda; os dedinhos formavam uma parábola com ápice no segundo, a pele cor de caramelo. Coisa para os dez mais, cinco talvez. Olhou pra cima e ela estava olhando pra ele, mas disfarçou. Virou o pescoço para admirar o movimento das ancas. Velho tarado. Apagou o cigarro e foi andando até a sala. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dez minutos atrasado, tudo bem. Tinha uma moreninha que estava sempre com o cabelo molhado, às vezes olhava pra ele; estava logo na entrada, e ficou olhando pra sua camiseta. Só uma vez alguém a tinha reconhecido e comentado, foi logo após a morte do Captain Beefheart, na entrada de um show de Zappa Cover, terreno propício. Achou uma carteira e prosseguiu bebericando o café; discutiam um livro muito ruim que o fizeram ler: ia ter de se conter. Gostava de participar das aulas, mas tinha de se policiar: tentava filtrar o que era relevante do que era mera vaidade intelectual. Olhou na direção da morena; ela olhou de volta, rápido. Deve ter namorado. Ele tinha pesquisado: redes sociais e tal, havia uma referência a um Carlinhos (não tinha o menor respeito por homens que aceitam ser chamados por um diminutivo) meses atrás, depois nada; omitia o “status de relacionamento”. O cabelo molhado era porque estava vindo do remo, e ela trabalhava em um órgão vizinho ao seu, inclusive. Nada muito interessante, melhor esquecer. Acabou levantando o dedo e falando alguma bobagem: tinha um jeito muito cordato de alfinetar a professora e toda sua concepção literária, e o fazia com certa elegância nos trabalhos escritos, que eram corrigidos óbvia e infelizmente pela monitora. Aliás, que monitora: a negra mais bonita que já vira não seria exagero nenhum. Acho que nunca vi seus pés, pensou. Virou-se e lá estava ela, mas os pés ficaram eclipsados. Mais dez minutos e eu busco outro café. E um anti-ácido: tinha sempre no carro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No intervalo, teve uma surpresa, a moreninha dos chinelos cor-de-rosa estava sentada em uma das mesas, com um computador portátil; pediu o café, na xícara agora, e sentou-se defronte a ela e abriu o Bukowski. Volta e meia ria com o livro (isso sempre chama a atenção das pessoas), e às vezes flagrava os olhinhos dela, quase negros, na sua direção. Será a camiseta? Não demorou até que ela se levantasse e sumisse, gingando tão suavemente no caminho. Mais um duplo, mais um cigarro e de volta à aula. Os olhos da morena. Ela também estava de chinelo, azul escuro ou preto talvez; seus pés não eram feios, longe disso, mas também não o entusiasmavam. Ali do outro lado tinha outra bem charmosa, mas que parecia simplesmente não estar lá. Aliás, ele também não estava: estava na aula da noite. Quando percebeu, estava respondendo chamada. Entrou no carro e o volume obviamente exagerado o assustou: à medida em que os ouvidos se acostumavam ele ia subindo; sabia que tinha que mudar isso, afinal um idiota com o volume alto demais é um idiota não importa o conteúdo musical.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-3844554762157300043?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/3844554762157300043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=3844554762157300043' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/3844554762157300043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/3844554762157300043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/12/dia-de-um-podolatra.html' title='Dia de um Podólatra: Manhã'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Y16pvDctLAs/Ttxh37If_1I/AAAAAAAAAXs/nBPzW2M622M/s72-c/prettyfeet2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4506583219251812711</id><published>2011-11-22T18:15:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T08:15:35.063-08:00</updated><title type='text'>Get Up, Stand Up</title><content type='html'>Não sei mesmo o que estou fazendo aqui, porque ninguém nunca ri das minhas piadas. Uma vez no trabalho um colega disse que estava com uma ressaca homérica. Eu disse que era o porre que era homérico, a ressaca é dantesca. Silêncio sepulcral. Mas vamos adiante, de qualquer forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia.uma dúvida me assaltou: levou minha carteira, meu celular e meus óculos. Daqui pra frente eu só terei certezas. Mas dizem que a única certeza que a gente tem é a morte, o que até eu vou concordar que é muito pessimista. Se você está vivo pra ter certeza, então pelo menos a vida é uma certeza. Penso logo existo (o que é outro clichê); mas, se tem tanta gente que não pensa e exista mesmo assim, o postulado deveria ser existo logo existo. A gente não precisa ter medo da tautologia; aliás, às vezes me perguntam o que é tautologia:&amp;nbsp;tautologia é&amp;nbsp;tautologia, ora! Não esquecer também que a conclusão do brilhante filósofo do século XVII não resiste à hipótese solipsista: tudo existe na consciência, e a própria consciência de si pode existir mesmo sem um si (até porque mesmo a coisa-em-si-e-para-si do Hegel foi transposta pra lá menor por Bach, sem nenhum problema - fora o anacronismo, claro). Pois bem, o solipsismo é uma doutrina que não tem muitos adeptos fora dos filmes do Woody Allen, mas eu mesmo sou presidente da Associação de Solipsistas de Brasília. É verdade. Também sou fundador e único membro do Clube de Misantropia: mas não podemos aceitar ninguém que queira se associar a algo assim (o que é a frase do Groucho ao contrário, se eu preciso mastigar pra vocês).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não sou só misantropo e solipsista, não. O que realmente me define é o Cinismo Engajado, vou explicar. Como dizia o Cazuza, as pessoas costumam querer uma ideologia pra viver. Muitas levam isso muito a sério, outras compram só os adereços, mas no fim o que se vê é muita conversa jogada fora, e a mesma dança estúpida e fora do ritmo. Tantas convenções sociais e rebeldia tola (que diferença faz?), tabus morais e transgressões vazias&amp;nbsp;(que diferença faz?), superstições religiosas e racionalismos tacanhos&amp;nbsp;(que diferença faz?), discussões estéticas pedantes e mau gosto massificado&amp;nbsp;(que diferença faz?), tantos ismos e pós-ismos&amp;nbsp;(que diferença faz?), teóricos cada vez mais incompreensíveis&amp;nbsp;(que diferença faz?), tantas escolas e vertentes, tantas teorias e palpites... Que diferença faz?&amp;nbsp;Ora, que diferença faz qualquer coisa?&amp;nbsp;Pra alguém que já vive mesmo preso na própria cabeça, a opção lógica é pelo niilismo. E isso traz uma paz enorme: o niilismo é a versão cínica do zen. Além do mais, é muito mais prático: o Cinismo Engajado é uma postura... veja bem, mais que uma ideologia é uma anti-ideologia; enfim, uma postura filosófica, política, moral, religiosa, estética, acadêmica, afetiva... qualquer coisa! É uma espécie de carta-coringa, ou mesmo uma imunidade diplomática contra consciência pesada, uma racionalização pré-moldada. Verdade seja dita que tem uma ideologia que eu não consegui abandonar, que é a podolatria (há pés interessantes na plateia hoje); e pra ser totalmente honesto, ainda guardo um sentimento ético, como um souvenir, deve estar em algum lugar aqui... não, acho que esqueci em casa. Alguém pode me emprestar o seu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4506583219251812711?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4506583219251812711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4506583219251812711' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4506583219251812711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4506583219251812711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/11/get-up-stand-up.html' title='Get Up, Stand Up'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8575509644261109303</id><published>2011-10-21T20:50:00.000-07:00</published><updated>2011-10-22T11:18:54.490-07:00</updated><title type='text'>Sylvie Courvoisier's Lonelyville: Cosmorama</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/RMlR4WnP8VU" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;Sylive Courvoisier: piano, composition; Mark Feldman: violin; Vincent Courtois: cello; Ikue Mori: electronics; Gerald Cleaver: drums.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: small; line-height: 14px;"&gt;No Jazz em Agosto 2008, além de Zorn/Frith e Brötzmann Chicago Tentet, vimos a Sylvie Courvoisier. Como não achava na rede, encomendei o CD. Cosmorama tem o ostinato mais hipnótico da história. Subi no Youtube: mais um serviço à humanidade que não será reconhecido.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8575509644261109303?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8575509644261109303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8575509644261109303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8575509644261109303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8575509644261109303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/10/sylvie-courvoisiers-lonelyville.html' title='Sylvie Courvoisier&apos;s Lonelyville: Cosmorama'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/RMlR4WnP8VU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5069614453271860874</id><published>2011-10-15T22:31:00.000-07:00</published><updated>2011-10-22T22:21:45.172-07:00</updated><title type='text'>A Passagem IV</title><content type='html'>Caminhava sob uma fina chuva até a entrada da passagem. Seu pensamento se dividia entre o primeiro encontro com Borges e a moça que conhecera. Perguntava-se: estar mais magro teria sido decisivo? Em que medida era sua personalidade que a atraía? Teria resolvido seu problema? Estava pondo esperança demais novamente naquilo que nem se podia chamar relacionamento? De uma forma ou de outra, pensava, que diferença entre este dia e aquele! Na verdade nem sabia mais o que pedir... Se o painel de Borges funcionou, não havia por que duvidar da chave para a nova abertura da passagem, e se a previsão do astrônomo estava correta ou não, ele estava prestes a saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar o guarda-chuva no carro talvez não tenha sido boa ideia, e quando chegou à boca do túnel, Jaime estava bastante molhado. Tirou o celular do bolso para acender a lanterna, e na mesma hora - coincidência extrema - ele vibrou com um sinal de mensagem: Bárbara. Não poderei sair no sábado. Putinha. Ligou: não atendeu. Pronto, eu sabia, eu sabia. Sempre o mesmo. Talvez seja ainda pior quando dê um gostinho, alimente uma esperança. Da Nazi ou da Ingrata que posso falar? Nada. Merda. Encostou-se à parede nada recomendável da passagem e não chorou por pouco, mas seria de raiva se o fizesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá... encontrou o azulejo quebrado, mas achou estranho o fato de que o pedaço que cobria o botão estava faltando. Apontou a lanterna para o chão e lá estava ele. Teve antes uma certeza que uma desconfiança, bastava confirmar. Acionou o dispositivo, o chão girou, achou-se no corredor infinito. Até agora, nada do anão. Foi andando tateando com o braço direito a parede. Andou um bocado mas achou a segunda passagem, e a porta. Detalhe: havia um guarda-chuva ao lado dela, um que não combinava com a elegância do senhor Borges, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aberta a porta, lá estavam instalados nas duas poltronas J.L. Borges, em um garboso terno gris, e o folgado do outro Jorge, o mesmo que você já estava esperando, o astrônomo diletante; em um banquinho se instalara o anão, cuja gargalhada estridente se destacava das outras. Olharam todos na direção de Jaime, Jorge um pouco constrangido, Borges - estranhamente bem humorado - mandou um Hola, pibe! e o anão levantou-se sinalizando a Jaime que lhe tomasse o lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velha rotina de auto-vitimização: não se pode confiar em mulheres, não se pode confiar em amigos. Jaime acendeu um cigarro antes de aceitar se sentar, e mantinha a cara fechada. Jorge se apressou a se explicar: Olha, foi mera curiosidade... eu me envolvi afinal, você sabe. Mas estávamos esperando por você. Ah! E a conversa estava bastante divertida, pelo que parece. Pibe, calmate. Antes de mais nada, eu vejo que estás muito mais magro! Bem, isso é verdade; e eu agradeço. Não é necessário, eu não fiz nada! Agradece ao painel... Mas já que falaste nisso, veja isso aqui. Levantou-se e caminhou usando a bengala até uma prateleira de onde trouxe um jornal. Desmatamento na Amazônia Fora de Controle. Veja a data, pibe. Era dali a cinco anos. Todos querem comer carne e perder peso, pibe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem aqui comigo, pibe. O anão se apressou a abrir a porta que levava à câmara com o painel. Borges acionou alguns comandos e de repente o monitor começou a exibir imagens a uma velocidade indescritível. Foram alguns instantes que Jaime ficou ali, mas sua impressão foi de ter visto a totalidade dos relacionamentos humanos. Desde as pessoas que levaram existências inteiras solitárias, perto das quais sua vida era extremamente movimentada, passando por gente que suportou relações de aparência a vida toda, e ficou mesmo uma impressão de que boa parte da felicidade do mundo era mera aparência, pessoas que viviam infernos insuportáveis por causa de outra, muita gente como ele, que vivia dando cabeçada, e geralmente acertava uma, e um exemplo ou outro de felicidade genuína, aqui ou ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jaime levou a mão ao queixo: seu egoísmo lhe era evidenciado uma vez mais. E, no fim, ficar magro nem tinha resolvido seu problema. Não ia mudar o fato de que as mulheres são... enfim, como são; de que ninguém fora ele ia reconhecer nele um certo charme excêntrico; de que o acaso determina tanto em nossas vidas. Não havia nenhum fator da realidade que pudesse mudar ipso facto sua sorte, nem faria sentido pedir que mulheres sentissem tesão por caras com livros (provavelmente ia aumentar ainda mais o desmatamento para produzir papel). Respirou fundo. O anão apareceu ao seu lado com uma bandeja onde havia um copo de uísque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que Jorge se adiantou, entrando também na saleta: Eu conversava com o Borges, Jaime, sobre como melhorar o mundo usando este painel. Você sabe, eu me considero um socialista, então o primeiro que veio à mente foi pedir uma sociedade sem classes. Você sabe que ele é um aristocrata e riu da minha cara, disse que alguém precisa trabalhar para que os outros possam criar, eu discordei, aí ele perguntou se eu lavava meu banheiro, eu fiquei quieto; então ele disse que mesmo que se estabelecesse essa sociedade, uns iam começar a acumular e logo teríamos as classes de volta, e os banheiros voltariam a ser limpos. Era disso que ríamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoiando o queixo na bengala, Borges fitava Jaime e, com uma sobrancelha arqueada e um ar cínico disse: Tu conheces este tipo de fábula, pibe, e a moral é sempre previsível. E não me metas em má literatura de novo. Tirou uma baforada do charuto e completou: agora é a hora do teu pedido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou ficando esclarecido que Bárbara tivera apenas um contratempo qualquer, e não atendera porque entrara no elevador, e depois foi ele quem entrou no túnel. Saíram algumas vezes, mas não sei dizer se deu em coisa mais séria. Acho que o importante foi que depois de todo o episódio ele conseguia levar a vida com mais leveza. Quando o reencontrei anos depois ele se referiu àquilo como um sonho que tivera, e me contou que sua esposa esperava um filho. A notícia que Borges mostrou nunca foi publicada, e as revistas pararam de recomendar a dieta da carne.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5069614453271860874?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5069614453271860874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5069614453271860874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5069614453271860874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5069614453271860874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/10/passagem-iv.html' title='A Passagem IV'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-331879633787613445</id><published>2011-09-02T09:54:00.000-07:00</published><updated>2011-09-26T20:43:07.487-07:00</updated><title type='text'>Senhorita</title><content type='html'>Me excita, senhorita mistério&lt;br /&gt;Este teu ar sério&lt;br /&gt;Ou como quando me fitas&lt;br /&gt;Centelhas infinitas&lt;br /&gt;Abrasam o cerrado ressecado&lt;br /&gt;Deste músculo tão maltratado&lt;br /&gt;Me excita, senhorita surpresa&lt;br /&gt;Tua&amp;nbsp;fulgurante, inusitada beleza&lt;br /&gt;Me excita teu gosto ao vestir&lt;br /&gt;Ou a desenvoltura&amp;nbsp;em exibir&lt;br /&gt;Pernas que parecem não terminar&lt;br /&gt;Mas terminam, em pés - tão lindos -&lt;br /&gt;que me poderiam pisar&lt;br /&gt;A teu bel prazer, que é meu&lt;br /&gt;O que é dizer eu sou teu&lt;br /&gt;Mas sequer te conheço, senhorita encanto&lt;br /&gt;Como pode que me estanques o pranto?&lt;br /&gt;Isso é uma barbaridade; que seja&lt;br /&gt;Tão longe quanto eu veja&lt;br /&gt;Sopram ventos de mudança&lt;br /&gt;Bem vinda, senhorita esperança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-331879633787613445?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/331879633787613445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=331879633787613445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/331879633787613445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/331879633787613445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/09/me-excita-senhorita-misterio-este-teu.html' title='Senhorita'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-2072637374317997216</id><published>2011-08-31T21:38:00.000-07:00</published><updated>2011-09-07T14:20:19.001-07:00</updated><title type='text'>A Passagem III</title><content type='html'>Ninguém mergulha duas vezes na mesma merda. Ou não deveria. Jaime tinha a desculpa de um livro que precisava comprar (e era fato que as demais livrarias eram um lixo), mas é bem verdade que queria ver a putinha ingrata. Ainda mais trinta quilos mais magro. Claro que ela não deu a mínima. Trocaram comentários sobre música, lançamentos: gostou do Yes?, shows que aconteceriam: ambos iriam ver o Pearl Jam no Rio (conteve-se para não repetir que começou a ouvi-los quando ela ainda não falava, o que dissera à literária); um pouco sobre literatura, preciso ler Faulkner; gostou do Woody Allen? (ele a convidara e ela recusou); ele falou sobre a viagem, das livrarias de Buenos Aires (não, o Ateneo é só um shopping center), sentiu uma angústia de não poder contar nada quando falou em Borges; comentou (ela só respondia, enquanto arrumava os livros, muito profissionalmente) do festival de teatro que acontecia, que vira uma montagem de Ricardo III (ele se declarara apaixonado no dia em que a conheceu; pela peça, claro); ela disse que talvez fosse; nem pense em convidá-la, você sabe onde isso acaba; tem usado meu presente?; ah, claro!; sabe que eu estou com um coleção de King Crimson formidável, e passou a enumerá-los; ela estava graciosa como de costume, uma saia azul e sapatos da mesma cor laranja da blusa; era esguia e tinha cabelos bem negros, uns olhinhos muito vivos... nymph in the prime of youth, como dizia um dos versos que ela desprezou. Olhou-a nos olhos, suspirou entre inconformado e envergonhado com sua própria estupidez, e despediu-se, saboreando a pele macia de sua bochecha. Sabia o que o esperava: o preço de quinze minutos agradáveis ao lado dela eram dois dias chorando. Ela nem falou nada. Putinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltava uma semana para a abertura da passagem. Telefonou a Jorge: ele era apenas um pouco mais velho, e solteiro, passou-lhe pela cabeça convidá-lo para sair à noite, queria perseguir umas minas agora que estava magro. E com a molecadinha da UnB estava claro que não dava pra fazer nada. Jorge topou e combinaram um desses pubs com música ao vivo, numa sexta. Jaime achava bom ter alguém com quem conversar sobre a passagem, mas ao mesmo tempo se perguntava que consequências a revelação poderia vir a ter; por enquanto, iam se tornando bons amigos. Você já sabe o que vai pedir? - disse ainda na fila, depois de alguma conversa miúda. Talvez seja melhor a gente não falar sobre isso... E como não? Acha que é pelos teus olhos verdes que estou aqui? Jorge, olha... eu estou vendo essa história se complicar... Mas agora é tarde, meu caro. Além do mais, eu te ajudei, não? É mais do que justo que você ao menos compartilhe comigo. E fê-lo descrever a luminescência fosforescente do corredor, o anão e suas cartas mágicas, e pareceu especialmente interessado no botão que abria a passagem, por detrás de um azulejo quebrado. Porra, Guns 'n' Roses, faz vinte anos que eu ouvia isso; essa não pode faltar nunca. Meu, desencana disso de idade, é só uma crise dos trinta. A dos trinta eu já vivi, esta é a dos trinta e um. De qualquer forma, olha essa molecada de vinte e poucos; você quer ser assim? É, tem razão; eu só preciso conhecer gente da minha idade, mas nesta cidade... &amp;nbsp;Enquanto falavam, Jaime passeava os olhos pelo ambiente que começava a se encher. Tinha uma moreninha de cabelo curto, que não era exatamente gata, mas parecia estar devolvendo seus olhares. Aqui tem umas cervejas importadas bem legais. Jorge não conhecia o lugar; na verdade, não era muito de sair. Jaime encontrara alguém ainda mais misantropo. De repente trombaram a moreninha mais uma vez, e mais uma vez ela ficou olhando. Jorge voltou à carga: vai pedir o que a Borges? A paz mundial? Jaime olhou espantado; só agora percebia como era egoísta.&amp;nbsp;Nã... já até imagino o que ele diria, que o painel não cuida disso, pibe. Além do mais, não estou ligando muito pros problemas do mundo. Você também não tem namorada, né Jorge? Não... eu saí um tempo com uma frequentadora do clube. A gente olhava as estrelas juntos. Que romântico. Pois é; ela não era feia demais, e a gente tinha um interesse em comum. Um dia ela disse que era antiético, balela, eu sei que ela se encantou de um frangote que começou a frequentar o clube, outro dia eu vi os dois, vendo o eclipse. São todas umas putinhas, meu amigo. Só muda o epíteto. Jorge disse que ia ao banheiro.&amp;nbsp;Nosso herói foi até o balcão e pediu uma Amsterdam: uma paulada com 7% de álcool. A morena estava bem ali, junto de sua amiga loira de ar antipático. Jaime criou coragem, aproximou-se e arriscou um singelo "olá". A putinha o olhou de cima a baixo com&amp;nbsp;um ar de desprezo que o enfureceu. Tocava Day Tripper, e ele riu a pesar de si mesmo: she's a big teaser. Jorge não entendeu quando voltou e o amigo já queria ir embora. Nunca tive saco para este tipo de coisa, cara. Não suporto ter que mendigar a atenção dessas... Putinhas. Exato. Mas isso vai mudar: eu vou pedir ao Borges que as mulheres tenham tesão em&amp;nbsp;cultura e não em músculos. Não é o que você queria saber? Cara, você é maluco. Olha, a música tá boa, vamos ficar vai, relaxa. Ficaram. No intervalo deram uma circulada e Jorge encontrou uma colega de faculdade, e ela estava com duas amigas; uma delas assaz interessante. Chamava-se Bárbara, tinha cabelos ruivos, curtos, usava óculos enormes que lhe davam ara de intelectual. Também era funcionária pública, quem não era naquela cidade!, e tinha feito Letras e Direito; Jaime puxou assunto sobre literatura e ela mostrou saber mais que ele - ou que a putinha da livraria -; ele se exibia com o pouco que sabia de qualquer coisa, ela sorria com ar de interesse, nos dois sentidos. Aliás, interessante palavra, interesse: ele não sabia nada de filosofia, mas lembrou-se do que aprendera&amp;nbsp;em uma aula, e achou por bem tentar impressioná-la: não concordo com&amp;nbsp;Kant quando diz que um julgamento estético deve ser desprovido de interesse; eu não poderia te achar bela, e isso não faz nenhum sentido. Ela lhe sorriu por detrás do canudinho de seu drink, com toda sua amável faceirice. Ele não conseguiu juntar coragem para beijá-la naquele momento e se sentiu constrangido.&amp;nbsp;Quando a banda voltou tocando Led Zeppelin a conversa partiu por esse caminho (ela só conhecia aquele sucesso), ele contou de quando tocava bateria nas festinhas da (primeira) faculdade, ela achava tudo o máximo. Trocaram então um olhar que não dava margem a dúvidas, e ele enfim se aproximou e experimentou aqueles lábios convidativos. Foi uma noite agradável, afinal, um grande alívio na verdade. Trocaram telefones, ele ficou ainda mais feliz quando a banda fechou com The Who, e ele deixou a Jorge e então a ela em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idiota como era, e idiota carente, como era pior, ficava alimentando quimeras, e por mais que tentasse se convencer de que, ora, vocês ficaram ontem, amanhã ela fica com outro e bola pra frente... a verdade é que fermentava ali mais uma das suas. O que ele precisava mesmo é de algo significativo, e aquele aperitivo só lhe aumentava o apetite. Se segurou no sábado, mandou mensagem no domingo. Para sua surpresa ela respondeu de modo bastante animador; Na terça ligou e conversaram bastante, ficaram de se ver no fim de semana. Parecia que os deuses galhofeiros davam uma trégua ao nosso querido psicopata. Por isso mesmo, quando chegou a quinta e ele estacionou o carro na 209 - já eram dez e meia, tinha tido prova - e caminhou até a passagem, não era uma panela de fel em ebulição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-2072637374317997216?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/2072637374317997216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=2072637374317997216' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2072637374317997216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2072637374317997216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/08/passagem-iii.html' title='A Passagem III'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-9124799784053870820</id><published>2011-08-19T13:42:00.000-07:00</published><updated>2011-09-05T14:15:19.357-07:00</updated><title type='text'>A Passagem II</title><content type='html'>Acordou tentando sacudir a sensação de incredulidade. Um pouco como uma ressaca, que – não sendo tão intensa a bebedeira a ponto de apagar toda a memória – nos faz batalhar um tempo com um vago receio, que pode se converter em certeza, de ter feito merda. Não era o caso, não tinha bebido demais; tinha se emputecido ainda na metade da festa. Além do mais, as lembranças eram muito nítidas; e, por mais que tivessem um sabor onírico, Jaime por fim se levantou convencido de que visitara Borges embaixo do eixão norte. Mas, para ter plena certeza, só tinha um caminho: experimentar se a alteração de realidade operada no improvável painel de controles estava valendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buscou o carro na oficina e foi trabalhar. Tinha todo o tempo aquele sorrisinho besta de quem sabe um segredo. À noite, não foi pra UnB: passou no supermercado e se armou para a guerra. Picanha, quatro peças; um bife de chorizo; frango, sobrecoxas e tulipinha da asa; linguiça toscana, dois quilos; pão de alho, dez pacotes; queijo de coalho, dez pacotes; carvão de dez quilos, álcool, pão... Assaltou-lhe uma dúvida: cerveja estaria metonimicamente incluída no conceito de churrasco? Que se foda: quatro fardinhos de doze latas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que não era a primeira vez que fazia churrasco solo. Adorava o poder que tinha de colocar as músicas mais improváveis – de Tom Waits a Stockhausen – para um churrasco. Tivera más experiências bastantes com situações em que se tentava agradar às visitas, e não conseguia ouvir sequer um Pink Floyd. Acendeu o fogo, colocou um Vandermark 5, e pôs uma toscana para começar; esquenta o fogo, dizem. Enquanto isso foi dar uma olhada no e-mail. Não tinha nada interessante, mas viu que a putinha literária estava on-line. Era uma jovenzinha encantadora: linda, charmosa e inteligente, uma coleguinha da UnB. Tinham conversado algumas vezes, e iniciaram o contato eletrônico ironicamente por conta de um churrasco para o qual Jaime a convidara (e ela não fora); agora ele tinha sempre que se segurar para não incomodá-la o tempo todo. Afinal, ela tinha namorado (sim, outra); e a verdade no fim é que ele conseguira dessa vez não pular de cabeça (mas não queria estragar alguma chance futura). Vai demorar, pensou, olhando a linguiça. Arriscou: e aê!/(pausa prolongada) ei!/(pensou um pouco) não teve aula?/ah, tenho que terminar uns lances do projeto. e vc? /biquei. vou assar uma carne :)/seu vagabundo =)/ cola aí/ não posso/ que moça dedicada... estou atrapalhando/ não, eu tinha feito uma pausa/ vc tem trinta projetos ao mesmo tempo!/ são três :P (pausa) viu? vc tá sacando tudo de sintaxe, que eu sei/ imagina!/ eu quero que vc me ajude com os estudos dirigidos/ ué, no que eu possa ajudar, avec plaisir, mademoiselle./:P estou estudando italiano/ ah, ciao bella! :)/ :) é, acho que vou fazer um lanche.../ok, ragazza. che vediamo doppo./si :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguiça estava indo devagar, colocou um pão de alho. Largou o computador, estendeu a rede e pegou um livro sobre a história do jazz para ler. Mas mal leu uma página se pôs a ruminar a experiência da véspera. Teve o impulso de voltar à passagem, mas se lembrou da conjunção estelar necessária. Será que se lembrava do nome das estrelas? Tinha uma tal galáxia Andrômeda... Centauro! Putz... devia ter anotado. Voltou ao micro e pesquisou. Descobriu um clube de astronomia em Brasília; anotou o endereço. Foi dormir meia peça de picanha mais tarde, e suavemente inebriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia o despertador tocou cedo. Escovando os dentes pensou: e se a passagem se abrir de novo, vou pedir o quê? Ou ainda: se eu for ao clube de astronomia, vou perguntar o quê? Deitou-se mais um pouco. Eu preciso primeiro verificar o primeiro pedido; mas é bom saber quando se abre de novo o portal. Caramba, eu posso alterar a realidade a meu bel prazer, é uma responsabilidade enorme. Será que essa é só mais uma oportunidade que eu vou estragar? Sacudiu a cabeça e se levantou. Esquentou no microondas os restos do churrasco (devo estar infringindo algum código de ética).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquele dia em diante, sempre assava uma carne à noite; matava a segunda aula, ou ficava até de madrugada. No almoço, ia a um desses restaurantes com churrasco e se empanturrava de carne. Pesquisou na internet até descobrir as estrelas que Borges indicara. Visitou o clube de astronomia e consultou o mapa celeste do dia mais inacreditável de sua vida. O presidente do clube, que lhe recebeu muito bem, se chamava Jorge (não conteve uma gargalhada). Mostrou como as quatro estrelas formavam duas paralelas e indagou incisivamente como saber quando aquilo se repetiria. Jorge franziu o cenho, coçou o topo da cabeça e respondeu que era um belo problema, os aficcionados adorariam trabalhar naquilo. Enquanto isso, as pessoas começaram a comentar como estava mais magro; pesou-se: 95. Muito churrasco pela frente. De fato, a mágica não valia só para ele, e as revistas começaram a recomendar a dieta da carne, os médicos se apressaram a explicar que tal aminoácido disparava tal processo metabólico. A carne começou a aumentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse período também se deu algo digno de relatar. A putinha literária queria ajuda em sintaxe, como já sabemos; ele repetia a si mesmo "não é flerte, comporte-se". Marcaram e ela não apareceu, mas ligou mais tarde, justo quando ele apresentava seu seminário sobre os Lusíadas; ele retornou depois. Conversa vai, conversa vem, foram parar no Café com Vinil. Apenas amigos, comporte-se, seu psicopata. Mas a esperança, essa fênix dos infernos... Você está mais magro. Obrigado. E você linda como sempre. Sorrisos constrangidos, cardápios, eu quero uma cerveja, outra pra mim; ele pede um Ray Charles. Passaram a rememorar os tempos de escola, os dela tão recentes, os dele com tantas cabeçadas intervenientes; ele narrou um pouco dessas cabeçadas. Ela disse que optara por letras porque sempre escreveu bem, o que ele não repetiu por falsa modéstia; ambos haviam considerado jornalismo e desistido pelos mesmo motivos. Falaram mal de alguns professores, um pouco da incerteza do futuro e de seus incipientes projetos. Ah, é claro, ela explicou o teor das pesquisas em que estava envolvida. A dado momento ela recebeu o telefonema do namorado. Ele aproveitou para voltar à realidade. Essa putinha só quer me envolver e me fuder no fim. Depois de algum tempo e outros assuntos, chega o tal do namorado. Um brutamontes, musculoso e com ar apatetado. Ele foi político o resto da noite, mas não teve o mesmo sabor o Miles Davis que pediu (nem o filé nem o Bitches Brew).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Musculoso. Sempre achou tão patético isso. Mas as minas curtem. Já sei o que vou pedir ao Borges quando voltar lá. Voltou a visitar o clube; Jorge era todo amabilidades: apresentamos sua questão em fóruns internacionais, gente do mundo inteiro se envolveu. Foi um hindu quem matou a charada. Mas... Jaime, você ainda não me explicou por que é tão importante determinar essa conjunção. Jorge, se eu te contasse, você diria que estou louco. Talvez esteja, talvez sempre tenha sido. É que... Não me diga que é astrologia. Não, não é. Tudo bem, vá lá. Mas nem preciso dizer que é um segredo entre nós. Se você sair contando a toda comunidade, nem sei a confusão que pode dar. E contou. Jorge ficou boquiaberto, sem terminar de acreditar. Levou Jaime até um computador e mostrou a mensagem: faltava pouco mais de um mês para que se abrisse a passagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-9124799784053870820?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/9124799784053870820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=9124799784053870820' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/9124799784053870820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/9124799784053870820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/08/passagem-ii.html' title='A Passagem II'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4712916732324421196</id><published>2011-08-01T19:22:00.001-07:00</published><updated>2011-08-19T12:54:49.431-07:00</updated><title type='text'>A Passagem I</title><content type='html'>Jaime se emputeceu com a festa a dado momento. Bando de adolescentes tardios bem nutridos advindos de famílias de classe média alta se entupindo de maconha e birita e falando “véi” a cada três palavras. Ele era um pouco mais velho, já vivera aquele ciclo uma vez e agora, na segunda graduação, sentia-se um tanto ridículo perseguindo gatinhas de vinte anos. Até se esforçava para se enturmar, mas sempre chegava uma hora em que sua misantropia falava mais alto. Esta era uma delas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha ido à UnB de carona, seu carro estava quebrado; mas não queria pedir a seu amigo – vá lá, colega – para ir embora e lhe estragar a festa. E mesmo que tivesse crédito no celular provavelmente não ligaria pra pedir um táxi. Ia voltar andando; fazia isso quando estava puto, pra poder ficar maldizendo a sorte. Detalhe: morava na 912. Para quem não conhece Brasília, até o que é perto é longe para ir andando. Era chão pra burro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu do Teatro de Arena e contornou o Minhocão, que estava fechado, cruzou o estacionamento; na L3 parou no posto e comprou cigarros. Seguiu até a L2, à medida em que repassava todas suas desventuras amorosas recentes. Nem se lhes podia chamar assim, provavelmente, pois eram menos relacionamentos malogrados que quimeras que engendrava dentro da própria cabeça e que tinham o fim previsível. A mocinha da livraria, por exemplo. Dezenove anos. Você, um homem feito... feito de idiota! Era um dos grandes momentos de seu solipsismo. Ninguém vai rir, lembrava do conto do Kundera. Risíveis Amores. Poemas... chocolates... lembrava-se dos primeiros diálogos, em que descobria que aquela criatura que já lhe encantara pela beleza tinha um gosto musical e literário absurdamente compatível com o dele; lembrava-se do dia em que lhe deu uma pick-up de presente: sim, também tinham em comum o gosto pelo vinil. Putinha ingrata. Mas também você queria que ela ficasse obrigada a gostar de você por gratidão? A culpa é toda sua. O cheiro não vem do ralo; não é você que usa o banheiro? O cheiro do ralo vem de você. Ah, vai lá pede desculpas então. Por se apaixonar. Quando atravessava a 407, era a vez da loirinha, que veio a descobrir depois de um tempo ser lésbica (meno male, pensava). A professora veio a lhe lembrar de quando ela defendeu as experiências dos nazistas. Putinha nazi. Bem, era só um rostinho bonito e não tinha nada que ver comigo. Estava superada, mas na época foi uma paixão arrebatadora. Por conta de um olhar que lhe pareceu interesse, no primeiro dia de aula. Bem, tem aquela famosa linha do Bardo, que na verdade é de Marlowe, sobre amor à primeira vista. Eu sou o único idiota no mundo que leva isso a sério. Claro que estava suscetível dado o que viera antes (e já alcançava as 200): tinha pirado em resgatar um relacionamento antigo – que mal se configurara namoro – com a peculiar circunstância de que ela estava em outro estado, e casada. Claro que não serviu de lição, pois quando mal escapara da putinha ingrata pirou em outra mina com namorado. Fora outras de menor importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava chorando a essa altura. Porra, eu sei que eu sou um cara interessante. Tá bom, meio excêntrico, difícil achar alguém que compartilhe meu universo (como a putinha ingrata, por exemplo), mas porra... Será que me acham arrogante? Eu sei que eu sou bonito também; eu vejo como atraio olhares... olho verde... posso estar gordo, mas caralho... Lembrou do colega de trabalho que era um paquiderme e tinha uma esposa linda – aliás detestava que levassem esposa e filhos para exibir. Estava atravessando o eixinho. Que será que eu estou fazendo ou deixando de fazer que não me permite conseguir uma mina? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofereceu-se-lhe então uma alternativa: atravessar o eixão por cima, mais rápido mas um bocado perigoso (ainda havia bastante movimento), ou encarar as fétidas passagens subterrâneas. Provavelmente não foi por prudência, mas para punir a si mesmo que optou por passar por baixo. Era um corredor de uns três metros de largura, coberto de azulejos – vários faltando – cobertos de pixação; o odor era nauseabundo: de urina se estás com sorte, amiúde de merda mesmo. Era também perigoso, mas ele estava tão autocentrado que nem se preocuparia com um possível assaltante ou agressor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tentando analisar objetivamente sua condição. Ora, se estudava com gente muito mais jovem – e daí provavelmente não sairia nada – e trabalhava num ambiente exclusivamente masculino, estava bem servido. Não gostava de dançar. Preciso frequentar um lugar com gente da minha idade... mas também esta cidade, vai tomar no cu! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que teve a impressão de ver algo se mover. O túnel não tinha iluminação, a pouca luz que entrava pelas extremidades mal permitia evitar uma mina terrestre de excrementos. Em seguida viu com mais clareza: de fato, o que parecia ser um anão vinha em sua direção e voltou correndo assustado quando percebeu sua presença. Correu atrás do vulto e viu quando ele retirou um pedaço de um azulejo que estava quebrado e pareceu acionar um comando e de repente uma seção da parede girou, como nos filmes de aventura, e o anão, ou o que fosse, entrou pela passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caralho, faz tanto tempo que eu tomei ácido! Ainda que soubesse que um flashback, ou mesmo uma trip propriamente dita, não podia ser tão vívido. Tudo bem, estava escuro, a ação mais se lhe insinuou do que foi vista propriamente, mas sabia que não era alucinação. Acendeu um cigarro e aproximou a chama do isqueiro da parede até achar o azulejo quebrado; retirou o pedaço solto e viu um pequeno botão metálico, que lhe lembrou os interfones de Buenos Aires (o que lhe lembrou a mina suíça em quem ele também pirara enquanto estava lá, a putinha dos olhos hipnóticos). É claro que não demorou em pressioná-lo. De um golpe, a o chão sob seus pés girou da mesma maneira e ele se viu um novo corredor, perpendicular ao anterior, com uma tênue luz fosforescente que não parecia vir de lugar algum. Jogou o cigarro no chão, pisou em cima e guardou o isqueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhou pelo que pareciam ser uns quinhentos metros, e não se via o fim do corredor, nem tampouco o começo ao se olhar para trás. Percebeu que o inusitado da situação lhe tirava a cabeça de seus infortúnios, e lhe parecia inverossímil que havia meia hora estava numa festa universitária (ainda que dissesse que a UnB não tinha festas universitárias de fato, um saudosismo besta mas com algum fundamento). Também não iria estar em casa dentro de mais meia hora. Não tinha ideia do que podia acontecer. Pronto, estou no meio de um conto fantástico. Parou um instante para descansar, e de repente sentiu a camiseta puxada por detrás. Era um homenzinho calvo e narigudo, com olhos enormes, com calça e colete bordô e camisa branca, e uma gravata borboleta de um vermelho vivo. Não te vi em algum filme do David Lynch? (ele se acreditava muito espirituoso). O anão tirou uma carta do bolso do colete e entregou a Jaime. Era um sete de paus. Quando voltou o olhar a ele, tinha um sorriso meigo nos lábios. Falou numa voz aguda e rouca, com forte sotaque: Agorra que senhorr entrrou... Querr conhecerr... Nosso escrritório? Olhou a carta e as figuras estavam se escorregando e caindo para fora da carta, que ficou toda branca, ao fim. Abaixou-se para pegá-las no chão, mas elas viraram borboletas, que saíram voando, e de repente desapareceram para dentro da parede à sua esquerda. Ele experimentou com o braço e verificou que ela era uma espécie de holograma, que se podia atravessar. Olhou de novo o homenzinho, que lhe fez uma gesto para que prosseguisse. Chefe muito feliz conhecerr você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou com confiança pela segunda passagem secreta da noite (terceira se contarmos a do eixão). Achou-se de frente a uma porta adornada, que abriu de pronto: conduzia a uma linda biblioteca, muito britânica, com estantes de madeira e livros encadernados em couro. Havia duas poltronas e uma mesinha de centro, com um cinzeiro; mais no fundo havia uma escrivaninha, com um daquelas luminárias verdes com armação dourada. Ao lado da escrivaninha havia outra porta. O anão apareceu mais uma vez como que do nada, dirigiu-se à porta e a abriu. Mestre, disse, fazendo uma reverência. De lá de dentro saiu um senhor com ar fidalgo, impecavelmente vestido com um terno de um quadriculado tirado ao ocre, reforço nos cotovelos, um pulover de losangos, num tom um pouco mais claro, e um cachecol creme. Era um pouco obeso, sem perder a elegância, calvo mas com uns fios esparsos no centro da cabeça, impecavelmente penteados para trás. Usava, por fim, uma bengala de madeira escura, com um anel dourado. Tinha um andar um tanto afetado, e dirigiu-se até Jaime olhando-o de cima. Você teve muita audácia, pibe. Tinha um leve sotaque portenho. Putz, pensou Jaime – e disparou-lhe ainda mais o coração – estou frente a frente com... Borges! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor indicou-lhe uma poltrona e tomou a outra. Sentava-se apoiando o queixo na bengala. O anão fez mais uma de suas aparições, desta vez com uma caixa de charutos. Jaime aceitou um, mas não tinha prática. Tragou e pôs-se a tossir feito louco. Borges riu mansamente. E muita sorte também! Não achas? Bem, de encontrar Borges em pessoa, sou muito afortunado mesmo. Mas não faço ideia do que pode estar acontecendo. Que tipo de cogumelo eu devo ter tomado. Calmate, pibe. Jaime desistiu do charuto e acendeu um cigarro. Você tem razão quanto a minha identidade. Se é que se pode falar em identidade aqui onde estamos. O anãozinho deu uma gargalhada estridente e anasalada, pavorosa. Então me explique, por favor, senhor, sou todo ouvidos. Borges rudemente ignorou o pedido e lançou-se a uma digressão. Uma identidade só pode existir quando essa coisa ou entidade é identificada... por si mesma, ou por outrem, no caso em que passa a ter uma conjunto de características que as possa distinguir de outra coisa ou entidade. Nesse sentido, você pôde perceber em mim um conjunto de característica que me distinguiu como Borges. Mas o que você não pode perceber, pibe, é que esta é só uma forma exterior que eu preciso assumir, ou digamos que você me faz assumir, para que possamos charlar e fumar este charuto, ou este cigarro. Nesse momento lhe ocorreu que esta biblioteca fantástica tinha algum sistema de ventilação artificial igualmente metafísico, e a fumaça não se acumulava. Estava fascinado de poder ouvir razonar um dos seus autores prediletos. Resolveu desencanar de entender qualquer coisa e embarcar na viagem. Então, você não teria uma identidade, não seria mesmo uma entidade, mas... o cerne do que é, antes que se lhe atribuam quaisquer características? Desculpe o senhor a figura, mas posso arriscar dizer então que o senhor é Deus, (Borges deu uma curta risada entediada) e poderia aparecer em qualquer forma dependendo de quem achasse esta passagem – entusiasmava-se. Calmate, pibe. Não sou Deus, apesar de que, de certa maneira posso dizer que faço o trabalho dele. Deus se cansou há muito tempo de cuidar do mundo, pibe. Está aposentado. Teve a fase de palavras cruzadas, imagine o trabalho de confeccionar um bom passatempo para alguém onisciente. Bem, ultimamente, passa o dia no Facebook (Jaime deu uma sonora gargalhada); imagine o que é ter sete bilhões de amigos. Mas você não acredita em Deus, não é Jaime? Bem, depois de hoje, nem na realidade sei se acredito. E que é a realidade, pibe? Que é a realidade? Senhor, eu sempre gostei em seus contos como a realidade fica em suspenso; como no Imortal, pode ser que o relato todo seja uma fraude, e essa hipótese fica apenas insinuada por uma impressão de um erudito, mas também pode-se acreditar... não importa enfim acreditar; enfim, a realidade é construída na percepção. Muito bom, pibe! Estás chegando bem perto. Deixou o charuto um pouco de lado. Jaime (pronunciava Chaime), você já teve vontade de mudar a realidade? Tá brincando? Só o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se com toda sua fleuma; apareceu mais uma vez o anão, que caminhou até a porta ao lado da escrivaninha e a abriu. Por aqui, pibe. Passaram pelo umbral para um ambiente totalmente diferente: do conforto amadeirado e quente da biblioteca para o frio metálico e asséptico de uma saleta banhada em luz branca, onde se podia ver uma poltrona de escritório e, em frente a ela, uma parede coberta por uma imensa máquina, um painel de controles com uma cara de anos sessenta, uma seção de potenciômetros, uma de disjuntores, uma com slots conectados por cabos – como uma central telefônica antiga – além de rolos de fita magnética girando. Jaime se lembrou do laboratório no Frankenstein do Mel Brooks e riu internamente. Olhou para Borges inquisidoramente. Eu disse que tinhas sorte, pibe. Aqui fica uma central de controle do universo. Uma delas. Foi a solução encontrada por Deus para poder se aposentar. Bem, hoje em dia, tudo é terceirizado, mesmo... Pois que... Por que me olha assim? E o senhor vai permitir a mim que mude a realidade como queira? Ora, pibe, você achou a passagem e chegou até aqui, e ademais... os astros lhe são um tanto injustos.... Não crês nos astros, eu sei.... E, por fim, seria muito chato não lhe conceder um pedido e ver o que acontece... Bom, essa é fácil então, eu quero ser um sucesso com as mulheres. Não é assim, pibe; eu não sou o gênio da lâmpada. Essas questões de personalidade e afetividade estão em uma outra central, escondida em qualquer outro lugar do planeta, e fica a cargo do meu colega William, você o conhece. Shakespeare? Precisamente. Pois então, aqui o que me toca regular são os parâmetros gerais da realidade. Se você quiser que os carros sejam movidos a suco de laranja, eu posso fazer acontecer. Se quiser que... Já sei! Quero que churrasco emagreça. Hum... Interessante. Um momento. Sentou-se na poltrona e mudou uma conexão telefônica, girou dois potenciômetros, e acionou três disjuntores. O aparato fazia no processo uma série de ruídos de filmes de ficção científica. Girou na poltrona para encarar a Jaime, que – atônito – se perguntava se aquilo tudo não se passava apenas na sua cabeça (como toda sua vida, aliás). Feito, pibe. A partir de agora churrasco queima calorias. Não crês? Olha, podes... eu gostei de você, pibe; voltemos à biblioteca. Dessa vez, prescindiram do anãozinho. Borges lhe indicou uma cadeira de frente à escrivaninha e foi até uma seção da estante de onde trouxe um cilindro. Tirou de dentro uma folha enrolada, abriu-a sobre a escrivaninha e posicionou a luminária para iluminá-la. Era uma mapa celeste. Mira, pibe, esta aqui é a Proxima Centauri, da constelação de Centauro, e a marcou em vermelho; esta outra é a Sirrah, de Andrômeda, marcou-a e uniu as duas; agora aqui tens a Mehrak, da Ursa Maior e por fim a Beta-Ari de Aries, e uniu também estas duas. Vês que formam duas retas paralelas? Pois só nessas ocasiões é que a passagem está aberta. Assim podes voltar. Não disse que estavas com sorte? Pois é melhor que vás, pibe. Amanhã tens que trabalhar, e eu ainda tenho que ler um pouco. Sentiu uma enorme curiosidade de saber o que lia Borges, mas por alguma razão se furtou a fazê-lo. Sentia-se mesmo cansado. Percebeu que o homenzinho surgira e lhe estendia outra carta. Tomou-a: era uma dama de copas. Lentamente a figura foi escapando da carta e ganhando vida. De repente estava bailando uma valsa com a dama de copas, que tinha um perfume muito agradável; ouvia também a música nitidamente em sua cabeça e foi sendo levado por aquelas sensações até um torpor, do qual só acordou na calçada em frente a seu bloco. Bacana, pensou. Me pouparam a parte final da caminhada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4712916732324421196?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4712916732324421196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4712916732324421196' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4712916732324421196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4712916732324421196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/08/passagem-i.html' title='A Passagem I'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-2252864633870917644</id><published>2011-07-14T13:12:00.000-07:00</published><updated>2011-07-14T13:12:54.807-07:00</updated><title type='text'>Sob Medida</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-cxWFV0M7MPU/Th9NdHLLlxI/AAAAAAAAAXc/bzuceAnBRnE/s1600/tirinha1519.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="126" src="http://1.bp.blogspot.com/-cxWFV0M7MPU/Th9NdHLLlxI/AAAAAAAAAXc/bzuceAnBRnE/s400/tirinha1519.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-2252864633870917644?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/2252864633870917644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=2252864633870917644' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2252864633870917644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2252864633870917644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/07/sob-medida.html' title='Sob Medida'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-cxWFV0M7MPU/Th9NdHLLlxI/AAAAAAAAAXc/bzuceAnBRnE/s72-c/tirinha1519.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-2722919341981027302</id><published>2011-07-08T22:32:00.000-07:00</published><updated>2011-07-08T22:32:07.689-07:00</updated><title type='text'>Esquetes de Memória I (título provisório)</title><content type='html'>Estacionaram o carro na Cantina da Química, bem perto do Ciclo Básico. Jorge era o irmão mais velho, e já estudava lá; Ricardo, o mais novo, e Telo, amigo de ambos, iam conferir o resultado do vestibular. Ricardo morava em Vitória e, além de ter optado por engenharia elétrica apenas porque música não fora bem aceito em casa, ressentia-se de deixar a cidade paradisíaca e a namorada para trás; Telo tentava pela terceira vez a mesma elétrica e já estava em Campinas havia tempo, pois seu irmão mais velho fora o primeiro deles a ir estudar na Unicamp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiram as escadas que levavam a uma espécie de átrio onde estavam dispostos os painéis com os nomes dos aprovados. Ricardo estava obviamente um tanto nervoso, mas confiante; já Telo estava extremamente ansioso, aquela era a primeira vez que consegia passar para a segunda fase, e apostava que seria aquela sua vez. Jorge tinha pronto o vidro de tinta guache para aplicar-lhes o trote. E uma tesoura, uma vez que Ricardo prometera perder o cabelo comprido ali mesmo se aprovado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar o cabelo crescer era pra ele na verdade uma verdadeira obsessão, uma obrigação de metaleiro; mas a verdade é que seu tipo de cabelo nunca foi apropriado para isso. Mas, enfim, pressão dos pares como diz a expressão inglesa: seu professor de bateria e os membros de sua banda, todos usavam cabelo comprido, bem como o irmão do vocalista, com quem ele aprontou tantas, como subir o Pico dos Dois Olhos e fumar todos. Aliás fora com essas "más companhias" que Ricardo tinha começado a fumar maconha. Muitos anos depois ele formularia a teoria de que fumara (e fumara um bocado, como ficará claro) para fugir da pecha de certinho, de "nerd". Sempre fora um aluno destacado, ainda que nunca lhe tenha faltado uma dose de indisciplina: era insubmisso e um tanto voluntarioso. A timidez sempre foi um traço seu, e a primeira namorada que teve foi a que já mencionamos; se ele não sentia nada especial por ela quando começaram o relacionamento, ao fim de pouco tempo Ricardo estava profundamente enamorado de Karina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Passei! Aaaaah! Passei! - Ricardo gritou com os braços erguidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu irmão lhe deu um abraço, disse "parabéns, cara" e tirou-lhe uma mecha de cabelo crespo; logo em seguida marcou-lhe a face esquerda com dois dedos que mergulhara na guache azul. Enquanto isso, Telo insistia, mas não encontrava seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ É, não rolou - disse, com os olhos rasos, que tentava disfarçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Que merda cara. Tem a segunda chamada... - tentou consolá-lo o amigo, recebendo em seguida os parabéns e agradecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge prosseguiu na tarefa de besuntar a cara do irmão, e Telo assumiu a máquina fotográfica: daquelas que usavam filme e só tinham um visor ótico minúsculo. Ricardo tirou a camiseta e Jorge sacou uma máquina de barbear, barbeou-lhe o peito e a barriga, e pintou ENG. ELÉ-TRICA. Surgiu então a ideia de colar o cabelo cortado ao rosto coberto de tinta, transformando-lhe num monstro. Tudo divertidíssimo para ele, um legítimo ritual de passagem. Era um aluno da Unicamp. Um bixo 98.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Em qual posição você passou? - perguntou o irmão.&lt;br /&gt;_ Bom, dizia 11 lá.&lt;br /&gt;_ 11 é o curso, bixo burro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando meses depois Ricardo recebeu o espelho de desempenho, descobriu que passara em terceiro lugar. Até teria performance compatível no primeiro semestre, depois nunca mais. Mas isso seria adiantar o carro na frente dos bois. Foram todos para o Pantanal, boteco célebre pela cerveja gelada. Ricardo chamava atenção por onde passava, obviamente. Aproveitaram que havia um orelhão em frente e ligaram para os pais. Brindaram; a tradição na época era brindar com a garrafa e passar o copo por trás da nuca, uma simpatia para eliminar para além de qualquer dúvida a maldição: beber sem brindar, um ano sem trepar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ E aí, cara, qual é sua ideia agora? - Ricardo perguntou ao amigo.&lt;br /&gt;_ Ainda vai sair o resultado de Itajubá; acho que rola. Se dane Unicamp.&lt;br /&gt;_ E você, Rica, vai deixar a namorada?&lt;br /&gt;_ Porra, não, né? Eu sou louco por ela. Segue à distância, fazer o quê?&lt;br /&gt;_ Olha o... - e fez um sinal com o indicador e o mínimo esticados e médio e anular recolhidos.&lt;br /&gt;_ É sempre um risco. Mas ela não faria isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beberam umas cinco antes de almoçar. Pra ficar pensando melhor, como diria o Chico Science. Jorge ficou fazendo terrorismo sobre Cálculo I e outras matérias. Telo foi melhorando seu ânimo e lá pela terceira já não ligava mesmo. Ricardo de repente quis ligar para Karina: não estava em casa. Entraram no carro e pegaram o Tapetão rumo à república, ao som do Fly by Night do Rush. &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-2722919341981027302?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/2722919341981027302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=2722919341981027302' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2722919341981027302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2722919341981027302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/07/esquetes-de-memoria-i-titulo-provisorio.html' title='Esquetes de Memória I (título provisório)'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4474767343481858484</id><published>2011-06-20T18:37:00.001-07:00</published><updated>2011-06-20T18:37:53.594-07:00</updated><title type='text'>Zizek no Entrelinhas</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/-eChRVNdW94" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4474767343481858484?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4474767343481858484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4474767343481858484' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4474767343481858484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4474767343481858484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/06/zizek-no-entrelinhas.html' title='Zizek no Entrelinhas'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/-eChRVNdW94/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5163775725068197244</id><published>2011-06-14T10:24:00.001-07:00</published><updated>2011-06-14T19:55:18.089-07:00</updated><title type='text'>Qual Revolução??</title><content type='html'>&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;O seminário &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;i&gt;Revoluções: Uma Política do Sensível &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;aconteceu nos dias 20 e 21 de maio, no Sesc Pinheiros, em São Paulo para discutir as relações entre estética, política e história, pensando na dimensão emancipadora que se abre através de cada uma desses lugares de experiência coletiva. Reuniu entre outros a Marilena Chauí, Emir Sader, Alexandre Kluge e, Slavoj Žižek.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Qual Revolução??&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="RIGHT" class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="RIGHT" class="western" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;“&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Desde o início, por ouro e prata:&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="RIGHT" class="western" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;olha quem morre, &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="RIGHT" class="western" lang="es-ES" style="font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;então veja você quem mata.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="RIGHT" class="western" lang="es-ES" style="font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Recebe o mérito a fada que pratica o mal&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="RIGHT" class="western" lang="es-ES" style="font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;me ver pobre, preso ou morto&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="RIGHT" class="western" lang="es-ES" style="font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;já é cultural”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="RIGHT" class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Racionais Mc's – Negro Drama&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="RIGHT" class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Por Maísa – Escola de Pensamento Carcará: por um olhar descolonizado&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Era uma sexta-feira e um sábado de maio na capital paulista. O evento acontecia no bairro de Pinheiros, no elegante SESC e contava com a participação de diversos expoentes do pensamento ocidental e filósofos superstar de nossos dias. Os ouvintes-espectadores se acumulavam em frente ao auditório, chegavam de táxi, desciam elegantes e eufóricos. No cardápio a pílula revolucionária que dá alento e esperança à classe média intelectualóide e fornece matéria-prima para seus estudos, teorias, conversas nos botequins e cafés, nas redes sociais. Dá até para esquecer, ou talvez ninguém perceba, que a apenas dois quarteirões dali, nos botecos maltrapilhos, nas casas de show e strip à beira da Av.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;brigadeiro faria lima&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;, o trabalhador de sempre rasga seu caminho. Estão à espera do ônibus, da lotação, ou comem um pastel do chinês. E não estão sozinhos: os cães-de-guarda estão lá fardados, são duas as viaturas; quatro os porcos com as mãos sobre os .38, sempre sedentas e nervosas por uma ocasião de se mostrarem. E se mostram: são três jovens, um senhor. “Mão na parede!”. A cor deles é parda, o cabelo escuro e as mãos meio sujas. Carregam seus pertences em sacolas  plásticas. Ali, pernas abertas e os putos de sempre a percorrer-lhes o corpo, apalpando-os: “- temos de manter a ordem”; “-é para a sua segurança”; “-é só procedimento padrão”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Mas os revolucionários não passam por ali, não andam a pé nem se misturam a 'essa gente'. Chegam de táxi, estacionam seus veículos no subsolo. Aplaudem quando o palestrante faz piada sobre o nordeste e diz que ali, em São Paulo, é que estão as cabeças pensantes. Os palestrantes incitam à Revolução, nos fazem crer que passaremos por momentos turbulentos e que a Revolução bate à nossa porta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;É o mesmo trololó de sempre.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Essa mini-crônica local pode facilmente ser aplicada em escala regional, nacional e até mesmo global. Não podemos mais escapar do global na ordem econômica e, consequentemente política. Resta saber se a sociedade é capaz de fazer o raciocínio global no plano social para além do Facebook e do Habbo. Me parece, infelizmente, que não. Do mesmo modo que os revolucionários do Sesc não se misturam ao trabalhador, os paulistas da capital não se misturam aos paulistas do interior, e os sulistas não se misturam ao norte e ao nordeste brasileiros, e a Europa e os Estados Unidos não se misturam aos “em desenvolvimento” ou “subdesenvolvidos”, como se dizia há pouquíssimos anos atrás, do hemisfério sul. Há sempre alguém que pensa mais, que pensa melhor: os mais desenvolvidos, os mais civilizados... O imaginário delirante que está sempre vividíssimo nas mentes (pouco) pensantes mundo afora, que impede de reconhecer que nesse mundo de mortais não há melhores nem piores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A Europa enfrenta agora uma severa crise e uma severa recessão com taxas de desemprego altíssimas e dívidas impagáveis. O mesmo acontece nos Estados Unidos. A população está nas ruas: em Wisconsin, nas praças espanholas... já celebram a vitória em algum canto do mundo: Islândia. Mas, supondo que as revoluções internas nos Estados-Nação surtam algum efeito e venham a ser “bem-sucedidas” numa escala local, o que muda, efetivamente? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A crise econômica que estourou em 2008 e estende-se até hoje não irá se resolver com levantes locais. Pode-se estancar as feridas que estão às vistas, mas quem irá conter a hemorragia interna? Não irá se resolver porque o capitalismo, representado pelo sistema financeiro (o tal Mercado) e suportado pelo Estado de Direito (não seria mais honesto o título “Estado de Privilégios”?) não é um sistema local. Ele não depende exclusivamente de um país ou de outro. Ele não participa da ilusão dos melhores ou piores... todos são só veias a serem sugadas até a última gota. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O delírio financeiro de Wall Street não se encerrou com a crise, nem com o presidente Obama – que manteve nos conselhos financeiros, FED, e comitês de controle os mesmos calhordas responsáveis pela crise, conselheiros e donos das empresas que causaram e causam ainda todo esse pesadelo que se instaurou. Esses putos não foram julgados por crime de qualquer espécie, nem o serão. Nem tiveram de devolver os bilhões que lucraram, embolsaram, durante a farsa financeira e política que empobreceu TODA a população mundial.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eles não se incomodam com isso, nem precisam. A população não tem acesso a essas decisões. Ainda que tivesse, não pode controlar a instalação dessas empresas mundo afora. Ainda que pudesse, a população, essa sim, vive o delírio dos melhores e dos piores...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;O documentário Trabalho Interno (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Inside Job&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #00007f;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;http://www.twitvid.com/PY6MM&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt; ) nos conta tudo isso direitinho. É o máximo da globalização (talvez nem seja ainda). Globalização que começa com as navegações do século XVI com a divisão de territórios, os colonizadores europeus levando a 'civilização' e a boa doutrina católica ao mundo pagão e bárbaro. E se intensifica a partir de 1980 com a fragmentação dos territórios proporcionada pela instalação das empresas globais em todos os  continentes. Até os europeus, os romanos e os gregos são os colonizados da vez. Somos todos. Colonizados e usurpados por meia dúzia de filhos da puta. E continuaremos a sê-lo. O Brasil e a América Latina estão prósperos nesses dias de crise: por quanto tempo? Na lógica(-ilógica) cíclica do capitalismo, somos os próximos da fila, mais uma vez. Somos  apenas outra veia (aberta, e sangrando há 500 anos como explica Eduardo Galeano).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Mas nesse mundo de globalização, nós, a população temos outras coisas de que nos ocupar: são os casamentos das celebridades, as farsas políticas corruptas, os duelos esportivos. Em outro nível, o internético, são as fotos que postamos, os comentários de nossos amigos, quantos deles nas redes sociais gostaram (like) de nossas postagens. Em outro nível ainda, o intelectual, são as produções acadêmicas mais-do-mesmo, e os debates acerca da nova religião mundial que atende pelo nome, na mesma medida fofo e cruel, de Direitos Humanos. Os Direitos Humanos, fazem as pessoas acharem um absurdo que os Ashaninka (um povo indígena que está no Acre -norte do Brasil- e no Peru; que sobrevive à invasões desde a época do Império Inca, e ainda hoje &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #00007f;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;http://apiwtxa.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt; ) cacem e comam macacos-prego em extinção. Os Ashaninka que em sua língua não possuem sequer expressões de tempo como “hoje”, “amanhã”, “minuto”. É a barbárie aos olhos civilizados do greco-romano-judaico-cristão-homem-branco-ocidental que esbraveja “Direitos Humanos!”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;-Eles podem ser índios, mas será que não poderiam comer como a gente, falar como a gente, pensar como a gente?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="line-height: 150%; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="es-ES"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;- Ah! Se todos pensassem como a gente dava pra salvar as florestas, os animaizinhos, todos reciclávamos o lixo e todos teríamos os mesmos valores puros e 'democráticos', tão caros ao Ocidente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Democracia?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;De “Democracia-Real” fala-se hoje em dia. Há outros nomes também. Qual a idéia? É um mero problema de representação, ou é um problema mais grave, aquele de como o poder efetivamente está distribuído? Não há democracia em parte alguma desse mundo, está claro para quem quiser abrir os olhos e enxergar. TODAS as decisões mais importantes e que mais nos afetam são tomadas em uma esfera (FMI, OMC, OMT, OTAN, ONU, e a lista é gigante) à qual quiçá tenham acesso os deuses do Olimpo.... mas nós, os mortais, nós não. Mas, adianta um país como a Islândia ter esboçado conseguir a tal democracia? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Hoje em dia? Não, não adianta merda nenhuma.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Em tempo global, só há mudança efetiva se for global. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Mas o que seria isso de uma democracia global? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Há uma tendência em encarar a idéia como um modelo pronto e acabado universal. Mas e se decidirmo pensar de um outro jeito (será que ainda podemos?). A democracia, como sabemos, é o governo do povo. Em outras palavras, é um sistema político que distribui o poder ao povo. E o que é o povo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Segundo Antonio Negri não há povo, há Moltitudine. Ou seja, há uma multidão diversificada de pessoas, indivíduos que compõem aquilo que chamamos “povo”. “Povo” não é uma coisa homogênea e igual. É preciso, antes de tudo, reconhecer isso. Que “povo” está constituído de culturas, hábitos, costumes, línguas, percepções, que são múltiplas e podem ser até mesmo infinitas, e cada uma delas TEM DE SER RECONHECIDA como tal, sem melhores ou piores. “Povo” pode ser formado de infinitas maneiras. Pense-se ao número 4, por exemplo. É comum pensarmos que 2+2 é um modo de chegarmos a tal número. Mas a matemática nos oferece um conjunto infinito de possibilidades que nos permitem chegar ao número 4. Eu disse INFINITO. O mesmo se dá com “Povo”, que pode ser composto de infinitas maneiras, sem nunca cessar de ser “povo”. A unidade “povo” só é interessante ser pensada quando se tem em vistas um objetivo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Mas o objetivo, quando se fala em povo, geralmente é pensado por quem acredita estar falando de uma segunda pessoa. Assim, o “povo” é, diria eu, quase sempre utilizado pensando em objetivos que não são os seus, e não há nesse uso qualquer objetivo comum. Nenhum chefe de governo usa o nome do “povo” por um interesse uno, um desejo comum.Nem em escala local, nem regional, nem mundial.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu fico pensando naquela idéia de povo global (que é, também, o que somos hoje, só não queremos perceber ou nos ocupar disso). Será que nós, o povo, aqueles que povoam o mundo, não teríamos no fundo bem fundo, em meio a todas as nossas diferenças e multiplicidade, um desejo comum? Será que não temos um objetivo comum (um único que seja!) que justifique a nossa unidade? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;É difícil falar e escrever de sonhos em tempos de ideologia não-ideológica!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Queria que os europeus e os norte-americanos que se levantam, aqueles que julgam ter encontrado o paraíso democrático, e os latino-americanos que crêem em sua prosperidade pudessem pensar nisso.  Queria que o slogan que saiu dos cartazes espanhóis e ecoam mundo afora com os dizeres: “Se vocês não nos deixarem sonhar, não os deixaremos dormir”, pudesse dizer com os famintos do mundo a quem o ronco no estômago nunca permitiu sonhar: “Se não nos derem de comer, não os deixaremos existir”. Queria poder o abandono da dicotomia Oriente/Ocidente, melhor/pior... queria pensar em um objetivo comum desse povo global.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A democracia poderia existir de diversas maneiras, com toda sorte de cores, rostos e feições. Não há modelo padrão a ser seguido. Há só o povo, e o povo é multidão de culturas, crenças, línguas e formas. São todas elas boas a quem julgar que assim o são. Não há piores, todas são as melhores! O povo é o melhor, sempre, desde que possa decidir assim. Será que nos deixam? Será que nos deixamos?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;No sistema em que vivemos, uma revolução que tenha em vistas apenas o bem-estar local está fadada ao fracasso. Atualmente é uma revolução global, ou não é nada, e o abuso vai se repetir sempre, ele nunca cessa. Estamos todos colonizados e enjaulados à mesma cadeia. Só o comum, a unidade global “povo” pode acabar com isso. Nós temos um problema comum, creia quem quiser.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Resta em mim, sonhadora irreparável que sou, apenas a esperança de encontrarmos juntos nosso caminho comum, ao invés de repetirmos as mesmas fórmulas curandeiras equivocadas que insistimos em invocar ciclicamente através dos séculos, cuja única diferença concreta é a troca de nome e embalagem. Será que podemos ao menos tentar?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="es-ES" style="font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 150%; margin-bottom: 0cm; text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="RIGHT" class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5163775725068197244?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5163775725068197244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5163775725068197244' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5163775725068197244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5163775725068197244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/06/qual-revolucao-maisa-pardo.html' title='Qual Revolução??'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-2592238738058957932</id><published>2011-06-02T21:40:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T21:40:08.623-07:00</updated><title type='text'>In the presence of fuckin God…We are all the same</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Vjdg2XNKIyE/SoCDg8A7o5I/AAAAAAAAAtw/rVhHdWhzxeY/s320/your+left+hand.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Vjdg2XNKIyE/SoCDg8A7o5I/AAAAAAAAAtw/rVhHdWhzxeY/s320/your+left+hand.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 12px;"&gt;Swedish reedsmen Mats Gustafsson and Dror Feiler and Norwegian noise maestro Lasse Marhaug&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="28" width="335"&gt;&lt;param value="http://www.divshare.com/flash/audio_embed?data=YTo2OntzOjU6ImFwaUlkIjtzOjE6IjQiO3M6NjoiZmlsZUlkIjtzOjg6IjE1MDAzMzM4IjtzOjQ6ImNvZGUiO3M6MTI6IjE1MDAzMzM4LWZkYyI7czo2OiJ1c2VySWQiO3M6NzoiMTc1MjE3MSI7czoxMjoiZXh0ZXJuYWxDYWxsIjtpOjE7czo0OiJ0aW1lIjtpOjEzMDcwNzU2OTc7fQ==&amp;amp;autoplay=default" name="movie"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed wmode="transparent" height="28" width="335" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" src="http://www.divshare.com/flash/audio_embed?data=YTo2OntzOjU6ImFwaUlkIjtzOjE6IjQiO3M6NjoiZmlsZUlkIjtzOjg6IjE1MDAzMzM4IjtzOjQ6ImNvZGUiO3M6MTI6IjE1MDAzMzM4LWZkYyI7czo2OiJ1c2VySWQiO3M6NzoiMTc1MjE3MSI7czoxMjoiZXh0ZXJuYWxDYWxsIjtpOjE7czo0OiJ0aW1lIjtpOjEzMDcwNzU2OTc7fQ==&amp;amp;autoplay=default"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-2592238738058957932?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/2592238738058957932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=2592238738058957932' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2592238738058957932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2592238738058957932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/06/in-presence-of-fuckin-godwe-are-all.html' title='In the presence of fuckin God…We are all the same'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Vjdg2XNKIyE/SoCDg8A7o5I/AAAAAAAAAtw/rVhHdWhzxeY/s72-c/your+left+hand.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-3643124383493613771</id><published>2011-04-25T17:44:00.000-07:00</published><updated>2011-05-05T21:42:52.473-07:00</updated><title type='text'>Slavoj Zizek no Democracy Now! PT-BR pt.2</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/mhsPaJ0fDBE?fs=1" width="425"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/11/slavoj-zizek-no-democracy-now-parte1.html"&gt;Parte 1&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-3643124383493613771?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/3643124383493613771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=3643124383493613771' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/3643124383493613771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/3643124383493613771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/04/slavoj-zizek-no-democracy-now-pt-br-pt2.html' title='Slavoj Zizek no Democracy Now! PT-BR pt.2'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/mhsPaJ0fDBE/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-1310321158913089270</id><published>2011-04-25T13:38:00.001-07:00</published><updated>2011-04-25T19:05:31.573-07:00</updated><title type='text'>Cherche, cherche...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-VDIjXQB56Uk/TbXbwzw1fbI/AAAAAAAAAXE/L9AQt8KD-Ss/s1600/drageas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="123" src="http://3.bp.blogspot.com/-VDIjXQB56Uk/TbXbwzw1fbI/AAAAAAAAAXE/L9AQt8KD-Ss/s400/drageas.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-1310321158913089270?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/1310321158913089270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=1310321158913089270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1310321158913089270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1310321158913089270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/04/blog-post.html' title='Cherche, cherche...'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-VDIjXQB56Uk/TbXbwzw1fbI/AAAAAAAAAXE/L9AQt8KD-Ss/s72-c/drageas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-334145685209428815</id><published>2011-04-14T19:57:00.001-07:00</published><updated>2011-04-14T19:57:41.046-07:00</updated><title type='text'>Morton Subotnick</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/2IIOdxgQurM" title="YouTube video player" width="640"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-334145685209428815?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/334145685209428815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=334145685209428815' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/334145685209428815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/334145685209428815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/04/morton-subotnick.html' title='Morton Subotnick'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/2IIOdxgQurM/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-6117682561761057197</id><published>2011-04-01T14:02:00.000-07:00</published><updated>2011-04-02T10:35:41.490-07:00</updated><title type='text'>Dos Amores Inconvenientes Redux</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; 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text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1GkbYPUeH8Q/TZHYV5-W1SI/AAAAAAAAAW0/D3nGJu5pgyk/s1600/The_Black_Rose_by_Ashimjara.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-1GkbYPUeH8Q/TZHYV5-W1SI/AAAAAAAAAW0/D3nGJu5pgyk/s320/The_Black_Rose_by_Ashimjara.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;In May she blossomed&lt;br /&gt;May that day be praised&lt;br /&gt;For Flower more handsome&lt;br /&gt;Was ne'er upon gazed&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If her graciousness&lt;br /&gt;I May humbly extoll&lt;br /&gt;Her good taste no less&lt;br /&gt;Leaves me enthralled&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fairness unsurpassed&lt;br /&gt;Nymph in th' prime of youth&lt;br /&gt;Refinement unmatched&lt;br /&gt;She is both beauty and truth&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;May May then&lt;br /&gt;Bestow her upon me&lt;br /&gt;'f May I make so bold&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I do hope I can&lt;br /&gt;Our future foresee&lt;br /&gt;And a love tale unfold&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5788248546635114711?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5788248546635114711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5788248546635114711' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5788248546635114711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5788248546635114711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/03/may-flower.html' title='May Flower'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-1GkbYPUeH8Q/TZHYV5-W1SI/AAAAAAAAAW0/D3nGJu5pgyk/s72-c/The_Black_Rose_by_Ashimjara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-2735016048411704967</id><published>2011-03-27T18:01:00.000-07:00</published><updated>2011-03-27T18:01:11.414-07:00</updated><title type='text'>Irônico Universo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wIqmgRlAByw/TY_doVI-n3I/AAAAAAAAAWw/p96jKp9PND4/s1600/MilkyWay.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="270" src="http://1.bp.blogspot.com/-wIqmgRlAByw/TY_doVI-n3I/AAAAAAAAAWw/p96jKp9PND4/s400/MilkyWay.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O Universo do físicos&lt;br /&gt;Obedece a leis e equações&lt;br /&gt;Complexo que nos pareça&lt;br /&gt;Sabemos-lhe as razões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o cosmo das humanas&lt;br /&gt;Cousas, domínio do acaso:&lt;br /&gt;Colisões aleatórias&lt;br /&gt;E nada determinísticas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim isso me exaspera&lt;br /&gt;Me arrasta à misantropia&lt;br /&gt;Mas há aqueles cometas&lt;br /&gt;Com rastro de esperança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é-nos possível crer&lt;br /&gt;Que existirá alguém&lt;br /&gt;Do outro lado da galáxia&lt;br /&gt;Fitando a mesma estrela&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-2735016048411704967?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/2735016048411704967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=2735016048411704967' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2735016048411704967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2735016048411704967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/03/ironico-universo.html' title='Irônico Universo'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wIqmgRlAByw/TY_doVI-n3I/AAAAAAAAAWw/p96jKp9PND4/s72-c/MilkyWay.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5781217246914161686</id><published>2011-03-23T12:56:00.000-07:00</published><updated>2011-03-23T12:58:55.016-07:00</updated><title type='text'>And When At Last The Work Is Done</title><content type='html'>Terminei de passar minha tradução de Hamlet do formato legenda para texto. Está tudo no endereço&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/goog_1626819830"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://atragediadehamlet.blogspot.com/"&gt;atragediadehamlet.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que dizer, é um texto fundamental do Ocidente.&lt;br /&gt;Espero não tê-lo estragado demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5781217246914161686?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5781217246914161686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5781217246914161686' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5781217246914161686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5781217246914161686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/03/and-when-at-last-work-is-done.html' title='And When At Last The Work Is Done'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5024249387596221540</id><published>2011-03-17T20:25:00.000-07:00</published><updated>2011-03-17T20:31:48.956-07:00</updated><title type='text'>Richard pelos Python</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/pbS2WJdav6c" title="YouTube video player" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/XyrIGW9y7JA" title="YouTube video player" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5024249387596221540?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5024249387596221540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5024249387596221540' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5024249387596221540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5024249387596221540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/03/richard-pelos-python.html' title='Richard pelos Python'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/pbS2WJdav6c/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-6824662431175857833</id><published>2011-03-17T14:34:00.000-07:00</published><updated>2011-03-18T13:54:04.235-07:00</updated><title type='text'>Adorável Vilão</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-MZfs4iesSPI/TYJ-XmpKLlI/AAAAAAAAAWo/wZIwddF-BT0/s1600/richard.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="https://lh3.googleusercontent.com/-MZfs4iesSPI/TYJ-XmpKLlI/AAAAAAAAAWo/wZIwddF-BT0/s320/richard.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Faz meses que este blog está parado, e nada me vinha à mente para escrever. Política certamente não me entusiasma, e Dilma tem confirmado minhas expectativas, sendo tão centrista que já está ultrapassando a direita. Minha vida pessoal então tem sido sem eventos dignos de nota, o que é bom em certo aspecto, se considerarmos o demônio com cara de anjo que motivou algumas postagens por aqui e bagunçou minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que em uma viagem à Chapada dos Veadeiros surge uma nova paixão. Uma verdadeira obsessão na verdade. Não é uma mocinha idiota desta vez, mas uma peça rica e profunda, complexa e multifacetada. É a peça mais encenada do Bardo, eu viria a descobrir. Ricardo III, o tirano deformado, o canalha irresistível de William Shakespeare, e as dezenas de personagens que em seu entorno gravitam, tudo na deliciosa edição crítica da Norton, que traz Fontes e Contextos com Thomas More contando a história ao seu modo acadêmico; Análogos, como trechos da peça anônima True Tragedie of Richard the Third; a Adaptação de Colley Cibber, que usa trechos das peças anteriores 1, 2, 3 Henry VI e interpola linhas próprias - e ficou sendo por dois séculos o texto oficial de Ricardo III até que o texto shakepeareano fosse resgatado; análises de adaptações para o palco e para as telas, incluindo o palpite ilustre de Bernard Shaw; e ensaios críticos. Infelizmente, a chuva me pegou desprevenido e prejudicou bastante o aspecto físico do livro, embora a leitura não tenha sido afetada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não é familiar com o enredo, a peça se dá logo após a Guerra das Rosas, em que os York suplantam os Lancaster e ficam com o trono - ou logo após a trilogia Henrique VI. Edward IV é o rei e Richard, Duque de Gloucester, corcunda, manco e com um braço deformado é um de seus irmãos, George, Duque de Clarence é o outro. Richard abre a peça com um monólogo em que se declara um vilão, que trama pela morte de Clarence. De fato, Richard ainda precisa sumir com a ordem do Rei que revertia sua sentença de morte. O diálogo entre os assassinos (e entre ambos e Clarence) é um dos pontos altos do vetor moral da peça. Pouco depois de saber da execução do irmão e dela se arrepender, o próprio Rei - que já andava doente - falece. O vilão tem agora pela frente o Príncipe Edward, filho do Rei Morto, mas que não chega a ser Rei Posto (na peça, na vida real chegou a ser Edward V), pois o ardiloso Gloucester vai revelando seu caráter maquiavélico, prendendo e matando os parentes da Rainha, decapitando o camareiro-mor Lorde Hastings, aprisionando os dois príncipes e manobrando, com a ajuda do Lorde Buckingham para ser enfim coroado Rei Ricardo III. Depois desse ápice, começa sua decadência, pois é detestado por todos (em grande medida por matar os príncipes) e sua crueldade foge do controle, rechaçando mesmo o fiel Buckingham. É quando chegam notícias de que o Conde de Richmond, da casa derrotada de Lancaster, que estava na França, junta um exército para reclamar o trono. Os dois vão medir forças na Batalha de Bosworth. Na noite anterior, fantasmas das vítimas de Richard aparecem para amaldiçoá-lo e abençoar Richmond, e Richard faz a primeira demonstração de fraqueza e culpa - talvez até loucura. Durante a batalha, Richard tem o cavalo morto e se acha em meio aos inimigos, é quando profere uma das mais famosas linhas da História do teatro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois é morto por Richmond em pessoa, que se torna Rei (Henrique VII, embora isso não seja mencionado). Bem, é claro que esta é uma ultra-simplificação da trama, e não foram mencionados nem um terço dos personnagens, mas espero que já sirva para instigar um leonauta ou outro à leitura da peça. Ou leituras, idealmente, pois uma é pouco - e mal posso esperar a leitura dos artigos críticos para reler a peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ajudou bastante a dar concretude à trama foi assistir às adaptações cinematográficas. Achei que dava pra pular as mudas, partindo para a dirigida e estrelada pelo famoso ator shakepeareano Laurence Olivier, de 1955. O filme deve muito ao teatro, e o próprio Olivier teria dito ao diretor de fotografia "não tente ganhar um Oscar". Outra questão com Ricardo III é a extensão (só fica atrás de Hamlet), sendo cortes quase unanimemente necessários. O filme de Olivier corta a peça pela metade, mas as linhas do protagonista são as mais poupadas, levando a um domínio absoluto de sua figura, que quando não está manipulando e matando está se jactando disso junto ao público. Infelizmente, Olivier é pouco convincente como vilão, e o filme todo tem a aura artificial que as produções da época costumam ter. Não deixa de ser um bom filme, é claro. Em seguida, parti para a adaptação de Richard Loncraine, com Ian McKellen no papel principal, de 1995. Na verdade, revi o filme, pois tinha assistido na época de seu lançamento, no saudoso Cine Metrópolis, na UFES, em Vitória; e mesmo sem entender completamente, tinha gostado bastante. O filme coloca a ação em uma Inglaterra entregerras, com Richard erguido à condição de tirano fascista; e se sai bem, obrigado. Ian é um grande ator e alcança perfeitamente o resultado de "adorável vilão" inerente ao personagem (William Richardson, em seu ensaio incluído na edição Norton, defende que odiamos Ricardo por sua vilania ao mesmo tempo que o admiramos por suas qualidades intelectuais). Por fim, de 1996 é a brilhante adaptação metalinguística de Al Pacino, em que entrevista pessoas na rua, mostra o processo dos atores discutindo o texto, consulta atores e acadêmicos, tudo entremeado com a ação da peça em si, ou apenas o essencial. O filme é divertido, bem-humorado e ainda assim denso, não deixa de transmitir a tensão da peça, e explora a mente do monarca mais detestado da história inglesa melhor que os outros dois. Minha dica? Vejam todos. Ou então os dois da década de 90, ou pelo menos o do Pacino. E, não me canso de repetir, vá à peça. No original, se possível. Leia, releia. Apesar de vista como uma obra precoce do genial Bardo de Avon, e apesar de a briga medieval pela coroa inlgesa nos parecer distante, a peça é fantástica, e envolvente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-6824662431175857833?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/6824662431175857833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=6824662431175857833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6824662431175857833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/6824662431175857833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/03/adoravel-vilao.html' title='Adorável Vilão'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-MZfs4iesSPI/TYJ-XmpKLlI/AAAAAAAAAWo/wZIwddF-BT0/s72-c/richard.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-901721807207772674</id><published>2011-01-06T11:29:00.000-08:00</published><updated>2011-01-06T11:29:34.458-08:00</updated><title type='text'>Em Tempo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TSYX_zGgMkI/AAAAAAAAAWg/l6wJDcv3Ph8/s1600/anonovo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="130" src="http://4.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TSYX_zGgMkI/AAAAAAAAAWg/l6wJDcv3Ph8/s400/anonovo.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-901721807207772674?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/901721807207772674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=901721807207772674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/901721807207772674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/901721807207772674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/01/em-tempo.html' title='Em Tempo'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TSYX_zGgMkI/AAAAAAAAAWg/l6wJDcv3Ph8/s72-c/anonovo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-117633387609177299</id><published>2011-01-02T11:13:00.001-08:00</published><updated>2011-01-02T11:13:46.104-08:00</updated><title type='text'>Encerrando Bem o Ano</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.entheogen-bg.org/uploads/Entheogen/psilocybe_cubensis33.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="242" src="http://www.entheogen-bg.org/uploads/Entheogen/psilocybe_cubensis33.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-117633387609177299?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/117633387609177299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=117633387609177299' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/117633387609177299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/117633387609177299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2011/01/encerrando-bem-o-ano.html' title='Encerrando Bem o Ano'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-26751804173640652</id><published>2010-12-27T16:10:00.001-08:00</published><updated>2010-12-27T17:45:22.962-08:00</updated><title type='text'>Questão de Referencial</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TRkq8iB50vI/AAAAAAAAAWc/cbmr2nEu9p4/s1600/109345.strip.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="123" src="http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TRkq8iB50vI/AAAAAAAAAWc/cbmr2nEu9p4/s400/109345.strip.gif" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-26751804173640652?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/26751804173640652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=26751804173640652' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/26751804173640652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/26751804173640652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/12/blog-post.html' title='Questão de Referencial'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TRkq8iB50vI/AAAAAAAAAWc/cbmr2nEu9p4/s72-c/109345.strip.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-1414107253500698491</id><published>2010-12-19T15:55:00.000-08:00</published><updated>2010-12-19T15:55:29.569-08:00</updated><title type='text'>Leosfera em Luto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://gutocapucho.zip.net/images/capt_beefheart.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://gutocapucho.zip.net/images/capt_beefheart.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Captain_Beefheart"&gt;Captain Beefheart&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px;"&gt;15 de Janeiro&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px;"&gt;&amp;nbsp;de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px;"&gt;1941&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px;"&gt;17 de dezembro&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px;"&gt;&amp;nbsp;de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px;"&gt;2010.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-1414107253500698491?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/1414107253500698491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=1414107253500698491' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1414107253500698491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1414107253500698491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/12/leosfera-em-luto.html' title='Leosfera em Luto'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-2084120777281893860</id><published>2010-12-17T18:48:00.000-08:00</published><updated>2010-12-17T18:48:34.148-08:00</updated><title type='text'>Uma Tradição Que Merece Respeito</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="color: navy; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TQwgUCDXW2I/AAAAAAAAAWU/Fgda99XBrIY/s1600/scrut.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="color: navy; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;E eu estarei lá, é claro!&amp;nbsp; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TQwgUCDXW2I/AAAAAAAAAWU/Fgda99XBrIY/s320/scrut.jpg" width="247" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;div&gt;&lt;span style="color: olive; font-family: Verdana; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;SHOW/FESTA NO&amp;nbsp;CAFÉ  PIUPIU&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red; font-family: Verdana; font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; 70 ANOS  DO FZ!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: maroon; font-size: medium;"&gt;A  TCSB,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: maroon; font-size: medium;"&gt;fará sua&amp;nbsp;primeira apresentação após o Zappanale na  Alemanha.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: maroon; font-family: Verdana; font-size: medium;"&gt;Estamos morrendo de  saudades de vcs, vamos curtir juntos!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: teal;"&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;terça dia&amp;nbsp;21 de dezembro,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: teal;"&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;às 21,30, casa abre às 20,30&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: navy; font-family: Verdana; font-size: medium;"&gt;ingresso  20,00R$&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: teal; font-family: Verdana;"&gt;na Rua 13 de Maio  134.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;a href="http://www.scrutinizer.com.br/" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;www.scrutinizer.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/thecentralscrutinizerband" target="_blank"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;www.myspace.com/&lt;wbr&gt;&lt;/wbr&gt;thecentralscrutinizerband&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="color: navy; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.cafepiupiu.com.br/" target="_blank"&gt;www.cafepiupiu.com.br&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="color: navy; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: blue; font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="color: navy; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-2084120777281893860?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/2084120777281893860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=2084120777281893860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2084120777281893860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2084120777281893860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/12/uma-tradicao-que-merece-respeito.html' title='Uma Tradição Que Merece Respeito'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TQwgUCDXW2I/AAAAAAAAAWU/Fgda99XBrIY/s72-c/scrut.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8932351290006928864</id><published>2010-12-09T07:55:00.000-08:00</published><updated>2010-12-09T08:17:40.662-08:00</updated><title type='text'>Them There Eyes</title><content type='html'>Só pra quebrar a inércia (não estou nem um pouco a fim de comentar o ministério da Dilma, que não traz surpresa alguma) e homenagear o mais belo par de olhos que já vi em toda minha vida. É só o que me interessa ultimamente, mesmo!&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TQD7Kvyk7bI/AAAAAAAAAWQ/BupFIY1blfc/s1600/gabs.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TQD7Kvyk7bI/AAAAAAAAAWQ/BupFIY1blfc/s320/gabs.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/u5QcXk7X9ms?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/u5QcXk7X9ms?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8932351290006928864?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8932351290006928864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8932351290006928864' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8932351290006928864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8932351290006928864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/12/them-there-eyes.html' title='Them There Eyes'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TQD7Kvyk7bI/AAAAAAAAAWQ/BupFIY1blfc/s72-c/gabs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5967644505356719206</id><published>2010-11-28T07:44:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T07:44:39.928-08:00</updated><title type='text'>Slavoj Zizek no Democracy Now! - parte1</title><content type='html'>&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-b8r9pzdc7M?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-b8r9pzdc7M?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5967644505356719206?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5967644505356719206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5967644505356719206' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5967644505356719206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5967644505356719206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/slavoj-zizek-no-democracy-now-parte1.html' title='Slavoj Zizek no Democracy Now! - parte1'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4074021546521877603</id><published>2010-11-24T14:39:00.000-08:00</published><updated>2010-11-24T14:39:20.480-08:00</updated><title type='text'>Um Coquetel Antológico</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TO03XIIsZ0I/AAAAAAAAAWM/LQ_eGyBmYAk/s1600/soraya.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TO03XIIsZ0I/AAAAAAAAAWM/LQ_eGyBmYAk/s1600/soraya.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Modéstia é de fato para os fracos. O Coquetel do Mingus foi certamente um dos melhores programas de rádio de todos os tempos! E a &lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/01/muda-e-liberdade-radiofonica.html"&gt;Rádio Muda&lt;/a&gt; é do que mais tenho saudades em Campinas. Esta noite, 24 de maio de 2005, foi particularmente inspirada (mais &lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/03/coquetel-do-mingus.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/10/mais-um-pouco-de-coquetel-do-mingus.html"&gt;acolá&lt;/a&gt;). Estávamos lá Pedro, Ricardinho, o Peter provavelmente, e eu, e contávamos com a visita da adorável Soraya, que fica aqui homenageada. Foi um dos meus últimos programas antes de me mudar pra Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="28" width="335"&gt;&lt;param value="http://www.divshare.com/flash/audio_embed?data=YTo2OntzOjU6ImFwaUlkIjtzOjE6IjQiO3M6NjoiZmlsZUlkIjtpOjEzMzEyMTU0O3M6NDoiY29kZSI7czoxMjoiMTMzMTIxNTQtMjBhIjtzOjY6InVzZXJJZCI7aToxNzUyMTcxO3M6MTI6ImV4dGVybmFsQ2FsbCI7aToxO3M6NDoidGltZSI7aToxMjkwNjM4NDU4O30=&amp;amp;autoplay=default" name="movie"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed wmode="transparent" height="28" width="335" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" src="http://www.divshare.com/flash/audio_embed?data=YTo2OntzOjU6ImFwaUlkIjtzOjE6IjQiO3M6NjoiZmlsZUlkIjtpOjEzMzEyMTU0O3M6NDoiY29kZSI7czoxMjoiMTMzMTIxNTQtMjBhIjtzOjY6InVzZXJJZCI7aToxNzUyMTcxO3M6MTI6ImV4dGVybmFsQ2FsbCI7aToxO3M6NDoidGltZSI7aToxMjkwNjM4NDU4O30=&amp;amp;autoplay=default"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4074021546521877603?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4074021546521877603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4074021546521877603' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4074021546521877603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4074021546521877603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/um-coquetel-antologico.html' title='Um Coquetel Antológico'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TO03XIIsZ0I/AAAAAAAAAWM/LQ_eGyBmYAk/s72-c/soraya.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4748543909518799810</id><published>2010-11-18T04:55:00.000-08:00</published><updated>2010-11-18T05:51:08.153-08:00</updated><title type='text'>A Poor Player</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TOUhdWShrpI/AAAAAAAAAWI/R47bJnNcLqM/s1600/LAERTE-28-10-10-thumb-600x182-7627+%25281%2529.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="121" src="http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TOUhdWShrpI/AAAAAAAAAWI/R47bJnNcLqM/s400/LAERTE-28-10-10-thumb-600x182-7627+%25281%2529.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;To-morrow, and to-morrow, and to-morrow,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;Creeps in this petty pace from day to day,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;To the last syllable of recorded time;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;And all our yesterdays have lighted fools&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;The way to dusty death. Out, out, brief candle!&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;Life's but a walking shadow, a poor player,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;That struts and frets his hour upon the stage,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;And then is heard no more. It is a tale&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;Told by an idiot, full of sound and fury,&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana,sans-serif; font-size: 12px; line-height: 17px;"&gt;Signifying nothing.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4748543909518799810?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4748543909518799810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4748543909518799810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4748543909518799810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4748543909518799810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/poor-player.html' title='A Poor Player'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TOUhdWShrpI/AAAAAAAAAWI/R47bJnNcLqM/s72-c/LAERTE-28-10-10-thumb-600x182-7627+%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8606165470738715248</id><published>2010-11-17T16:32:00.001-08:00</published><updated>2010-11-17T16:40:24.497-08:00</updated><title type='text'>Life Is Unbearable</title><content type='html'>&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/v4uN-msPTgE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/v4uN-msPTgE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8606165470738715248?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8606165470738715248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8606165470738715248' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8606165470738715248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8606165470738715248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/life-is-unbearable.html' title='Life Is Unbearable'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-179332353468379037</id><published>2010-11-15T06:39:00.001-08:00</published><updated>2010-11-15T23:29:20.567-08:00</updated><title type='text'>Mingus @ Montreux '75 - Devil's Blues</title><content type='html'>&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ODnOQ0t37Ik?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ODnOQ0t37Ik?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gAdlVvS93pk?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gAdlVvS93pk?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-179332353468379037?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/179332353468379037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=179332353468379037' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/179332353468379037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/179332353468379037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/mingus-montreux-75-devil-blues.html' title='Mingus @ Montreux &apos;75 - Devil&apos;s Blues'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-7228143536814621964</id><published>2010-11-12T14:21:00.001-08:00</published><updated>2010-11-12T14:21:12.517-08:00</updated><title type='text'>John Cage: Primeira Construção em Metal</title><content type='html'>Para metaleiros de verdade!&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="640"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FVAbMtxRLOQ?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/FVAbMtxRLOQ?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-7228143536814621964?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/7228143536814621964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=7228143536814621964' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7228143536814621964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7228143536814621964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/john-cage-primeira-construcao-em-metal.html' title='John Cage: Primeira Construção em Metal'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-239473567884824046</id><published>2010-11-10T15:05:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T09:42:53.122-08:00</updated><title type='text'>Centelha de Existência</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TNslks0pKBI/AAAAAAAAAWE/PHd41IglDC8/s1600/spark.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TNslks0pKBI/AAAAAAAAAWE/PHd41IglDC8/s1600/spark.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Dave Douglas é um rapaz que já esteve por aqui &lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/06/pirando-pra-dentro.html"&gt;uma&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/10/dave-douglas-poses.html"&gt;outra&lt;/a&gt; vez. Eis que volta com um disco que acaba de chegar para melhorar minha vida (no mesmo dia que minha camiseta do &lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/02/captain-beefheart-trout-mask-replica.html"&gt;Trout Mask Replica&lt;/a&gt;!!!). Como já disse, é preciso ser &lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/10/sem-comentarios-pe-no-freio.html"&gt;feliz com o que se tem para ser feliz&lt;/a&gt;, e vale muito mais a pena direcionar suas expectativas para coisas com que se pode contar - como encomendas à Amazon - do que para aquelas que dependam dos caprichos de outro ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spark of Being é um projeto conjunto de Douglas e seu quinteto Keystone com o cineasta experimental Bill Morrison, compreedendo um filme e uma trilogia de discos, dos quais o que eu comprei é a parte dois, Expand (fica o comichão de conhecer as outras duas). O tema que procupa o engajado trumpetista agora é a criação artificial da vida, sobre o que discorre nas notas da contracapa, citando a ficção de Shelley como é inevitável. Na verdade, o próprio filme se vende como uma recriação do mito de Frankenstein. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dave é acompanhado de &lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;Marcus Strickland no Sax Tenor, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;Adam Benjamin no Fender Rhodes, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;Brad Jones no Baby Bass (?), &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;Gene Lake na Batera e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;DJ Olive nas Picapes e Laptop. É bom vê-lo voltando a um jazz mais contemporâneo depois do projeto Brass Ecstasy - que aliás tive o privilégio ver no Jazz em Agosto 2009, em Lisboa - que era muito bom, mas caretão demais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;Aqui, o trailer do filme:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;span class="article_title_list"&gt;&lt;object height="385" width="640"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Jq4f7HT3wNE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Jq4f7HT3wNE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-239473567884824046?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/239473567884824046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=239473567884824046' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/239473567884824046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/239473567884824046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/centelha-de-existencia.html' title='Centelha de Existência'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TNslks0pKBI/AAAAAAAAAWE/PHd41IglDC8/s72-c/spark.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8285011761793483655</id><published>2010-11-08T13:17:00.000-08:00</published><updated>2010-11-08T14:09:02.512-08:00</updated><title type='text'>Nietzsche Explica</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TNh0676cqMI/AAAAAAAAAWA/8R3Dm4nojJI/s1600/imposto.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="267" src="http://1.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TNh0676cqMI/AAAAAAAAAWA/8R3Dm4nojJI/s320/imposto.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mal Dilma foi eleita, o primeiro assunto que circula - além da tradicional dança das cadeiras - é a recriação da CPMF, uma contribuição que é compulsória e carrega o epíteto de provisória mas parece ter mais vidas um gato vampiro. As letras restantes não são para Mother Fucker, mas movimentação financeira. Sabe, essas chateações da vida contemporânea que significam basicamente receber e usar dinheiro, ou seja, o objetivo de vida de todo bom cidadão submetido ao capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu seja doutrinariamente contra qualquer imposto, essa é geralmente uma bandeira daqueles que não precisam da assistência do Estado, que o querem apenas garantindo o terreno para o capital jogar bola (sem ao menos fazer a encenação básica de defender os desassistidos). Como o Goerge W. Bush, que não fez muito mais do que iniciar guerras e cortar impostos (para os mais ricos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu penso é que um remendo aqui outro ali não vão resolver nada: a reforma tributária, tão alardeada e nunca concretizada, é que deveria instituir um novo regime arrecadatório que desonerasse o consumo de bens e serviços essenciais e taxasse pesadamente aqueles supérfluos e de luxo, além de incidir sobre patrimônio e heranças. Ou seja, implantar finalmente a progressividade no lugar desta perversa regressividade que faz uma família de baixa renda empenhar uma parcela bem maior de seu orçamento com impostos do que uma de alta renda. Acontece que quem tem influência política é justamente essa camada de alta renda; some-se a isso que nenhuma parte interessada está interessada em perder receita, e segue que o mais provável é que saia qualquer reforma cosmética. Acabando com a gurra fiscal entre estados, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à CPMF, eu acredito que ela pudesse existir, com uma alíquota baixa, só pelo efeito fiscal: muito sonegador de IR caía no cruzamento dos dados de CPMF. Obviamente, não é a preocupação dos governadores e da presidente-eleita: querem receita. Parece bem provável que a ideia vá adiante, e voltará aquele inconveniente de receber um dinheiro e não depositar com medo da tunga, ou de não passar o dinheiro por uma conta intermediária, e por aí vai. E pensar que eu trabalhava em banco, já sabia de cor: R$3,80 a cada mil reais. É um imposto nietzschiano: eternamente retorna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8285011761793483655?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8285011761793483655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8285011761793483655' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8285011761793483655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8285011761793483655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/nietzsche-explica.html' title='Nietzsche Explica'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TNh0676cqMI/AAAAAAAAAWA/8R3Dm4nojJI/s72-c/imposto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-3925926231713411698</id><published>2010-11-05T09:02:00.003-07:00</published><updated>2010-11-05T09:02:50.647-07:00</updated><title type='text'>For Old Times' Sakes</title><content type='html'>&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tymWpEU8wpM?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tymWpEU8wpM?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-3925926231713411698?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/3925926231713411698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=3925926231713411698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/3925926231713411698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/3925926231713411698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/for-old-times-sakes.html' title='For Old Times&apos; Sakes'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-1574047116195338443</id><published>2010-11-03T18:31:00.001-07:00</published><updated>2010-11-03T18:35:14.519-07:00</updated><title type='text'>Dos Amores Inconvenientes</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TNIMzo2Z92I/AAAAAAAAAV8/FeSUS5eC9UU/s1600/niquel.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="127" src="http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TNIMzo2Z92I/AAAAAAAAAV8/FeSUS5eC9UU/s400/niquel.gif" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-1574047116195338443?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/1574047116195338443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=1574047116195338443' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1574047116195338443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1574047116195338443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/dos-amores-incovenientes.html' title='Dos Amores Inconvenientes'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TNIMzo2Z92I/AAAAAAAAAV8/FeSUS5eC9UU/s72-c/niquel.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-1276317824665549150</id><published>2010-11-03T16:38:00.000-07:00</published><updated>2011-10-22T22:31:17.432-07:00</updated><title type='text'>Sem Comentários - Desfecho Previsível</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #656565; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 23px;"&gt;... he begins to feel depressed now. he knows the end is near. he has re&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #656565; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 23px;"&gt;alized at last that imaginary guitar notes and imaginary vocals exist only in the imagination of the imaginer...and... ultimately, who gives a fuck anyway...so...so... excuse me...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #656565; font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 14px; line-height: 23px;"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/T0bwtMPXG_0" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #656565; font-family: Arial, sans-serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 14px; line-height: 23px;"&gt;E, é claro... Broken Hearts Are For Assholes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #656565; font-family: Arial, sans-serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 14px; line-height: 23px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #4a4a4a; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20px;"&gt;&lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/10/sem-comentarios-edicao-especial-de-luxo.html" style="color: #ff3a49; text-decoration: underline;"&gt;Sem Comentários - Edição Especial de Luxo&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-1276317824665549150?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/1276317824665549150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=1276317824665549150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1276317824665549150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1276317824665549150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/sem-comentarios-desfecho-previsivel.html' title='Sem Comentários - Desfecho Previsível'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/T0bwtMPXG_0/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8244753740161883944</id><published>2010-11-02T18:16:00.000-07:00</published><updated>2010-11-02T18:33:59.611-07:00</updated><title type='text'>Crônica do Sapo Rouco</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.jessicadestefano.com/SCULPTS%20NEW%20LARGE/Mr%20Frog%20Smoking.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://www.jessicadestefano.com/SCULPTS%20NEW%20LARGE/Mr%20Frog%20Smoking.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O &lt;a href="http://www.piparote.com/"&gt;Piparote&lt;/a&gt; parecia ser o ressurgimento da &lt;a href="http://www.jessicadestefano.com/SCULPTS%20NEW%20LARGE/Mr%20Frog%20Smoking.jpg"&gt;Patada&lt;/a&gt;, e para mim uma plataforma para publicar ficção (e me forçar a escrevê-la!). Qual! De uns tempos pra cá a página está abandonada. Mas quem sabe um dia renasça? Por enquanto, resolvi trazer pra Leosfera um conto que gostei muito de escrever, e que tomou um rumo inesperado devido a circunstâncias da vida real. Com vocês, a Crônica do Sapo Rouco.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.piparote.com/2010/05/cronica-do-sapo-rouco-pt-1/"&gt;Parte 1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.piparote.com/2010/05/cronica-do-sapo-rouco-pt-2/"&gt;Parte 2&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.piparote.com/2010/06/cronica-do-sapo-rouco-pt-3/"&gt;Parte 3&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.piparote.com/2010/06/cronica-do-sapo-rouco-pt-4/"&gt;Parte 4&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.piparote.com/2010/06/cronica-do-sapo-rouco-pt-5/"&gt;Parte 5&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.piparote.com/2010/07/cronica-do-sapo-rouco-pt-6/"&gt;Parte 6&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.piparote.com/2010/07/cronica-do-sapo-rouco-pt-7-fim/"&gt;Parte 7&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8244753740161883944?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8244753740161883944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8244753740161883944' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8244753740161883944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8244753740161883944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/cronica-do-sapo-rouco_02.html' title='Crônica do Sapo Rouco'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-7852031771801766735</id><published>2010-11-01T05:27:00.000-07:00</published><updated>2010-11-02T16:40:15.182-07:00</updated><title type='text'>Her Eyes Are A Blue Million Miles</title><content type='html'>&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1fO9bHuRxpU?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/1fO9bHuRxpU?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;Captain Beefheart, Her Eyes Are A Blue Million Miles, do álbum Clear Spot (excelente, aliás). Esta música tem uma (breve) aparição no filme O Grande Lebowski, dos Irmãos Cohen. Apesar de ser "easy listening" se comparado ao &lt;a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;amp;source=web&amp;amp;cd=1&amp;amp;ved=0CBgQFjAA&amp;amp;url=http%3A%2F%2Fleosfera.blogspot.com%2F2010%2F02%2Fcaptain-beefheart-trout-mask-replica.html&amp;amp;rct=j&amp;amp;q=leosfera%20trou%20mask&amp;amp;ei=iCbPTK6YOYGs8Abco7DJAQ&amp;amp;usg=AFQjCNG8iLVj5IwhMyZhUlaDRl6LNVR-4A&amp;amp;cad=rja"&gt;Trout Mask Replica&lt;/a&gt;, este som sempre foi um dos meus favoritos dele, e agora ganha novo significado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-7852031771801766735?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/7852031771801766735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=7852031771801766735' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7852031771801766735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/7852031771801766735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/her-eyes-are-blue-million-miles.html' title='Her Eyes Are A Blue Million Miles'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4649397866720354642</id><published>2010-11-01T04:55:00.000-07:00</published><updated>2010-11-01T07:33:59.760-07:00</updated><title type='text'>Parabéns</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TM6qjWjxxJI/AAAAAAAAAV0/K2nWCut4WLs/s1600/dilma_eleita2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="165" src="http://4.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TM6qjWjxxJI/AAAAAAAAAV0/K2nWCut4WLs/s320/dilma_eleita2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Dilma Rousseff confirmou o favoritismo nas pesquisas e faturou a presidência do Brasil. É muito positivo o fato de uma mulher ter chegado lá pela primeira vez. Era sempre preferível que fosse uma com luz própria e não uma "favorita". Meus parabéns de qualquer forma. Eu apoiei sua candidatura discretamente e sem entusiasmo no segundo turno, agora me volto à tarefa de ser-lhe oposição pela esquerda. Fico feliz mesmo é de ver a cara de tacho da direita, que vai ficar sem o pirulito por mais pelo menos quatro anos. Eu de minha parte sou da parcela privilegiada dos brasileiros, e se a menos privilegiada está satisfeita e quer continuidade, tudo que eu falar sobre reformas estruturais soa como conversa furada. Segue o barco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4649397866720354642?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4649397866720354642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4649397866720354642' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4649397866720354642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4649397866720354642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/11/parabens.html' title='Parabéns'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/TM6qjWjxxJI/AAAAAAAAAV0/K2nWCut4WLs/s72-c/dilma_eleita2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-1024349417947639303</id><published>2010-10-29T16:54:00.000-07:00</published><updated>2010-10-29T16:54:39.034-07:00</updated><title type='text'>Ghost Rider</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://img.maniadb.com/images/album/181/181079_1_f.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://img.maniadb.com/images/album/181/181079_1_f.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Não, eu não vou ficar pra votar na Weslian. Concluí que se ficasse em casa no feriado minha cabeça explodiria. Talvez exploda de qualquer forma, já que não dá pra deixá-la no congelador até quarta, e sabemos-o-quê vai me perseguir.&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333;"&gt;Parar de pensar em alguma coisa é como escapar do lamaçal puxando a si mesmo pelos cabelos. Tarefa para o mestre zen, ou para o Barão de Münchausen.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Portanto, amanhã é dia de pegar a estrada, não de moto como o Neil Peart, de carro mesmo, nem com duas mortes para assimilar, mas com tolas (talvez nem tanto) esperanças fermentando na cachola. O caminho é velho conhecido: até Sacramento, no Triângulo Mineiro (perto de Uberaba), terra de meu pai (que aliás foi mais misantropo que eu, optando por ficar). A trilha será variada, mas fiquemos por ora com Ghost Rider do excelente álbum Vapor Trails, do Rush.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;object height="28" width="335"&gt;&lt;param value="http://www.divshare.com/flash/audio_embed?data=YTo2OntzOjU6ImFwaUlkIjtzOjE6IjQiO3M6NjoiZmlsZUlkIjtpOjEzMDE1NDI2O3M6NDoiY29kZSI7czoxMjoiMTMwMTU0MjYtYmMwIjtzOjY6InVzZXJJZCI7aToxNzUyMTcxO3M6MTI6ImV4dGVybmFsQ2FsbCI7aToxO3M6NDoidGltZSI7aToxMjg4Mzk2MTE1O30=&amp;amp;autoplay=default" name="movie"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed wmode="transparent" height="28" width="335" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" src="http://www.divshare.com/flash/audio_embed?data=YTo2OntzOjU6ImFwaUlkIjtzOjE6IjQiO3M6NjoiZmlsZUlkIjtpOjEzMDE1NDI2O3M6NDoiY29kZSI7czoxMjoiMTMwMTU0MjYtYmMwIjtzOjY6InVzZXJJZCI7aToxNzUyMTcxO3M6MTI6ImV4dGVybmFsQ2FsbCI7aToxO3M6NDoidGltZSI7aToxMjg4Mzk2MTE1O30=&amp;amp;autoplay=default"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-1024349417947639303?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/1024349417947639303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=1024349417947639303' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1024349417947639303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/1024349417947639303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/10/ghost-rider.html' title='Ghost Rider'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-5955810301011252871</id><published>2010-10-28T15:45:00.000-07:00</published><updated>2010-10-28T15:45:40.383-07:00</updated><title type='text'>Um Ídolo Intelectual</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_N8AYpMrTIvk/TGkvlqO9nFI/AAAAAAAACRQ/1BN7qNh6rmM/s1600/chomskyIII.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="217" src="http://3.bp.blogspot.com/_N8AYpMrTIvk/TGkvlqO9nFI/AAAAAAAACRQ/1BN7qNh6rmM/s320/chomskyIII.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Noam Chomsky é um dos poucos seres humanos respeitados em duas áreas diferentes do conhecimento. É um linguista fundamental, criador de toda uma corrente de pensamento (o gerativismo), e é talvez mais conhecido como analista político crítico do capitalismo (e do socialismo) e das práticas imperialistas de seu próprio país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consistência do pensamento de Chomsky é irritante, a ponto de sua clareza ser confundida com simplismo. Foi o que disse o New York Times na frase em que o reputava "o intelectual vivo mais importante"... mas cujas visões políticas são "maddening simple-minded" (exasperantemente simplistas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chomsky é uma referência da esquerda atual (seja lá o que isso signifique) na contestação da "visão oficial da História", segundo a qual, por exemplo, os EUA lutavam pela democracia na América Central dos anos 80, ou que a Guerra Fria foi uma disputa de igual pra igual (entre o bem e o mal, é claro); ou ainda na questão palestina - uma em que a máquina de propaganda é assaz poderosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chomsky professa o anarquismo (e acabo de encomendar dele On Anarchism e Government in the Future), daí sua liberdade para criticar tanto o capitalismo de Estado à ocidental (intervencionista) quanto o capitalismo de Estado alcunhado "socialismo real" (totalitário). &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zDJee4stYN0"&gt;Este vídeo&lt;/a&gt; é excelente neste quesito. E quanto àquele, sugiro meu próprio &lt;a href="http://www.youtube.com/user/chomskytube"&gt;Chomskytube&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí por que disse que Chomsky é irritante: para ele não há opção entre capitalismo e socialismo porque nunca existiu nem um nem outro. Assim como na Palestina, entre uma solução de um Estado ou uma de dois Estados, ele é por uma solução de Estado nenhum. Na verdade, como foi bem observado pela Lambisgóia, ele tem um jeito muito peculiar de fazer ironias intelectuais muito finas a ponto de serem imperceptíveis a qualquer observador menos arguto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho problemas em afirmar que Chomsky é um ídolo. Sinto uma ponta de orgulho por me corresponder com ele (ele é super acessível - &lt;a href="chomsky: Dedo Americano na Rea%C3%A7%C3%A3o ao PNDH-3?"&gt;aqui&lt;/a&gt;&amp;nbsp;e &lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/07/chomsky-o-potencial-do-brasil.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Triste pensar que estive perto de entrevistá-lo pessoalmente quando fui a Boston, mas vicissitudes inescapáveis o impediram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-5955810301011252871?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/5955810301011252871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=5955810301011252871' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5955810301011252871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/5955810301011252871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/10/um-idolo-intelectual.html' title='Um Ídolo Intelectual'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_N8AYpMrTIvk/TGkvlqO9nFI/AAAAAAAACRQ/1BN7qNh6rmM/s72-c/chomskyIII.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-902433694545583191</id><published>2010-10-28T06:27:00.000-07:00</published><updated>2010-12-17T19:16:48.632-08:00</updated><title type='text'>A True Zen Saying</title><content type='html'>King Crimson: Happy With What You Have To Be Happy With.&lt;br /&gt;Com o Adrian Belew parecendo o palhaço assassino e tudo!&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="640"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aWN9oqTSs14?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/aWN9oqTSs14?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-902433694545583191?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/902433694545583191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=902433694545583191' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/902433694545583191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/902433694545583191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/10/sem-comentarios-pe-no-freio.html' title='A True Zen Saying'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-8117619843040596150</id><published>2010-10-27T19:54:00.000-07:00</published><updated>2010-10-27T20:36:04.718-07:00</updated><title type='text'>Sem Comentários - Segue a Saga</title><content type='html'>&lt;a href="http://leosfera.blogspot.com/2010/10/sem-comentarios-edicao-especial-de-luxo.html"&gt;Sem Comentários - Edição Especial de Luxo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/lXYKGL6MgKM?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/lXYKGL6MgKM?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;"&gt;From the album "Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Songbook" (1956).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-8117619843040596150?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/8117619843040596150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=8117619843040596150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8117619843040596150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/8117619843040596150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/10/lets-do-it.html' title='Sem Comentários - Segue a Saga'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-4729720100420207006</id><published>2010-10-26T19:54:00.000-07:00</published><updated>2010-10-26T19:54:46.890-07:00</updated><title type='text'>Então tá, né?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_8nGlV2FuxVA/TDI6gKO7olI/AAAAAAAAB8k/uqF3fCGy2vY/s1600/dilma-roussef.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_8nGlV2FuxVA/TDI6gKO7olI/AAAAAAAAB8k/uqF3fCGy2vY/s1600/dilma-roussef.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Dilma não me entusiasma nem um pouco. Principalmente essa Dilma da campanha, produto dos marqueteiros. Gostava mais dela mulher-macho e enérgica; quando ela ficou nervosa em alguns momentos da campanha essa Dilma verdadeira reapaeceu. Mas, como ia dizendo, não consigo me empolgar para fazer campanha para Dilma, por mais que deteste a perspectiva de ver o PSDB de volta ao poder, com o PFL no cangote (não duvide que ele voltaria à turgescência de outrora). Dilma é mais realpolitik na veia, é estender a lua-de-mel com as oligarquias, é Eike Batista subindo na lista da Forbes. Até gente muito boa como o Milton Temer se ilude pensando que sendo ela menor que Lula o partido falará mais alto e a puxará para esquerda; nem o terrorismo da direita fala isso a sério... bobagem: "a culpa é da Articulação" quantas vezes eu já ouvi isso de petistas de verdade; e lá estará a Articulação com seu Lula e seu Zé Dirceu (o Godzilla).&amp;nbsp;Já disse que gostaria muito que o PT tivesse lançado o chanceler Celso Amorim. Não sei se foi ele quem não quis ou se nunca se pensou nisso. Vejo nele uma pessoa capaz, articulada, mas o metalúrgico tinha uma afeição especial pela mineira. Vamos nós. Meu candidato não chegou a um por cento dos votos, que posso eu dizer? Chego a ter saudades da Marina que dava um sal à contenda e evitava o que depois se mostrou inevitável: a gincana despolitizada entre chapa-brancas e regressistas. Neste fim de semana a coisa se resolve, e quem melhor definiu a situação foi o Luiz Fernando Veríssimo, que não vê grande diferença entre os dois (como Lula foi muito pouco diferente de FHC), mas ainda assim prefere a Dilma. Mas quando eu a vejo falando e penso que ela será presidente (é presidente, você já viu gerenta, pacienta ou atendenta?) dá um desânimo... Então é isso, acho que meu voto é, mais que um "voto crítico", como inventou meu partido (sendo que críticos mesmo serão os da Marina), um voto desanimado. Se eu votar, porque tem feriadão aí, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-4729720100420207006?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/4729720100420207006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=4729720100420207006' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4729720100420207006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/4729720100420207006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/10/entao-ta-ne.html' title='Então tá, né?'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8nGlV2FuxVA/TDI6gKO7olI/AAAAAAAAB8k/uqF3fCGy2vY/s72-c/dilma-roussef.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-2164825800791027085</id><published>2010-10-25T21:22:00.000-07:00</published><updated>2010-10-25T21:22:20.861-07:00</updated><title type='text'>Henry Cow - Nirvana for Mice</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_4lQ8hXpb7u0/ShAYYLFnyFI/AAAAAAAAB3w/BTkSfwGwS1Y/s320/Henry+Cow+-+Legend+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_4lQ8hXpb7u0/ShAYYLFnyFI/AAAAAAAAB3w/BTkSfwGwS1Y/s320/Henry+Cow+-+Legend+1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Encomendei o LP Leg End do Henry Cow e aguardo ansiosamente. Enquanto isso, fiquem com a faixa de abertura - a aparição oficial deste fantástico grupo que foi o Henry Cow: Nirvana for Mice.&lt;br /&gt;&lt;object height="28" width="335"&gt;&lt;param value="http://www.divshare.com/flash/audio_embed?data=YTo2OntzOjU6ImFwaUlkIjtzOjE6IjQiO3M6NjoiZmlsZUlkIjtpOjEyOTc3MjIzO3M6NDoiY29kZSI7czoxMjoiMTI5NzcyMjMtZGFhIjtzOjY6InVzZXJJZCI7aToxNzUyMTcxO3M6MTI6ImV4dGVybmFsQ2FsbCI7aToxO3M6NDoidGltZSI7aToxMjg4MDY2ODc2O30=&amp;amp;autoplay=default" name="movie"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed wmode="transparent" height="28" width="335" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" src="http://www.divshare.com/flash/audio_embed?data=YTo2OntzOjU6ImFwaUlkIjtzOjE6IjQiO3M6NjoiZmlsZUlkIjtpOjEyOTc3MjIzO3M6NDoiY29kZSI7czoxMjoiMTI5NzcyMjMtZGFhIjtzOjY6InVzZXJJZCI7aToxNzUyMTcxO3M6MTI6ImV4dGVybmFsQ2FsbCI7aToxO3M6NDoidGltZSI7aToxMjg4MDY2ODc2O30=&amp;amp;autoplay=default"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3798709024229873819-2164825800791027085?l=leosfera.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leosfera.blogspot.com/feeds/2164825800791027085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3798709024229873819&amp;postID=2164825800791027085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2164825800791027085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3798709024229873819/posts/default/2164825800791027085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leosfera.blogspot.com/2010/10/henry-cow-nirvana-for-mice.html' title='Henry Cow - Nirvana for Mice'/><author><name>Leonardo Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13577441293185747939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_525OhltVWcc/SUO-1dUrVBI/AAAAAAAAABs/3UV863GoFo8/S220/DSCN0685.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_4lQ8hXpb7u0/ShAYYLFnyFI/AAAAAAAAB3w/BTkSfwGwS1Y/s72-c/Henry+Cow+-+Legend+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3798709024229873819.post-3913245894631882152</id><published>2010-10-24T17:33:00.000-07:00</published><updated>2010-10-25T07:13:51.185-07:00</updated><title type='text'>SLAVOJ ŽIŽEK no Democracy Now! parte 1</title><content type='html'>&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt;&lt;b&gt;Em breve, o vídeo legendado.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px; line-height: 15px;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/RAmq39WR0Hc?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/RAmq39WR0Hc?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;AMY GOODMAN:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt; font-weight: normal;"&gt;Nos voltamos para a Europa, ondo muitos estão preocupados com a crescente aceitabilidade de retórica e políticas anti-imigrante. Longe de apenas ser expressa pela extrema-direita, a tendência anti-imigrante adentrou o mainstream. A chanceler alemã &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Angela Merkel disse a uma reunião de jovens membros do partido conservador União Democrática Cristã neste fim de semana que o multiculturalismo fracassou completamente.&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;CHANCELLOR ANGELA MERKEL:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Em Frankfurt, principalmente, duas de cada três crianças abaixo de cinco anos tem um origem imigrante. Somos um país que, no começo dos anos 60, de fato trouxe trabalhadores convidados à Alemanha. Agora eles vivem conosco, e nós mentimos para nós mesmos por um tempo, dizendo que eles não ficarão e que desaparecerão um dia. Essa não é a realidade. Essa abordagem multicultural, dizer que simplesmente vivemos lado a lado e estamos felizes um com o outro, essa abordagem fracassou, fracassou totalmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;AMY GOODMAN:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;A chanceler alemã acrescentou depois que imigrantes são bem vindos na Alemanha e que o Islã é uma parte da cultura da nação nos dias atuais. Seus comentários são vistos como parte de uma guinada à direita e vêm apenas dias após um estudo pela Fundação Friedrich Ebert, de centro-esquerda, descobrir que mais de 30 por cento das pessoas acreditam que a Alemanha é “dominada por estrangeiros.” Um número similar acreditava que os imigrantes tinham vindo para a Alemanha por seus benefícios sociais e “deveriam ser mandados para casa quando o emprego é escasso.” No começo do ano, um livro de um banqueiro influente causou furor, por atribuir o declínio da nacionalidade alemã ao suposto fracasso de muitos imigrantes em se integrarem.&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Enquanto os debates prosseguem na Europa, recebo aqui em Nova Iorque um controverso intellectual público que foi chamado de “Elvis da tória cultural.” Sim, estou falando do filósofo e crítico esloveno Slavoj Žižek. Ele é o autor de mais de trinta livros. Seu mais recente, da Verso, acaba de sair, e se chama “Vivendo no Fim dos Tempos”. Em recente artigo para o jornal londrino The Guardian, ele argumenta que “através da Europa, a política da extrema direita está infectando a todos com a necessidade de uma política anti-imigrante ‘razoável.’”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Bem, Slavoj Žižek, bem vindo ao&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Democracy Now!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;SLAVOJ ŽIŽEK:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;Feliz de estar aqui. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Obrigado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;AMY GOODMAN:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Junte tudo para nós, desde a Angela Merkel falando sobre o fim do multiculturalismo – e mesmo o que isso significa, “multiculturalismo” – aos protestos em massa que estão ocorrendo na França e mais além.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;SLAVOJ ŽIŽEK:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Eu realmente penso que geralmente nós europeus somos um pouco arrogantes, como se fôssemos o modelo de tolerância e por aí vai. Agora algo horrível aconteceu, e o que é realmente preocupante é que não apenas os países, as partes da Europa, que geralmente associamos à intolerância, como o sudeste da Europa, Romênia, Hungria e tal, são inclusive os próprios modelos de tolerância: Holanda, Noruega e tal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;O que realmente me preocupa é... vou dizer algo muito simples, quase lugar-comum, que, você sabe, para mim, eu sou nisso sempre pela censura. Através da democracia, tolerância, num sentido autêntico, significa que você simplesmente não pode dizer certas coisas publicamente. Você é considerado... você sabe, como se você disser publicamente uma piada anti-semita, sexista, é inaceitável. Coisas que eram inaceitáveis dez, quinze anos atrás são agora aceitáveis. E o que realmente me preocupa é como a extrema-direita, o que era vinte anos atrás o domínio da extrema-direita, está ditando... mesmo se são uma minoria, estão ditando a agenda geral. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;O truque retórico típico aqui é em dois movimentos. Primeiro, você obviamente condena a extrema-direita: “sem lugar na nossa democracia desenvolvida”. Mas então você acrescenta: “Mas eles estão abordando as reais preocupações das pessoas,” e tal e tal. Então, precisamente – este é o truque sofisticado sujo – de modo a prevenir demonstrações de ódio, temos de controlar a situação. Você sabe que ele era politicamente próximo à social-democracia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;AMY GOODMAN:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Que significa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;SLAVOJ ŽIŽEK:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Que significa que eles… realmente, a extrema direita impôs seu tema sobre todos. Mas deixe-me dizer agora algo que pode lhe surpreender. Eu, é claro, não aceito essa lógica horrível – temos que fazer mais modestamente para prevenir demonstrações reais – mas eu penso que há uma falha nessa visão padrão, liberal, multicultural, que quer dizer que todo grupo étnico, qualquer coisa, em si mesma, tudo que precisamos é de um arcabouço legal neutro garantindo a coexistência de grupos. Desculpe se eu choco alguém, mas eu penso que de fato precisamos do que os alemães chamam &lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Leitkultur, &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-style: normal;"&gt;cultura prevalente. Apenas ela não deveria ser definida nacionalmente. Deveríamos lutar por isso. Sim, eu concordo com os direitistas. Nós precisamos de um conjunto de valores aceitos por todos. Mas quais serão esses valores, meu Deus? Nós negligenciamos isso um pouco. Você sabe que não é apenas esse modelo liberal abstrato: você tem seu mundo, eu tenho meu mundo, nós apenas precisamos de uma rede legal neutra – como vamos educadamente ignorar um ao outro.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Meu segundo argumento seria que é absolutamente crucial como essa explosão anti-imigrante está ligada ao recuo da política esquerdista, especialmente em matéria de economia e tal. E como se a esquerda, estando obcecada pela ideia de que não devemos parecer reacionários no sentido econômico, o que é dizer “Não, não, não somos os velhos sindicalistas da classe trabalhadora, somos pelo capitalismo digital pós-moderno” e tal. Eles não querem tocar a classe trabalhadora ou as assim-denominadas pessoas comuns de baixo. E aqui os direitistas entram. Você sabe, o horrível paradoxo é que, fora alguns pequenos partidos esquerdistas marginais, a única força política séria na Europa hoje que ainda está apta a apelar às pessoas trabalhadoras comuns são os anti-imigrantes de direita? Então você vê, nós, os esquerdistas não temos direito algum, absolutamente direito algum, de assumir essa postura arrogante de pessoas tolerantes ofendidas que estão horrorizadas... não, deveríamos fazer a pergunta, como permitimos o que está acontecendo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;AMY GOODMAN:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Eu quero perguntar a você sobre essa pequisa do &lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;Christian Science Monitor &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-style: normal;"&gt;que mostrou que 13 por cento dos alemães apreciariam a chegada de um novo Führer. Mais de um terço dos alemães sentem que o país é “dominado por estrangeiros.” Aproximadamente 60 por cento limitariam a prática do Islã, e 17 por cento acreditam que judeus têm influência demais. Treze por cento apreciariam a chegada de um novo Führer.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 0.4cm; margin-bottom: 0.49cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;SLAVOJ ŽIŽEK:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt; &lt;span lang="en-US"&gt;P&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333;"&gt;&lt;span lang="en-US"&gt;enso... agora de novo, talvez isso a choque, mas, você sabe, não exagere o significado disso. Não, não, eu não penso que... OK, minha primeira tese, que a Alemanha – e isso o faz ainda mais trágico – a partir de minha própria experiência, a Alemanha é, por exemplo, muito mais eficientemente, na vida quotidiana, tolerante do que a França, por exemplo, eu alego isso com toda minha responsabilidade. Não é tão geral quanto possa parecer. Vá à parte mista da ex-Berlim Ocidental e tal, você ainda vê colaboração maravilhosa. Não se preocupe com isso. O que estou precisamente dizendo é que não deveríamos ficar fascinados demais com esses detalhes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Nós deveríamos fazer perguntas mais fundamentais, como isso é, para mim, apenas parte de uma guinada geral, o que menciono no texto a que você gentilmente se refere, como todo o mapa político da Europa está mudando de uma forma horrível. Para abreviar uma história longa, bem concisamente, até agora, tínhamos a situação padrão que vocês têm até agora aqui: um grande partido de centro-esquerda, um grande partido de centro-direita – eles são os únicos partidos que se dirigem a toda a população – e então pequenos partidos marginais. Agora, mais e mais na Europa, outra polaridade está emergindo: um grande partido capitalista liberal, que pode mesmo ser em temas sociais como aborto, direitos femininos, relativamente progressistas – puro, chamemos, partido capitalista – e a única oposição séria são os nacionalistas imigrantes... anti-imigrantes. É algo horrível que aconteceu. Os anti-imigrantes estão se estabelecendo como a única autêntica - claro, eles não são autênticos politicamente, mas no sentido de realmente percebidos como autêntica – voz de protesto. Se você quer protestar, o único modo de fazê-lo efetivamente na Europa é esse. Então eu penso ser uma questão de vida ou morte uma esquerda ligeiramente mais radical emergir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt; font-weight: normal;"&gt;Sabe o quê? &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Walter Benjamin, o grande acadêmico da Escola de Frankfurt, ele disse algo que deveríamos sempre ter em mente hoje. Ele disse: “Atrás de todo fascismo, há uma revolução fracassada.” &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Serve, mais do que nunca, para nós. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Como, tome... tomemos seu próprio país, Kansas, que é agora a matriz do fundamentalismo cristão. Como Thomas Frank demonstrou em seu livro, Deus meu, até vinte, trinta anos atrás, Kansas era o celeiro de todos movimentos de massa radical-socialistas e tal. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;O mesmo na Europa. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Isso deveria nos preocupar, não essa arrogante... que sempre tem uma conotação de classe negativa. Quando as pessoas atacam o racismo das pessoas comuns, é sempre como nós liberais de classe média alta desprezando pessoas comuns. Deveríamos começar a perguntar a nós mesmos o que fizemos de errado.&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;AMY GOODMAN:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;E já que vem aqui pros Estados Unidos, sua avaliação do movimento Tea Party?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;SLAVOJ ŽIŽEK:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;É um exemplo perfeito do que eu estava falando. Eu tive quase – eu uso os termos um pouco ironicamente, mas ainda assim – uma espécie de epifania quando, um ano atrás ou algo assim, quando eles organizaram, republicanos das bases, todos eles... as primeiras tea parties contra gastar tanto dinheiro com bancos. Você sabe o que eu estava fazendo? Eu estava sentado em um quarto de hotel, trocando de canal na TV. Na Fox News, era uma transmissão ao vivo de uma tea party no Texas onde um cantor, tipo um falso cantor folk, cantava uma canção anti-Washington, anti-gasto governamental. Na PBS, havia um documentário sobre o grande ícone esquerdista Pete Seeger. Eu fiquei chocado com como as palavras, não obstante os significados político delas, eram quase o mesmo. Ambos cantavam sobre pessoas comuns, pequenas, sendo exploradas; caras maus e grandes, banqueiros em Washington, e tal, Wall Street, e tal. Essa é a tragédia. Essa é a tragédia no mais essencial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Você deve saber melhor do que eu. Eu não sei se... até onde eu posso julgar a situação, foi depois do Carter, com Reagan, que esse movimento de base e tal foi mais tomado pela direita, tipo, o tempo da esquerda, mobilização de massa radical esquerdista tinha passado. Quando alguém te diz: “Oh, tea party, oh, de um protesto local de base,” seu primeiro “avaliamento” é: estão os direitista fazendo isso de novo, ou o quê? Este é um momento muito triste. Mas sem motivos – espero deixá-lo claro – para o tradicional ataque à América Europeu. E isso é, eu acho, parte de um processo global do que chamo desaparecimento do... o que filósofos como Kant chamaram uso público da razão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Eu ouvi com surpresa e grande prazer o relato de como aqui nos States as universidades, que são financiadas com dinheiro dos contribuintes, são mais e mais usadas pelas empresas. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Na Europa, somos ainda piores. Te direi por quê. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Porque eles expuseram claramente o programa na Europa. Não é apenas este problema concreto – grandes empresas controlando, através de doações em dinheiro, as universidades. É algo mais fundamental ocorrendo. É uma bem organizada campanha pan-europeia para converter a nós cientistas, humanos ou naturais, em experts. A idéia é: temos um problema – digamos o vazamento de óleo na Louisiana – oh, precisamos de experts para nos dizer como contê-lo. Temos uma desordem pública, manifestações; precisamos de psicólogos e tal. Isso não é pensamento. Nós deveríamos redefinir e questionar os próprios problemas. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;É essa a percepção correta do problema? É esse realmente o problema? Nós deveríamos formular questões muito mais fundamentais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Aqui, pode lhe surpreender, mas eu ainda tenho simpatia pelo Obama. Mas no meu modo de ver, uma se seus maiores fracassos não é no Afeganistão. Lá, a situação é muito complexa. Eu não sei o que eu teria feito. &lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;É como ele reagiu ao vazamento. Sabe por quê? &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Porque ele jogou esse jogo legal, moralista, como se… você sabe, tipo, eu vou chutar a BP – sabemos onde – eles farão... desculpa, mas em uma tragédia dessas proporções, você não pode jogar esse jogo legalista, quem é culpado e tal. Você deve começar a fazer perguntas mais gerais. A BP é má, mas estamos cientes de que também poderia ter acontecido com outra empresa? Então o problema não é a BP. Os problemas são muitos mais gerais – a estrutura de nossa economia, por que estamos vivendo assim, nosso modo de vida e tal e tal. Eu penso ser esse o problema hoje. Estou dizendo isso ironicamente como um esquerdista. Temos talvez até anti-capitalismo demais, mas nessa sobrecarga de anti-capitalismo, mas sempre nesse sentido legal, moralista: ooh, aquela empresa está usando mão-de-obra escrava infantil; ooh, aquela empresa está poluindo; ooh, aquela empresa está... aquela empresa, qualquer coisa, explorando nossas universidades. Não, não, o problema é mais fundamental. É sobre como todo o sistema funciona para fazer as empresas fazerem isso. Não moralize o problema, porque se você o moralizar, você pode dizer nos States o que quiser. Já em filmes como Dossiê Pelicano, você se lembra, sem problema, grande empresa, até o presidente dos EUA pode ser corrupto. Não, este excesso de anti-capitalismo é um falso excesso. Deveríamos começar a formular questões mais fundamentais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;AMY GOODMAN:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #333333; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;Slavoj Žižek, seu mais recente livro, por que você o batizou Vivendo no Fim dos Tempos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 11.25pt; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 9pt;"&gt;&amp;nbsp;SLAVOJ ŽIŽEK:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="apple-converted-s
